3 de abr. de 2011

Terremotos e Tsunamis ocorridos no planeta na Linha do Tempo


Eu não poderia deixar de mencionar neste blog o desastre ocorrido recentemente no Japão, um país que sempre me foi tão atraente em termos de beleza natural, tradição e cultura. O terremoto ocorrido em 11 de março de 2011 que gerou tsunamis pela costa nordeste e vazamento nuclear nas usinas de Fukushima foi o pior desastre desde os ataques norte-americanos com bombas nucleares a Hiroshima e Nagasaki. Este terremoto é o quinto de maior intensidade já registrado no mundo. Abaixo relacionei alguns dos maiores terremotos e tsnunamis já ocorridos no planeta.

- 11 de março de 2011 - Um terremoto de 8,9 atingiu a costa nordeste do Japão, provocando uma tsunami no Pacífico. Foi atualizado até o fim do mês de março, para 11.417 o número de mortos pelo terremoto e o posterior tsunami, enquanto 16.273 pessoas seguem desaparecidas, segundo o último boletim da polícia japonesa. Cerca de 200 mil pessoas seguem refugiadas em 1.900 abrigos disponibilizados após o desastre, que também destruiu 18 mil casas e danificou em torno de 130 mil edifícios. Segundo os números oficiais, em Miyagi houve 6.959 mortos, além de 3.349 em Iwate e 1.049 em Fukushima, enquanto os desaparecidos são contados aos milhares nessas três províncias, as mais devastadas. O número de vítimas em Fukushima ainda deve aumentar, já que as tarefas de busca vêm enfrentando muitas dificultadas pelo acidente nuclear na usina Fukushima Daiichi, ao redor da qual, devido à radioatividade, há um perímetro de evacuação de 20 quilômetros. Além disso, a polícia japonesa está à espera de que alguns escritórios municipais informem sobre os danos causados pelo terremoto em algumas zonas litorâneas mais remotas. O abalo teria alterado em centímetros o eixo da Terra.

- Outubro de 2010 - Uma erupção vulcânica e uma tsunami mataram mais de 500 pessoas na Indonésia .

- Fevereiro de 2010 - Um terremoto de 8,8 graus sacudiu o Chile, gerando uma tsunami e matando 524 pessoas .

- Setembro de 2009 - Um terremoto de 8 graus provocou tsunamis de até 12 metros e matou 194 pessoas no Pacífico Sul, incluindo 34 na Samoa Americana.


- Setembro de 2007 - Um terremoto de 7,8 graus atingiu a ilha de Sumatra, causando alertas de tsunamis locais e danos em vários prédios. Outro terremoto de magnitude de 8,4 graus perto da ilha de Sumatra provocou uma onda na cidade costeira de Padang. O tremor matou ao menos 25 e deixou cerca de 50 feridos.

- Abril de 2007 - Ao menos 28 pessoas nas Ilhas Solomon morreram em uma tsunami e em um terremoto de 8,1 graus .

- Julho de 2006 - Um terremoto de 6,1 graus provocou uma tsunami na costa sul da Ilha de Java, matando ao menos 600 pessoas .

- 08 de outubro de 2005 - Um terremoto de 7,6 graus na escala Richter atingiu a região da Caxemira paquistanesa, matando cerca de 73 mil pessoas.

- 28 de março de 2005 - Um tremor de 8,7 graus na escala Richter atinge a ilha de Sumatra, na Indonésia, provocando 1.313 mortes.

- 26 de dezembro de 2004 - Um terremoto de 9,3 graus na escala Richter, cujo epicentro foi localizado perto da ilha de Sumatra, na Indonésia, no Oceano Pacífico, provoca um maremoto com ondas de 15 metros de altura que atinge 11 países no sudeste da Ásia e da África, provocando cerca de 280 mil mortes e 37 mil desaparecidos. As nações que mais sofreram com a gigantesca onda gerada por um terremoto submarino foram a Indonésia (o sismo aconteceu em frente à província de Aceh), o Sri Lanka, a Tailândia, a Índia e as Ilhas Maldivas. A província de Aceh, na extremidade norte da ilha de Sumatra, foi a região mais seriamente atingida pelo terremoto no leito do mar e pelo tsunami que eclodiu no dia 26 de dezembro de 2004. O abalo provocou uma mudança de centímetros no eixo da Terra.

- 26 de dezembro de 2003 - Um tremor de 6,6 graus na escala Richter atinge a cidade de Bam, no Irã, matando 26 mil pessoas e ferindo outras 18 mil.

- 21 de maio de 2003 - Um terremoto de 6,8 graus na escala Richter atinge a capital da Argélia, Argel, matando 2.266 pessoas e ferindo outras 10 mil.

- 25 de março de 2002 - Ao menos mil pessoas morreram no norte do Afeganistão após um tremor de 6,1 graus na escala Richter.

- 26 de janeiro de 2001 - Mais de 20 mil pessoas morreram e 160 mil ficaram feridas após um tremor de 7,7 graus na escala Richter, registrado no oeste da Índia.

- 20 de setembro de 1999 - Um tremor de 7,7 graus na escala Richter mata 2.297 pessoas e deixa mais de 8.000 feridos em Taiwan.

- 25 de janeiro de 1999 - Um tremor de 6,2 graus na escala Richter atinge o centro da Colômbia, provocando a morte de 1.185 pessoas e deixando outros 4.700 feridos.

- 17 de julho de 1998 - Um tremor de 7 graus na escala Richter mata 2.123 pessoas em Papua Nova Guiné.

- 30 de maio de 1998 - Ao menos 4.000 pessoas morrem após um tremor de 6,9 graus registrado no nordeste do Afeganistão.

- 10 de maio de 1997 - Um tremor de 7,1 graus na escala Richter atinge o Irã, deixando 1.600 mortos e 3.700 feridos.

- 28 de fevereiro de 1997 - Ao menos 1.560 pessoas morrem no noroeste do Irã em decorrência de um tremor de 7,5 graus na escala Richter.

- 27 de maio de 1995 - Um tremor de 7,5 graus na escala Richter mata 1.989 pessoas na ilha de Sakhalin, no norte da Rússia.

- 17 de janeiro de 1995 - Ao menos 6.500 pessoas morrem após um terremoto de 6,9 graus ocorrido na região de Kobe, no Japão.

- 29 de setembro de 1993 - Um tremor de 6,2 graus na escala Richter atinge o estado de Maharashtra, no oeste da Índia, matando 9.748 pessoas.

- 12 de dezembro de 1992 - Mais de 2.500 pessoas morrem em decorrência de um terremoto de 7,5 graus que atinge a Indonésia.

- 16 de julho de 1990 - Um tremor de 7,8 graus na escala Richter mata 1.621 pessoas em Luzon, principal ilha das Filipinas.

- 20 de junho de 1990 - Um tremor de 7,7 graus na escala Richter mata ao menos 30 mil pessoas no noroeste do Irã.

- 7 de dezembro de 1988 - Um tremor na Armênia de 6,8 graus mata 25 mil pessoas.

- 19 de setembro de 1985 - Um tremor de 8 graus na escala Richter atinge o México e mata 9.500 pessoas, segundo dados oficiais.

- 16 de setembro de 1978 - Ao menos 25 mil pessoas morrem em decorrência de um terremoto de 7,8 graus na escala Richter que atinge o Irã.

- Agosto de 1976 - Um terremoto de 8 graus atingiu as ilhas de Mindanao e Sulu nas Filipinas, gerando uma tsunami e deixando ao menos 5 mil mortos.

- 27 de julho de 1976 - Ao menos 255 mil pessoas morrem em decorrência de um tremor de 7,5 graus em Tangshan, China. O tremor sacudiu o nordeste da China. A cidade toda dormia quando o chão mexeu, fazendo cerca de 800 mil feridos. Até hoje, especialistas suspeitam que o número de mortos possa ser muito maior que o divulgado pelo governo. Estima-se que o total de vítimas possa ter chegado a 650 mil.

- 31 de maio de 1970 - Yungay, Peru, 66 mil mortos. Esse terremoto fez desabar um enorme pico de gelo na cordilheira dos Andes. Em poucos minutos, a cidade de Yungay estava debaixo de uma massa de neve e detritos que desceram a encosta a mais de 300 km/h. Para piorar a situação, as inundações subiram o prejuízo para 530 milhões de dólares.

- 28 de Março de 1964 - Um terremoto de 9,2 graus em Prince William Sound, no Alasca, matou 131 pessoas, incluindo 128 vítimas de uma tsunami. As ondas atingiram os 6,7 metros e chegaram a atingir o litoral da California e Oregon.

- 22 de Maio de 1960 - Um terremoto de 9,5 graus na escala de Richter em Temuco, no sul do Chile, e uma tsunami mataram ao menos 1.716 pessoas, e deixaram cerca de 3.000 feridos.

- Novembro de 1952 - Um terremoto de 9 graus em Kamchatka causou destruição mas não foram registradas mortes, apesar das ondas terem alcançado 9,1m no Havaí.

- Agosto de 1950 - Um terremoto de 8,6 graus em Assam, no Tibete, matou ao menos 780 pessoas.

- Abril de 1946 - Um terremoto de 8,1 graus de magnitude perto das ilhas Unimak, no Alaska, provocou uma tsunami, matando 165 pessoas, a maioria no Havaí .

- 1º de setembro de 1923 - Kwanto, Japão, 143 mil mortos. O megatremor atingiu as principais cidades do Japão. Só em Tóquio e Yokohama, mais de 60 mil pessoas morreram nos incêndios causados pelo abalo. Logo depois desse terremoto, a profundidade da baía de Sagami, no sul de Tóquio, aumentou mais de 250 metros em alguns pontos.

- 16 de dezembro de 1920 - Kansu, China, 200 mil mortos. Essa região situada no centro-norte do país não sentia um tremor havia 280 anos, mas esse atingiu uma área de 67 mil km2, arrasando dez cidades. A série de ondulações deformou a área rural e prejudicou uma das principais atividades econômicas da região, a agricultura.

- 28 de dezembro de 1908 - Messina, Itália, 120 mil mortos. O sul da Itália sofreu com um grande terremoto que devastou as regiões da Sicília e da Calábria. Para complicar ainda mais as coisas, o tremor foi seguido por tsunamis de até 12 metros de altura. A seqüência de enormes paredes de água quebrou na costa do país e amplificou os estragos.

- 18 de abril de 1906 - O sismo ocorreu às 5:14 horas da manhã no dia 18 de abril de 1906 em São Francisco, na California. Com magnitude estimada média de 8.0 na Escala de Richter, foi o maior nos Estados Unidos. O terremoto teve duração de aproximadamente 28 segundos, tendo morrido milhares de pessoas. Outras cidades sofreram estragos importantes, como Santa Rosa, São José e a Universidade de Stanford. Cerca de 225.000 pessoas encontraram-se sem teto dos cerca de 400.000 habitantes daquelas áreas, na ocasião. O terremoto foi causado por um deslize da falha de San Andreas em um segmento de 442,5696 Km (275 milhas) de comprimento. As construções vitorianas e os prédios de tijolos ficaram devastados. O pior da destruição foi em decorrência dos incêndios, causado pelos fios elétricos que se partiram, pois as faíscas dos fios rompidos agiram como ignição em contato com o gás que escapou pela cidade toda em decorrência de uma linha de gás natural quebrada; os focos de incêndio duraram por três dias inteiros. Com as canalizações subterrâneas de água destruídas os bombeiros não conseguiram responder ao incêndio em tempo e a cidade ficou quase que inteiramente arrasada. Contou-se na época 478 mortes, mas aparece hoje que este número, publicado pelas autoridades da época, subestimou o impacto real da catástrofe, nomeadamente entre a população chinesa. O balanço desde então aumentou, e o número geralmente aceito é de pelo menos de 3.000 mortes resultantes do terremoto e do incêndio que se alastrou pela cidade toda. Cerca de 28 mil prédios foram destruídos, incluindo a maioria das casas e praticamente todo centro financeiro.

- Janeiro de 1906 - Um terremoto de 8,8 graus na costa do Equador e da Colômbia gerou uma tsunami que matou ao menos 500 pessoas.

- Agosto de 1868 - Um terremoto de 9,0 graus em Arica, no Peru, que agora faz parte do Chile, gerou tsunamis catastróficas, mais de 25 mil pessoas morreram na América do Sul .

- Abril de 1868 - Um terremoto de 7,9 graus em Big Island, no Havaí, matou 77 pessoas, incluindo 46 vítimas de uma tsunami.

- Novembro de 1755 - Um terremoto de 8,7 graus provocou uma tsunami em Lisboa, em Portugal, com 70 mil mortos. Em apenas 3 horas, a capital portuguesa foi atingida por três tremores distintos, que destruíram 85% da cidade. Gigantescas ondas atingiram a região, a água subiu 5 metros acima do nível normal e um incêndio consumiu casas, igrejas, palácios e bibliotecas. A tragédia aconteceu em 1º de novembro de 1755.

- 11 de outubro de 1737 - Calcutá, Índia, 300 mil mortos. Relatos de época indicam que essa catástrofe tenha sido um terremoto. Mas, como na época não existiam registros 100% confiáveis, alguns especialistas levantam a hipótese de que o estrago foi causado por um ciclone. Além dos mortos, o cataclismo deixou 20 mil barcos à deriva na costa.

- Julho de 1730 - Um terremoto de 8,7 graus em Valparaíso, no Chile, matou ao menos 3 mil pessoas.

- Janeiro de 1700 - Um terremoto de 9,0 graus sacudiu o que é hoje o norte da Califórnia, o Oregon, Washington e British Colombia e provocou uma tsunami que destruiu povoados no Japão.

- Novembro de 1667 - Shemakha, Azerbaijão, 80 mil mortos. Por estar situada em cima de uma zona sujeita a abalos, essa cidade foi destruída por vários terremotos. Este foi o primeiro e mais mortal. Depois do susto, a tranqüilidade não durou muito: registros da época indicam que a terra voltou a tremer por lá dois anos mais tarde.

- 23 de janeiro de 1556 - Shaansi, na região central da China a terra tremeu em 23 de janeiro de 1556 para produzir o pior desastre natural de que se tem notícia. O terremoto atingiu oito províncias e arrebentou 98 cidades, algumas delas perderam 60% da população. A maior parte das pessoas morreu soterrada na queda de casas mal construídas.


# As principais causas de um terremoto:

- Movimento das placas tectônicas - A causa principal e a que causam mais danos, no oceano provocam as maremotos;

- Erupções vulcânicas - Embora os vulcões provoquem abalos sísmicos são atualmente raros os casos em que causam algum dano;

- Impactos de meteoros - Impactos de meteoros no momento são raros e os que causam terremotos mais raros ainda.


# Os graus de destruição (pela Escala Richter) Intensidade ou Magnitude dos Terremotos:

- Menos de 3,5 - Dificilmente é percebido pelas pessoas.

- 5,5 a 6,0 - Causa danos leves, principalmente em edifícios mal construídos.

- 6,1 a 6,9 - Pode ocasionar danos graves e feridos, principalmente em lugares povoados.

- 7,0 a 7,9 - Terremotos de grandes proporções, causa danos graves e geralmente milhares de pessoas são vitimadas mortalmente e feridas em determinada área populosa.

- 8,0 ou mais - Causa destruição total do local atingido, centenas de milhares de mortes, feridos e desabrigados numa área populosa, chegando afetar as regiões vizinhas.


Por Eumário José Teixeira.

2 de mar. de 2011

TADASHI SAWAMURA & SAWAMU, O DEMOLIDOR



Talvez muitos não lembrem de Tadashi Sawamura ou nunca ouviu falar sobre ele, mas na segunda metade da década de 1970 uma boa parte dos quarentões de hoje, devem ter assistido na TV um desenho japonês chamado Sawamu, o demolidor! Hoje em dia é moda curtir um anime japonês, mas há 30 anos eles já faziam parte da programação televisiva no Brasil, e personagens como O Judoca (Judô Boy), O Fantasma do Espaço, O Menino Biônico, Speed Racer e Sawamu, já faziam sucesso entre nós. A história do personagem era bastante interessante e poderia muito se tornar um filme de longa metragem com muito suspense e ação; mas o mais incrível é que Sawamu realmente existiu, ou melhor, Sawamura Tadashi, um karateca tradicional que se converteu ao sistema eficiente de luta tailandesa conhecido como Muay Thai, um estilo mortal de combate que atualmente é representado no cinema pelo astro tailandês Tony Jaa. Não se sabe o porquê do herói do desenho nipônico chamado Sawamura passou a ser chamado aqui no Brasil de Sawamu, mas é o que menos importa agora, o interessante é falar um pouco sobre a origem do lendário lutador japonês e pioneiro do estilo desenvolvido por ele e pelo promotor de lutas Nobushi, a que chamaram Kick Boxing (uma mescla de Muay Thai e Karatê Japonês) e do personagem do desenho animado que que fez a cabeça dos adolescentes japoneses e brasileiros.  

Osamu Nobushi, foi quem descobriu  Hideki Shiraha, que viria
            a ser o incrível campeão Sawamura Tadashi.

Antes de falar da realidade e da ficção em torno de Sawamura, é bom esclarecer que ele não abandonou o Karatê pelo Muay Thai, apenas incorporou ao estilo de arte marcial japonesa técnicas eficientes e mortais da luta tailandesa, tornando-se assim quase imbatível por mais de 10 anos. Atualmente Sawamura Tadashi é um honorável instrutor de karate no alto de seus 76 anos intensivamente bem vividos que ainda veste com orgulho seu kimono e faixa prêta de 5º dan.





TADASHI SAWAMURA - BIOGRAFIA

Tadashi Sawamura, cujo nome de batismo é Hideki Shiraha, nasceu em 05 de janeiro de 1943 na Manchúria, China. Na sua juventude, já no Japão, seu primeiro contado com o esporte foi jogando rugby na universidade, a seguir passou para o Karate onde desenvolveu uma técnica de combate acima da média a ponto de se tornar de certa forma arrogante com seus colegas e adversários; até que conheceu um ex-karateca, empresário e promotor de boxe chamado Osamu Nobuchi que lhe deu uma oportunidade de provar a tal superioridade técnica do karate que Sawamura tanto pregava, promovendo uma luta entre ele e um campeão de muay thai. Sawamura teve uma experiência literalmente dolorosa ao ser derrotado com facilidade pelo thai boxer num ginásio lotado em pleno Japão, o que fez todo seu orgulho cair por terra. A partir daí humildemente e com muita garra começa a se dedicar ao aprendizado do muay thai , iniciando como profissional em 11 de abril de 1966 e se tornando em seguida no mais famoso lutador de kick-boxing do Japão.



Sawamura aplicando o famoso "Salto com Joelhada no Vácuo" uma técnica perigosa que
definiu algumas de suas lutas.



Sawamura utilizava algumas técnicas de Karate no Kick Boxing, como
o chute lateral voador (Yoko Tobi Geri) que surpreendia seus adversários.
 Sawamura foi pioneiro e fez esta modalidade de luta permanecer muito popular em seu país enquanto ele lutava profissionalmente e muitos ainda o consideram como o primeiro e melhor kickboxer do mundo. Outro fator que o ajudou a ficar conhecido internacionalmente foi o lançamento da série em desenho animado (ou anime) chamada aqui no Brasil de Sawamu, O Demolidor. No Japão o anime se chamava “Kick No Oni” ou “The Ogre Of Kick Boxing" (O Monstro do Chute Boxe), e além disso, Sawamura participou de um episódio da série Ultraman no início dos anos de 1970, que reforçou mais sua imagem de ídolo nacional. A grande fama que conquistou na sua carreira de lutador contribuiu em muito para a sustentação do interesse popular pelo kick-boxing mesmo após passada a explosão inicial da arte marcial na terra do sol nascente. E não foi fácil conquistar o público tradicionalista do Japão, que em termos de artes marciais preferiam as competições das modalidades autenticamente nipônicas como o sumô, judô, kendô e o karatê. A não ser que o representante da nova modalidade de luta fosse um fora de série, a ponto se ser considerado um herói nacional, o que aconteceu com Tadashi Sawamura da segunda metade dos anos de 1960 até a primeira metade dos anos de 1970. Em sua carreira vitoriosa Sawamura fez um total de 241 lutas, um recorde, sendo que foram 232 vitórias (228 por nocaute), 4 empates e 5 derrotas, nas categorias dos pesos leves e médios, sendo campeão em ambas. Ele se retirou profissionalmente dos ringues aos 34 anos de idade, em 10 de outubro de 1977. 


À esquerda, Sawamura numa participação de um episódio de Ultraman; e à
direita, a versão anime para Rei do Kick Boxing.

SAWAMU – O DESENHO ANIMADO

Lançado no Japão em 1970, o desenho animado foi chamado aqui no Brasil de Sawamu, O Demolidor. A série animada de 26 episódios que foi escrita por Ikki Kajiwara e distribuído pela Toei Animation, gozou de uma intensa popularidade por aqui durante boa parte da década de 1970 e início dos anos de 1980. Na versão brasileira, a estória assemelhava-se à realidade, Tadashi Sawamu (e não Sawamura) era um karateca arrogante que bradava a todos que o melhor e mais eficiente estilo de luta era o karate japonês, até ser confrontado por um promotor de luta chamado Nobushi que o desfiava a enfrentar um lutador de muay thai. Com reservas Sawamu aceita o desafio e enfrenta o lutador tailandês, vencendo-o com certa dificuldade. A coisa piora quando Sawamu fica sabendo que o lutador derrotado era de segundo escalão, e que ele (Sawamu) não teria a mínima condição de enfrentar um legítimo campeão de muay thai. Sawamu perplexo, aceita enfrentar o campeão de muay thai; a luta (como na vida real) foi um massacre, o lutador tailandês de nome Soman, literalmente passou por cima dele como um trator. Sawamu foi internado em estado de semi-coma e derrotado tanto fisicamente como espiritualmente. Após se recuperar e muito refletir sobre sua real condição como lutador, ele baixa a guarda e o orgulho e decide humildemente a aprender o muay thai. Começa um treinamento rigoroso e muito árduo para se adequar às exigências do novo estilo de luta que abraçou; e aos poucos começa a se projetar nos circuitos de luta, enfrentando e derrotando poderosos lutadores tailandeses para o delírio do público japonês. Mas sua adesão ao Muay Thai não ficou imune às críticas, Sawamu encontrou muita resistência por parte de seus colegas nacionalistas que defendiam a suposta supremacia do karate tradicional. Seu empresário Nobushi sabiamente sugeriu a Sawamu que mesclasse as técnicas de muay thai às técnicas efetivas do karate formando um estilo de luta que foi denominado de kick-boxing. Com tal estratégia esperavam que o novo estilo de luta não fosse repudiado pelo público japonês já que fora criado em solo Japonês por Sawamu. Com suas crescentes vitórias, logo o seu mais famoso golpe se torna conhecido como o “salto com joelhada no vácuo”, que era muito usado na realidade por Sawamura; e assim o estilo se populariza caindo nas graças do povo que tinha em Sawamu seu novo ídolo e campeão japonês.

O desenho animado que foi um enorme sucesso no Brasil, como
Sawamu, o Demolidor!


A música original japonesa da abertura do anime era diferente tanto na melodia quanto na letra em comparação à versão brasileira. A nossa versão, sem puxar para nosso lado, era bem melhor. Abaixo a letra da abertura da série Sawamu, O Demolidor:

Quem se julgar da natureza, o rei
O dono e senhor das tempestades
Jogar sem muita certeza
Contra deuses e demônios.


Ahhhhhhhh!!

Ele se julgava o demolidor
Ele se julgava o demolidor
Ele se julgava o demolidor
Ele se julgava o demolidor
Ele se julgava o demolidor.

Mas não sabia que seu mundo era pequeno
E os insetos que vagam pelos charcos
Tem poucas chances de alcançar o oceano

Ahhhhhhhh!!
Ele se julgava o demolidor...



Capa de DVD com episódios de Sawamu, o Demolidor.

SAWAMURA – O MANGÁ

As histórias em quadrinhos no Japão (manga) sobre Sawamura foram publicadas entre 1969 (na sua primeira fase) e 1971 (na segunda fase) na revista Shonen Gaho, que era uma das publicações preferidas dos garotos da época. Mais tarde os mesmos quadrinhos foram compilados em diferentes formatos e por diversas editoras, mas mantendo o mesmo sucesso.



Além do enorme sucesso nos animes, Sawamura também teve sua
sua versão em mangá e com enorme aceitação no Japão.



SAWAMURA - HOJE

Como já mencionei anteriormente, Tadashi Sawamura atualmente com 76 anos, ensina Karatê em sua própria academia e segundo consta é dono de uma revendedora de automóveis. Infelizmente são poucas informações que se pode coletar na internet sobre Tadashi Sawamura, uma verdadeira lenda viva em seu próprio país, mas espero que meu esforço tenha valido a pena para os que interessam pelo assunto. Assim que obter informações mais atualizadas postarei de imediato.



Tadashi Sawamura (Hideki Shiraha) foi o precursor do Full Contact no Japão, com
o seu estilo Kick Boxing, mas essencialmente ele nunca deixou de
ser um Karateca.
Eis aí a abertura do desenho de Sawamu com a música tema: http://www.youtube.com/watch?v=QJC6IXu-RmA

Por Eumário J. Teixeira.

5 de fev. de 2011

MUSASHI, MIYAMOTO – Vivendo pela espada


Na época em que comecei a despertar para as artes marciais do oriente, ainda não se falava em filmes de Kung Fu no Brasil. O máximo que se ouvia falar era de judô e Karatê de forma bem superficial. Sobre o karatê, por exemplo, eu achava a princípio que o único golpe mortal era a famosa cutilada, em japonês “shuto uki”, no pescoço ou mais precisamente no gogó; era o golpe preferido dos agentes secretos, tipo James ‘Sean Connery’ Bond. Quanto ao judô, o seu golpe mais perigoso e também muito utilizado pelo 007, era o famoso “balão” (jogar o adversário por cima dos ombros), em japonês “seoi-nague”. Nunca tinha ouvido falar de Hapkidô, Aikidô ou Taekwondo. E apesar de ignorar o significado do termo Kendô, lá pelos meus 13 anos já tinha descoberto os filmes de Samurai. 
A versão bang-bang para os 7 Samurai

Os Sete Samurai
Sim, era a versão japonesa para os filmes de bang-bang norte-americanos e italianos, ou será que era o contrário?  Bem, o certo que o filme de samurai que mais me impressionou foi Os Sete Samurai (1954, direção: Akira Kurosawa, roteiro: Kurosowa; Hashimoto e Oguni) com Toshiro Mifune; que mereceu uma versão bang-bang norte-americana chamada Sete Homens e Um Destino (1960, direção: John Sturges) com Yul Brynner. Se não me engano, outro filme de samurai intitulado Yojimbo (1961, direção: Akira Kurosawa, roteiro: Ryuzo Kikushima) também com Toshiro Mifune, ganhou uma versão bang-bang “spaghetti”, com o jovem Clint Eastwood em Por Um Punhado de Dólares (1964, direção: Sergio Leone). 
Por um Punhado de Dólares vs. Yojimbo
Em ambos os casos as histórias são idênticas, só mudam as figuras dos personagens, ambiente e armas: o colt 45 para Eastwood e Brynner; e a katana para Mifune. Um pouco mais tarde, já mais ciente das mais variadas artes de combate existentes no oriente, estava lendo um artigo sobre Bruce Lee e seu legado quando um subtítulo me chamou a atenção; estava escrito: “Miyamoto Musahi viveu pela espada e Bruce Lee pelo Kung Fu”. De imediato me veio a indagação: Quem seria esse tal de Musashi para o compararem ao tranqüilo e infalível Bruce Lee? Bem, desde então não sosseguei até descobrir o máximo que pude sobre Miyamoto Musashi e sua vida dedicada ao caminho da espada.
 
A Vida de Miyamoto Musashi

Miyamoto Musashi viveu na Era Tokugawa (1603-1608), na verdade ele se chamava Shimen Musashi No Kami Fujiwara No Genshin e teria nascido no ano de 1584, na aldeia de Miyamoto, província de Mimasaka. Como legítimo samurai, ele cumpriu verdadeiramente o Bushidô (O Caminho do Guerreiro) onde um homem que adquirisse o direito de portar uma espada alcançaria o máximo de sua realização pessoal.

Toshiro Mifune como Miyamoto Musashi
 Sobre sua infância pouco se sabe, historiadores concordam que provavelmente ele ficou órfão muito jovem, passando a ser criando por um monge, que seria seu tio.
Seu pai, de nome Shimen Munisai, era um "goushi" (pequeno fidalgo rural, misto de camponês e samurai) e também um mestre no uso da Jitte (arma de metal pontiaguda com alça e presa a uma corrente atada ao pulso) que normalmente era utilizada contra espadas, e segundo consta, foi dele que Musashi obteve as primeiras lições de esgrima.
Musashi sempre foi precoce em desenvolver habilidades para o combate além ter sido privilegiado com físico bem avantajado. Consta que seu primeiro duelo ocorreu aos treze anos, quando venceu Arima Kihei, do estilo Shinto Ryu. Kihei. Kihei já era adulto e tinha grande habilidade técnica com a espada e a lança. Entretanto, não foi páreo para o jovem Musashi, que após derrubá-lo, golpeou sua cabeça com uma Boken (espada de madeira ou bambu) antes que seu adversário se recuperasse.
Aos dezesseis anos Musashi partiu para uma peregrinação em busca da compreensão do mundo, de si mesmo e do aperfeiçoamento de sua técnica como espadachim, o famoso caminho da Katana, conhecido como Musha-Shugyo.
Monumento ao mestre das duas espadas
Na sua busca, Musashi teria participado da histórica batalha de Sekigahara, que deu a Tokugawa Ieasu, o título de Shogun, o governante militar. Embora estivesse do lado dos derrotados, Musashi conseguiu sobreviver ao massacre de três dias, onde 70 mil guerreiros foram dizimados.
Prosseguindo na sua trajetória épica, Musashi com apenas 21 anos, parte para Kyoto onde desafia o clã Yoshioka. Os Yoshioka possuíam uma grande academia de esgrima e contavam com muitos alunos e imenso prestígio em Kyoto. Mesmo assim Musashi enfrenta e vence Yoshioka Seijuro, filho mais velho do fundador da escola Yoshioka Kenjutsu. Em seguida, Musashi vence o irmão mais novo deste, Yoshioka Dechinjiro, entretanto, diante da humilhante derrota, os remanescentes do estilo, organizaram uma luta entre Musashi e um garoto de 12 anos, outro filho dos Yoshioka, de nome Seijuro. Pela sua pouca idade, ficou acertado que Seijuro teria a ajuda de alunos e familiares dos Yoshioka. Passada a hora do duelo, Musashi ataca furtivamente seus adversários, matando o garoto e fugindo vitorioso.

Monumento ao lendário duelo entre Musashi e Kojiro
A fama de Musashi se espalhou pelo país, sempre relacionada a feitos inacreditáveis.
No mesmo ano em realizou os duelos com os Yoshioka, Musashi visitou o templo Hozoin, famoso por desenvolver um estilo de luta com lanças de muita eficiência. Musashi lutou com o patriarca do estilo e após derrotá-lo por duas vezes, tornou-se seu amigo, ficando no templo por algum tempo aproveitando para trocar técnicas marciais com os monges.
O duelo mais polêmico de Musashi foi contra Muso Gonosuke. Eles se enfrentaram por duas vezes, onde na primeira, Gonosuke utilizou uma longa espada e foi derrotado por Musashi. Após a derrota, Gonosuke se isolou e desenvolveu uma nova técnica, utilizando o Bo, o bastão de madeira. No novo duelo, Gonosuke teria vencido Musashi, embora nenhum deles tenha jamais admitido a vitória, em virtude da grande amizade que surgiu entre os dois guerreiros.
Musashi enfrentou seu maior adversário em 1612, seu nome era Sasaki Kojiro. O duelo ocorrera na ilha Funashima e Musashi fez uso de uma estratégia nada ortodoxa. Simplesmente chegou horas atrasado em relação ao combinado, fazendo com que seu adversário perdesse concentração e energia esperando-o. Kojiro era exímio espadachim e era conhecido por habitualmente usar uma espada longa, Musashi por sua vez, era famoso por ser um samurai que usava simultaneamente duas espadas ao lutar, mas desta vez se valeu apenas de uma espada de madeira, esculpida de um dos remos do barco que usou para chegar à ilha onde se realizaria o duelo. Após um início de muito estudo entre os dois, Musashi vence a luta, golpeando Kojiro na cabeça. Alguns contam que o golpe de Kojiro passou tão próximo de Musashi, que teria cortado a faixa que ele usara para prender os cabelos.

Musashi e a técnica com duas espadas
Prosseguindo em sua peregrinação, Musashi teria lutado no cerco ao castelo de Osaka (1614 a 1615), mas historicamente não fica esclarecido de qual lado Musashi combateu, se do lado de Tokugawa, o Shogun, ou de Hideori, o herdeiro de Hideoshi, o antigo Shogun. Pesquisas atualizadas mostram que ele possivelmente lutou ao lado de Hideori, o derrotado, mas é provável que nunca se confirmará ao certo, qual exército contou com a ajuda de sua espada.
Musashi foi uma lenda viva em seu tempo. Tornou-se mestre na arte de anular completamente seus adversários, os quais estudava cuidadosamente antes dos confrontos, fazendo uso de estratégias táticas e psicológicas efetivas. Na sua maturidade, Musashi ignorou todas as regras passando a usar uma espada de madeira ao invés de uma espada de corte, procurando dirigir seu conhecimento adquirido nos combates como um caminho para se elevar espiritualmente.
Musahi versus Kojiro
Aos 50 anos, ele teria compreendido o caminho da estratégia completamente e já teria desenvolvido seu estilo Niten Ichi Ryu, que apesar de ser conhecido apenas como a arte de esgrimir com duas espadas, contém técnicas com a espada maior (tachi seiho), espada menor (kodatchi seiho) e técnica com o bastão longo , bojutsu.
Nos seus últimos anos de vida, Musashi dedicou-se a caligrafia, escultura, pintura e a poesia. Ele tinha compreendido que "quando se atinge o caminho da estratégia, não haverá mais nada que não se possa compreender, e ver-se-á o caminho em tudo".
Aposentado como samurai, Musashi tornou-se vassalo do clã Hosokawa, vivendo no castelo Kunamoto, e dois anos antes de falecer teria se isolara na caverna Reigando, a oeste da cidade de Kumamoto.
Musashi (Toshiro Mifune) versus Kojiro
 Lá escrevera o “Go Rin No Sho”, o Livro Dos Cinco Anéis, ou "Gorin No Sho", onde compilou seus conhecimentos nas artes da espada e da estratégia. Um dos princípios da narrativa de Musashi é exatamente o nascimento do seu estilo, desde a primeira idéia, instintiva, até as poéticas considerações sobre a luta com duas armas. Esta obra é hoje utilizada por executivos de grandes empresas no Japão e no mundo, para traçar estratégias de mercado e ética nos negócios. Go" significa cinco,"rin" significa anéis ,e "sho" significa escrito, pergaminho ou livro. Concluiu a obra no segundo mês de 1645.
Em 1645, no décimo segundo dia do quinto mês (data japonesa), sentindo a aproximação da morte, Musashi liberou-se de suas posses materiais após entregar a cópia manuscrita do Livro dos Cinco Anéis a seu discípulo mais próximo, o irmão mais novo de Terao Magonojo. Ele faleceu na caverna de Reigando por volta do dia dezenove do quinto mês, segundo o calendário japonês da época, correspondente a 13 de junho de 1645, de causas naturais aos 61 anos de idade.
Myamoto Musashi
Musashi transcendeu a imagem de um simples samurai, pois também foi um artista completo, além de torna-se um herói nacional no seu país. O homem que no início de sua caminhada buscava obsessivamente pela técnica máxima do Kenjutsu e da auto-satisfação, transformou-se em sua maturidade num mestre sereno e no maior expoente da cultura japonesa na sua época, sendo também reconhecido como Kensei, ‘o santo da espada’. Musashi nunca foi derrotado em combate, apesar de ter enfrentado mais de sessenta oponentes, algumas vezes mais de um ao mesmo tempo.

Livros sobre Musashi – O livro de Eiji Yoshikawa, “Musashi”, publicado no Brasil pela Editora Estação Liberdade, relata parte da vida do samurai lendário. Mesmo baseado em fatos históricos, alguns fatos são romanceados. O autor mescla personagens fictícios com outros que realmente existiram. Mas de qualquer forma a história segue cronologicamente a trajetória heróica vivida por Musashi.
Musashi de Eiji Yoshikawa
A obra que a princípio foi lançado em 1013 capítulos diários foi convertida em livro que vendeu mais de 120 milhões de cópias no Japão.
Na obra “O Samurai – A Vida de Miyamoto Musashi”, também publicada pela Estação Liberdade, o autor William Scott Wilson, especialista em língua e cultura japonesa, se vale principalmente dos fatos históricos para descrever o caminho do samurai. O livro, fruto de uma árdua pesquisa, oferece em seu conteúdo além da interessante narrativa, mapas e diversos anexos, como desenhos do próprio Musashi, que apesar de sido famoso pela sua habilidade com as espadas, também pintava a nanquim, praticava a caligrafia tradicional japonesa, estudava poesia chinesa e seguia a filosofia zen-budista.


Histórias em quadrinhos sobre Musashi –
Tahehiko Inoue, um jovem desenhista e roteirista de mangá (hqs japonesas), deu início em 1998 a série Vagabond que passou dos 20 volumes no Japão. A versão dos quadrinhos para Musashi é baseada no livro de Eiji Yoshikawa, mas alça vôos em aspectos interessantes fora da narrativa do escritor. Os desenhos em prêto e branco do mangá com algumas páginas centrais coloridas, são ricos em detalhes e, juntamente com o roteiro cativante, conquistaram premiações como o Cultural Affairs Media Arts e o Kodansha Manga Award. Foram mais de 23 milhões de exemplares vendidos só no Japão. No Brasil a revista em quadrinhos de Musashi é publicada pela Conrad Editora.

Filmes sobre Musashi – Sendo um personagem histórico muito popular no Japão, o lendário espadachim não escapou de versões para o cinema. O ator que melhor representou Musashi nas telas foi Toshiro Mifune. Abaixo uma lista de filmes e séries sobre o mais famoso dos samurais:

No Cinema:
O primeiro filme sobre Musashi
- Miyamoto Musashi, realizado por Kenji Mizoguchi - 1944
- Miyamoto Musashi 1 - primeira parte da trilogia estrelada por Toshiro Mifune e realizada por Hiroshi Inagaki - 1954
- Miyamoto Musashi 2 - Zoku Miyamoto Musashi: Ichijôji no kettô (Morte no templo Ichijoji - estrelada por Toshiro Mifune e realizada por Hiroshi Inagaki - 1955
- Miyamoto Musashi 3 - kanketsuhen: kettô Ganryûjima (Duelo na ilha Ganryu - estrelada por Toshiro Mifune e realizada por Hiroshi Inagaki - 1956
- Miyamoto Musashi 1 - primeiro dos cinco filmes estrelados por Kinnosuke Nakamura (1932-1997), realizados por Tomu Uchida - 1961
- Miyamoto Musashi 2 - Hannyazaka no ketto - estrelado por Kinnosuke Nakamura, realizado por Tomu Uchida - 1962
- Miyamoto Musashi 3 - Nitoryu kaigen - estrelado por Kinnosuke Nakamura, realizado por Tomu Uchida - 1963
A trilogia sobre Musashi com Toshiro Mifune
- Miyamoto Musashi 4 - Ichijoji no ketto - estrelado por Kinnosuke Nakamura, realizado por Tomu Uchida - 1964
- Miyamoto Musashi 5 - Ganryû-jima no kettô - estrelado por Kinnosuke Nakamura, realizado por Tomu Uchida -1965
- Miyamoto Musashi, realizado por Tai Katō -1973




Na TV:
Versão para TV japonesa
- Sorekara no Musashi - 1981, estrelado por Kitaoji Kinya
- Musashi, realizado pela rede NHK - 2003, com Ichikawa "Ebizo" Shinnosuke


O melhor intérprete de Musashi – Sem dúvida foi Toshiro Mifune, que nasceu em Qingdao, na província chinesa de Shandong, em 1º de abril de 1920, filho de Missionários japoneses. 
o imbatível Toshiro Mifune
Tornou-se famoso por suas atuações em clássicos do cinema japonês, sobretudo em filmes em que atuava como samurai, como “Os Sete Samurais” (1954); na “Trilogia de Miyamoto Musashi” (1954;1955 e 1956); e Yojimbo (1960). O diretor com quem mais se integrou foi Akira Kurosawa, que o dirigiu por 16 vezes.  Toshiro Mifune chegou a fazer um filme em Hollywood na segunda metade da década de 1960, interpretando um samurai em busca de vingança no velho oeste ao lado de um pistoleiro traído interpretado por Charles Bronson, em “Sol Vermelho”. Outro trabalho memorável de Toshiro Mifune foi realizado ao lado do ator americano Richard Chamberlain em “Shogun” (1980), uma mini-série para TV de James Clavell. Toshiro Mifune morreu em Tóquio em 24 de dezembro de 1997.

Ainda sobre Musashi - Consta que certa vez lhe perguntaram por que usava a espada, já que sabia pintar tão bem que poderia viver de sua arte. Musashi teria respondido que para ele a pintura era um mero passatempo, que sua arte era o manejo da espada.
O Livro dos Cinco Anéis

Numa próxima postagem trarei algumas informações sobre o ‘Livro dos Cinco Anéis’ de Miyamoto Musashi.

Confira no link do youtube o duelo sensacional entre Musashi (Mifune) e Kojiro: http://www.youtube.com/watch?v=WhbCEi_Aac4






Por Eumário J. Teixeira.

3 de jan. de 2011

SONNY BOY WILLIAMSON II - HELP ME


O blues de Sonny Boy Williamson II que mais me marcou foi sem dúvida, “Help Me”, gravado em 1963. A letra foi feita em parceria com o grande compositor e baixista do gênero, Willie Dixon. "Help Me" foi um dos blues mais gravados da história, por bluesmen ou rockers. A música é baseada em “Green Onions” de autoria de Booker T. & The Mg’s, gravada em 1962. Para citar alguns que fizeram algumas versões dignas de nota, mas que não superaram a de Sonny Boy, podemos destacar:

 - Charlie Musselwhite (versão pesada no cd Stand Back! Here Comes Charles Musselwhite´s Southside Band);
- John Hammond Jr. (numa versão acústica primorosa, do cd John Hammond, coletânea pela Gravadora Eldorado/Alldisc );
- John Mayall & The Bluesbreakers (com solo incrível do guitarrista Coco Montoya, no cd Life In The Jungle, de Mestres do Blues nº 07);
- Paul Butterfield Blues Band (Butterfield como gaitista e fã de Williamson, não poderia passar em branco, no cd The Original Lost Elektra Sessions);
- Canned Heat (com letra alterada, mas que manteve o ritmo original, destacando-se a voz falsete e gaita de Alan Wilson, no cd Canned Heat de 1967 );
- Johnny Winter (muita honestidade e garra na interpretação do albino maluco com sua voz rouca e sua guitarra nervosa, no cd The Progressive Blues Experiment);
- Junior Wells (homenagem feita do discípulo ao seu mestre, acompanhado pelo guitarrista Buddy Guy, no cd Buddy Guy & Junior Wells - Live In Montreaux);
- Magic Slim (com seu jeitão simples de caipira, Slim canta e toca, mantendo o ritmo original do clássico apoiado pela sua competente banda, no cd Highway Is My Home);
- Booker T. & The M. G’s (a versão instrumental original que é de autoria da banda de Booker T. e é denominada “Green Onions”, no disco homônimo de 1962, é só ouvir para perceber que Sonny Boy fez a sua versão um pouco mais lenta em “Help Me”.
- Michael Bloomfield & Al Kooper (versão ao vivo de “Green Onions”, destacando-se os teclados de Kooper e a sensibilidade da guitarra de Bloomfield, no cd The Live Adventures Of Mike Bloomfield & Al Kooper);
 

A seguir a letra original e a tradução feita por mim mesmo, já que não consegui outra mais fiel ao espírito da letra malandra de Help Me. Se alguém quiser contestar a tradução e quiser corrigi-la, é só se manifestar, ou melhor... “me ajudar” !

 HELP ME (Me Ajuda)– SONNY BOY WILLIAMSON II 

You got to help me 
Você tem que me ajudar 
I can't do it all by myself
 Eu não posso fazer tudo isso sozinho
You got to help me, baby
 

Você tem que me ajudar, benzinho
 I can't do it all by myself 
Eu não posso fazer tudo isso sozinho
 You know if you don't help me darling 
Você sabe que se você não me ajudar querida
 I'll have to find myself somebody else
 Eu terei que achar outro alguém
 I may have to wash 
Eu tenho que lavar
 I may have to sew
 Eu tenho que costurar
 I may have to cook
 Eu tenho que cozinhar
 I might mop the floor
 Eu tenho que esfregar o soalho
 But you help me babe 
Mas você me ajuda benzinho 
You know if you don't help me darling 
Você sabe que se você não me ajudar querida
 I'll find myself somebody else
 Eu terei que achar outro alguém
 When I walk, you walk with me
 Quando eu ando, você anda comigo
 When I talk, you talk to me
 Quando eu falo, você fala comigo
 Oh babe, I can't do it all by myself 
Oh meu bem, eu não posso fazer tudo isso sozinho 
You know if you don't help me darling 
Você sabe que se você não me ajudar querida
 I'll have to find myself somebody else
 Eu terei que achar outro alguém
 Help me, help me darlin' 
Me ajuda, me ajuda querida
 Bring my nightshirt 
Traga meu camisolão
 Put on your morning gown 
Vista seu robe 
Bring me my nightshirt
 Traga-me meu camisolão
 Put on your morning gown 
Vista seu robe 
Darlin’ I don't feel like sleepin
 Querida eu não sinto vontade de dormir 
But I feel like lying down 
Mas eu sinto vontade de me deitar

Eis o link do youtube para "Help Me" de Sonny Boy Williamson II : http://www.youtube.com/watch?v=VgCpw--3Lyc
e o link para "Green Onions de Booker T. & The MG's: http://www.youtube.com/watch?v=aGthEPeIEnohttp: 

Por Eumário J. Teixeira.

SONNY BOY WILLIAMSON II – O Demônio da Gaita


Sonny Boy Williamson II foi uma das figuras mais enigmáticas do blues, sua vida antes da fama permanece um mistério e é um prato cheio para especulações comparáveis ao do mito Robert Johnson, de quem, aliás, foi parceiro. De matuto astuto nascido no interior do Mississipi passou para a quase condição de “Sir” na Grã-Bretanha. Seu carisma aliado aos seus dotes artísticos eram inquestionáveis e ele soube explorá-los até o fim.

O demônio da gaita
Seu nome de batismo era Aleck Ford, filho de Mille ford e de pai ausente. Depois que sua mãe se juntou a um tal de James Miller, mudou de Aleck para ‘Alex’ Miller. Ele teria nascido em 5 de dezembro de 1899 em Glendora, Mississipi, outras fontes afirmam que seria no ano de 1897. Desde muito jovem viajava pelo Mississipi e Arkansas sobre o pseudônimo de ‘Little Boy Blue’ se apresentado como multi-instrumentista. Ele passaria a usar o nome de ‘Sonny Boy Williamson’ em 1941, roubado de John Lee Williamson (1914-1948) o primeiro Sonny Boy , de quem Alex Miller copiou e aprimorou a técnica de tocar harmônica. Entre 1941 e 1945 participou do programa de rádio “King Biscuit Time”, da emissora KFFA, em Helena, Arkansas. Era o programa de blues mais famoso da época, escutava-se por todo o delta do Mississipi.. Foi nesta época que recebeu o apelido de “Rice”(arroz) Miller, pela sua participação nas campanhas de lançamento de cereais que patrocinavam o programa. Logo foi contratado pelo Selo Trumpet e gravou “Eyesight To The Blind” em 1951. Na mesma temporada passou para o Selo Ace, e em 1955, foi contratado pela poderosa gravadora Chess de Chicago, onde permaneceu até 1963. 
Sonny Boy & The King Biscuit Time
Obteve a melhor fase de sua carreira na Chess onde gravou “Don’t Start Me Talkin” e hits consecutivos como “Work With Me”, “Let Me Explain”, “Keep It To Yourself”, “Born Blind”, “Ninety Nine”, “Lonesome Cabin”, “Nine Below Zero”, “Bring It On Home”, “One Way Out” “Bye Bye Bird” e o clássico “Help Me” de 1963. 
O lorde do blues
Sonny Boy Williamson II era uma artista diferenciado, compunha, cantava e tocava harmônica com um estilo provocante; era dono de um senso rítmico raro e tinha uma presença de palco invejável; com sua voz nítida de barítono adotava um estilo surrealista, pois parecia um aristocrata rural bem vestido, com chapéu-coco, barba-de-bode e provido de poucos dentes; sem esquecer do cinturão que carregava municiado de gaitas Hohner ou “French Harp”. Era também conhecido pela sua forte personalidade e seu poder tanto criativo como persuasivo. Sonny Boy participou da turnê européia do American Blues Festival em 1963, e fez tanto sucesso que permaneceu por mais tempo em Londres, onde se apresentou com The Yardbirds e The Animals, voltando no ano seguinte para gravar com Brian Auger e Jimmy Page. Mas na época, Sonny Boy pressentiu que seus dias estavam contados e decidiu voltar para sua terra, apesar de pensar em se naturalizar cidadão inglês pelo fato de ter sido tão bem aceito por lá. Nos EUA passa as noites num bar de Helena bebendo e tocando no início de 1965 acompanhado pelos Hawks, o grupo que mais tarde se tornaria The Band. O Guitarrista Robbie Robertson conta que durante as apresentações Sonny Boy cuspia regularmente numa jarra, e no fim da noite, Robbie observou que na jarra além da saliva, continha sangue do velho bluesman. Assim, em 25 de maio de 1965, Sonny Boy foi encontrado na cama morto aos 65 anos, vítima de um ataque cardíaco pelo seu amigo baterista James “Peck” Curtis. Sonny Boy, o segundo, foi sepultado no cemitério da Igreja Batista de Whitfield, em Tutwiler, Mississipi.

Sonny Boy com os Yardbirds
Sonny Boy Williamson II influenciou inúmeros rockers nas andanças pelo velho mundo, participou das apresentações de bandas de rock, r&b e jazz inglesas tais como The Chris Barber Band; Cyril Davies & The All Stars; The Animals; The Yardbirds e Brian Auger & The Trinity. Chegou a ter o conjunto norte-americano The Hawks (que se tornaria The Band) como sua banda de apoio. Johnny Winter, Paul Butterfield Blues Band e Canned Heat gravaram versões interessantes e diferenciadas de “Help Me”; o Led Zeppelin gravou “Bring It On Home” no LP Led Zeppelin II.
Sonny Boy com os Animals

De Sonny Boy Williamson II é necessário conferir os essenciais The Animals With Sonny Boy Williamson - Charly; Sonny Boy Williamson And The Yardbirds - Optimism; One Way Out –Arhoolie (temas gravados pela Chess 1955-61) e Keep It Out Ourselves – Alligator (gravado na Dinamarca em 1963, com Memphis Slim). 

 Por Eumário José Teixeira.