5 de mai. de 2010

A LENDA DO FANTASMA


Sempre gostei de histórias-em-quadrinhos, cresci colecionando ”revistinhas” e se não tivessem me roubado a minha primeira coleção, que eu já dispunha lá pelos meus onze ou doze anos de idade, e se eu mesmo não desfizesse de outra, na altura de meus trinta e poucos anos, eu teria hoje um acervo invejável de revistas raríssimas e valiosas das saudosas editoras EBAL, RGE, Abril, Vecchi e outras. Mas graças a Deus tenho muitas imagens arquivadas em minha memória e a Internet me ajuda a resgatar muito do meu passado de colecionador. Na minha época, os garotos levavam a sério colecionar revistas em quadrinhos, e tínhamos como dia oficial, o domingo, para nos encontrarmos na frente do saudoso Cine Palácio, aqui na minha cidade de Teófilo Otoni (por volta de 1972 a 1974), onde se realizava uma espécie de feira livre onde trocávamos, comprávamos e vendíamos as revistinhas de acordo com nosso interesse. Bons tempos aqueles, as coisas eram mais simples e não tão maldosas para uma pré-adolescente de 11 para 15 anos. Voltávamos para casa após as negociações, ansiosos para desfrutar das novas revistas. Mais tarde voltávamos para o cinema para assistir a sessão das 16 horas. Dos muitos personagens dos quadrinhos de quem eu era fã, o Fantasma (The Phantom) era um dos meus preferidos. Aprendi a desenhar de tanto tentar reproduzir os quadrinhos desse herói como de tantos outros. Mas o Fantasma era fascinante pela sua origem dramática, o mistério que cercava seus domínios e o temor que causava aos bandidos só de saberem que ele estava por perto. Segundo consta, o Fantasma foi o primeiro herói uniformizado dos quadrinhos, ele não tinha super-poderes, mas só a mística e a lenda que o cercava, seu modo de agir furtivamente, faziam os malfeitores criarem expectativas temerosas ao seu respeito. Ele pode ter inspirado a Bob Kane criar o personagem Batman (O Homem Morcego) que tem a mesma aura de terror e mistério originariamente, pois enquanto Batman explorava sua figura assustadora para amedrontar os facínoras no ambiente urbano de Gotham City, o Fantasma usava a mesma estratégia na selva de Bengala, que se situaria num ponto indeterminado da costa da India. O Fantasma foi criado pelo norte-americano Lee Falk em 1936, foi o pontapé inicial para a revolução cultural dos quadrinhos em todo o mundo. Em seguida, falarei um pouco do Fantasma, seu criador e seus principais ilustradores. 

Lee Falk e sua criação versão Hollywood
O Criador – Lee Falk, nasceu no dia 28 de abril de 1912, em Saint Louis, Missouri, EUA. Foi batizado Leon Harrison Gross. Desde cedo revelou seu talento inato para criar suas próprias histórias inspirando-se, na maioria das vezes, em personagens das mitologias gregas e romanas. Falk foi um dedicado estudante até concluir a faculdade, em seguida profissionalizou-se como escritor e produtor de teatro, escrevendo várias peças importantes que vieram a ser interpretadas por artistas renomados como Marlon Brando, Charlton Heston e Paul Newman. Foi em 1934 que Lee Falk ofereceu à King Features Syndicate em Nova York, textos sobre o personagem Mandrake, o mágico (outro herói de HQ bem sucedido) e, dois anos depois, com o sucesso de Mandrake, apresentou à editora o Fantasma, o espírito que anda. Inicialmente as aventuras de Mandrake e Fantasma foram lançadas em pequenos livros de bolso (little big Book) e a seguir vieram as tiras desenhadas dos heróis que eram publicadas diariamente nos jornais, agradando em cheio aos leitores ávidos por aventuras em todo o mundo. Mesmo servindo na Segunda Grande Guerra como Agente do Serviço de Inteligência, Falk não parou de produzir, pelo contrário, a época conflituosa aflorou sua imaginação. Com o fim da guerra, ele volta a produzir e escrever roteiros de peças de teatro, chegando a administrar teatros em Massachusetts, EUA e nas Bahamas. Lee Falk viveu para ver seu personagem O Fantasma, ser reproduzido para um seriado de cinema em 1943 e mais recentemente numa boa produção para a telona, em 1996. Casado com Elizabeth Moxley Falk, Lee morava em New York num apartamento com decoração exótica com vista para o Central Park, onde faleceu em 13 de março de 1999, em decorrência de uma insuficiência cardíaca aos 87 anos incompletos. 

O criador e seus principais colaboradores
Primeiro desenhista – Ray Moore foi o primeiro a desenhar as primeiras tiras do Fantasma. E como o personagem, Moore foi tão misterioso quanto, pois pouco se sabe sobre ele. Raymond S. Moore nasceu em 1905 na cidade de Montgomery City, Oklahoma. Começou a se projetar como desenhista quando colaborou com Lee Falk na criação do personagem Mandrake em 1934, atuando como assistente do artista Phil Davis (1906-1964). Não foi por acaso que ele seria o mais indicado para desenhar então o próximo herói, o Fantasma, em 1936. Moore era filho de um joalheiro e inicialmente começou a ganhar a vida como engenheiro, mas posteriormente passou a desenhar profissionalmente como ilustrador. Como Lee Falk escrevia as histórias para o Fantasma e não tinha tempo para ilustrá-las, recorreu a Moore que já o tinha auxiliado com Mandrake. Nos anos 40, Moore, serviu na Segunda Grande Guerra Mundial tal como Falk, só que não teve a mesma sorte. Ele sofreu um acidente como piloto da Força Aérea Norte-americana em 1942 que o deixaria com sequelas impossibilitando-o de continuar seu trabalho regular de desenhista. Assim o Fantasma passou a ser desenhado pelo seu assistente Wilson McCoy a partir do mesmo ano. Consta que na verdade ele abandonou definitivamente os desenhos em 1948, há outras versões para o acidente, teria sido um acidente de carro ou até mesmo excesso de bebidas; de qualquer forma, apesar de Wilson McCoy assumir o trabalho em 1942, Moore reaparecia esporadicamente até que, por questões de saúde, abandonou de vez o Fantasma. Ray Moore tinha um estilo caprichoso nos desenhos e, inicialmente, seus traços sombrios atribuíam ao personagem ágil e de corpo esguio, um ar envolvente de mistério. Posteriormente Moore deixa aos poucos seu estilo sombreado tendendo-se para um estilo mais realista e detalhista, fazendo escola com seus traços bem acabados. Lee Falk o considerou o melhor desenhista do Fantasma, principalmente devido às ilustrações das belas mulheres que apareciam constantemente nas aventuras do herói. Moore é considerado pelos fãs tão misterioso quanto o personagem que ilustrou, só foram registradas apenas duas fotos dele e ambas de perfil; e quando raramente se deixou entrevistar, pouco falou sobre sua vida particular. Moore faleceu em 13 de janeiro de 1984 de causas naturais (derrame cerebral), no subúrbio de Kirkwood em Saint Louis, Missouri. Ele deixou sua esposa, Claire, que faleceu em 2005; sua irmã mais velha, Mary Odelia Moore (já falecida); seu irmão mais novo, David Yerly Moore; seu sobrinho, John Alt Moore; e suas ilustres sobrinhas Maria Moore e Gina Moore Reiners. Treze acres de mata, que Claire e Ray compraram em Des Peres, Missouri, foram doados para o Departamento de Conservação do estado, por isso em homenagem a Moore, a mata foi denominada “Floresta do Fantasma” (Phantom Forest).

Segundo desenhista – Wilson McCoy, ou melhor, Robert Wilson McCoy, nascido em Troy, Missouri, no dia 06 de abril de 1902, cartunista, ilustrador e pintor, ficou conhecido como o segundo desenhista do Fantasma. Tinha um estilo diferenciado de desenhar, pois ao contrário de Moore, atentava muito para detalhes em suas ilustrações, não explorava o sombreamento e sempre se baseava em fotografias de locais específicos para ilustrar suas histórias, usando também familiares e amigos como modelos para desenhar seus personagens em situações diversas exigidas pelo enredo em que trabalhava. Muitos dos personagens coadjuvantes do Fantasma de McCoy geralmente eram bizarros, feios e mal-encarados. O Fantasma de McCoy era de corpo mais robusto e não tão longelíneo como o de Ray Moore. Como o autor Lee Falk, McCoy tinha espírito aventureiro e viajava pelo mundo, principalmente por lugares selvagens, para alimentar sua criatividade. Chegou a conhecer uma tribo dos pigmeus Ituri, na África, para usá-los como referência em suas ilustrações dos pigmeus Bandar, a tribo que acolheu o primeiro Fantasma. Wilson McCoy estudou na School Of The Art Institute de Chicago, na American Academy e na University’s School Of Fine Arts de Washington, onde mais tarde serviu trabalhando como um artista comercial, ele fez ilustrações para as capas da Liberty Magazine, calendários, gravuras, pin-ups e anúncios para as maiores companhias. Enquanto seu amigo Ray Moore servia na Segunda Grande Guerra, McCoy assumiu a responsabilidade de ilustrar as novas tiras do Fantasma para a King Features Syndicated. Sua esposa, Dorothy, declarou que McCoy continuou desenhando as tiras até pouco antes de sua morte, causada por um ataque cardíaco, em 20 de julho de 1961. Ele deixou sua esposa Dorothy e duas crianças, Robert e Carol. Suas histórias de O Fantasma foram publicadas na Europa e América por diversas editoras em várias edições com muito sucesso. O Fantasma após o falecimento de McCoy passou a ser desenhado por Bill Lignante por breve um período, até surgir Sy Barry que assumiu de vez o trabalho no restante da década de 1960 e prosseguir nas três décadas seguintes.

Terceiro desenhista – Bill Lignante, nascido em 20 de março de 1925, no Brooklyn, em New York, coube a honrosa tarefa de continuar as ilustrações das aventuras do Fantasma fora da King Features Syndicate. Os desenhos de Bill Lignante na sua versão para o fantasma, tendiam para o padrão dos super-heróis dos anos de 1960, com traços fortes e bem definidos. O Fantasma de Lignante ficou conhecido graças ao seu trabalho na Charlton Comics e principalmente na Gold Key Comics, que geralmente caprichavam nas ilustrações das capas de suas edições, trabalhadas pelo sensacional George Wilson, onde o herói geralmente se encontrava em situações de ação e extremamente perigosas. Além dos quadrinhos, Lignante fez animação para Hanna-Barbera e foi cartunista em salas de corte para ABC Network News durante 26 anos, ilustrando no total mais de 55 julgamentos. Dentre os mais famosos julgamentos ele ilustrou estão o de Charlie Manson e Patty Hearst.

Quarto Desenhista – Finalmente chegamos a Sy Barry, de traços bonitos, limpos e dinâmicos, que assumiu de vez o posto de desenhista oficial do Fantasma pela King Features Syndicate. Nas tiras passou a se observar, desde então, a assinatura “Falk & Barry”. Seymour “Sy” Barry nasceu, pelo que se sabe, no ano de 1928. Desenhista e pintor, Barry ilustrou o Fantasma por mais de 30 anos, substituindo a Wilson McCoy a partir de 1961 na King Features Syndicate. No colégio Barry foi incentivado por um professor a tentar uma vaga na renomada School Of Industrial Art de New York. Barry foi um dos 100 alunos aprovados em 1943. Formado, Sy Barry começou a auxiliar seu irmão Dan Barry, desenhista já reconhecido, nas tiras do herói das aventuras espaciais, Flash Gordon. Sy, nesta ocasião, pintava os desenhos para Dan Barry. Após esta fase, Sy passaria para o lápis de vez em quando, onde auxiliou de forma intensa ao seu irmão em alguns trabalhos, sem ser creditado por isso. Após ter trabalhado tanto em Tarzan como em Flash Gordon, ele começa finalmente a ilustrar as aventuras de o Fantasma, uma jornada de 33 anos, de 1961 a 1994. Barry deu ao Fantasma um físico de “mister universo” e um visual moderno, que nunca mudou, enquanto durou seu trabalho nas tiras e nas revistas. Lee Falk apreciou tanto o estilo de Barry, que acabou por fazer algumas atualizações no mundo de seu personagem mais famoso, dando à Bengala (local da maioria das aventuras), um presidente negro e, à Patrulha da Selva, um Coronel também negro. Sy Barry freqüentemente utilizava desenhistas auxiliares para o trabalho, ficando mais com a arte final e pintura, embora fizesse todo o trabalho quando lhe sobrava tempo. Alguns de seus ajudantes conhecidos eram, George Olesen (o mais freqüente), Joe Giella, Neal Adams, Bob Forgione, André LeBlanc e Graham Nolan. Eles faziam os esboços sobre a orientação de Barry, que escolhia os ângulos, cenários e toda composição gráfica, e que finalmente fazia a arte final, ou seja, passava o nanquim sobre o lápis. No auge de sua popularidade, as histórias retratadas nas tiras de jornais e revistas por Lee Falk e Sy Barry chegaram a ser lidas diariamente por mais de 100 milhões pessoas pelo mundo. Atualmente na Europa, o trabalho de Falk e Barry continuam a ser publicadas aleatoriamente em edições especiais ou comemorativas. Cansado da rotina que tinha que encarar diariamente e que se tornara repetitiva e enfadonha, o que acabou refletindo nas aventuras do herói, Sy Barry retira-se das tiras em 1994, dedicando-se aos seus próprios trabalhos com desenhos mais elaborados e a pintura de paisagens. Eventualmente ele volta a desenhar o Fantasma e muitas de suas ilustrações foram usadas para capas em edições do personagem por todo o mundo. Sy Barry tem uma residência fixa em Long Island, onde vive com sua esposa Simmy e os três filhos do casal. Barry regularmente comparece pelo mundo em convenções de quadrinhos por todo o mundo.
Tom Tyler, Roger Creed & Billy Zane
O personagem nas telas - O Fantasma (The Phantom) teve sua versão para a telona, aliás, duas versões oficiais até agora. A primeira foi lançada em 1943, num seriado típico da época para o cinema. O ator que fazia o papel do Fantasma era Tom Tyler, que também encarnou Capitão Marvel num seriado para a Republic e Buffalo Bill para a Universal. O seriado O Fantasma (The Phantom) foi produzido pela Columbia em 15 episódios. Diana Palmer, a noiva do Fantasma, foi representada pela atriz Jeanne Bates, e o seu fiel lobo, Capeto, foi incorporado por um pastor alemão chamado Ace (the wonder dog – o cão maravilha). A série, que depois chegou a ser exibida na TV, foi dirigida por B. Reeves Eason. Consta que em 1961, chegou a ser filmado um piloto para a televisão, com Roger Creed como Fantasma, mas foi vetado e não exibido. Somente em 1996 foi feito um longa para o herói mascarado das selvas, desta vez estrelado por Billy Zane. Diana Palmer foi representada pela atriz Kristy Swanson. Nesta versão, além de Capeto, se destacava também Herói, o magnífico corcel branco do Fantasma. O filme foi dirigido por Simon Wincer, o roteiro (enxuto) foi escrito por Jeffrey Boam, que conseguiu resgatar alguns bons momentos dos quadrinhos. A aventura foi ambientada na década de 1930 e bem que merecia uma continuação; sendo realizado pela Paramount Pictures, foi filmado na Austrália, Tailândia e Estados Unidos, em comemoração aos 60 anos do personagem criado por Lee Falk.

A origem do Fantasama desenhada por Ray Moore
A origem – O primeiro Fantasma surgiu há mais de 400 anos, quando um navio mercante foi atacado por piratas de Singh e naufragou tomado pelas chamas (aproximadamente no ano de 1535) próximo à costa de Bengala. O pai do primeiro Fantasma, de origem britânica, era o capitão da embarcação, seu nome seria Christopher Standish e viajava com seu único filho, supostamente de mesmo nome. Amparado na praia pelos temíveis pigmeus da tribo Bandar, o jovem Standish, o único sobrevivente do impiedoso ataque, jurou com o crânio do assassino de seu pai nas mãos, que seus filhos e os filhos de seus filhos dedicariam sua vida ao combate à pirataria, à tirania e a todo tipo de injustiça que estivesse ao seu alcance. O refúgio dos pigmeus Bandar se localizava nas entranhas da selva de Bengala, na temível Floresta Negra, e na aldeia havia uma enorme caverna em forma de caveira. Os Bandar sempre esperaram pelo “salvador” de sua tribo explorada e escravizada, que viria do mar. Christopher Standish teve a idéia de explorar tal superstição dos pigmeus e espalhar a lenda entre outras tribos, assumindo o papel de um “deus protetor da selva, nativos e animais”, reforçando sua imagem sobrenatural com uma máscara negra, uniforme e capuz roxos*. E assim foi por várias gerações até hoje. Sempre que o Fantasma chegava a uma idade de se aposentar no combate ao crime e a pirataria, ele convocava seu filho mais velho para tomar seu lugar. Geralmente o filho primogênito já estaria se preparando no ocidente, se graduando nos estudos e em treinamentos físicos, técnicos e específicos, para quando fosse convocado pelo pai, estivesse apto. Muitas vezes o Fantasma foi seriamente ferido ou morto em combate, então seu corpo era resgatado furtivamente pelos pigmeus Bandar e o filho dele era convocado para assumir seu lugar e dar prosseguimento à missão não concluída pelo pai. Daí a lenda aumentava sobre a imortalidade do “homem-que-não-podia-morrer” ou do “espírito-que-anda”. Em rara ocasião, a filha de um dos Fantasmas, tomou a frente sem se revelar como mulher, até que seu irmão estivesse em condições de assumir. O Fantasma atual é da 21ª geração de uma linhagem de mais de 400 anos. Só o chefe atual dos pigmeus Bandar, Guran e alguns parentes deste, sabe da mortalidade de seu mestre, na verdade um ser humano comum. Como já foi citado, o nome verdadeiro do Fantasma, como dos seus antepassados, é Christopher Standish, o sobrenome Standish foi substituído posteriormente para Walker, e para os poucos que lhe são íntimos, ele é chamado Kit Walker. A lenda da imortalidade do Fantasma se espalhou graças a superstição dos próprios pigmeus Bandar, e de outras tribos como as dos Lombo e Wambesi, que a reforçaram. Outro fator importante é a marca do Fantasma, que é na verdade um anel usado pelo herói na mão direita, o temido “Anel da Caveira”, que é utillizado como uma espécie de “carimbo” ao desferir potentes diretos nos queixos dos malfeitores. O bandido que ganha essa “marca amaldiçoada”, que jamais poderá ser retirada, por onde andar, fará com que a lenda do Fantasma só perdure. Já na mão esquerda, ele tem outro anel com a marca de dois ossos cruzados em forma de “x”, a “marca do bem”; quem a tiver, geralmente na mão ou braço, estará sob a proteção do Fantasma, e ai de quem molestar tal pessoa, seja em qualquer parte do mundo. O Fantasma atual carrega no seu cinturão duas pistolas automáticas calibre 45, que geralmente usa com muita precisão. Ele tem como aliados, além dos pigmeus Bandar, um lobo treinado de nome Capeto, um cavalo branco de nome herói e um falcão de nome Fraka. O Fantasma é na verdade também o comandante invisível da Patrulha da Selva, um posto de soldados treinados que lhe dá suporte em várias de suas aventuras. O Fantasma tem uma noiva chamada Diana, que ocasionalmente trabalha para a ONU; e em versões mais recentes, ocorreu o esperado casamento do exótico casal na Floresta Negra. Não demorou muito e aconteceu em seguida, o nascimento do filho do 21º Fantasma, de nome Christopher “Kit” Walker Jr. Quando o Fantasma tem que ir às cidades, ele se apresenta como Sr. Walker (o que anda) e geralmente usa chapéu, óculos escuros e um longo casaco que encobre seu uniforme tradicional. Outras peculiaridades do mundo fascinante do Fantasma bastante conhecidas: a Ilha do Éden, uma espécie de paraíso particular de natureza exuberante onde ele desfruta em paz, a harmonia entre diversos animais selvagens, como tigres, leões, elefantes e girafas, sem contar com os lagos, cachoeiras e as raríssimas flores e plantas exóticas. Outra curiosidade é que no interior da caverna da caveira, o Fantasma costuma receber seus convidados assentado no famoso “Trono da Caveira”, ainda na caverna ele mantém em uma sala bem reservada, um tesouro incalculável de peças e moedas de ouro e prata, jóias diversas e outros objetos valiosos de arte centenários e milenares, como também armas de todas as eras usadas ou confiscadas pelos seus antepassados. Em outro ambiente, ele conserva num mausoléu as tumbas de todos os Fantasmas desde a primeira geração, onde em cada tampa está registrado data de nascimento e morte de seu antepassado. Num compartimento em separado há uma espécie de biblioteca na qual preserva livros com relatos de todas as aventuras vividas pelos seus antepassados, as chamadas "crônicas do Fantasma". O Fantasma também tem sob seu domínio, um platô, também conhecido como “mesa de Walker”, num deserto em algum país do ocidente, que às vezes lhe serve como base de apoio. O personagem realmente é riquíssimo, e à medida que foi se popularizando foram lhe acrescentando facetas que contribuíram ainda mais para sua aceitação pelos fãs dos quadrinhos no mundo inteiro. É claro que ele acabou perdendo a aura sombria e misteriosa que aterrorizava os bandidos do início, para se adequar à onda dos super-heróis que veio em seguida, e apesar de nunca ter lhe sido atribuído nenhum super-poder, ele compensava esta “deficiência” com muitos de seus recursos naturais e exóticos, tais como os diversos citados anteriormente. Se o Fantasma de Ray Moore era fechado e sério, mas com um sorriso discreto e sarcástico, a versão de Fantasma de Sy Barry já mostrava um herói mais sociável, bem humorado e sorridente, mas nem por isso menos implacável com os facínoras.

* A cor do uniforme do Fantasma varia conforme a edição de cada país, alguns preferem a vermelha, marrom, outros azul escuro. Originariamente era para ser cinza escura, mas devido a um acidente na impressão nas primeiras tiras, ficou tradicionalmente com a cor roxa, que Lee Falk justificou posteriormente como a cor de um deus esperado e adorado pelos nativos Bandar. 
Por Eumário J. Teixeira.

ALBERT COLLINS - O Mestre da Telecaster


Com a banda já no palco mandando um som cheio de swing, o mestre de cerimônia bradava: “Ladies e Gentleman, get ready for The Man...The Master of the Telecaster...The Houston Twister...The Razor Blade...The Iceman himself...ALBERT COLLINS !!!”. Então ‘o homem mais feio do mundo’ surgia e mandava ver, logo o ambiente estava pegando fogo com os riffs de sua telecaster dourada!
Albert Collins nasceu em 3 de outubro de 1932 na cidade de Leona, Texas. Ainda criança mudou-se para a cidade de Houston onde começou a aprender piano influenciado pelo som dos teclados de Jimmy Smith e Jimmy McGriff. Porém, aos 13 anos de idade, escutou no rádio o som de “Boogie Chillen” de John Lee Hooker que o fez trocar o piano pela guitarra, sob orientação do primo Willow Young. No início dos anos de 1950 a técnica de outro primo guitarrista, o já famoso Lightnin´ Hopkins, exerceu uma forte influência sobre ele. Foi de Hopkins que Albert collins herdou a afinação em ré menor e as notas agudas sustentadas, que foram as principais características do som de sua Telecaster, definido como “cold blues”. Iniciando-se como músico profissional, Albert tocou nas bandas de Malcom Moore, Piney Brown e Clarence “Gatemouth” Brown. Em Houston, Albert alternou as atuações nos palcos com trabalhos sem ligação com a música, até que em 1958, aos 36 anos, teve a oportunidade de gravar o seu primeiro compacto para o Selo Kangaroo Records, com os temas “The Freeze” e “Collins Shufffle” que eram dois instrumentais com muita reverberação, eco, metal, e orgão, de estilo semelhante ao de Duane Eddy e Albert King. A venda de 20.000 cópias do disco permitiu-lhe ir para frente com a profissão. Em 1962, gravou seu segundo compacto com as faixas “De-frost” e “Albert’s Alley”, e com o terceiro “Frosty”(1962), atingiu um milhão de cópias. Nessa época (1962-63) lançou outros instrumentais, como “Icy Blue”, “Frosbite”, “Snow-Cone”, e “Dyin’ Flu”, o primeiro tema no qual Collins canta. Durante os anos seguintes fez parte das bandas de B. B. King, Freddie King, Jimmy McCracklin, Little Richard (na qual substituiu Jimi Hendrix que acabara de sair) e Big Walter Price. Em seguida Collins começou sua relação com a Imperial Records da Califórnia gravando três LPs: Love Can Be Found Everywhere (1969), Trash (1969), e The Complete Albert Collins (1970). Em 1971 grava para o Selo Tumbleweed, de Bill Szymczyck, no qual lançou There’s Gotta Be A Change, porém não teve continuidade devido à falência da gravadora. Durante um longo tempo, enquanto esperava que alguém se interessasse pelo seu som, continuou se apresentando em shows acompanhado pelo grupo do até então desconhecido (e fã) Robert Cray e gravando com vários artistas como Ike e Tina Turner. Finalmente, quando estava trabalhando numa loja de tintas, para reforçar o orçamento, consegue com a ajuda de um amigo, um contrato com o Selo Alligator do então jovem e incondicional amante do Blues, Bruce Iglauer, responsável pela contratação e recuperação de muitos bluesmen. Finalmente, em 1978, Albert, lança pela Alligator o excelente LP Ice Pickin’ (1978), indicado ao Grammy, acompanhado pelo novo grupo, The Icebreakers. Depois gravaria ao vivo Albert Collins & Barrelhouse (1978); Frosbite (1980); a seguir, Frozen Alive (1981) e finalmente sua consagração, Don’t loose Your Cool (1983), como qual obteve o prêmio W. C. Handy de melhor disco de Blues contemporâneo. A Fundação Memphis Blues, que em 1980 e 1981 o reconheceu como “O Melhor Artista de Blues”, o elegeu “Melhor Instrumentista de 1983”. Em 1984 saiu Live In Japan, em 1985 recebeu um Grammy por Showdown, gravado junto aos guitarristas Johnny Copeland e Robert Cray, ambos discípulos do “Mestre da Telecaster”. Em 1986, lançou Cold Snap, seu último trabalho na Alligator. Em 1991 gravou o LP Iceman pelo Selo Point Blank. Infelizmente após uma turnê européia realizada no verão de 1993, diagnosticaram-lhe um câncer de pulmão em fase muito avançada, com o qual foi descartada a possibilidade de uma cirurgia. Embora lhe dissessem que ainda tinha um ano de vida, Collins veio a falecer em 24 de novembro de 1993 aos 61 anos. No seu leito de morte, o último a vê-lo com vida foi B. B. King. Pouco tempo antes de falecer, numa apresentação no Brasil, Collins gabava-se a uma repórter que jamais usou drogas e que nunca precisou delas para se inspirar ou tocar, indo assim na contra-mão da maioria dos músicos de rock, blues e jazz.

The Ice Man & o rock - Albert começou a flertar com a comunidade rockeira desde 1968, quando durante uma das suas eventuais viagens a Houston, conheceu os integrantes do Canned Heat, que tinham um grande interesse por blues e que conseguiram que Albert Collins mudasse para a Califórnia onde ele se tornou conhecido nos circuito de bares e fosse contratado pelo Selo californiano Imperial. Em 1980 Collins se apresenta ao vivo com Johnny Winter no New Morning Festival de Genebra na Suiça. Em 1987 contratou Debbie Davis para seu grupo, uma guitarrista californiana nascida em 1957 e namorada de um dos seus músicos anteriores, Coco Montoya, que também foi guitarrista do John Mayall’s Bluesbrearkers. Debbie ficaria no grupo por três anos. Em 1990, participou do disco Still Got The Blues de Gary Moore e em 1993 participou do LP Wake Up Call de John Mayall.

De Albert Collins são essenciais os cds:
- Truckin’ With Albert Collins) - coletânea de compactos gravados nos anos 1962-63 (MCA)
- Ice Pickin’ (Alligator)
- Frosbite (Alligator)
- Frozen Alive (Alligator)
- Don’t Loose Your Cool (Alligator)
- Live in Japan (Alligator)
- Showdown – com Robert Cray e Johnny Copeland (Alligator)
- Cold Snap (Alligator)
- Albert Collins and The Icebreakers Live ´92 – ´93 (Pointblank). 

Aí está o link do you tube onde Albert Collins detona "Honey Hush":

Por Eumário J. Teixeira

10 de abr. de 2010

MUHAMMAD ALI


           FLUTUANDO COMO UMA BORBOLETA E FERROANDO COMO UMA ABELHA
Na época das então inéditas transmissões via satélite pela TV de grandes eventos esportivos ou musicais na década de 1970, duas gratas lembranças me vem à mente, a primeira foi o famoso show de Elvis Presley realizado em 1973 no Hawaí, denominado “Elvis – Aloha From Hawai – Via Satellite”, onde o ainda “rei do rock” estava em plena forma e eu tinha apenas 11 anos. Elvis para mim era uma espécie de super-herói, sendo que aquele show só me fez ficar ainda mais fã dele. O outro evento, foi a luta do século entre Muhammad Ali e George Foreman em 1974, transmitido direto do Zaire, na África. Elvis e Ali se conheciam e se respeitavam, como também eventualmente se encontravam. A batalha do Zaire foi denominada “the rumble in the Jungle”, que poderia ser traduzido como “tremor na selva”. Aquela luta me marcou demais, eu já tinha lido sobre Cassius Clay (Muhammad Ali) em livros para o ensino do inglês no colégio, mas tudo me parecia tão irreal e fictício, que eu não poderia crer que um cara desses poderia existir mesmo, alguém que fazia do boxe uma arte, ou seja, ele conseguia socar e derrubar seus oponentes com elegância. Eu não tinha como obter informações sobre ele a não ser por revistas ou alguma notícia pela TV, mas aquela madrugada de 30 de outubro de 1974, foi minha realização. Pouco depois eu veria em Bruce Lee, o rei do Kung Fu, algo que me lembrava Ali, e como de fato, Lee revelou certa vez que era admirador do jogo de pernas de Muhammad Ali. Aquela ginga de Bruce Lee nos filmes, suas fintas e esquivas, foi tudo inspirado no maior de todos os tempos dentro do ringue, Muhammad Ali. Quando Bruce Lee morreu precocemente aos 32 anos em 1973, Ali declarou: “morreu o único homem capaz de me derrotar”; guardando as devidas proporções, é claro, pois Ali media 1,88 m e pesava mais de 85 kg, e Lee tinha 1,68 m e pesava cerca de 58 a 60 kg. A seguir uma pequena homenagem em forma de biografia ao maior artista do boxe mundial de todos os tempos.

O jovem campeão Cassius Clay
MUHAMMAD ALI – Ele nasceu Cassius Marcellus Clay Jr. em Louisville, Kentucky, no dia 17 de janeiro de 1942, no seio de uma família cristã. Seu pai costumava fazer pinturas de imagens para as igrejas cristãs, o que levou o jovem Cassius a questionar sobre os improváveis olhos azuis e cabelos loiros do Jesus Cristo pintado pelo pai naqueles tempos de segregação racial. Na década de 1950 o jovem Cassius Clay já se sentia oprimido pela racismo e talvez por isso, como uma opção de auto-defesa naqueles tempos duros, se volta para o boxe inspirado em ícones negros que eram campeões da nobre arte, como Joe Louis (dos pesos pesados, “a bomba negra”, que se aposentou em 1951) e Sugar Ray Robinson (dos pesos médios, “o bailarino dos ringues”, que se retirou em 1965). Cassius começa seu treinamento no boxe aos 12 anos e em 1959 vence o torneio amador nacional conhecido como Golden Gloves, na categoria dos meio-pesados. Ainda como Cassius Clay, conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1960, em Roma, aos 18 anos na mesma categoria . A partir daí, partiu para o boxe profissional onde as portas estavam escancaradas para o jovem boxer talentoso e carismático. Muitas aparições em programas de TV, entrevistas e assédios diversos, o levaram a contratos milionários. Cassius Clay tinha uma incrível rapidez e agilidade para seus quase 1,90 m e 85 kg. Seu talento natural para boxear com arte o fez declarar: “eu flutuo como uma borboleta e pico como uma abelha”. Seu jeito falastrão e debochado com seus adversários e críticos, lhe trariam problemas mais tarde.

Cassius Clay faz Sonny Liston dormir
Em 25 de fevereiro de 1964, aos 22 anos de idade, para o espanto geral, o jovem Cassius “fanfarrão” Clay, derrotou o campeão Sonny Liston no 7º round por nocaute, em luta válida pelo título dos pesos-pesados pela WBA/WBC, conquistando seu primeiro título profissional na categoria. Depois da conquista surpreendente, anunciou sua fé ao Islã e renega seu nome de batismo, que dizia ser “nome de escravo” e muda seu nome para Cassius X, em homenagem ao seu mentor, o líder social e político, Malcom X.
Ali e o cantor de soul, Sam Cooke
Infelizmente, a seguir, Cassius X é pego de surpresa no dia 11 em dezembro de 1964, quando seu amigo e cantor Sam Cooke, foi assassinado aos 33 anos num motel em Los Angeles por uma mulher. A situação nunca foi totalmente esclarecida. Cassius compareceu ao funeral do ídolo da soul music e também ativista político, Sam Cooke.
Sonny Liston tentou recuperar o cinturão no ano seguinte, mas foi derrotado por Clay no 1º assalto na revanche. Cassius X defendeu o título por 9 vezes com sucesso até o ano de 1967, mas em decorrência de seu envolvimento com os movimentos sociais que exigiam liberdade, igualdade e direitos civis para a comunidade negra e sua proximidade à líderes negros como Malcom X, Elijah Muhammad (líder da Naçao Islã), Martin Luther King (pastor batista) e flertes com o movimento Black Power, o “tio sam” trama uma forma de parar com a crescente popularidade do jovem boxeador. Cassius foi convocado para servir o exército dos EUA na Guerra do Vietnã, mas ele se recusou a servir, entendendo que a convocação era uma armação do governo americano para enfraquecer o movimento pelos direitos civis dos negros, já que ele (Cassius) já era uma membro importante da Nação Islã, que era anti-americana e sonhava com poder e territórios independentes para os negros. Cassius justificou sua recusa em servir alegando que vietnamita algum o teria feito mal ou o chamado de negro; além de que, matar, contrariava sua fé. Sua rebeldia lhe custou simplesmente uma campanha difamatória nacional, acusações públicas de traidor da pátria, transformando-o de herói do boxe mundial para inimigo público número 1 dos Estados Unidos da América. Tudo isso acrescido também de multa de 10.000 dólares, 5 anos de prisão (amenizado por ações de advogados) e do título mundial cassado. No período que esteve inativo, Cassius X muda de nome para assumir definitivamente aquele que o tornou conhecido mundialmente, Muhammad Ali, em referência agora, ao líder dos black muslims (pretos muçulmanos) da Nação Islã.

Ali e o líder Malcom X
Em 21 de fevereiro de 1965, outro duro golpe para Ali, Malcom X, que havia deixado a Nação Islã por divergências com seu líder Elijah Muhammad, é brutalmente assassinado com vários tiros de calibres 38 e 45, a maioria no coração, na sede de sua Organização para a Unidade Afro-Americana. Ele tinha apenas 39 anos, morreu na frente da esposa e filhos.
Outro duro golpe para a comunidade afro-americana foi a morte do pastor protestante e ativista político, Martin Luther King, a tiros num hotel em Memphis, no Tenessee, em 04 de abril de 1968 aos 39 anos. King iria para uma marcha de protesto pouco antes do assassinato, a cidade era e ainda é um reduto sulista de segregacionistas brancos.
Muhammad Ali passou por três anos e meio sem conseguir lutar, mas graças à força dos contatos estratégicos na mídia televisiva associados a um marketing bem feito, a Suprema Corte reviu a decisão e libera Ali da punição. Ele retorna em luta oficial contra Jerry Quarry no dia 26 de outubro de 1970. Ali venceu o embate por nocaute no 3º round. Em seguida derrotou Oscar Bonavena no 15º round por nocaute técnico, retendo o título dos peso-pesados pela NABF em 07 de dezembro do mesmo ano.

As seis pedras no caminho de Ali
Em 08 de março de 1971 Ali tenta unificar o títulos dos pesados contra o boxeador que se tornaria seu maior rival, Joe Frazier. A luta se realizou no Madison Square Garden em Nova York, com cada lutador recebendo US$ 2,5 milhões, um recorde na época. A luta foi emocionante e equilibrada. Frazier partia para cima com tudo, parecia estar mais obstinado pela vitória e Ali tentava em vão dançar em torno do adversário e jabear e, por muitas vezes, se via acuado nas redes. Ali foi surpreendido finalmente com um gancho de esquerda no 15º round, caiu e se levantou rápido, aparentemente sem acusar o golpe, mas a decisão dos jurados foi unânime...Ali perde para Frazier por pontos.
Após esta inesperada derrota, Ali prosseguiu realizando a seguir mais 10 combates com êxito, vencendo todos por pontos ou por nocaute, de 1971 a 1973.
Ainda em 1973, outra derrota, desta vez para Ken Norton em 31 de março de 1973. Desta vez Ali perderia a luta e o título da NABF. A decisão foi por pontos e não foi unânime. Ali teria lutado os 12 assaltos com o maxilar fraturado. Abrindo um parêntese, Bruce Lee morreria em 20 de julho de 1973 após concluir as filmagens de Operação Dragão (Enter The Dragon) pela Warner Bros.
Em seguida, no mesmo ano, Ali enfrenta Rudi Lubbers e vence por decisão unânime na Indonésia.
Em 28 de janeiro de 1974 vem a esperada revanche contra Joe Frazier em New York. Ali recupera o título pela NABF numa luta de 12 rounds por decisão unânime e recupera seu prestígio.
Mas Ali sabia que o cinturão que lhe traria de volta o respeito mundial era o da WBA/WBC que estava em poder do temível George Foreman (o “Mike Tyson” da época). Foreman (atualmente pastor batista) era forte igual a um touro e tinha a simpatia e apoio dos conservadores brancos americanos, que queriam não só a derrota de Ali, mas também o fim do que ele representava perante a comunidade afro-americana com suas idéias anti-americanas. Assim, para Ali que já estava com 32 anos, a luta não seria simplesmente pelo cinturão, estava em jogo também sua fé, sua luta pela liberdade, igualdade e direitos civis para os negros e, sobretudo, era mais uma oportunidade de superação pessoal. Abrindo outro parêntese, se o 11 de setembro tivesse ocorrido na época do Ali militante, seu fim certamente seria numa fogueira no Central Park, em New York, onde seria julgado e executado como terrorista e apoiador da guerra santa de Bin Laden.
Voltando ao grande confronto, foi então acertado a chamada “Luta do Século” para o dia 30 de outubro de 1974. Após estudos e estratégias de marketing, foi escolhido o Zaire, na África, para o local do confronto épico. Foi na verdade, além do próprio espetáculo de boxe, um evento cultural afro-americano, com apresentações de vários grupos africanos e norte-americanos com B. B. King e James Brown, registrados em documentário de 1997, intitulado When We Were Kings (Quando Éramos Reis – no Brasil).
Ali na "luta do século" contra Foreman
A luta foi emocionante, a maioria dos apostas acusavam vantagem de 3 por 1 para Foreman, todos respeitavam a coragem e a audácia de Ali com seu carisma iluminado, mas na verdade se preocupavam a ponto de temer pela sua morte no confronto. Mas não foi bem assim, Foreman partiu para cima, tentou mantê-lo preso às cordas e o manteve assim na maioria dos assaltos. Ali parecia não ter condições para reagir. Ele bloqueava, abraçava e empurrava Foreman enquanto falava graçinhas no seu ouvido do tipo “é só isso que pode fazer?”. Foreman que parecia não parar de desferir seus golpes até Ali cair, cansou e, no 8º round, recebeu o contra-ataque, ou melhor, a picada da abelha. Caiu e não conseguiu se levantar antes da contagem final. Ali recupera seu título pela segunda vez. O público presente festejou mais do que nunca, a vitória foi deles também, Ali os estava representando naquele tablado. Ele era a encarnação da esperança, superação e conquista daquele povo miserável e sofrido. Ali fez mais três lutas após o embate com Foreman, vencendo-as com facilidade. Em 1º de janeiro de 1975, um novo confronto com Joe Frazier, agora nas Filipinas. O combate foi denominado “The Thrilla In Manila”. Ali o enfrentava pela terceira vez. E deu Ali novamente. Nocaute técnico no 14º round. Na melhor de três Ali venceu por 2 a 1.
Seguiram-se mais 3 lutas com Ali saindo-se vencedor, até que tornou a se encontrar nos ringues com Ken Norton em 28 de setembro de 1976, no Bronx, em New York. Nessa outra revanche, Ali também vence por decisão unânime, mantendo seu cinturão de campeão mundial dos pesados pela WBA/WBC.
Mais duas lutas vieram em 1977 e ele mantém o título. Aí chega o fatídico ano de 1978, mais precisamente em 15 de fevereiro, quando ele põe seu título da WBA/WBC novamente em jogo contra o jovem desconhecido Leon Spinks em Las Vegas, na Califórnia. Ali perde por decisão não unânime após 15 assaltos. Talvez o veterano boxeador de 36 anos estivesse pesado e lento demais para flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha.
Mas Muhammad Ali não pensava em desistir tão fácil, apelou para uma revanche que foi marcada para o mesmo ano, no dia 15 de setembro em New Orleans, em Louisiana. Foram mais 15 assaltos de batalha contra o jovem Spinks que parecia não acreditar na determinação de Ali que o venceu por pontos em decisão unânime. A conquista foi comemorada como um fato histórico e inédito no mundo do boxe, pois nenhum boxeador havia recuperado um título mundial por três vezes. Ali poderia ter encerrado sua carreira após esse confronto com Spinks, tendo se retirado como um eterno campeão honrado.
O título da WBA ficou vago em 1979 e, em 1980, após quase dois anos inativo, Ali aos 38 anos perde o título da WBC para Larry Holmes por nocaute técnico ao abandonar a luta no 10º assalto em Las Vegas no dia 02 de fevereiro. Nesta luta polêmica, quatro anos antes de anunciar que sofria do Mal de Pakinson, Ali já demonstrava alguns indícios físicos da doença. Estava visivelmente mais lento e com os reflexos comprometidos. E o que pesou bastante para sua derrota segundo especialistas, foi sua repentina perda de peso para a luta. Perdeu 15 kg em poucas semanas para estar apto para o combate. O sacrifício lhe deixou mais fragilizado, sem poder de punch e sem vitalidade, apesar de continuar a provocar Holmes com deboches durante todo o evento. Os sintomas iniciais do Mal de Parkinson em Ali tinham sido diagnosticados erroneamente dias antes da luta, foram confundidos como alterações da tireóide. A luta estava se tornou um massacre, Holmes acuava um Ali totalmente sem reação nas cordas, assim Angelo Dundee, técnico de Ali, não teve dúvidas, poupou seu lutador interrompendo a luta.
Ali torna a perder a próxima no ano seguinte para o canadense Trevor Berbick por decisão unânime, em Nassau, nas Bahamas, no dia 11 de dezembro de 1981. O confronto foi denominado “Drama nas Bahamas” e bota drama nisso. Ali teimava em lutar sem condições físicas ideais para fazê-lo. Os sintomas do Mal de Parkinson estavam cada vez mais evidentes, na coletiva para a imprensa e pesagem oficial antes da luta, Ali estava apático, falava baixo, não era mais aquele célebre falastrão carismático, seus olhos estavam sem brilho e se movimentava com certa lentidão. Todos em volta fingiam em não perceber, estavam querendo ver o campeão em ação de novo custe o que custasse. A luta foi marcada para as Bahamas porque certamente em território norte-americano não seria autorizada devido às condições clínicas de Ali. Apesar de toda dificuldade, ele fez uma luta equilibrada com o jovem Berbick, que não teve competência para derrubar a legenda da boxe. Após o absurdo nas Bahamas, Ali reconheceu ou foi convencido que era hora de parar. Como seu treinador, Angelo Dundee, mesmo disse depois do confronto nas Bahamas: “Muhammad Ali continuou a lutar, porque é isto que queria fazer. Ele não conseguia se afastar do boxe”.

Ali, portador do Mal de Parkinson, com Will Smith
Finalmente, em 1984, foi diagnosticado oficialmente em Ali, o Mal de Parkinson, do qual ele sofre até hoje aos 68 anos de idade. Após sua aposentadoria Ali passou a se dedicar à ações pela paz mundial e tolerância entre os povos e entre as religiões. Com a criação do Muhammad Ali Memorial em Louisville, KY, passou a apoiar pesquisas para a cura dos acometidos da mesma doença que o aflige. Ali foi indicado para o prêmio Nobel da Paz pelo seu esforço em criar também a Assembléia Geral das Crianças, ligada à ONU. Ali atualmente trata a sua doença com um trabalho que está sendo desenvolvido em Israel, através de experiências com células tronco adultas.
Ali, com sua filha Laila, também boxeadora
Em 1996, Muhammad Ali acendeu a pira olímpica dos jogos de Atlanta, nos EUA. Foi eleito o “Esportista do Século” pela revista americana Sports Illustated em 1999. Vários livros já foram escritos relatando sua biografia e suas proezas e, em 2001, o ator afro-americano, Will Smith, interpretou o maior boxeador de todos os tempos no filme, “Ali”. Constantemente Muhammad Ali é lembrado e homenageado, inclusive por seus eternos rivais no boxe, em eventos esportivos diversos nos EUA e no mundo. Ele foi mais que um boxeador, foi simplesmente o melhor de todos, mas também foi ídolo de toda uma geração oprimida e sem esperança de vitórias. E independentemente da cor da pele, foi não só um visionário no esporte, mas também na política social e libertária. Viva Ali!
 
Reflexão sobre Muhammad Ai
– Essencialmente todos ser humano tem a necessidade de se expressar e de se comunicar com os outros. O modo de fazê-lo poder ser de várias maneiras, através das artes em geral (pintura, teatro, música, etc.), dos esportes (futebol, basquete, natação, boxe, etc.), das ciências, da política, ou simplesmente da oratória. Não basta ter o dom guardado para si mesmo, há uma necessidade de transmiti-lo aos outros, talvez como uma busca de auto-conhecimento, reconhecimento de si próprio ou dos outros, ou pela busca da auto-aceitação confirmada pela reciprocidade do que se faz, na medida em que se percebe a empatia dos que te vêem, te assistem e te escutam.
Ali era um homem abençoado por Deus, tinha o dom da oratória, na maioria das vezes falava em quantidade, mas quando falava com qualidade, suas palavras eram contundentes como seus punhos ao dirigi-las para a defesa dos direitos civis e liberdade de expressão para seus irmãos afro-americanos.
Da mesma forma nos ringues, ele se expressava magnificamente flutuando como uma borboleta e picando como uma abelha, com a rapidez e poder dos seus punhos e sua elegante movimentação nos tablados.
Foi triste e irônico a carreira de Ali se acabar com os sintomas daquela doença degenerativa. O Mal de Parkinson simplesmente lhe tirou seus maiores atributos, a oratória e o boxear com arte.
Talvez fosse uma punição de Deus, já que Ali com seu espírito rebelde e contestador, poderia ter chegado ao ponto de pensar no alto de sua auto-suficiência que não dependeria mais do Senhor para vencer seus obstáculos. Depender Daquele, que pela minha fé e de milhões de cristãos pelo mundo, se entregou como um cordeiro ao sacrifício por todos nós.
As imagens de Jesus Cristo de olhos azuis, cabelos loiros e pele branca, pintadas pelo pai de Ali, ficaram fixadas em sua mente inconformada que não aceitava o deus branco feito para os brancos, assim Jesus foi substituído por Maomé de pele parda, morena ou quase negra. Era o deus apropriado para ele e seus irmãos de cor que lutavam pelo movimento anti-segregacionista.
Apesar de evidências históricas confirmarem que a pele de Jesus estar mais para negra do que para branca, é certo que não podemos nos prender ao detalhe da cor da pele do Salvador, pois seja Ele branco, preto, vermelho ou amarelo, veio para todos nós que o reconhece como único e verdadeiro messias, o legítimo Filho de Deus. Que Deus abençoe a Muhammad Ali. Amém!

Por Eumário J. Teixeira.

LAILA ALI - A HERDEIRA DO CAMPEÃO

Laila Ali nasceu em 30 de dezembro de 1977, em Miami Beach, na Flórida. Filha de Muhammad Ali com Verônica Porsche, sua segunda espôsa.
Laila seria a segunda filha do casal. Ali casou-se três vezes e gerou no total, nove filhos.
Laila seguindo a carreira do pai, se iniciou no boxe profissional em 08 de dezembro de 1999.
Com o mesmo temperamento de Ali, Laila se diz a melhor do mundo e que não tem adversárias à altura.
Define seu estilo de boxear mais direto, parte para liquidar a adversária o mais rápido possível, enquanto seu pai preferia um pouco mais de espetáculo antes da ferroada fatal.
Laila mede 1,78 m e pesa 72,5 kg, se enquadrando na categoria dos pesos super-médios. É uma mulher negra de traços finos e corpo atlético. Atualmente está casada e já deu à Ali, um netinho.
O currículo de Laila Ali é impecável, são 24 lutas, com 24 vitórias, sendo que 21 por nocaute e as outras 03 por decisão dos jurados.
Além do boxe, ela participa de programas de TV como Dancing With The Stars (Dançando com as Estrelas) onde teve grande aceitação do público por sua simpatia, beleza e carisma, herdados do velho campeão Muhammad Ali.

Por Eumário J. Teixeira.

21 de mar. de 2010

"WITHOUT YOU" DO BADFINGER


Já destaquei em artigo nesse blog uma situação semelhante, ou seja, uma música do passado que tinha tudo para ser sucesso quando lançada, mas que não vingou com sua banda original, tornando-se hit apenas anos mais tarde com outra banda ou intérprete. Citei o caso da belíssima “I Don´t Want To Talk About It”(1971) do Crazy Horse, grupo liderado por Danny Whitten que apoiava Neil Young em shows e discos. A música só estourou com Rod Stewart em 1975.
Desta vez relembro o sucesso “Without You” de autoria da banda inglesa Badfinger, que era simplesmente apadrinhada dos Beatles.

Badfinger e o padrinho George Harrison
Na minha opinião a versão original que saiu no álbum No Dice (de 1970) é insuperável, mas quis o destino que a canção não escalasse as paradas de sucesso da época.
“Without You” foi escrita por Pete Ham e Tom Evans com produção de Geoff Emerick. A canção foi intitulada originariamente como “If It’s Love”, sendo que dois versos estavam prontos mas ainda faltava um refrão para causar impacto. Tom Evans cuidou disso e do refrão saiu o título definitivo, “Without You”. Na canção o personagem central declara “I can´t live, if living is without you”, ou seja, em português, “ Eu não posso viver, se viver for sem você”.

Badfinger seriam os sucessores dos Beatles
O vocal lamentoso de Ham que estava nos teclados, a intervenção sensível e na medida certa da guitarra de Holland no solo e mais o apoio nos vocais de Evans no refrão, fizeram da versão do Badfinger simplesmente primorosa.
Só que passou desapercebida esta pérola do pop-rock em 1970. Ironicamente um ano mais tarde, Harry Nilssom, um cantor e compositor de New York, a gravou. Sua versão tornou-se um single de sucesso, permanecendo em primeiro lugar da Billboard Hot 100 norte-americano por quatro semanas, de 19 de fevereiro a 18 de março de 1972. Nilsson ganhou um “Grammy” pela sua performance de vocalista-masculino-pop em 1973, graças a sua bem sucedida interpretação de “Whitout You” no álbum Nilsson Schimilsson. Recebeu também um disco de ouro pela RIAA dos EUA, por um milhão de cópias vendidas, além da indicação de melhor disco do ano.
Eu não tenho nada contra Nilssom, ele foi competente no que propôs a fazer pela música pop, mas a versão do Badfinger é infinitivamente superior!!!!!!!!
O sucesso de Nilsson graças ao gosto popular norte-americano e europeu levou a uma enxurrada de outras versões cada vez mais lamentáveis. Mas de qualquer maneira foi a música que mais rendeu royalties para Ham & Evans.
Outra versão, digamos, bastante popular, foi a de Mariah Carey, lançada em 1994 pouco depois de Harry Nilssom morrer de ataque cardíaco. A versão de Mariah tende para o estilo o gospel nos vocais de apoio. Ela certamente quis homenagear Nilssom, será que ela tinha ouvido falar do Badfinger? Creio que não.

Outras (arghhhh!!!) versões de Without You:


- Shirley Bassey, para o álbum And I Live You So, em 1972;
- Cilla Black, para o álbum Dauy By day With Cilla, em 1973;
- Billy Paul, para o álbum Let ‘Em In, em 1976 (não comprometeu!)
- Heart, para o álbum Magazine, em 1978;
- Air Supply para o álbum The Earth Is..., em 1991
- Tito Nieves, para o álbum I Like It Like That (versão arrghhh!!! Salsa), em 1997
- Orquestra Corinto, para o álbum Latinos en Salsa Tenerife, sob título “Sin Ti”, em 1996;
- Klasse Aparte, para o álbum Ti Del Pecado, versão adaptada (pasmem) de Sin Ti, em ritmo merengue, em 1998;
- Natalia, para o álbum This Time, na Bégica, em 2003;
- Jamily, para o álbum Conquistando o Impossível, versão chamada gospel com letra adaptada em “Usei a Fé”, em 2006;
- Michael Sweet, para o álbum Touched, em 2007
- Wander Wildner, especialmente para o filme “Houve uma vez dois Verões”, de Jorge Furtado;
- Calcinha Prêta, (mas que droga!!!!) numa versão abaianada que dizem que é forró...com o título adaptado para “Paulinha”, em 2007... êtaaahhhh Brasil !!!!


Pete Ham e Tom Evans estão se revirando nos respectivos túmulos por causa das infelizes versões, e que Deus tenha misericórdia deles, principalmente pelo que ambos fizeram com suas respectivas vidas.

A capa do álbum No Dice de 1970, contendo o hit "Without You"
Letra e tradução de Without You
Well, I can´t forget this evening
Bem, eu não posso esquecer dessa noite
And your face when you were leaving
E de seu rosto quando você me deixou

 But I guess that´s just the way the story goes
Mas eu acho que é justamente o caminho que a história toma
You always smile, but in your eyes your sorrow shows, yes it shows
Você sempre sorrindo, mas em seus olhos se via tristeza, sim, se via
Well, I can´t forget tomorrow
Bem, eu não posso esquecer amanhã
 
When I think of all my sorrow
Quando eu pensar de toda minha tristeza
I had you there, but then I let you go
Eu tive você lá, mas depois eu deixei você ir
And now it’s only fair that I should let you know
E agora é justo apenas que devo deixar você saber
What you should Know
O que você deveria saber
CHORUS (refrão)
I can´t live, if living is without you
Eu não posso viver, se viver for sem você
I can´t live, I can´t give anymore
Eu não posso viver, eu não posso viver mais
I can´t live, if living is without you
Eu não posso viver, se viver for sem você
I can´t live, I can´t give anymore
Eu não posso viver, eu não posso viver
mais

BADFINGER, A HISTÓRIA TRÁGICA DE UMA BANDA
Uma banda excelente, mas sucumbiu tragicamente
Badfinger foi uma banda britânica de pop rock do final dos anos de 1960, era considerada uma das grandes promessas do rock na época. A banda foi apadrinhada pelos Beatles, sendo contratada pelo selo Apple dos fab-four. Badfinger gozou de um certo sucesso na Inglaterra como também nos EUA graças aos seus hits como “Dear Angie”; “Come And Get It” (composta para eles por Paul McCartney); “No Matter What”; ‘Day After Day”; “Baby Blue” ; “Get Down”; “Believe Me”; “Whitout You” e “Lay Me Down”. Mas a história da banda não foi pautada só por sucesso e fama, esse grupo de rock foi marcado para sempre pelas mortes trágicas de seus fundadores.
Em 1968, o grupo The Iveys, formado por Pete Ham (vocais, guitarra, piano), Tom Evans (vocais, baixo), Mike Gibbins (bateria) e Joey Molland (Vocais, guitarra), apresentou seu trabalho à Apple dos Beatles e foi contratado. Eles tinham muito em comum com os quatro rapazes de Liverpool, pois Joe Molland e Tom Evans também eram de lá, os vocais das bandas eram parecidos, sem falar na semelhança física entre Molland e Paul McCartney, e Pete Ham nos palcos chegava a lembrar um pouco John Lennon, apesar de não usar óculos. Foram convidados a fazer a trilha sonora do filme The Magic Christian (estrelado por Ringo Starr e pelo comediante Peter Sellers), na qual incluíram “Come And Get It”.
Magic Christian Music - 1970
Com o lançamento desta canção mudaram o nome da banda para Badfinger. A banda acompanhou George Harrison (pós beatles) no seu álbum clássico All Things Must Pass; John Lennon no álbum Imagine; participaram do álbum e show Concert for Bangladesh, e no single de Ringo Starr “It Don´t Come Easy”.
Logo depois saíram da Apple em circunstâncias não esclarecidas, alguns falam em má administração do selo e da produção sofrível de Mal Evans, assim acabaram assinando com a Warner e a partir daí é que as coisas pioraram.
Quando o empresário Stan Polley começou a tomar contas dos negócios do Badfinger, a coisa começou a cair, os membros começaram a se desentender e só Peter Ham parecia confiar na figura que já dava indícios de desvio do dinheirinho suado da banda, enquanto os músicos com suas respectivas famílias viviam modestamente numa única casa em comunidade. Com o acúmulo de muitos shows, gravações estressantes e trapalhadas de produtores e empresários, que viam o Badfinger como uma galinha de ovos de ouro, o nível de stress ficou insuportável. Peter Ham deixa a banda em 1974 mas retorna logo depois. 
Straight Up - 1971
Joey Molland abandona o barco no final do mesmo ano. Mas como as vendas não melhoraram por problemas contratuais, estratégicos, etc., a Warner cancelou o contrato com a banda. A gota d’água para Peter Ham foi saber que seu empresário de confiança fugiu com todo o dinheiro da banda. Bastante deprimido, Ham suicidou-se em 24 de abril de 1975 por enforcamento em sua própria casa, deixando um bilhete de desculpas pela situação financeira desastrosa. A morte de Ham decretou o fim agonizante da banda que prometia ser a melhor depois do surgimento dos Beatles.
Badfinger - 1974
Anos depois, Tom Evans e Joey Molland entraram numa disputa pelos direitos de ressuscitar o Badfinger. O desgaste entre os dois ex-parceiros levou Evans a um profundo estado de depressão e a cometer suicídio em 19 de novembro de 1983, enforcando-se no quintal de sua casa.
Em 04 de outubro de 2005, Mike Gibbins morreu de causas Naturais.
Joey Molland até pouco tempo excursionava com o Joe Molland’s Badfinger, tentando manter na memória dos fãs a chama quase mística do Badfinger.

Curiosidades
• A nota de suicídio deixada por Pete Ham dizia, entre outras coisas (em uma tradução livre), o seguinte: "Annie (a namorada), eu te amo. Blair (o filho), eu te amo. Eu não me permitirei amar nem confiar em ninguém. Assim é melhor. Pete. P.S. Stan Polley é um bastardo sem alma. Eu o levarei comigo".
Pete Ham

• A filha de Pete Ham nasceu exatamente um mês após seu pai ter se matado. Seu nome é Petera Ham.
• Quando cometeu suicídio, Tom Evans foi encontrado por seu filho que, ao ver a cena, correu para cozinha e disse à mãe que havia encontrado um homem muito parecido com o pai pendurado na árvore do quintal.
Tom Evans
• Ao contrário de Ham, Evans não deixou um bilhete justificando seu suicídio.



Discografia

The Iveys
• Maybe Tomorrow - 1968

Badfinger
• Magic Christian Music - 1970 (bom álbum de estréia)
• No Dice – 1970 (ótimo, cheio de hits e o meu preferido)
• Straight Up - 1971 (muito bom e vendeu bem, parecia com o som final dos Beatles)
• Ass - 1973 (o ultimo pela Apple, considerado fraco)
• Wish You Were Here – 1974 (pela Warner e considerado um dos melhores trabalhos)
• Badfinger - 1974 (razoável, mas que obteve boas vendas)
• Airwawes - 1979 (não compromete, mas mas não vendeu bem)
• Say No More - 1981 (fracasso total, sem turnê de divulgação)
• Day After Day - 1990 (gravação ao vivo de 1974)
• Without You: The Tragic History Of Badfinger – 1997 (livro e documentário sob supervisão de Joey Molland)
• BBC In concert - 1997 (com apresentações da banda na rádio londrina em 1972 e 1973)
• Head First – 2000 (sem Joey Molland e gravado em 1974 com Pete Ham assumindo as guitarras, ficou na geladeira por 25 anos e é muito bom).

 
Eis o link do youtube para você curtir "Whitout You" do Badfinger: http://www.youtube.com/watch?v=PyBS_1vGwpU
Por Eumário J. Teixeira.

1 de mar. de 2010

O GRITO


Definição: Nos dicionários consta que grito é o mesmo que “clamor, berro, brado”. Em outro encontrei que seria “voz emitida com força para ser ouvida de longe, voz de alguns animais” ou “o grito do Ipiranga: brado de independência ou morte! dado pelo príncipe D. Pedro I, às margens do Ipiranga em 7 de setembro de 1822”. Veio daí a expressão “ganhar no grito”?

Edvard Munch
O grito na arte: O grito foi retratado de forma trágica num quadro do pintor norueguês Edvard Munch, um dos precursores do expressionismo, em 1893. A pintura mostra uma figura andrógina num momento de angústia profunda e desespero existencial. São várias as hipóteses para a inspiração de Munch para O Grito (Skrik, no original). Uma delas foi sua própria vida que foi foi pautada por tragédias, como a perda da mãe e uma irmã quando ele era apenas uma criança, o rompimento dele com seu pai quando adulto, o envolvimento desesperador e sofrível com uma mulher casada, o internamento de sua irmã favorita num asilo psiquiátrico, a morte de outra irmã pouco depois de se casar e, por fim, o reconhecimento tardio de sua obra.
"O Grito" de Munch
A dor de O Grito, de Munch, não está presente apenas no personagem, ao fundo nota-se em destaque que a vida para quem sofre não é mesma que as outras pessoas vêem, tudo que faz parte dela é doloroso também e, talvez por isso, nos identificamos tanto com o personagem da pintura, pois podemos sentir a dor e o grito desesperado dado por ele. Basta interagir com o mundo disforme e distorcido retratado na obra, que nos perturbamos e somos tocados diretamente nas profundezas de nosso ser.
O Grito de Munch se tornou popular posteriormente após sua morte em 1944, só para exemplificar, em 1961, a revista Time destacou O Grito na capa de uma edição dedicada aos complexos de culpa e ansiedade; nos anos 80, o artista plástico Andy Warhol realizou uma série de trabalhos dedicados à obra de Munch, incluindo uma reinterpretação de O Grito; em 1991, o muralista Robert Fishbone criou uma versão de um boneco inflável que vendeu milhares de cópias em todo o mundo; o quadro também apareceu duas vezes na série de desenhos de Os Simpsons. O Grito é pop!

O grito no Cinema: O eterno Tarzan, Johnny Weissmuller, a partir de 1931, soltou o grito mais famoso de todos os tempos nas telas. É claro que na verdade, nenhum ser humano poderia berrar daquele jeito. Tudo indica que era uma colagem de sons de um barítono, uma soprano, cães uivando e violinos. De qualquer forma, Tarzan, ou melhor, Weissmuller morreu em 1984 aos 79 anos, reivindicando a autoria do grito épico. Ninguém jamais soube ao certo a fórmula mágica daquele grito: OOOUOOOUUUOOOHHHH !!!!! 
Janet Leigh, na banheira, gritando de pavor
Outro grito famoso foi o de Janet Leigh, na famosa cena do chuveiro em "Psicose" dirigido por Alfred Hitchcock em 1960.
Ghostface, o assassino psicopata da série de filmes Scream (Pânico), esconde seu rosto sob uma máscara inspirada na obra O Grito.




O grito na música: Em inglês, grito é “shout”. Nos anos de 1930, uma derivação do blues (gênero musical afro-americano) surgiu em Kansas City pela necessidade dos cantores dos botequins tinham de se fazer ouvir, já que o ambiente barulhento e a competição com os instrumentos musicais os obrigavam a berrar em vez de cantar. Daí o motivo dos “shouters” ou berradores, surgirem. Alguns dos mais famosos foram Big Joe Turner e Jimmy Rushing. 
Big Joe Turner, o blues gritado
No início de carreira os Beatles já cantavam (ou gritavam) "Twist and Shout"; alguns anos depois na década de 1970, Ian Gillan, ex-vocalista da banda inglesa Deep Purple, fazia escola com seu gogó que marcou definitivamente o rock. Se quiser conferir, escute o cd "Machine Head", considerada a obra prima da banda, e o duplo ao vivo "Made In Japan".

 

O grito como válvula de escape: O grito pode ter significados diversos dependendo da ocasião, pode ser uma forma de confissão explosiva de total incapacidade diante de uma situação inesperada que foge do controle, como pode também ser uma forma de espantar as dúvidas e temores de uma mente temporariamente confusa que precisa urgentemente ordenar seus pensamentos para administrar uma situação conflituosa.

Soltando o grito !!!!!
No momento em que digito estas palavras, por exemplo, faz um calor insuportável e meu humilde ventilador não está correspondendo à altura, assim estou me controlando para não soltar um grito e bradar em alto e bom som: Que calor infernal !!!!!! O saudável seria libertar este meu incômodo interior através de um grito e chute simultâneos no dito cujo, mas não farei isso, pois acabaria por assustar os que estão na sala de tv, os que estão dormindo, os vizinhos etc.

O grito nas artes e disciplinas orientais: Nas disciplinas de combate, principalmente nas artes marciais japonesas, como o Karatê (O Caminho das mãos vazias) e o Kendô (O Caminho da Espada), o grito ou Kiai, é essencial para o desempenho satisfatório num combate. O kiai expele e repele tudo o que é ruim, que te faz desconcentrar, que te impõe medo e que te faz recuar. O Kiai tem um duplo objetivo: 1º – gerar uma energia maior no momento do ataque; 2º – amedrontar o inimigo e até mesmo paralisá-lo, deixando-lhe vulnerável.


O kiai do samurai expele e gera o mêdo no combate
Li em algum livro ou revista, que o grito foi uma forma de arte praticada até por monges budistas japoneses com o intuito de curar vítimas de síncope (uma perda súbita de consciência acompanhada por ausência de respiração e circulação). A arte conhecida como Kiai-jitsu era usada como forma terapêutica pelos monges ao emitirem determinados sons. Dizem também que até os milenares Ninjas usavam a arte sonora para matar adversários, ao paralisarem com um kiai mortal, centros cerebrais específicos.

O grito, ou kiai, é usado por todos nós inconscientemente de uma forma mais rudimentar, como por exemplo, ao contrair os músculos do abdome para levantar um peso, você emite um grunhido no momento de maior esforço. Especialistas dizem que se treinar e desenvolver o kiai, você poderá usar mais eficientemente seu potencial energético, utilizando-o na arte marcial voltada para a defesa pessoal ou esporte, como também obterá melhor desempenho com menor esforço em atividades rotineiras.

O grito e seus efeitos: Uma forma de provar você mesmo os efeitos do kiai é esta: fique de pé, imóvel, se concentre, e de repente dê um grito. Você sentirá uma contração involuntária dos músculos abdominais e uma onda de calor atravessando o corpo. Em seguida, experimente dar um soco ou chute sem gritar, em seguida, tente o soco e o chute ao mesmo tempo em que grita. Terá uma sensação diferente, ou seja, explosiva!

Bruce Lee: Huáááhhh !!!

Por outro lado, uma forma de fazer alguém provar os efeitos do grito, é essa: Numa conversa informal com uma pessoa (que não pode ser desconhecida, idosa, estressada ou cardíaca), grite de repente. O seu kiai vai mesmo assustar ou até levar ao pânico a pessoa que não está esperando pelo seu berro.

Conclusão: É certo que o medo de ruídos altos e repentinos é um dos instintos naturais do homem. Um grito surpreendente pode por um momento descontrolar totalmente um quadro de reações físicas e mentais consideradas normais. De imediato, tremores, fraqueza da musculatura, aceleração das batidas do coração e suores frios, poderão ocorrer. É momento em que os adversários momentaneamente paralisados, devem ser abatidos.

O grito também serve para encobrir, mesmo por um instante, o seu medo interior, pois o que transparece exteriormente para o adversário é uma atitude audaz e corajosa que o pega de surpresa, e o grito se torna a expressão de sua determinação e autoconfiança.

O grito também pode ser comparado ao blefe no jogo de pôquer, um verdadeiro blefe sonoro, dependendo da situação, é claro. Talvez você não tenha a cartada certeira, mas você deve agir como se a tivesse. O espírito de luta de um combatente quando se lança contra o inimigo pode ser medido pela intensidade de seu kiai.

O medo e a emoção podem liberar em nós energia reservas ocultas, que podem nos levar a realizar certas proezas nunca imaginadas em condições normais. Com o grito liberamos energia extra, desabafamos, nos defendemos, atacamos e exorcizamos tudo que nos aflige e nos tortura.



O grito medonho de Yoko Ono ainda assombra...
Para finalizar, tenho de dizer que um dos gritos mais insuportáveis e irritantes que já ouvi, foi o de Yoko Ono, viúva de John Lennon, numa apresentação ao lado do ex-beatle, Eric Clapton e Keith Richards registrado no filme “Rock ‘n’ roll Circus”. Aquele berro botava para correr qualquer samurai; os gritinhos mais desprezíveis para mim sempre foram os de Michael Jackson; os mais temidos foram os de Bruce Lee; o mais famoso sem dúvida era o de Johnny “Tarzan” Weismuller, apesar das piadinhas sobre a origem do mesmo.

Por tudo isso, não seja acanhado e berre à vontade, clame pela misericórdia de Deus, grite de alegria, de tristeza, para desabafar, por medo de alguma coisa, para espantar algum ladrão, grite que te fará bem, mas longe de mim! Está muito quente, estou estressado e possivelmente eu gritaria de volta (hehehehe!).

Para encerrar um link do you tube em homenagem ao griiitooooo!!!!:

Por Eumário J. Teixeira.