31 de jan. de 2010

CLINT EASTWOOD – ENTRE O COLT E O PIANO


Quando se fala em Clint Eastwood, a imagem que nós, “quarentões”, normalmente mentalizamos, é a do pistoleiro misterioso e sem nome, de poucas palavras e imperdoável. O personagem de “bang bang spaghetti” se tornou padrão para Clint e seus incontáveis fãs, que como eu, não poderia aceitá-lo, a princípio, de outra forma.
Mas Clint Eastwood ao longo de sua vasta, produtiva e consagrada carreira artística não se limitou apenas a interpretar personagens durões no cinema. Além de interpretar, ele também dirigiu e produziu seus próprios filmes e documentários. Poucos sabem que ele também é músico amador nas horas vagas, toca piano e chegou a gravar alguns álbuns de jazz, que é o seu gênero musical favorito, além de apreciar também o blues e a country music e ter uma enorme discoteca em sua casa.
Mas o cinema e a música ainda era pouco para ele que partiu com tudo para a política, onde representando o partido republicano dos EUA chegou a ser eleito prefeito na cidadezinha de Carmel, na Califórnia.
Como um fã fiel do artista, que foi considerado o sucessor de John Wayne e um dos últimos e legítimos representantes do cinema-ação, pretendo a seguir, resumir o que foi sua cinematográfica e pessoal, numa homenagem sincera ao “velho Clint”.

Biografia – Clinton Eastwood, Jr. nasceu em 31 de maio de 1930 em San Francisco, na Califórnia (em plena Depressão), filho de Clinton Eastwood e Margareth Ruth (1909-2006). 
Clint tem ascendência escocesa, inglesa, alemã e irlandesa. Sua família era de classe média e protestante. Como seu pai, Clint trabalhou em diversas atividades por toda costa oeste norte-americana. Clint inicialmente sonhou com a carreira de cantor country, chegando a se matricular numa escola para compositores, sem sucesso. Ironicamente, mais tarde o seu estrondoso sucesso nas telas lhe abriu as portas para se dedicar paralelamente à música. Em 1949 se formou na universidade de Oakland, mais por méritos esportivos do que por estudos. Mesmo formado trabalhou como atendente em um posto de gasolina, foi bombeiro e tocou piano em um bar de Oakland. Em 1950 ao ser convocado para servir ao exército, seu avião cai em São Francisco. Gravemente ferido se livrou da Guerra da Coréia.
Década de 1950 – Sua carreira cinematográfica se iniciou na década de 1950. Fez pequenas aparições em filmes de baixo orçamento como Revenge Of The Creature, Tarantula e Francis In The Navy, todos realizados em 1955. Em 1958 consegue seu primeiro papel oficial no filme Ambush At Cimarron Pass (O Grito de Guerra dos Apaches), o qual considerou o pior filme que tinha feito. Em 1959 é convidado a atuar junto a James Garner, na série de western para TV intitulada Maverick. Animado, Clint se dedica a outra série de western chamada Rawhide pela rede CBS. Em Rawhide, que ficou no ar de 1959 a 1966, Clint atuou ao lado de Eric Fleming, que fazia o personagem principal, apesar de Clint naturalmente roubar a cena. 


O seriado também foi importante para Clint, já que ele apreciava o modo de dirigir de Ted Post, o que lhe faria passar para trás das câmeras um pouco mais tarde. Na época Clint classificaria seu personagem do seriado, Rowdy Yates, como “o idiota das planícies”. De qualquer forma foi em Rawhide que ele começou realmente a se fazer notar.

Década de 1960 – No início da década de 1960, mais precisamente em 1963, Clint chega à Itália a convite de Sergio Leone, um diretor ainda não tão famoso, que o convida para interpretar um misterioso pistoleiro sem nome, típico do western spaghetti, ou seja, bang bang versão italiana. Seguiu-se a trilogia que lançou definitivamente Clint Eastwood para o estrelato: For A Fistfull Of Dollars (‘O Magnífico Forasteiro’ ou ‘Por um Punhado de Dólares’ -1964); For A Few Dollars More (‘Por um Punhado de Dólares a Mais’ - 1965); e The Bad, The Good, And The Ungly (‘Três Homens em Conflito’ ou ‘O Mal, o Bom, e o Feio’ - 1966). 

Por um Punhado de Dólares

Sobre o desempenho de Clint e sua qualificação para o personagem que lhe caiu tão bem, Sergio Leone disse: “Eu gosto de Clint Eastwood porque ele tem somente duas expressões faciais. Uma com o cigarro na boca e outra sem”. A verdade é que seu carisma natural, sua presença física e sua inconfundível caminhada, aliado ao seu ar sonolento e aparentemente alheio, bastavam a Clint para preencher uma cena. Em seguida Eastwood e Leone rompem o “namoro” por causa de questões contratuais.
A série Rawhide é cancelada em 1967 e Clint parte novamente para o cinema com Hang ‘em High (A Marca da Forca) no mesmo ano. Era um western produzido nos EUA e dirigido por Ted Post, mas influenciado levemente pelo “spaghetti”, mas que não fica devendo muito aos anteriores realizados na Itália. Hang ‘em High foi o primeiro filme produzido da Malpaso, empresa de produção fundada pelo próprio Clint que já almejava sua independência.
Em Where Eagles Dare (O Desafio das Águias - 1968), um filme baseado numa missão aliada realizada na 2ª Guerra Mundial, Clint dividiu o papel principal com o já consagrado Richard Burton. Ainda em 1968 estrelou o western urbano dirigido por Don Siegel, chamado Googan´s Bluff (Meu Nome é Coogan). Neste Clint fazia o papel de um xerife caipira (Walt Coogan) que tenta impor sua lei na grande New York. O filme causou polêmica pelas cenas de violência e foi o início da parceria de mais de dez anos de Eastwood e Siegel.

Década de 1970 – No começo dos anos de 1970, o filme ambientado na 2ª Guerra Mundial, Kelly’s Heroes (Heróis por conta Própria – 1970) e o western dirigido por Don Siegel, Two Mules For Sister Sara (Os Abutres têm Fome - 1970) ao lado de Shirley MacLaine, foram uma combinação de ação e comédia. Explorou também o drama e o suspense em The Beguiled (O Estranho que Nós Amamos – 1971), dirigido por Siegel; e em Play Misty For Me (Perversa Paixão – 1971), finalmente estréia como diretor e tem o papel principal no qual interpreta um radialista perseguido por uma fã. 

Perversa Paixão - 1971

Em seguida, estoura um dos maiores sucessos de Clint Eastwood no cinema, Dirty Harry (Perseguidor Implacável - 1971), dirigido novamente por Siegel. Neste filme policial, Clint encarnava um inspetor durão de San Francisco, Harry Callahan. Dirty Harry gerou uma seqüência de filmes com o mesmo personagem, que lembrava aquele justiceiro de bang bang à italiana vivendo na época errada, sendo forçado a trocar seu colt 45 pela magnum 44. Assim vieram Magnum Force (Magnum 44 – 1973), dirigido por Ted Post; The Enforcer (Sem Mêdo da Morte – 1976), sob direção de James Fargo; Sudden Impact (Impacto Fulminante – 1983), dirigido pelo próprio Clint; e The Dead Pool (Dirty Harry na Lista Negra – 1988), dirigido por Buddy Van Horn. A série de 5 episódios foi um sucesso sem precedentes. E pensar que o papel de Dirty Harry (Harry, o sujo) foi recusado por Frank Sinatra e Paul Newman.
De volta com tudo ao bang-bang, ele interpreta Joe Kidd (Joe Kidd) em 1972 e High Plains Drifter (Pistoleiro do Diabo - 1973), onde ressurge com o personagem do justiceiro sem nome. Em The Outlaw Josey Wales (Josey Wales, o Fora da Lei - 1976), Clint ao meu ver, inspirou o surgimento do personagem de quadrinhos Jonah Rex. Clint interpretou e dirigiu os dois últimos. 


Em 1977, estrelou ao lado de Sondra Locke, The Gauntlet (Barreira de Fogo), onde interpretou um policial que deveria escoltar uma prostituta de Las Vegas até Los Angeles, para testemunhar contra um assassino.
Em 1978, estrelou Every Which Way But Loose (Doido para brigar, Louco para amar), uma comédia com ação onde ele interpreta a história de um caminhoneiro que lutava clandestinamente por dinheiro apostado nas ruas. Clint tinha como coadjuvante no filme um orangotango treinado. O filme foi um sucesso de público e crítica, acabando por render uma seqüência, Any Which Way You Can (Punhos de Aço) em 1980.
Clint fechou a década de 1970 com Escape From Alcatraz (Fuga de Alcatraz – 1979), no qual interpretou o presidiário Frank Morris, baseado na vida do fugitivo que realmente existiu e que após estudar detalhadamente e planejar a fuga perfeita, escapou em 1962 do famoso presídio ilhado que até então era de segurança máxima. Ele nunca foi recapturado e o FBI alegou que ele possivelmente teria se afogado na travessia a nado. O que é certo é que Alcatraz foi desativada pouco depois do incidente.

Década de 1980 – Em 1982, Eastwood foi a estrela principal, diretor e produtor de Firefox, que se baseava em torno de um avião espião norte-americano e a guerra fria. No final do mesmo ano produziu ‘Thelonius Monk: Straight, No Chaser’, um misto de filme e documentário, essencial para os todos os amantes do jazz, onde retratava a vida de Thelonius Monk, o saudoso e excêntrico pianista do jazz. 

Documentário sobre o pianista de jazz, Thelonius Monk

Seguiram-se os filmes Tightrope (Um agente na Corda Bamba – 1984) de sua produção, e City Heat também em 1984, onde dividiu o estrelato com Burt Reynolds. No ano seguinte Clint reviveu o gênero western para o cinema, um clássico ao meu ver, denominado Pale Rider (O Cavaleiro Solitário – 1985), filme que produziu, dirigiu e interpretou um pastor pistoleiro. Em Heartbreak Ridge 1986), produz e dirige o filme onde também interpreta um Sargento que prepara recrutas para a invasão de Granada. Volta-se para o jazz em Bird (Fim do Sonho – 1988), com sua direção e produção, no qual retrata a vida do lendário saxofonista de jazz, Charlie “Bird” Parker. Bird foi indicado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Década de 1990 – Em 1990 foi lançado White Hunter Black Heart (Caçador Branco, Coração Negro) o qual produziu, dirigiu e interpretou um personagem baseado no excêntrico cineasta John Houston que era obcecado pela caça. Em1992 Clint produziu, dirigiu e estrelou seu último western, Unforgiven (Os Imperdoáveis) onde fez o papel de um pistoleiro aposentado. Foi, talvez, a despedida do ator com chave de ouro do gênero que o consagrou nas telas. 

Clint no Os Imperdoáveis, seu último bang-bang?!

O filme co-estrelado por Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris foi sucesso de bilheteria, sendo nomeado para nove oscars e ganhando quatro, incluindo melhor filme e melhor diretor para o próprio Clint. Seguiram-se em 1993, com sua interpretação, direção e produção, In The Line Of Fire (Na Linha de Fogo) e A Perfect World (Um Mundo Perfeito), onde contracena com Kevin Costner.
Baseando-se num best-seller, Clint Eastwood produziu, dirigiu e estrelou junto à consagrada atriz Meryl Streep, o romance The Bridges of Madison County (As Pontes de Madison-1995), outro filme que foi um sucesso de bilheteria. Ainda em 1995, produziu The Stars Fell On Henrietta. Em 1997 foi diretor em Midnight In The Garden Of Good And Evil (Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal) e estrelou como também dirigiu Absolute Power (Poder Absoluto), um suspense co-estrelado por Gene Hackman, Ed Harris e Dennis Haysbert. Em 1999, veio True Crime (Um Crime Real) com sua produção e direção que estrelou junto a Isaiah Washington, um filme de baixo orçamento, mas que obteve grande bilheteria.

Década de 2000 – Em 2000, interpretou, dirigiu e produziu, Space Cowboys (Cowboys do Espaço) estrelando ao lado de Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e James “Maverick” Garner. Sobre uma equipe de veteranos da Nasa que tinha a missão de salvar um satélite russo, antes que ele caísse na Terra.
Em 2002 realizou Blood Work (Dívida de Sangue), que também dirigiu e interpretou um agente do FBI que caçava um psicopata.
Em 2003 produziu e apresentou um documentário da série dedicada à comemoração dos 100 anos do Blues, dirigida por Martin Scorcese. No documentário denominado Piano Blues, Clint apresenta e entrevista feras do piano blues como Ray Charles, Jay McShann, Doctor John e o pianista de jazz Dave Brubeck.

Clint e Ray Charles em Piano Blues
Ainda em 2003, dirigiu e produziu Mistic River (Sobre Meninos e Lobos), pelo qual foi indicado para melhor diretor. Em 2004 aos 74 anos, estrelou, dirigiu e produziu, Million Dollar Baby (Menina de Ouro) que lhe rendeu os oscars de melhor filme, melhor diretor para o próprio Clint, melhor atriz para Hillary Swank e melhor ator coadjuvante para Morgan Freeman. Clint foi indicado para melhor ator pelo mesmo filme.
No ano de 2006, Clint dirigiu dois filmes que abordava a batalha de Iwo Jima na Segunda Guerra Mundial. O primeiro foi Flags For Our Fathers (A Conquista da Honra) no qual focava o soldado que norte-americano que ergueu a bandeira dos EUA no topo do monte Suribachi, e o segundo, Letters From Iwo Jima (Cartas de Iwo Jima) sobre as táticas das forças japonesas na batalha e dos relatos contidos nas cartas escritas às suas famílias. Os filmes foram indicados para melhor diretor e melhor filme por Cartas de Iwo Jima.
Em 2008, aos 78 anos, o velho e incansável Clint Eastwood dirige Changeling (A Troca), estrelado por Angelina Jolie. No final do mesmo ano apresenta o excelente Gran Torino, onde interpreta um sujeito idoso e veterano de guerra, rabugento e racista que acaba por se envolver com uma família de imigrantes asiáticos graças a uma tentativa de roubo do seu carro, um Gran Torino, modelo clássico dos anos 70. O filme foi bem acolhido pela crítica, mas não lhe rendeu premiação pela academia.
No final do último ano, foi realizado Invictus (2009), sob a direção de Clint Eastwood. No elenco principal estão Morgan Freeman, Matt Damon e Scott Eastwood (filho de Clint e Maggie Johnson, nascido em 1986). 

Clint dirigindo Freeman e Damon em Invictus

O filme é sobre a tentativa de Nelson Mandela (Morgan Freeman) unir o povo sul-africano (negros e brancos) após sua posse em 1994, através de um campeonato mundial de rugby realizado em 1995 na África do Sul. E para isso conta com a ajuda do capitão da seleção sul africana François Pienaar (Matt Damon). O roteiro é do sul- africano Anthony Peckham, baseado no livro Playing The Enemy, de John Carlin.
Espero que tenham gostado da minha homenagem à Clint, procurei focar mais o seu lado artístico do que o pessoal, mas ainda em tempo, é sabido que ele foi casado duas vezes, tem cinco filhas e dois filhos, de cinco mulheres diferentes. Sua atual esposa é Dina Ruiz, sendo que viveu com a atriz Sondra Locke de 1976 a 1986, sem terem filhos.
Eastwood foi prefeito de Carmel-By-The-Sea no estado da Califórnia, uma cidade destinada à comunidade artística. Eleito, Clint procurou defender a preservação do meio ambiente local e era contra o desenvolvimento da cidade por empresas locais. Ele é membro do partido republicano desde 1951, apoiou Richard Nixon em 1968, votou para Arnold Schwarzenegger para governador da California em 2003 e 2006, e se descreve como libertarista.
Chegou a ser publicado pelo jornal inglês Daily Express uma declaração de Clint que Gran Torino seria sua última atuação como ator. Será mesmo? Espero que não, pois apesar de Clint estar atualmente com nada menos com 80 anos de idade e não precisar provar mais nada a nenhum crítico especializado, seus fãs, como eu, esperam dele sempre alguma boa surpresa. Vida longa ao velho mestre, Clint Eastwood!
Obs.: Como foi citado, Clint Eastwood também se aventurou pela música, aqui alguns títulos registrados de sua conquista:

Discografia

• "Unknown Girl" (single, 1961)
• "Rowdy" (single)
• "For You, For Me, For Evermore" (single)
• "Rawhide's Clint Eastwood Sings Cowboy Favorites" (LP)
• "Paint Your Wagon" (Banda sonora)
• "Kelly's Heroes" (Banda sonora)
• "Barroom Buddies" (single, 1980) com participação de Merle Haggard
• "Cowboy in a Three Piece Suit" (single, 1981)
• "Make My Day" (single, 1984) com T.G. Sheppard
• "Eastwood After Hours: Live At Carnegie Hall"
• "Gran Torino" (single, 2009) 

Por Eumário J. Teixeira.

21 de dez. de 2009

SNOOKS EAGLIN – THE BLIND MAN BLUES R.I.P. 21/01/1936 – 18/02/2009


No mundo do blues alguns nomes se sobressaíram mundialmente e se tornaram sinônimos do próprio gênero musical que defendiam, gente como Muddy Waters, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, Elmore James, Willie Dixon, Little Walter, etc.
Outros não se tornaram tão famosos em vida devido a fatores diversos, mas nem por isso são considerados menos importantes que os demais, pois foram cruciais para a formação de uma base sólida para o blues no cenário musical norte americano. Foram eles Skip James, Eddie Son House, Bukka White, Charlie Patton e Robert Johnson, que receberam reconhecimento póstumo ou pouco antes de partirem desta para melhor.
Um grupo diferenciado, porém, teve também o seu espaço reservado e como de praxe, somente foram cultuados anos após a derradeira viagem. Estou me referindo aos “Blind Men Blues”. Citarei a princípio alguns nomes básicos como Blind Lemon Jefferson (1893/1929); Blind Blake (1895/1937); Blind Gary Davis (1896/1975); Blind Willie McTell (1901/1959); Blind Willie Johnson (1902/1947) e Blind Boy Fuller (1907/1941), para finalmente chegar ao incrível Blind Snooks Eaglin, que posteriormente preferiu retirar o ´blind` de seu nome artístico para seguir adiante.
A música de Snooks Eaglin não se limitava ao blues
O blues de Snooks Eaglin não poderia ser definido simplesmente como pertencente a um determinado estilo, pois da mesma forma que influenciado pelo country blues, também foi pelo blues elétrico de Chicago, pelo soul, funk, folk, gospel, cajun, flamenco e jazz. Todas essas tendências eram unidas e temperadas com todas as ramificações possíveis da música de New Orleans, de onde ele não gostava de arredar o pé.
Sua música é como uma combinação dos temperos mais abrasivos da culinária daquela cidade colonizada por imigrantes franceses, que recebeu também influências culturais espanholas e afro-americanas; é impossível experimentar e não dizer: “Uau! Tá queimando... mas é muito bom...quero mais!


The blind man blues
Sua pegada, seja na guitarra acústica ou elétrica são inconfundíveis para quem acompanhou seu trabalho, seus solos econômicos e ao mesmo tempo magistrais não ficam devendo para nenhum guitarrista conhecido seja branco ou negro independentemente de qualquer estilo.
Snooks perdeu a visão quando criança, adaptou-se e desenvolveu uma técnica de tocar à sua condição especial e se sobressaiu de tal forma que só podermos entender como um dom dado por Deus. Ele nasceu para isso, tocar, cantar, respirar e transpirar a boa música, até que o Senhor achasse que seria a hora de parar. Ele soube compensar a perda da visão e de certa forma foi premiado com uma sensibilidade acima da média para interpretar o blues.
 


O glaucoma não o impediu de tocar com maestria
Biografia - Snooks Eaglin nasceu Fird Eaglin Jr., em 21 de janeiro de 1936 na cidade de New Orleans, do estado de Louisiana. Foi fortemente influenciado pelo vocal de Ray Charles, tanto que nos anos de 1950 se denominava “Little Ray Charles”. Conhecedor de inúmeras músicas dos mais variados estilos, Eaglin afirmava que seu repertório incluía mais de 2.500 canções, não sendo por acaso seu apelido de “the human jukebox”. Suas apresentações ao vivo eram sempre improvisadas, nunca tinha uma lista de canções determinadas para interpretar, cantava e tocava o que vinha na cabeça.
Eaglin começou a sofrer de glaucoma a partir do primeiro ano de vida, perdendo aos poucos sua visão, sendo que acometeu-se também de uma série de outros problemas de saúde que o obrigou a permanecer por alguns anos internado em hospitais. Por volta dos cinco anos de idade ganhou do pai uma guitarra, ele aprendeu a tocá-la por conta própria ouvindo blues e jazz no rádio. O garoto travesso ganhou o apelido “Snooks” de um personagem de um programa de rádio chamado “Baby Snooks”.
Em 1947 aos 11 anos de idade, Snooks ganhou uma concurso organizado pela estação de rádio WNOE, tocando “Twelfth Street Rag”. Três anos depois ele deixaria a escola para cegos para se tornar músico profissional. Em 1952, Eaglin ingressa nos Flamingoes, uma banda local iniciada por Allen Toussaint. Na banda, em acordo com os demais membros, Eaglin tocava tanto baixo como a guitarra. Snooks permaneceu com os Flamingoes por vários anos, mais ou menos até a metade da década de 1950.

O jovem Ford Eaglin e suas pequenas admiradoras
Sua carreira solo foi inconsistente, em termos de gravações, apesar de quase 50 anos de profissionalismo. Sua discografia não foi tão diversa. Sua primeira gravação aconteceu em 1953, tocando guitarra numa sessão para James “Sugar Boy” Crawford.
O primeiro álbum solo já com seu pseudônimo, veio através de Harry Oster, um folclorista da Universidade do Estado de Louisiana, que o encontrou tocando nas ruas de New Orleans. Oster realizou as gravações de Eaglin entre 1958 e 1960 durante sete sessões. Estas gravações magistrais foram registradas em álbum do selo Prestige/Bluesville. As gravações eram de estilo ‘folk blues’ e Eaglin arrasa com apenas sua guitarra acústica sem uma banda de apoio.
De 1960 a 1973 Eaglin gravou pela Imperial. Ele tocou guitarra elétrica nas sessões pela Imperial com uma banda no fundo que incluía James Booker no piano e Smokey Johnson na bateria. Eaglin gravou um total de 26 faixas que puderam ser apreciadas no cd The Complete Imperial Recordings. A maioria do material fora escrito por Dave Bartholomew. Ao contrário das gravações na Harry Oster Recordings, esse trabalho na Imperial foram de rhythm & blues típico de New Orleans, no estilo que o tornou amplamente conhecido até hoje. Depois da Imperial, em 1964, ele gravou sozinho com uma guitarra para a Swedish Broacasting Corporation, o que culminou em I Blueskvart 1964:Vol. 3. Quanto ao restante da década de 1960, aparentemente não se registrou nenhuma outra gravação.


Eaglin (guitarra) dando uma força ao Professor Longhair (piano)
Seu próximo trabalho seria para uma gravadora sueca, a Sonet em 1971, em The Legacy Of Blues Vol. 2. Um outro álbum Down Yonder foi realizado em 1978 no qual se destacava Ellis Marsalis no Piano. À parte de seu próprio trabalho, ele gravou com Professor Longhair em 1971 e 1972 registrado em Mardi Gras In Baton Rouge. Eaglin também tocou guitarra estilo funk no primeiro álbum de The Wild Magnolias gravado em 1973.
Na década de 1980 ele se integra à gravadora Black Top Records. Foram os anos mais consistentes de sua carreira. Entre 1987 e 1999, ele gravou quatro discos de estúdio e um disco ao vivo e ainda participou como convidado de um bom número de gravações de outros artistas da Black Top, como Henry Butler, Earl King e Tommy Ridgley.
Depois da Black Top fechou as portas, Eaglin realisou The Way It Is na gravadora Money Pit Records, produzido pelos mesmos irmãos Scott da extinta Black Top. Em 1997 a versão de Eaglin para “St. James Infirmary”, se destacou num anúncio da Budweiser para TV no Reino Unido.



Ford "Snooks" Eaglin detonando em New Orleans
Infelizmente para todos os amantes da boa música, Snooks Eaglin faleceu vítima de ataque do coração no Ochsner Medical Center de New Orleans em 18 de fevereiro de 2009. Ele tinha recebido um diagnóstico de câncer de próstata em 2008 e havia se internado para tratamento. Snooks tinha esperanças de voltar a tempo para se apresentar no Festival de Jazz de New Orleans que se realizaria na primavera de 2009.
Por muitos anos Eaglin morou em St. Rose no subúrbio de New Orleans com sua espôsa Dorothea. Embora ele não se apresentasse muito em shows ao vivo, ele regularmente aparecia no Rock n’ Bowl em New Orleans, e também no New Orleans Jazz Fest.
Esta foi minha pequena homenagem ao grande músico e bluesman, que apesar de não ter sido tão reverenciado e reconhecido como merecia, sabemos eu e os que o conheceram, ou que pelo menos escutaram sua voz e suas guitarras em discos, que seu seu valor era inestimável para todos os amantes da música de qualidade e do bom, velho e incorruptível blues. 



O essencial The Legacy of the Blues Vol. 2
Discografia básica de Snooks Eaglin:
- That´s All Right (Prestige/Bluesville) 1961
- The Legacy Of The Blues Vol. 2 (Sonet) 1971
- Down Yonder – Snooks Eaglin Today ! (Sonet) 1978
- Baby, You Can Get Your Gun! (Black Top) 1987
- Out Of Nowhere (Black Top) 1989
- Country Boy Down In New Orleans (Arhoolie) 1991
- Teasin’ You (Black Top) 1992
- Soul’s Edge (Black Top) 1995
- Soul Train From ‘Nawlins: Live At Park Tower:Live At Park Tower Blues Festival ’95 (Black Top) 1996
- The Way It Is (Money Pit) 2002
- New Orleans Street Singer (Smithsonian Folkways) 2005


Snooks Eaglin, uma lenda subestimada do blues de New Orleans
Um link no you tube onde Snooks Eaglin canta e toca "Baby Please":
Eumário J. Teixeira

14 de nov. de 2009

O JUDOKA - Dos gibis ao cinema


Pertenço a uma geração que cresceu influenciada pelas histórias-em-quadrinhos, gibis ou “revistinhas”. No início da década de 1970 iniciou-se a época de ouro dos quadrinhos no Brasil, pelo menos para mim. Quando ainda era um ‘pré-adolescente’, descobri as revistinhas através de primos mais velhos que tinham uma grande coleção de personagens variados tais como, Batman & Robin, Superman, Superboy, Aquaman, Tarzan, Cheyenne, Zorro, Fantasma, Mandrake, Cavaleiro Negro, Homem Aranha, Capitão América, Homem de Ferro, Thor, etc. Fiquei tão fascinado pelas histórias e sobretudo com as ilustrações que comecei a tentar reproduzi-las num caderninho de desenho lá pelos meus 10 ou 11 anos de idade. Era o que queria da vida, ser desenhista de gibis e ganhar dinheiro com isso. Os meus heróis preferidos eram Batman (de Neil Adams e Dick Giordano), Homem de Ferro (de George Tuska), Homem Aranha (de John Romita), Cheyenne, Cavaleiro Negro e Fantasma (de Sy Barry), mas todos eles eram personagens criados nos Estados Unidos baseados em sua própria cultura e seu modo de vida e, apesar de serem interessantes, eu não tinha como me projetar para o mundo em que viviam.
Durante os fins de semana em meados da década de 1970, eu costumava visitar alguns primos num bairro mais afastado de onde morava, foi lá que me revelaram a coleção de O Judoka, um herói brasileiro e literalmente verde e amarelo. Os desenhos não eram tão caprichados e técnicos como os dos americanos, mas me identifiquei imediatamente com o personagem, fora o fato de que eu percebia que com esforço poderia reproduzir o personagem no meu caderninho de desenho.

Desenhos de Cláudio Almeida
O Judoka (brasileiro) foi criado em 1969 pela Ebal (Editora Brasil-América), que publicou até a sexta edição a revista homônima com o personagem ‘Judomaster’ (criado pelo norte-americano Frank Mclaughin da Charlton Comics). A partir da sétima publicação o nosso Judoka substituiu o Judomaster. 
Desenhos de Francisco F. Sampaio
Passava desapercerbido para mim ainda criança e talvez para muitos rapazes alienados, que vivíamos sob uma suposta ditadura militar e que o personagem de cunho patriótico exaltava o orgulho de ser brasileiro e defendia as virtudes do nosso país. O Brasil jazia sobre o comando do General Emílio Garrastazu Médici e era embalado pelo famoso slogan político “Brasil, ame-o ou deixe-o!”. Com a nossa seleção tornando-se tri-campeã de futebol no méxico em 1970, graças a Pelé e companhia, fortaleceu-se ainda mais a campanha patriótica imposta pelo governo militar dito repressivo que combatia os agentes subversivos comunistas e guerrilheiros terroristas.
Mas o Judoka não tinha nada a ver com isso e muito menos eu, o que me importava mesmo era os desenhos e as aventuras do herói.


Desenhos de Mário José de Lima
As histórias eram escritas por Pedro Anísio (alguém sabe do seu paradeiro?) e desenhadas por uma equipe de artistas que se revezavam a cada edição. O meu desenhista predileto era Mário José de Lima, (de estilo simples, quase rascunhado) que desenhou “Nas Garras do Homem Búfalo”; “Marcianos na Floresta”; “Perigo no Pão de Açúcar”, etc., e os outros eram Fernando Eduardo Baron (que era diretor de arte da EBAL), Floriano Hermeto de Almeida Filho ou FHAF (de estilo europeu, audacioso e interessante), Benedito Cândido Machado Filho (que tinha estilo semelhante ao do americano John Buscema), Cláudio Almeida, Alberto Silva e finalmente Francisco Ferreira Sampaio, que segundo consta, sofria de problemas psicológicos e cometeu suicídio em 2003 pulando da janela de seu apartamento no bairro carioca de Fátima; Francisco aliás, dava ao Judoka traços semelhantes ao do ator Pedro Aguinaga. Alguém sabe algo sobre esses caras? Se os demais estão ainda vivos, como estarão? Se alguém me der alguma dica, agradeço.  O personagem o Judoka em sua identidade secreta era um jovem estudante chamado Carlos que tinha como mestre de Judô o sábio e esotérico Shiram Minamoto. 
 
Desenhos de Floriano Hermeto de A. Filho

Carlos ou Judoka, não tinha um judomóvel, e sim um volkswagen presenteado pelo tio Bené, com quem trabalhava num escritório de Arquitetura, apesar de descolar uma moto de vez em quando; tinha também uma namorada de nome Lúcia, que mais tarde se tornaria sua parceira contra o crime. Os uniformes da dupla eram praticamente iguais, usavam um macacão de malha justa de cor verde com um losango amarelo no peito e apenas a parte superior do kimono (de cor branca) e a faixa prêta, é claro. As aventuras aconteciam em todo o Brasil apesar de o Judoka ser carioca da gema, pois enfrentou falsos marcianos no triângulo mineiro, confrontou-se com os gigantes de Apuarema em Salvador e enfrentou bandoleiros em plena construção 
da Transamazônica. Como o Judoka dos quadrinhos fez muito sucesso, resolveram fazer uma versão para o cinema com o consagrado modêlo Pedro Aguinaga no papel do herói e a atriz Elizângela como Lúcia. O filme foi lançado em 1973, e foi um fracasso.

Desenhos de Alberto silva
Não tive oportunidade de assistir e acho que não chegou a ser distribuído para o interior do país. De qualquer forma, seria interessante conferir uma cópia, se alguém a tiver ou puder me informar onde consegui-la, ficarei muito grato. Sei que o galã Pedro Aguinaga além de nunca ter sido um bom ator, nunca tinha treinado artes marciais na vida, no máximo deve ter feito um “curso intensivo” de judô e karatê para as filmagens, também não tinha o tipo físico ideal para o personagem, pois era muito alto e magro para o padrão brasileiro. Já Elizângela, uma boa atriz de novelas televisivas, típica morena brasileira, bonita, charmosa e de pernas bem feitas, caiu como uma luva para o papel. Carlos (O Judoka) representou para muitos adolescentes brasileiros, o mesmo que o personagem de Peter Parker (Homem Aranha) para os jovens norte-americanos. Era um cara comum que tinha família, trabalhava, estudava, tinha uma namorada e uma identidade secreta que lhe trazia sérios problemas. Você fantasiava e pensava: “Puxa vida, isso poderia ter acontecido comigo”. A revista O Judoka durou por 5 anos, de 1969 a 1973, um marco, em se tratando de um herói genuinamente nacional que competia com os heróis e super-heróis da D. C. Comics e Marvel americanas. 
Viva o Judoka!
O Judoka em ação no filme de 1973
Por Eumário José Teixeira.

9 de nov. de 2009

OBITUÁRIO DA MÚSICA

Com o simples objetivo de informar e se manter informado venho a partir desta tentar manter esse obituário atualizado, para que a partida de alguns nomes importantes da música não passem desapercebidos.
Obs.:Aceito ajuda para atualização ou correção do quadro.

Lista Internacional:

Década de 1950
- 25/12/1954 - Johnny Ace (cantor), brincando de roleta russa com um revólver, aos 25 anos
- 12/03/1955 – Charlie Parker, fundador do movimento bebop no jazz, saxofonista, conhecido como “bird”
- 03/02/1959 - Buddy Holly (guitarrista, vocalista e compositor do The Crickets), acidente aéreo, aos 23 anos
- 03/02/1959 - Ritchie Valens (cantor), acidente aéreo, aos 18 anos
- 03/02/1959 - J.P. Richardson (cantor e compositor), acidente aéreo, aos 29 anos
- 17/07/1959 – Billy Hollday (Eleanor Fagan Gough) chamadas pelos fãs de Lady Day, cantora de estilo elegante e charmoso de jazz, blues e love songs, complicações hepáticas aos 44 anos

Década de 1960
- 17/04/1960 - Eddie Cochran (cantor e compositor), acidente automobilístico, aos 22 anos
- 10/04/1962 - Stuart Sutcliffe (ex-baixista do The Beatles), hemorragia cerebral, aos 22 anos
- 05/03/1963 - Patsy Cline (cantora de rockabilly), acidente aéreo, aos 31 anos
- 24/05/1963 – Elmore James, de vocal estridente era considerado o rei da slide guitar, um ícone do blues, gravou ¨Dust My Broom” e “It Hurts Me Too”, ataque cardíaco aos 45 anos.
- 01/08/1964 - Johnny Burnette (cantor), afogado em um acidente de barco, aos 30 anos
- 21/10/1965 - Bill Black (baixista de Elvis Presley), aos 39 anos
- 18/07/1966 - Bobby Fuller (cantor), suicídio (ou assassinato), aos 24 anos
- 07/10/1966 - Johnny Kidd (vocalista do Johnny Kidd & The Pirates ), acidente automobilístico, aos 27 anos
- 17/07/1967 – John Coltrane, Saxofonista e compositor de jazz, de câncer no fígado.
- 14/05/1969 - Martin Lamble (baterista do Fairport Convention), acidente automobilístico
- 03/09/1969 - Brian Jones (guitarrista dos Rolling Stones), afogamento, aos 27 anos

Década de 1970
- 03/09/1970 - Alan Wilson, vocalista, gaitista e guitarrista do Canned Heat, de overdose, aos 27 anos
- 18/09/1970 - Jimi Hendrix, overdose, aos 27 anos
- 04/10/1970 - Janis Joplin, overdose, aos 27 anos
- 03/07/1971 - Jim Morrison, overdose, aos 27 anos
- 12/10/1971 - Gene Vincent, pioneiro do rock & roll, úlcera, aos 36 anos
- 29/10/1971 - Duane Allman, guitarrista slide (The Allman Brothers Band), acidente de motocicleta, aos 25 anos
- 27/01/1972 – Mahalia Jackson, rainha do gospel, influência decisiva para Aretha Framklin, de causas naturais.
- 27/04/1972 - Phil King (baixista do Blue Oyster Cult), assassinado
- 03/05/1972 - Leslie Harvey (guitarrista do Stone the Crows), eletrocutado no palco ao pisar no fio do microfone com os pés molhados
- 02/08/1972 - Brian Cole (baixista do Associations), overdose, aos 27 anos
- 06/11/1972 - Billy Murcia (baterista do The New York Dolls), overdose, aos 21 anos
- 21/11/1972 - Berry Oakley (The Allman Brothers Band), acidente de motocicleta
- 08/03/1973 - Ron "Pigpen" McKernan (tecladista do Grateful Dead), complicações estomacais, aos 27 anos
- 14/06/1973 - Clarence White (ex-The Byrds), atropelado
- 19/09/1973 - Gram Parsons (ex-The Byrds), overdose de tequila e morfina
- 26/11/1973 - John Rostill (integrante do The Shadows), eletrocutado enquanto tocava guitarra em um estúdio caseiro, aos 31 anos
- 17/04/1974 - Vinnie Taylor (guitarrista do Sha Na Na e do Canned Heat), overdose, aos 24 anos
- 23/09/1974 - Robbie McIntosh (baterista da Average White Band), overdose ao cheirar heroína pura pensando que era cocaína, aos 42 anos
- 08/05/1974 - Graham Bond, acidente (ou suicídio) ao cair nos trilhos do metrô
- 29/07/1974 - Mama Cass (The Mamas & The Papas), ataque cardíaco, aos 30 anos
- 25/11/1974 - Nick Drake, overdose de antidepressivos, aos 26 anos
- 23/04/1975 - Pete Ham (integrante do Badfinger), suicídio, aos 28 anos
- 02/10/1975 - Dave Alexander (baixista do The Stooges), pneumonia, aos 28 anos
- 08/12/1975 - Gary Thain (ex-integrante do Uriah Heep), overdose, aos 27 anos
- 10/01/1976 – Howlin’ Wolf (Chester Arthur Burnett), um dos pilares do blues de Chicago, vocalista de voz gutural e uivante, gaitista e guitarrista, gravou “Sittin’ On Top Of The World”, “The Red Rooster” e “who’s Be Talking”, complicações em cirurgia aos 66 anos
- 04/12/1976 - Tommy Bolin (guitarrista do Deep Purple), overdose aos 25 anos
- 28/12/1976 – Freddy (Freddie) King, guitarrista influente do blues gravou “I’ m Tore Down” e “Hide Away”, Eric Clapton era seu grande fã, precocemente de ataque cardíaco
- 16/08/1977 - Elvis Presley, o rei do Rock, insuficiência cardíaca, aos 42 anos
- 16/09/1977 - Marc Bolan, acidente automobilístico, aos 30 anos
- 20/10/1977 - Ronnie van Zant (Lynyrd Skynyrd), acidente aéreo
- 20/10/1977 - Steven Gaines (Lynyrd Skynyrd), acidente aéreo
- 23/01/1978 - Terry Kath (vocalista e guitarrista do Chicago), ao disparar uma arma acidentalmente contra a própria cabeça, aos 32 anos
- 07/09/1978 - Keith Moon (baterista do The Who), overdose, aos 32 anos
- 27/12/1978 - Chris Bell (guitarrista do Big Star), acidente automobilístico, aos 27 anos
- 02/02/1979 - Sid Vicious (baixista dos Sex Pistols), overdose, aos 22 anos
- 19/08/1979 - Dorsey Burnette, ataque cardíaco, aos 47 anos
- 17/11/1979 - John Glascock (baixista do Jethro Tull), complicações cardíacas, aos 28 anos

Década de 1980
- 19/02/1980 - Bon Scott (vocalista do AC/DC), sufocado com o próprio vômito devido a coma alcoólico, aos 33 anos
- 18/05/1980 - Ian Curtis (vocalista do Joy Division), suicídio por enforcamento, aos 23 anos
- 25/09/1980 - John Bonham (baterista do Led Zeppelin), overdose alcoólica, aos 33 anos
- 08/12/1980 - John Lennon (guitarrista e vocalista dos Beatles), assassinado, aos 40 anos
- 15/02/1981 – Michael (Mike) Bloomfield, guitarrista norte americano de blues rock, tocou com Paul Butterfield, American Flag, Al Kooper e Bob Dylan, de overdose aos 37 anos.
- 19/02/1981 - Bill Haley, ataque cardíaco, aos 55 anos
- 05/04/1981 - Bob "The Bear" Hite (vocalista do Canned Heat), infarto, aos 35 anos
- 11/05/1981 - Bob Marley (guitarrista e vocalista do The Wailers), câncer, aos 36 anos
- 04/02/1982 - Alex Harvey (líder da The Sensational Alex Harvey Band), ataque cardíaco, aos 47 anos
- 17/02/1982 – Thelonious Monk, pianista e compositor de jazz, de estilo nada ortodoxo.
- 19/03/1982 - Randy Rhoads (guitarrista do Ozzy Osbourne), acidente aéreo, aos 25 anos
- 16/06/1982 - James Honeyman-Scott (guitarrista do The Pretenders), overdose, aos 24 anos
- 14/04/1983 - Pete Farndon (baixista do The Pretenders), overdose, aos 30 anos
- 17/04/1983 - Felix Pappalardi (baixista e tecladista do Mountain), assassinado a tiros por sua esposa, aos 43 anos
- 30/04/1983 – Muddy Waters (Mckinley Morganfield), um dos pilares do blues, gravou “Mannish Boy”, “I’m Your Hoochie Coochie Man”, guitarrista slide e voz característica, ataque cardíaco aos 68 anos
- 23/11/1983 - Tom Evans (guitarrista do Badfinger), suicídio por enforcamento, aos 36 anos
- 28/12/1983 - Dennis Wilson (baterista do Beach Boys), afogado, aos 39 anos
- 01/04/1984 - Marvin Gaye, assassinado pelo próprio pai, aos 44 anos
- 28/02/1985 - David Byron (vocalista fundador do Uriah Heep), ataque cardíaco, aos 38 anos
- 12/12/1985 - Ian Stewart (tecladista do Rolling Stones), ataque cardíaco, aos 47 anos
- 04/01/1986 - Phil Lynott (vocalista e guitarrista do Thin Lizzy), problemas cardíacos e pneumonia causados pelo abuso de drogas, aos 36 anos
- 04/03/1986 - Richard Manuel (integrante do The Band), suicídio, aos 41 anos
- 27/09/1986 - Cliff Burton (baixista do Metallica), acidente de ônibus, aos 24 anos
- 04/05/1987 - Paul Butterfield, fundador da Butterfield blues Band, gaitista e vocalista de blues rock, overdose, aos 44 anos
- 11/09/1987 - Peter Tosh, assassinado, aos 42 anos
- 06/12/1988 - Roy Orbison, vocalista melancólico e pioneiro do rock & roll, ataque cardíaco, aos 52 anos
- 27/06/1988 - Hillel Slovak (guitarrista do Red Hot Chilli Peppers), overdose, aos 26 anos

Década de 1990
- 23/01/1990 - Allen Collins (integrante do Lynyrd Skynyrd), pneumonia, aos 37 anos
- 27/08/1990 - Stevie Ray Vaughan, guitarrista texano influenciado por Jimi Hendrix e Albert King, de acidente aéreo, aos 35 anos
- 06/09/1990 - Tom Fogerty (guitarrista rítmico do Creedence Clearwater Revival), irmão de John Forgety, tuberculose, aos 48 anos
- 08/01/1991 - Steve Clark (guitarrista do Def Leppard), insuficiência respiratória, aos 30 anos
- 20/04/1991 - Steve Marriott (ex-vocalista do The Small Faces), em um incêndio, aos 46 anos
- 23/04/1991 - Johnny Thunders (integrante do New York Dolls), overdose, aos 38 anos
- 17/09/1991 - Rob Tyner (vocalista do MC5), ataque cardíaco, aos 46 anos
- 24/11/1991 - Freddie Mercury (vocalista do Queen), AIDS, aos 45 anos
- 24/11/1991 - Eric Carr (baterista do Kiss), câncer, aos 41 anos
- 21/12/1992 – Albert King, guitarrista canhoto de blues, mestre da flying V guitar, gravou “Born Under A Bad Sign” e “Crosscut Saw”, ataque cardíaco
- 28/06/1993 - G.G. Allin, overdose, aos 36 anos
- 17/10/1993 - Criss Oliva (guitarrista do Savatage), acidente de carro, aos 30 anos
- 04/12/1993 - Frank Zappa, câncer, aos 52 anos
- 05/04/1994 - Kurt Cobain (vocalista e guitarrista do Nirvana), suicídio aos 27 anos
- 06/09/1994 - Nicky Hopkins (tecladista e pianista), problemas cardíacos, aos 50 anos
- 05/11/1994 - Fred "Sonic" Smith (guitarrista do MC5), ataque cardíaco, aos 55 anos
- 08/08/1995 - Jerry Garcia (vocalista e guitarrista Grateful Dead), aos 53 anos
- 12/07/1996 - Johnatan Melvoin (tecladista do Smashing Pumpkins), overdose aos 37 anos
- 17/07/1996 - Chas Chandler (baixista do The Animals), aos 57 anos
- 14/05/1997 – Frank Sinatra, “the voice”, “the blues eyes”, ataque cardíaco aos 82 anos.
- 04/06/1997 - Ronnie Lane (ex-baixista do The Small Faces), esclerose múltipla, aos 51 anos
- 31/10/1997 - John Denver (cantor solo), acidente aéreo, aos 55 anos
- 22/11/1997 - Michael Hutchence (vocalista do INXS), suicídio, aos 37 anos
- 15/12/1997 - Kurt Winter (integrante do Guess Who), câncer no fígado, aos 51 anos
- 19/01/1998 - Carl Perkins, pioneiro do rockabilly, câncer, aos 65 anos
- 06/02/1998 - Carl Wilson (integrante do Beach Boys), câncer, aos 51 anos
- 05/04/1998 - Cozy Powell (baterista famoso por tocar com Black Sabbath, Yngwie Malmsteen, entre outros), acidente automobilístico, aos 51 anos
- 20/08/1999 - Bobby Sheehan (baixista do Blues Traveler), overdose, aos 31 anos

Década de 2000
- 19/12/2000 - Robert Buck (guitarrista do 10.000 Maniacs), complicações no fígado, aos 42 anos
- 15/04/2001 - Joey Ramone (vocalista dos Ramones), de câncer linfático
- 21/06/2001 - John Lee Hooker, ícone do country (talking) blues, guitarrista e vocalista influente, gravou “ Boogie Chillen” e “ One Bourbon, One Scotch, One Beer”, causas naturais, aos 83 anos
- 29/11/2001 - George Harrison (vocalista e guitarrista dos Beatles), câncer, aos 58 anos
- 13/12/2001 - Chuck Schuldiner (guitarrista/vocalista do Death), câncer, aos 34 anos
- 16/12/2001 - Stuart Adamson (ex-vocalista do Big Country), asfixia por enforcamento, aos 43 anos
- 05/06/2002 - Dee Dee Ramone (baixista dos Ramones), overdose, aos 50 anos
- 28/06/2002 - John Entwistle (baixista do The Who), ataque cardíaco, aos 57 anos
- 12/01/2003 - Maurice Gibb (vocalista, baixista e tecladista do Bee Gees), ataque cardíaco, 53 anos
- 12/09/2003 - Johnny Cash (Cantor e guitarrista de country & rock), Síndrome de Shy-Drager e Diabetes,71 anos
- 06/10/2003 - Dave Rowberry (tecladista do The Animals), ataque cardíaco, aos 62 anos
- 15/09/2004 - Johnny Ramone (guitarrista dos Ramones), câncer na próstrata, aos 55 anos
- 08/12/2004 - Dimebag Darrell (ex-guitarrista do Pantera), assassinado, aos 38 anos
- 07/07/2006 - Syd Barrett (ex-Pink Floyd) complicações decorrentes da diabetes, aos 60 anos
- 17/07/2006 – Sam Myers, bluesman, gaita e voz, de causas naturais
- 07/09/2006 – Bonnie Lee, cantora de Blues, de causas naturais
- 03/08/2006 - Arthur Lee (commpositor e vocalista do Love), considerado por muitos um gênio não reconhecido, de leucemia, aos 61 anos
- l8/10/2006 – Snooky Pryor, bluesman, gaita e voz, de causas naturais
- 17-11-2006 – Ruth Brown, cantora de blues, soul e jazz
- 21/11/2006 - Robert Lockwood Junior, bluesman, afilhado do lendário Robert Johnson, de causas naturais
- 25/12/2006 - James Brown, mestre do funk e soul, pneumonia, aos 73 anos
- 09/03/2007 - Brad Delp (vocalista do Boston), suicídio por inalação de monóxido de carbono, aos 55 anos
- 05/04/2007 - Mark St. John (ex-guitarrista do Kiss), derrame, aos 51 anos
- 21/04/2007 - John Baslington (guitarrista da banda The Aztecs), câncer de garganta, aos 65 anos
- 06/05/2007 – Carey Bell, gaitista e vocalista de blues, de causas naturais
- 12/12/2007 – Ike Turner, ex-marido de Tina Turner, vocalista, compositor, arranjador, multi-instrumentista de blues e soul, de causas naturais
- 02/06/2008 - Bo Didley, Ellias McDaniel, pioneiro do rock & roll dos anos 50, de causas naturais
- 18/02/2009 - Blind Snooks Eaglin, ou melhor, Fird Eaglin Jr., mestre do blues e da música folk de New Orleans, de ataque cardíaco. Saudades da voz e guitarra do Blind Man Blues.

Lista Nacional

Década de 1970
- 17/02/1973 – Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho), mestre de choro, maxixe,samba e valsa, dominava o saxofone e a flauta, causa naturais aos 75 anos

Década de 1980
- 21/09/1980 – Valdir Azevedo, autor do choro “Brasileirinho”, músico e compositor, mestre do cavaquinho, de causas naturais
- 30/11/1980 – Cartola (Angenor de Oliveira), mestre de samba, compositor e cantor,aos 72 anos de câncer
- 02/08/1989 – Luiz Gonzaga (Luiz Gonzaga do Nascimento), o rei do baião, aos 76 anos de parada cárdio-respiratória
- 21/08/1989 - Raul Seixas, parada cardíaca, aos 43 anos

Década de 1990
- 07/07/1990 - Cazuza, AIDS, aos 32 anos
- 15/03/1998 – Tim Maia (Sebastião Rodrigues Maia), cantor de soul e MPB, aos 55 anos, de infecção generalizada
- 18/04/1998 – Nelson Gonçalves (Antonio Gonçalves Sobral), o Frank Sinatra do Brasil nos anos 40 e 50, enfarte agudo do miocárdio
- 14/11/1999 – Zé Kéti (José Flores de Jesus), compositor, intérprete e sambista tradicional, aos 78 anos de falência múltipla de órgãos

Década de 2000
- 13/06/2001 - Marcelo Fromer (guitarrista dos Titãs), atropelamento
- 29/12/2001 - Cássia Eller, a “Janis Joplin brasileira”, parada cardíaca, aos 39 anos.
- 14/06/2008 – Jamelão (José Bispo Clementino dos Santos), intérprete de samba tradicional, sambas-enrêdo, de falência múltipla de órgãos

Por Eumário J. Teixeira.

18 de out. de 2009

ELVIS PRESLEY E O CRISTIANISMO

A música gospel é tradicional e respeitada nos Estados Unidos da América. Os estados de Louisiana, Tennesee, Arkansas, Texas e Mississipi que o digam; mas, precisamente na cidade de Memphis, no Tennesee, a música de louvor martelou a cabeça de uma geração de jovens criados num regime familiar rígido e moralista, típico daquelas regiões. Mas foi nesses estados mais ao sul dos EUA que surgiram alguns dos maiores ícones do rock & roll, que representariam a juventude transviada norte-americana dos anos de 1950. A saber, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins, Johnny Cash, Roy Orbinson e, é claro, Elvis the pelvis.

Elvis Presley foi criado por sua mãe dentro dos padrões de uma família cristã temente a Deus, pois freqüentava regularmente as escolas dominicais da sua igreja. Poderia perfeitamente ter se tornado um 'pescador de almas', já que tinha fé, carisma e desenvoltura para isso. Se dependesse de Gladys, sua mãe, assim teria sido.
Ele assistia constantemente as pregações do pregador da Igreja Batista de East Trig em Memphis, que era famoso por seu louvor e pregações animados pelo “fogo do Espírito”; e também admirava as performances dos Blackwood Brothers, conjunto gospel preferido de sua mãe. O irmãos Balckwood cantaram no funeral de Gladys em 1958 e aliás, a morte da mãe por ataque cardíaco, ocasionou a Elvis uma profunda depressão e desde então ele nunca mais foi o mesmo.
Elvis e e o grupo vocal gospel Statesmen Quartet
Na igreja além do gospel e spirituals, Elvis curtia as performances dos pregadores que corriam de um lado para o outro no púlpito, martelando o piano e sacudindo a cabeça, braços e pernas. Ele percebia desde cedo que para cantar com “feeling” não bastava só a voz, mas também usar todo o corpo para se expressar verdadeiramente.
Mas além de acompanhar e interpretar muito bem gospel e spirituals nos cultos da igreja, Elvis se sentia muito confortável para cantar os ritmos mudanos da country music, o rockabilly e particularmente o blues. Mas o bom rapaz teve um empurrãozinho do diabo que percebera o potencial do mesmo para seduzir multidões levando-o a gravar seu primeiro compacto, uma homenagem a sua mãe, na Sun Records em Memphis. Só que ao invés de gravar um louvor comportado para a mãe cristã, Elvis improvisa e grava uma versão acelerada de “That´s Alright Mama” do bluesman Arthur “Big Boy” Crudup.


CD coletânea com 40 faixas de gospel gravadas por Elvis
Elvis Presley selou seu próprio destino ao criar do nada uma forma diferente de interpretar o rhythm & blues negro que o fez desviar do caminho de louvor e adoração à Deus. E direcionando todo o seu potencial para o rock & roll, Elvis foi adotado pouco depois pelo empresário farejador de dinheiro e sem escrúpulos Tom Parker, que se apossou com muita competência da vida e alma do futuro “Rei do rock”. Até o fim de sua vida, Elvis foi controlado como a um marionete pelo Cel. Parker e quando nem mesmo as injeções de anfetamina e outras drogas químicas receitadas pelo famigerado Dr. George Nichopolous e outros diferenciados meios de fuga como garotas de programa, gula e consumismo desenfreado, lhe traziam a paz, ele se refugia na música gospel, que era seu porto seguro.

Em
Tiago 1.13-15, se lê: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atraí e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” 


Elvis Aaron Pressley (com dois 's') nasceu em Tupelo, Mississipi, na madrugada em 8 de janeiro de 1935, trinta e cinco minutos após seu irmão gêmeo Jesse, que veio ao mundo já morto (Elvis se culparia por toda a vida pela morte de Jesse). Quando Elvis fez 1 ano de idade em 1936, Tupelo foi varrida por um furacão, causando destruição de igrejas, escolas, casas, com um saldo de mais de 200 mortos e centenas de feridos. A tragédia fez com que as diferenças raciais acirradas na época fossem deixadas de lado por um tempo até a reconstrução da cidade. Para piorar as coisas seu pai, Vernon Presley, foi preso em 1937 por falsificação de cheque e só liberto em 1941.
Elvis e Mahalia Jackson (à esquerda)
Com o início de vida atribulado, o jovem Elvis (com 9 anos de idade) teria sido batizado com o Espírito Santo numa Igreja Assembléia de Deus que seguia a doutrina pentecostal. Em 1948 a família Presley se mudou para Memphis e foi lá que tudo começou a mudar...e o resto é história.
Anos mais tarde, já famoso e idolatrado por um público imenso e fiel, Elvis não se esquecia da música gospel e quando cantava aquelas músicas de louvor, resgatava aqueles momentos preciosos de sua infância e juventude em que ouvia tais hinos frequentemente na igreja ou em casa com sua mãe, se sentindo aliviado espiritualmente mesmo que por um breve período.
Depois do trauma da morte da mãe em 1958, Elvis enfrentaria outro golpe que o deixa bastante fragilizado em 1973, ele se divorcia de Priscilla Presley que já estava se relacionando com Mike Stone, um instrutor de karate coreano famoso entre as celebridades.
Elvis estava perdido no final dos anos 70 e no seu íntimo ainda acreditava na sua salvação; isso era evidente quando interpretava aqueles gospels nos seus shows com todo aquele fervor, parecia estar pedindo por socorro e perdão à Deus.


Elvis e o grupo vocal gospel The Imperials
Quando estava no topo do sucesso como roqueiro e em baixa com a comunidade cristã, Elvis começou a comparecer às Covenções Anuais de Quartetos Gospel de Memphis que se iniciaram em 1957, ano em que gravou "Peace In The Valley" (Paz No Vale), que agradou por demais a comunidade evangélica. Em seguida vieram os LPs somente com músicas gospel: His Hand In Mine (Sua Mão em Mim) de 1960; How Great Thou Art (Quão Grande É A Vossa Sabedoria) de 1967, que foi aclamado pelo público e crítica; e em 1972, lançou He Touched Me (Ele Me Tocou), que traz a ótima versão de “Amazing Grace” (Graça Excelsa). Elvis se saiu tão bem nas gravações de tais álbuns e em algumas interpretações ao vivo que ganhou os prêmios Grammy de 1967, 1972 e 1974, entrando para o “Hall da fama” da gospel music.

Elvis e o grupo vocal gospel The Jordanaires
Elvis admirava os principais vocalistas da música gospel como Jake Hess dos Statesmen, George Beverly Shea e Mahalia Jackson, a rainha do gospel norte-americano. Nos anos 60, Elvis chegou a se encontrar com Mahalia e demonstrar todo o seu respeito por ela. Grupos vocais importantes apoiaram Elvis em suas gravações de gospel nos estúdios e palcos, como The Jordanaires nos anos 60, The Imperials no início dos anos 70 e The Stamps já no final da década, do qual se destacava o vozeirão de J. D. Sumner. Sem esquecer de mencionar o grupo vocal feminino Sweet Inspirations.
Houve uma ocasião no início dos anos de 1970, que Sylvia Shemwell, vocalista do Sweet Inspirations recebeu um diagnóstico de câncer no abdomem. Quando soube, Elvis imediatamente tocou em seu ventre e orou a Deus pedindo sua cura. Não se sabe se foi em virtude da fé de Elvis ou de Sylvia, ou até mesmo se ocorreu um diagnóstico errado, mas ela foi curada, o que foi comprovado por exames.  


Elvis e o grupo vocal gospel The Stamps, com J. D. Sumner
Elvis sempre acompanhou lançamentos dos trabalhos de conjuntos gospel como dos Harmonizing Four e The Golden Gate Quartet. Outra influência que Elvis nunca negou, foi a do já citado vocalista gospel e fiel conselheiro, J. D. Sumner, a quem Elvis acompanhava desde os tempos dos Blackwood Brothers e copiou muito dos seus trejeitos ao cantar. Não há como negar a influência do gospel na formação musical de Elvis, e o mais importante era que ele realmente via na música de louvor seu último recurso para se comunicar com Deus a quem tanto amava e ao mesmo tempo temia. Infelizmente ele caiu no laço do diabo e se deixou abater...mas se ele realmente um dia se arrependeu, foi batizado e recebeu o Espírito Santo, Deus certamente teve misericórdia de sua alma. Elvis poderia ter sido um instrumento poderoso nas mãos do Senhor Jesus aqui na Terra.

Em Isaías 20.28-31 se lê: “ Não sabes, não ouvistes que o eterno Deus, o Senhor, o criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento. Faz forte ao cansado e multiplicas as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.”

Está em João 3.16 : “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”


Elvis e J. D. Sumner sings the gospel
No funeral de Elvis Presley em agosto de 1977, Jake Hess e integrantes do quarteto The Statesmen cantaram “Know Only To Him”, Kate Westmoreland cantou “My Heavlenly Father Watches Over Me”, e James Blackwood e The Stamps cantaram “How Great Thou Art”. A pregação coube ao Pastor Rex Humbard, a quem Elvis admirava e assistia aos domingos pela TV seu programa entitulado, “Você é Amado”. 
Para finalizar, Tony Brown, ex-vocalista dos Stamps e presidente da MCA Records, relatou que em certa ocasião em uma apresentação, desta vez no estádio da Faculdade de Notre Dame no final dos anos 60, Elvis já estava incomodado com toda aquela adoração dos seus fãs, quando surpreendeu um grupo de tietes entusiasmadas que ocuparam uma fileira de cadeiras e esticaram uma enorme faixa lateral em que se dizia: “Elvis você é o Rei”. Elvis prontamente parou de cantar e respondeu: “Não, Jesus Cristo é o único rei!”; o que fez as garotas recolherem a faixa e se assentarem envergonhadas.
Capas do álbuns com temas gospel gravados por Elvis
 Aqui uma interpretação inesquecível de "Dixieland" por Elvis Presley visivelmente emocionado no link do you tube:
 
Por Eumário J. Teixeira.