10 de abr. de 2010

MUHAMMAD ALI


           FLUTUANDO COMO UMA BORBOLETA E FERROANDO COMO UMA ABELHA
Na época das então inéditas transmissões via satélite pela TV de grandes eventos esportivos ou musicais na década de 1970, duas gratas lembranças me vem à mente, a primeira foi o famoso show de Elvis Presley realizado em 1973 no Hawaí, denominado “Elvis – Aloha From Hawai – Via Satellite”, onde o ainda “rei do rock” estava em plena forma e eu tinha apenas 11 anos. Elvis para mim era uma espécie de super-herói, sendo que aquele show só me fez ficar ainda mais fã dele. O outro evento, foi a luta do século entre Muhammad Ali e George Foreman em 1974, transmitido direto do Zaire, na África. Elvis e Ali se conheciam e se respeitavam, como também eventualmente se encontravam. A batalha do Zaire foi denominada “the rumble in the Jungle”, que poderia ser traduzido como “tremor na selva”. Aquela luta me marcou demais, eu já tinha lido sobre Cassius Clay (Muhammad Ali) em livros para o ensino do inglês no colégio, mas tudo me parecia tão irreal e fictício, que eu não poderia crer que um cara desses poderia existir mesmo, alguém que fazia do boxe uma arte, ou seja, ele conseguia socar e derrubar seus oponentes com elegância. Eu não tinha como obter informações sobre ele a não ser por revistas ou alguma notícia pela TV, mas aquela madrugada de 30 de outubro de 1974, foi minha realização. Pouco depois eu veria em Bruce Lee, o rei do Kung Fu, algo que me lembrava Ali, e como de fato, Lee revelou certa vez que era admirador do jogo de pernas de Muhammad Ali. Aquela ginga de Bruce Lee nos filmes, suas fintas e esquivas, foi tudo inspirado no maior de todos os tempos dentro do ringue, Muhammad Ali. Quando Bruce Lee morreu precocemente aos 32 anos em 1973, Ali declarou: “morreu o único homem capaz de me derrotar”; guardando as devidas proporções, é claro, pois Ali media 1,88 m e pesava mais de 85 kg, e Lee tinha 1,68 m e pesava cerca de 58 a 60 kg. A seguir uma pequena homenagem em forma de biografia ao maior artista do boxe mundial de todos os tempos.

O jovem campeão Cassius Clay
MUHAMMAD ALI – Ele nasceu Cassius Marcellus Clay Jr. em Louisville, Kentucky, no dia 17 de janeiro de 1942, no seio de uma família cristã. Seu pai costumava fazer pinturas de imagens para as igrejas cristãs, o que levou o jovem Cassius a questionar sobre os improváveis olhos azuis e cabelos loiros do Jesus Cristo pintado pelo pai naqueles tempos de segregação racial. Na década de 1950 o jovem Cassius Clay já se sentia oprimido pela racismo e talvez por isso, como uma opção de auto-defesa naqueles tempos duros, se volta para o boxe inspirado em ícones negros que eram campeões da nobre arte, como Joe Louis (dos pesos pesados, “a bomba negra”, que se aposentou em 1951) e Sugar Ray Robinson (dos pesos médios, “o bailarino dos ringues”, que se retirou em 1965). Cassius começa seu treinamento no boxe aos 12 anos e em 1959 vence o torneio amador nacional conhecido como Golden Gloves, na categoria dos meio-pesados. Ainda como Cassius Clay, conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1960, em Roma, aos 18 anos na mesma categoria . A partir daí, partiu para o boxe profissional onde as portas estavam escancaradas para o jovem boxer talentoso e carismático. Muitas aparições em programas de TV, entrevistas e assédios diversos, o levaram a contratos milionários. Cassius Clay tinha uma incrível rapidez e agilidade para seus quase 1,90 m e 85 kg. Seu talento natural para boxear com arte o fez declarar: “eu flutuo como uma borboleta e pico como uma abelha”. Seu jeito falastrão e debochado com seus adversários e críticos, lhe trariam problemas mais tarde.

Cassius Clay faz Sonny Liston dormir
Em 25 de fevereiro de 1964, aos 22 anos de idade, para o espanto geral, o jovem Cassius “fanfarrão” Clay, derrotou o campeão Sonny Liston no 7º round por nocaute, em luta válida pelo título dos pesos-pesados pela WBA/WBC, conquistando seu primeiro título profissional na categoria. Depois da conquista surpreendente, anunciou sua fé ao Islã e renega seu nome de batismo, que dizia ser “nome de escravo” e muda seu nome para Cassius X, em homenagem ao seu mentor, o líder social e político, Malcom X.
Ali e o cantor de soul, Sam Cooke
Infelizmente, a seguir, Cassius X é pego de surpresa no dia 11 em dezembro de 1964, quando seu amigo e cantor Sam Cooke, foi assassinado aos 33 anos num motel em Los Angeles por uma mulher. A situação nunca foi totalmente esclarecida. Cassius compareceu ao funeral do ídolo da soul music e também ativista político, Sam Cooke.
Sonny Liston tentou recuperar o cinturão no ano seguinte, mas foi derrotado por Clay no 1º assalto na revanche. Cassius X defendeu o título por 9 vezes com sucesso até o ano de 1967, mas em decorrência de seu envolvimento com os movimentos sociais que exigiam liberdade, igualdade e direitos civis para a comunidade negra e sua proximidade à líderes negros como Malcom X, Elijah Muhammad (líder da Naçao Islã), Martin Luther King (pastor batista) e flertes com o movimento Black Power, o “tio sam” trama uma forma de parar com a crescente popularidade do jovem boxeador. Cassius foi convocado para servir o exército dos EUA na Guerra do Vietnã, mas ele se recusou a servir, entendendo que a convocação era uma armação do governo americano para enfraquecer o movimento pelos direitos civis dos negros, já que ele (Cassius) já era uma membro importante da Nação Islã, que era anti-americana e sonhava com poder e territórios independentes para os negros. Cassius justificou sua recusa em servir alegando que vietnamita algum o teria feito mal ou o chamado de negro; além de que, matar, contrariava sua fé. Sua rebeldia lhe custou simplesmente uma campanha difamatória nacional, acusações públicas de traidor da pátria, transformando-o de herói do boxe mundial para inimigo público número 1 dos Estados Unidos da América. Tudo isso acrescido também de multa de 10.000 dólares, 5 anos de prisão (amenizado por ações de advogados) e do título mundial cassado. No período que esteve inativo, Cassius X muda de nome para assumir definitivamente aquele que o tornou conhecido mundialmente, Muhammad Ali, em referência agora, ao líder dos black muslims (pretos muçulmanos) da Nação Islã.

Ali e o líder Malcom X
Em 21 de fevereiro de 1965, outro duro golpe para Ali, Malcom X, que havia deixado a Nação Islã por divergências com seu líder Elijah Muhammad, é brutalmente assassinado com vários tiros de calibres 38 e 45, a maioria no coração, na sede de sua Organização para a Unidade Afro-Americana. Ele tinha apenas 39 anos, morreu na frente da esposa e filhos.
Outro duro golpe para a comunidade afro-americana foi a morte do pastor protestante e ativista político, Martin Luther King, a tiros num hotel em Memphis, no Tenessee, em 04 de abril de 1968 aos 39 anos. King iria para uma marcha de protesto pouco antes do assassinato, a cidade era e ainda é um reduto sulista de segregacionistas brancos.
Muhammad Ali passou por três anos e meio sem conseguir lutar, mas graças à força dos contatos estratégicos na mídia televisiva associados a um marketing bem feito, a Suprema Corte reviu a decisão e libera Ali da punição. Ele retorna em luta oficial contra Jerry Quarry no dia 26 de outubro de 1970. Ali venceu o embate por nocaute no 3º round. Em seguida derrotou Oscar Bonavena no 15º round por nocaute técnico, retendo o título dos peso-pesados pela NABF em 07 de dezembro do mesmo ano.

As seis pedras no caminho de Ali
Em 08 de março de 1971 Ali tenta unificar o títulos dos pesados contra o boxeador que se tornaria seu maior rival, Joe Frazier. A luta se realizou no Madison Square Garden em Nova York, com cada lutador recebendo US$ 2,5 milhões, um recorde na época. A luta foi emocionante e equilibrada. Frazier partia para cima com tudo, parecia estar mais obstinado pela vitória e Ali tentava em vão dançar em torno do adversário e jabear e, por muitas vezes, se via acuado nas redes. Ali foi surpreendido finalmente com um gancho de esquerda no 15º round, caiu e se levantou rápido, aparentemente sem acusar o golpe, mas a decisão dos jurados foi unânime...Ali perde para Frazier por pontos.
Após esta inesperada derrota, Ali prosseguiu realizando a seguir mais 10 combates com êxito, vencendo todos por pontos ou por nocaute, de 1971 a 1973.
Ainda em 1973, outra derrota, desta vez para Ken Norton em 31 de março de 1973. Desta vez Ali perderia a luta e o título da NABF. A decisão foi por pontos e não foi unânime. Ali teria lutado os 12 assaltos com o maxilar fraturado. Abrindo um parêntese, Bruce Lee morreria em 20 de julho de 1973 após concluir as filmagens de Operação Dragão (Enter The Dragon) pela Warner Bros.
Em seguida, no mesmo ano, Ali enfrenta Rudi Lubbers e vence por decisão unânime na Indonésia.
Em 28 de janeiro de 1974 vem a esperada revanche contra Joe Frazier em New York. Ali recupera o título pela NABF numa luta de 12 rounds por decisão unânime e recupera seu prestígio.
Mas Ali sabia que o cinturão que lhe traria de volta o respeito mundial era o da WBA/WBC que estava em poder do temível George Foreman (o “Mike Tyson” da época). Foreman (atualmente pastor batista) era forte igual a um touro e tinha a simpatia e apoio dos conservadores brancos americanos, que queriam não só a derrota de Ali, mas também o fim do que ele representava perante a comunidade afro-americana com suas idéias anti-americanas. Assim, para Ali que já estava com 32 anos, a luta não seria simplesmente pelo cinturão, estava em jogo também sua fé, sua luta pela liberdade, igualdade e direitos civis para os negros e, sobretudo, era mais uma oportunidade de superação pessoal. Abrindo outro parêntese, se o 11 de setembro tivesse ocorrido na época do Ali militante, seu fim certamente seria numa fogueira no Central Park, em New York, onde seria julgado e executado como terrorista e apoiador da guerra santa de Bin Laden.
Voltando ao grande confronto, foi então acertado a chamada “Luta do Século” para o dia 30 de outubro de 1974. Após estudos e estratégias de marketing, foi escolhido o Zaire, na África, para o local do confronto épico. Foi na verdade, além do próprio espetáculo de boxe, um evento cultural afro-americano, com apresentações de vários grupos africanos e norte-americanos com B. B. King e James Brown, registrados em documentário de 1997, intitulado When We Were Kings (Quando Éramos Reis – no Brasil).
Ali na "luta do século" contra Foreman
A luta foi emocionante, a maioria dos apostas acusavam vantagem de 3 por 1 para Foreman, todos respeitavam a coragem e a audácia de Ali com seu carisma iluminado, mas na verdade se preocupavam a ponto de temer pela sua morte no confronto. Mas não foi bem assim, Foreman partiu para cima, tentou mantê-lo preso às cordas e o manteve assim na maioria dos assaltos. Ali parecia não ter condições para reagir. Ele bloqueava, abraçava e empurrava Foreman enquanto falava graçinhas no seu ouvido do tipo “é só isso que pode fazer?”. Foreman que parecia não parar de desferir seus golpes até Ali cair, cansou e, no 8º round, recebeu o contra-ataque, ou melhor, a picada da abelha. Caiu e não conseguiu se levantar antes da contagem final. Ali recupera seu título pela segunda vez. O público presente festejou mais do que nunca, a vitória foi deles também, Ali os estava representando naquele tablado. Ele era a encarnação da esperança, superação e conquista daquele povo miserável e sofrido. Ali fez mais três lutas após o embate com Foreman, vencendo-as com facilidade. Em 1º de janeiro de 1975, um novo confronto com Joe Frazier, agora nas Filipinas. O combate foi denominado “The Thrilla In Manila”. Ali o enfrentava pela terceira vez. E deu Ali novamente. Nocaute técnico no 14º round. Na melhor de três Ali venceu por 2 a 1.
Seguiram-se mais 3 lutas com Ali saindo-se vencedor, até que tornou a se encontrar nos ringues com Ken Norton em 28 de setembro de 1976, no Bronx, em New York. Nessa outra revanche, Ali também vence por decisão unânime, mantendo seu cinturão de campeão mundial dos pesados pela WBA/WBC.
Mais duas lutas vieram em 1977 e ele mantém o título. Aí chega o fatídico ano de 1978, mais precisamente em 15 de fevereiro, quando ele põe seu título da WBA/WBC novamente em jogo contra o jovem desconhecido Leon Spinks em Las Vegas, na Califórnia. Ali perde por decisão não unânime após 15 assaltos. Talvez o veterano boxeador de 36 anos estivesse pesado e lento demais para flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha.
Mas Muhammad Ali não pensava em desistir tão fácil, apelou para uma revanche que foi marcada para o mesmo ano, no dia 15 de setembro em New Orleans, em Louisiana. Foram mais 15 assaltos de batalha contra o jovem Spinks que parecia não acreditar na determinação de Ali que o venceu por pontos em decisão unânime. A conquista foi comemorada como um fato histórico e inédito no mundo do boxe, pois nenhum boxeador havia recuperado um título mundial por três vezes. Ali poderia ter encerrado sua carreira após esse confronto com Spinks, tendo se retirado como um eterno campeão honrado.
O título da WBA ficou vago em 1979 e, em 1980, após quase dois anos inativo, Ali aos 38 anos perde o título da WBC para Larry Holmes por nocaute técnico ao abandonar a luta no 10º assalto em Las Vegas no dia 02 de fevereiro. Nesta luta polêmica, quatro anos antes de anunciar que sofria do Mal de Pakinson, Ali já demonstrava alguns indícios físicos da doença. Estava visivelmente mais lento e com os reflexos comprometidos. E o que pesou bastante para sua derrota segundo especialistas, foi sua repentina perda de peso para a luta. Perdeu 15 kg em poucas semanas para estar apto para o combate. O sacrifício lhe deixou mais fragilizado, sem poder de punch e sem vitalidade, apesar de continuar a provocar Holmes com deboches durante todo o evento. Os sintomas iniciais do Mal de Parkinson em Ali tinham sido diagnosticados erroneamente dias antes da luta, foram confundidos como alterações da tireóide. A luta estava se tornou um massacre, Holmes acuava um Ali totalmente sem reação nas cordas, assim Angelo Dundee, técnico de Ali, não teve dúvidas, poupou seu lutador interrompendo a luta.
Ali torna a perder a próxima no ano seguinte para o canadense Trevor Berbick por decisão unânime, em Nassau, nas Bahamas, no dia 11 de dezembro de 1981. O confronto foi denominado “Drama nas Bahamas” e bota drama nisso. Ali teimava em lutar sem condições físicas ideais para fazê-lo. Os sintomas do Mal de Parkinson estavam cada vez mais evidentes, na coletiva para a imprensa e pesagem oficial antes da luta, Ali estava apático, falava baixo, não era mais aquele célebre falastrão carismático, seus olhos estavam sem brilho e se movimentava com certa lentidão. Todos em volta fingiam em não perceber, estavam querendo ver o campeão em ação de novo custe o que custasse. A luta foi marcada para as Bahamas porque certamente em território norte-americano não seria autorizada devido às condições clínicas de Ali. Apesar de toda dificuldade, ele fez uma luta equilibrada com o jovem Berbick, que não teve competência para derrubar a legenda da boxe. Após o absurdo nas Bahamas, Ali reconheceu ou foi convencido que era hora de parar. Como seu treinador, Angelo Dundee, mesmo disse depois do confronto nas Bahamas: “Muhammad Ali continuou a lutar, porque é isto que queria fazer. Ele não conseguia se afastar do boxe”.

Ali, portador do Mal de Parkinson, com Will Smith
Finalmente, em 1984, foi diagnosticado oficialmente em Ali, o Mal de Parkinson, do qual ele sofre até hoje aos 68 anos de idade. Após sua aposentadoria Ali passou a se dedicar à ações pela paz mundial e tolerância entre os povos e entre as religiões. Com a criação do Muhammad Ali Memorial em Louisville, KY, passou a apoiar pesquisas para a cura dos acometidos da mesma doença que o aflige. Ali foi indicado para o prêmio Nobel da Paz pelo seu esforço em criar também a Assembléia Geral das Crianças, ligada à ONU. Ali atualmente trata a sua doença com um trabalho que está sendo desenvolvido em Israel, através de experiências com células tronco adultas.
Ali, com sua filha Laila, também boxeadora
Em 1996, Muhammad Ali acendeu a pira olímpica dos jogos de Atlanta, nos EUA. Foi eleito o “Esportista do Século” pela revista americana Sports Illustated em 1999. Vários livros já foram escritos relatando sua biografia e suas proezas e, em 2001, o ator afro-americano, Will Smith, interpretou o maior boxeador de todos os tempos no filme, “Ali”. Constantemente Muhammad Ali é lembrado e homenageado, inclusive por seus eternos rivais no boxe, em eventos esportivos diversos nos EUA e no mundo. Ele foi mais que um boxeador, foi simplesmente o melhor de todos, mas também foi ídolo de toda uma geração oprimida e sem esperança de vitórias. E independentemente da cor da pele, foi não só um visionário no esporte, mas também na política social e libertária. Viva Ali!
 
Reflexão sobre Muhammad Ai
– Essencialmente todos ser humano tem a necessidade de se expressar e de se comunicar com os outros. O modo de fazê-lo poder ser de várias maneiras, através das artes em geral (pintura, teatro, música, etc.), dos esportes (futebol, basquete, natação, boxe, etc.), das ciências, da política, ou simplesmente da oratória. Não basta ter o dom guardado para si mesmo, há uma necessidade de transmiti-lo aos outros, talvez como uma busca de auto-conhecimento, reconhecimento de si próprio ou dos outros, ou pela busca da auto-aceitação confirmada pela reciprocidade do que se faz, na medida em que se percebe a empatia dos que te vêem, te assistem e te escutam.
Ali era um homem abençoado por Deus, tinha o dom da oratória, na maioria das vezes falava em quantidade, mas quando falava com qualidade, suas palavras eram contundentes como seus punhos ao dirigi-las para a defesa dos direitos civis e liberdade de expressão para seus irmãos afro-americanos.
Da mesma forma nos ringues, ele se expressava magnificamente flutuando como uma borboleta e picando como uma abelha, com a rapidez e poder dos seus punhos e sua elegante movimentação nos tablados.
Foi triste e irônico a carreira de Ali se acabar com os sintomas daquela doença degenerativa. O Mal de Parkinson simplesmente lhe tirou seus maiores atributos, a oratória e o boxear com arte.
Talvez fosse uma punição de Deus, já que Ali com seu espírito rebelde e contestador, poderia ter chegado ao ponto de pensar no alto de sua auto-suficiência que não dependeria mais do Senhor para vencer seus obstáculos. Depender Daquele, que pela minha fé e de milhões de cristãos pelo mundo, se entregou como um cordeiro ao sacrifício por todos nós.
As imagens de Jesus Cristo de olhos azuis, cabelos loiros e pele branca, pintadas pelo pai de Ali, ficaram fixadas em sua mente inconformada que não aceitava o deus branco feito para os brancos, assim Jesus foi substituído por Maomé de pele parda, morena ou quase negra. Era o deus apropriado para ele e seus irmãos de cor que lutavam pelo movimento anti-segregacionista.
Apesar de evidências históricas confirmarem que a pele de Jesus estar mais para negra do que para branca, é certo que não podemos nos prender ao detalhe da cor da pele do Salvador, pois seja Ele branco, preto, vermelho ou amarelo, veio para todos nós que o reconhece como único e verdadeiro messias, o legítimo Filho de Deus. Que Deus abençoe a Muhammad Ali. Amém!

Por Eumário J. Teixeira.

LAILA ALI - A HERDEIRA DO CAMPEÃO

Laila Ali nasceu em 30 de dezembro de 1977, em Miami Beach, na Flórida. Filha de Muhammad Ali com Verônica Porsche, sua segunda espôsa.
Laila seria a segunda filha do casal. Ali casou-se três vezes e gerou no total, nove filhos.
Laila seguindo a carreira do pai, se iniciou no boxe profissional em 08 de dezembro de 1999.
Com o mesmo temperamento de Ali, Laila se diz a melhor do mundo e que não tem adversárias à altura.
Define seu estilo de boxear mais direto, parte para liquidar a adversária o mais rápido possível, enquanto seu pai preferia um pouco mais de espetáculo antes da ferroada fatal.
Laila mede 1,78 m e pesa 72,5 kg, se enquadrando na categoria dos pesos super-médios. É uma mulher negra de traços finos e corpo atlético. Atualmente está casada e já deu à Ali, um netinho.
O currículo de Laila Ali é impecável, são 24 lutas, com 24 vitórias, sendo que 21 por nocaute e as outras 03 por decisão dos jurados.
Além do boxe, ela participa de programas de TV como Dancing With The Stars (Dançando com as Estrelas) onde teve grande aceitação do público por sua simpatia, beleza e carisma, herdados do velho campeão Muhammad Ali.

Por Eumário J. Teixeira.

21 de mar. de 2010

"WITHOUT YOU" DO BADFINGER


Já destaquei em artigo nesse blog uma situação semelhante, ou seja, uma música do passado que tinha tudo para ser sucesso quando lançada, mas que não vingou com sua banda original, tornando-se hit apenas anos mais tarde com outra banda ou intérprete. Citei o caso da belíssima “I Don´t Want To Talk About It”(1971) do Crazy Horse, grupo liderado por Danny Whitten que apoiava Neil Young em shows e discos. A música só estourou com Rod Stewart em 1975.
Desta vez relembro o sucesso “Without You” de autoria da banda inglesa Badfinger, que era simplesmente apadrinhada dos Beatles.

Badfinger e o padrinho George Harrison
Na minha opinião a versão original que saiu no álbum No Dice (de 1970) é insuperável, mas quis o destino que a canção não escalasse as paradas de sucesso da época.
“Without You” foi escrita por Pete Ham e Tom Evans com produção de Geoff Emerick. A canção foi intitulada originariamente como “If It’s Love”, sendo que dois versos estavam prontos mas ainda faltava um refrão para causar impacto. Tom Evans cuidou disso e do refrão saiu o título definitivo, “Without You”. Na canção o personagem central declara “I can´t live, if living is without you”, ou seja, em português, “ Eu não posso viver, se viver for sem você”.

Badfinger seriam os sucessores dos Beatles
O vocal lamentoso de Ham que estava nos teclados, a intervenção sensível e na medida certa da guitarra de Holland no solo e mais o apoio nos vocais de Evans no refrão, fizeram da versão do Badfinger simplesmente primorosa.
Só que passou desapercebida esta pérola do pop-rock em 1970. Ironicamente um ano mais tarde, Harry Nilssom, um cantor e compositor de New York, a gravou. Sua versão tornou-se um single de sucesso, permanecendo em primeiro lugar da Billboard Hot 100 norte-americano por quatro semanas, de 19 de fevereiro a 18 de março de 1972. Nilsson ganhou um “Grammy” pela sua performance de vocalista-masculino-pop em 1973, graças a sua bem sucedida interpretação de “Whitout You” no álbum Nilsson Schimilsson. Recebeu também um disco de ouro pela RIAA dos EUA, por um milhão de cópias vendidas, além da indicação de melhor disco do ano.
Eu não tenho nada contra Nilssom, ele foi competente no que propôs a fazer pela música pop, mas a versão do Badfinger é infinitivamente superior!!!!!!!!
O sucesso de Nilsson graças ao gosto popular norte-americano e europeu levou a uma enxurrada de outras versões cada vez mais lamentáveis. Mas de qualquer maneira foi a música que mais rendeu royalties para Ham & Evans.
Outra versão, digamos, bastante popular, foi a de Mariah Carey, lançada em 1994 pouco depois de Harry Nilssom morrer de ataque cardíaco. A versão de Mariah tende para o estilo o gospel nos vocais de apoio. Ela certamente quis homenagear Nilssom, será que ela tinha ouvido falar do Badfinger? Creio que não.

Outras (arghhhh!!!) versões de Without You:


- Shirley Bassey, para o álbum And I Live You So, em 1972;
- Cilla Black, para o álbum Dauy By day With Cilla, em 1973;
- Billy Paul, para o álbum Let ‘Em In, em 1976 (não comprometeu!)
- Heart, para o álbum Magazine, em 1978;
- Air Supply para o álbum The Earth Is..., em 1991
- Tito Nieves, para o álbum I Like It Like That (versão arrghhh!!! Salsa), em 1997
- Orquestra Corinto, para o álbum Latinos en Salsa Tenerife, sob título “Sin Ti”, em 1996;
- Klasse Aparte, para o álbum Ti Del Pecado, versão adaptada (pasmem) de Sin Ti, em ritmo merengue, em 1998;
- Natalia, para o álbum This Time, na Bégica, em 2003;
- Jamily, para o álbum Conquistando o Impossível, versão chamada gospel com letra adaptada em “Usei a Fé”, em 2006;
- Michael Sweet, para o álbum Touched, em 2007
- Wander Wildner, especialmente para o filme “Houve uma vez dois Verões”, de Jorge Furtado;
- Calcinha Prêta, (mas que droga!!!!) numa versão abaianada que dizem que é forró...com o título adaptado para “Paulinha”, em 2007... êtaaahhhh Brasil !!!!


Pete Ham e Tom Evans estão se revirando nos respectivos túmulos por causa das infelizes versões, e que Deus tenha misericórdia deles, principalmente pelo que ambos fizeram com suas respectivas vidas.

A capa do álbum No Dice de 1970, contendo o hit "Without You"
Letra e tradução de Without You
Well, I can´t forget this evening
Bem, eu não posso esquecer dessa noite
And your face when you were leaving
E de seu rosto quando você me deixou

 But I guess that´s just the way the story goes
Mas eu acho que é justamente o caminho que a história toma
You always smile, but in your eyes your sorrow shows, yes it shows
Você sempre sorrindo, mas em seus olhos se via tristeza, sim, se via
Well, I can´t forget tomorrow
Bem, eu não posso esquecer amanhã
 
When I think of all my sorrow
Quando eu pensar de toda minha tristeza
I had you there, but then I let you go
Eu tive você lá, mas depois eu deixei você ir
And now it’s only fair that I should let you know
E agora é justo apenas que devo deixar você saber
What you should Know
O que você deveria saber
CHORUS (refrão)
I can´t live, if living is without you
Eu não posso viver, se viver for sem você
I can´t live, I can´t give anymore
Eu não posso viver, eu não posso viver mais
I can´t live, if living is without you
Eu não posso viver, se viver for sem você
I can´t live, I can´t give anymore
Eu não posso viver, eu não posso viver
mais

BADFINGER, A HISTÓRIA TRÁGICA DE UMA BANDA
Uma banda excelente, mas sucumbiu tragicamente
Badfinger foi uma banda britânica de pop rock do final dos anos de 1960, era considerada uma das grandes promessas do rock na época. A banda foi apadrinhada pelos Beatles, sendo contratada pelo selo Apple dos fab-four. Badfinger gozou de um certo sucesso na Inglaterra como também nos EUA graças aos seus hits como “Dear Angie”; “Come And Get It” (composta para eles por Paul McCartney); “No Matter What”; ‘Day After Day”; “Baby Blue” ; “Get Down”; “Believe Me”; “Whitout You” e “Lay Me Down”. Mas a história da banda não foi pautada só por sucesso e fama, esse grupo de rock foi marcado para sempre pelas mortes trágicas de seus fundadores.
Em 1968, o grupo The Iveys, formado por Pete Ham (vocais, guitarra, piano), Tom Evans (vocais, baixo), Mike Gibbins (bateria) e Joey Molland (Vocais, guitarra), apresentou seu trabalho à Apple dos Beatles e foi contratado. Eles tinham muito em comum com os quatro rapazes de Liverpool, pois Joe Molland e Tom Evans também eram de lá, os vocais das bandas eram parecidos, sem falar na semelhança física entre Molland e Paul McCartney, e Pete Ham nos palcos chegava a lembrar um pouco John Lennon, apesar de não usar óculos. Foram convidados a fazer a trilha sonora do filme The Magic Christian (estrelado por Ringo Starr e pelo comediante Peter Sellers), na qual incluíram “Come And Get It”.
Magic Christian Music - 1970
Com o lançamento desta canção mudaram o nome da banda para Badfinger. A banda acompanhou George Harrison (pós beatles) no seu álbum clássico All Things Must Pass; John Lennon no álbum Imagine; participaram do álbum e show Concert for Bangladesh, e no single de Ringo Starr “It Don´t Come Easy”.
Logo depois saíram da Apple em circunstâncias não esclarecidas, alguns falam em má administração do selo e da produção sofrível de Mal Evans, assim acabaram assinando com a Warner e a partir daí é que as coisas pioraram.
Quando o empresário Stan Polley começou a tomar contas dos negócios do Badfinger, a coisa começou a cair, os membros começaram a se desentender e só Peter Ham parecia confiar na figura que já dava indícios de desvio do dinheirinho suado da banda, enquanto os músicos com suas respectivas famílias viviam modestamente numa única casa em comunidade. Com o acúmulo de muitos shows, gravações estressantes e trapalhadas de produtores e empresários, que viam o Badfinger como uma galinha de ovos de ouro, o nível de stress ficou insuportável. Peter Ham deixa a banda em 1974 mas retorna logo depois. 
Straight Up - 1971
Joey Molland abandona o barco no final do mesmo ano. Mas como as vendas não melhoraram por problemas contratuais, estratégicos, etc., a Warner cancelou o contrato com a banda. A gota d’água para Peter Ham foi saber que seu empresário de confiança fugiu com todo o dinheiro da banda. Bastante deprimido, Ham suicidou-se em 24 de abril de 1975 por enforcamento em sua própria casa, deixando um bilhete de desculpas pela situação financeira desastrosa. A morte de Ham decretou o fim agonizante da banda que prometia ser a melhor depois do surgimento dos Beatles.
Badfinger - 1974
Anos depois, Tom Evans e Joey Molland entraram numa disputa pelos direitos de ressuscitar o Badfinger. O desgaste entre os dois ex-parceiros levou Evans a um profundo estado de depressão e a cometer suicídio em 19 de novembro de 1983, enforcando-se no quintal de sua casa.
Em 04 de outubro de 2005, Mike Gibbins morreu de causas Naturais.
Joey Molland até pouco tempo excursionava com o Joe Molland’s Badfinger, tentando manter na memória dos fãs a chama quase mística do Badfinger.

Curiosidades
• A nota de suicídio deixada por Pete Ham dizia, entre outras coisas (em uma tradução livre), o seguinte: "Annie (a namorada), eu te amo. Blair (o filho), eu te amo. Eu não me permitirei amar nem confiar em ninguém. Assim é melhor. Pete. P.S. Stan Polley é um bastardo sem alma. Eu o levarei comigo".
Pete Ham

• A filha de Pete Ham nasceu exatamente um mês após seu pai ter se matado. Seu nome é Petera Ham.
• Quando cometeu suicídio, Tom Evans foi encontrado por seu filho que, ao ver a cena, correu para cozinha e disse à mãe que havia encontrado um homem muito parecido com o pai pendurado na árvore do quintal.
Tom Evans
• Ao contrário de Ham, Evans não deixou um bilhete justificando seu suicídio.



Discografia

The Iveys
• Maybe Tomorrow - 1968

Badfinger
• Magic Christian Music - 1970 (bom álbum de estréia)
• No Dice – 1970 (ótimo, cheio de hits e o meu preferido)
• Straight Up - 1971 (muito bom e vendeu bem, parecia com o som final dos Beatles)
• Ass - 1973 (o ultimo pela Apple, considerado fraco)
• Wish You Were Here – 1974 (pela Warner e considerado um dos melhores trabalhos)
• Badfinger - 1974 (razoável, mas que obteve boas vendas)
• Airwawes - 1979 (não compromete, mas mas não vendeu bem)
• Say No More - 1981 (fracasso total, sem turnê de divulgação)
• Day After Day - 1990 (gravação ao vivo de 1974)
• Without You: The Tragic History Of Badfinger – 1997 (livro e documentário sob supervisão de Joey Molland)
• BBC In concert - 1997 (com apresentações da banda na rádio londrina em 1972 e 1973)
• Head First – 2000 (sem Joey Molland e gravado em 1974 com Pete Ham assumindo as guitarras, ficou na geladeira por 25 anos e é muito bom).

 
Eis o link do youtube para você curtir "Whitout You" do Badfinger: http://www.youtube.com/watch?v=PyBS_1vGwpU
Por Eumário J. Teixeira.

1 de mar. de 2010

O GRITO


Definição: Nos dicionários consta que grito é o mesmo que “clamor, berro, brado”. Em outro encontrei que seria “voz emitida com força para ser ouvida de longe, voz de alguns animais” ou “o grito do Ipiranga: brado de independência ou morte! dado pelo príncipe D. Pedro I, às margens do Ipiranga em 7 de setembro de 1822”. Veio daí a expressão “ganhar no grito”?

Edvard Munch
O grito na arte: O grito foi retratado de forma trágica num quadro do pintor norueguês Edvard Munch, um dos precursores do expressionismo, em 1893. A pintura mostra uma figura andrógina num momento de angústia profunda e desespero existencial. São várias as hipóteses para a inspiração de Munch para O Grito (Skrik, no original). Uma delas foi sua própria vida que foi foi pautada por tragédias, como a perda da mãe e uma irmã quando ele era apenas uma criança, o rompimento dele com seu pai quando adulto, o envolvimento desesperador e sofrível com uma mulher casada, o internamento de sua irmã favorita num asilo psiquiátrico, a morte de outra irmã pouco depois de se casar e, por fim, o reconhecimento tardio de sua obra.
"O Grito" de Munch
A dor de O Grito, de Munch, não está presente apenas no personagem, ao fundo nota-se em destaque que a vida para quem sofre não é mesma que as outras pessoas vêem, tudo que faz parte dela é doloroso também e, talvez por isso, nos identificamos tanto com o personagem da pintura, pois podemos sentir a dor e o grito desesperado dado por ele. Basta interagir com o mundo disforme e distorcido retratado na obra, que nos perturbamos e somos tocados diretamente nas profundezas de nosso ser.
O Grito de Munch se tornou popular posteriormente após sua morte em 1944, só para exemplificar, em 1961, a revista Time destacou O Grito na capa de uma edição dedicada aos complexos de culpa e ansiedade; nos anos 80, o artista plástico Andy Warhol realizou uma série de trabalhos dedicados à obra de Munch, incluindo uma reinterpretação de O Grito; em 1991, o muralista Robert Fishbone criou uma versão de um boneco inflável que vendeu milhares de cópias em todo o mundo; o quadro também apareceu duas vezes na série de desenhos de Os Simpsons. O Grito é pop!

O grito no Cinema: O eterno Tarzan, Johnny Weissmuller, a partir de 1931, soltou o grito mais famoso de todos os tempos nas telas. É claro que na verdade, nenhum ser humano poderia berrar daquele jeito. Tudo indica que era uma colagem de sons de um barítono, uma soprano, cães uivando e violinos. De qualquer forma, Tarzan, ou melhor, Weissmuller morreu em 1984 aos 79 anos, reivindicando a autoria do grito épico. Ninguém jamais soube ao certo a fórmula mágica daquele grito: OOOUOOOUUUOOOHHHH !!!!! 
Janet Leigh, na banheira, gritando de pavor
Outro grito famoso foi o de Janet Leigh, na famosa cena do chuveiro em "Psicose" dirigido por Alfred Hitchcock em 1960.
Ghostface, o assassino psicopata da série de filmes Scream (Pânico), esconde seu rosto sob uma máscara inspirada na obra O Grito.




O grito na música: Em inglês, grito é “shout”. Nos anos de 1930, uma derivação do blues (gênero musical afro-americano) surgiu em Kansas City pela necessidade dos cantores dos botequins tinham de se fazer ouvir, já que o ambiente barulhento e a competição com os instrumentos musicais os obrigavam a berrar em vez de cantar. Daí o motivo dos “shouters” ou berradores, surgirem. Alguns dos mais famosos foram Big Joe Turner e Jimmy Rushing. 
Big Joe Turner, o blues gritado
No início de carreira os Beatles já cantavam (ou gritavam) "Twist and Shout"; alguns anos depois na década de 1970, Ian Gillan, ex-vocalista da banda inglesa Deep Purple, fazia escola com seu gogó que marcou definitivamente o rock. Se quiser conferir, escute o cd "Machine Head", considerada a obra prima da banda, e o duplo ao vivo "Made In Japan".

 

O grito como válvula de escape: O grito pode ter significados diversos dependendo da ocasião, pode ser uma forma de confissão explosiva de total incapacidade diante de uma situação inesperada que foge do controle, como pode também ser uma forma de espantar as dúvidas e temores de uma mente temporariamente confusa que precisa urgentemente ordenar seus pensamentos para administrar uma situação conflituosa.

Soltando o grito !!!!!
No momento em que digito estas palavras, por exemplo, faz um calor insuportável e meu humilde ventilador não está correspondendo à altura, assim estou me controlando para não soltar um grito e bradar em alto e bom som: Que calor infernal !!!!!! O saudável seria libertar este meu incômodo interior através de um grito e chute simultâneos no dito cujo, mas não farei isso, pois acabaria por assustar os que estão na sala de tv, os que estão dormindo, os vizinhos etc.

O grito nas artes e disciplinas orientais: Nas disciplinas de combate, principalmente nas artes marciais japonesas, como o Karatê (O Caminho das mãos vazias) e o Kendô (O Caminho da Espada), o grito ou Kiai, é essencial para o desempenho satisfatório num combate. O kiai expele e repele tudo o que é ruim, que te faz desconcentrar, que te impõe medo e que te faz recuar. O Kiai tem um duplo objetivo: 1º – gerar uma energia maior no momento do ataque; 2º – amedrontar o inimigo e até mesmo paralisá-lo, deixando-lhe vulnerável.


O kiai do samurai expele e gera o mêdo no combate
Li em algum livro ou revista, que o grito foi uma forma de arte praticada até por monges budistas japoneses com o intuito de curar vítimas de síncope (uma perda súbita de consciência acompanhada por ausência de respiração e circulação). A arte conhecida como Kiai-jitsu era usada como forma terapêutica pelos monges ao emitirem determinados sons. Dizem também que até os milenares Ninjas usavam a arte sonora para matar adversários, ao paralisarem com um kiai mortal, centros cerebrais específicos.

O grito, ou kiai, é usado por todos nós inconscientemente de uma forma mais rudimentar, como por exemplo, ao contrair os músculos do abdome para levantar um peso, você emite um grunhido no momento de maior esforço. Especialistas dizem que se treinar e desenvolver o kiai, você poderá usar mais eficientemente seu potencial energético, utilizando-o na arte marcial voltada para a defesa pessoal ou esporte, como também obterá melhor desempenho com menor esforço em atividades rotineiras.

O grito e seus efeitos: Uma forma de provar você mesmo os efeitos do kiai é esta: fique de pé, imóvel, se concentre, e de repente dê um grito. Você sentirá uma contração involuntária dos músculos abdominais e uma onda de calor atravessando o corpo. Em seguida, experimente dar um soco ou chute sem gritar, em seguida, tente o soco e o chute ao mesmo tempo em que grita. Terá uma sensação diferente, ou seja, explosiva!

Bruce Lee: Huáááhhh !!!

Por outro lado, uma forma de fazer alguém provar os efeitos do grito, é essa: Numa conversa informal com uma pessoa (que não pode ser desconhecida, idosa, estressada ou cardíaca), grite de repente. O seu kiai vai mesmo assustar ou até levar ao pânico a pessoa que não está esperando pelo seu berro.

Conclusão: É certo que o medo de ruídos altos e repentinos é um dos instintos naturais do homem. Um grito surpreendente pode por um momento descontrolar totalmente um quadro de reações físicas e mentais consideradas normais. De imediato, tremores, fraqueza da musculatura, aceleração das batidas do coração e suores frios, poderão ocorrer. É momento em que os adversários momentaneamente paralisados, devem ser abatidos.

O grito também serve para encobrir, mesmo por um instante, o seu medo interior, pois o que transparece exteriormente para o adversário é uma atitude audaz e corajosa que o pega de surpresa, e o grito se torna a expressão de sua determinação e autoconfiança.

O grito também pode ser comparado ao blefe no jogo de pôquer, um verdadeiro blefe sonoro, dependendo da situação, é claro. Talvez você não tenha a cartada certeira, mas você deve agir como se a tivesse. O espírito de luta de um combatente quando se lança contra o inimigo pode ser medido pela intensidade de seu kiai.

O medo e a emoção podem liberar em nós energia reservas ocultas, que podem nos levar a realizar certas proezas nunca imaginadas em condições normais. Com o grito liberamos energia extra, desabafamos, nos defendemos, atacamos e exorcizamos tudo que nos aflige e nos tortura.



O grito medonho de Yoko Ono ainda assombra...
Para finalizar, tenho de dizer que um dos gritos mais insuportáveis e irritantes que já ouvi, foi o de Yoko Ono, viúva de John Lennon, numa apresentação ao lado do ex-beatle, Eric Clapton e Keith Richards registrado no filme “Rock ‘n’ roll Circus”. Aquele berro botava para correr qualquer samurai; os gritinhos mais desprezíveis para mim sempre foram os de Michael Jackson; os mais temidos foram os de Bruce Lee; o mais famoso sem dúvida era o de Johnny “Tarzan” Weismuller, apesar das piadinhas sobre a origem do mesmo.

Por tudo isso, não seja acanhado e berre à vontade, clame pela misericórdia de Deus, grite de alegria, de tristeza, para desabafar, por medo de alguma coisa, para espantar algum ladrão, grite que te fará bem, mas longe de mim! Está muito quente, estou estressado e possivelmente eu gritaria de volta (hehehehe!).

Para encerrar um link do you tube em homenagem ao griiitooooo!!!!:

Por Eumário J. Teixeira.

16 de fev. de 2010

SANTO, O MASCARADO DE PRATA


Em meados dos anos de 1970 (no século passado), eu costumava frequentar regularmente as salas de cinema da minha cidade. Aliás, naqueles tempos tínhamos ao nosso dispor três casas de exibição, o cine Vitória, o cine Palácio e o cine Metrópole. Para uma cidade de porte médio era bom demais. Mas com o advento do vídeo-cassete e logo depois do dvd-player, a sustentabilidade dos cinemas tornou-se inviável na nossa Teófilo Otoni, como também na maioria dos municípios do país que ainda ofereciam tal opção de lazer. O Vitória se tornou um teatro; o Metrópole, uma igreja evangélica; e o Palácio... ainda não se sabe o que vai ser, mas já fechou as portas. Mas o assunto que quero tratar aqui não é bem esse, tem haver com o cinema de uma forma saudosa, numa época em que centenas de jovens e adultos dobravam o quarteirão numa fila para assistir a uma sessão dominical.
Antes da febre Bruce Lee; dos Discípulos de Shaolin liderados por Chen Kuan Tai, Ti Lung, Alexander Fu Sheng e Chi Kuan Chun; e do japonês Chiba Shinichi, discípulo de Mas Oyama, um lutador que não era chinês, japonês e muito menos norte-americano, fazia a galera delirar com seu golpes acrobáticos nas telas. O nome do cara era: El Santo, o rei da luta-livre.
Na época, as lutas de tele-catch eram transmitidas pela TV Tupi e tinham grande audiência no Brasil, nós tínhamos um herói tal como o mexicano El Santo. Era Ted Boy Marino. Muita saudade daquelas noites de sábado em que parávamos no TV para assistir aquelas lutas ensaiadas, com mocinhos e vilões se socando, chutando e pulando para todos os lados, numa coreografia que me parecia na época perfeita, quase real.
Creio que se não fosse pelos filmes de El Santo e seu rival e por vezes parceiro, Blue Demon, o show de luta-livre pela TV não teria tido tanto sucesso.
Assim, a seguir, vou tentar contar um pouco sobre a vida e carreira deste lendário lutador mexicano, pois antes mesmo do famoso campeão mundial de boxe na categoria peso médio, Júlio César Chavez, existiu uma lenda nos tablados do México e do mundo, o nome dele eu já mencionei, era conhecido como El Santo, o mascarado de prata.
Biografia - Rodolfo Gusman Huerta, nascido em 23 de setembro de 1917, conhecido mais popularmente como El Santo, era mexicano, lutador profissional de Wrestling, ator e um personagem folclórico no México. Santo, juntamente com Blue Demon e Mil Máscaras, é um dos ícones mais famosos dos lutadores mundiais de wrestling, e foi considerado como uma das maiores legendas do esporte mexicano. Sua carreira como Wrestler se estendeu por quase cinco décadas, durante a qual se transformou num herói popular e um símbolo da justiça para o cidadão comum em suas aventuras retratadas em revistas em quadrinhos e filmes. Sua popularidade é comparada a de Hulk Hogan nos Estados Unidos e Rikidozan no Japão.
Nascido em Tulacingo, no estado mexicano de Hidalgo, filho de Jesus Campuzano e Josefina Huerta Márquez, sendo o quinto de sete crianças, Rodolfo chegou na cidade do México no início dos anos de 1920, onde sua família se estabeleceu nas vizinhanças de Tepito. Na juventude praticou o baseball e o futebol americano, mas logo se interessou pelo wrestling ou luta-livre. Na verdade iniciou-se no jiu-jitsu e logo após se voltou para o wrestling clássico. Há divergências quanto ao local e data de sua primeira competição oficial de wrestling. Alguns relatam que foi na arena de Peralvillo Cozumel no dia 28 de junho de 1934 aos 17 anos completos, outros afirmam que foi no Deportivo Islas na comunidade de Guerrero, da cidade do México em 1935. Mas foi na segunda metade dos anos de 1930 que ele se firmou como wrestler usando os nomes de Rudy Guzman, El Hombre Rojo (O Homem de Vermelho), El Demônio Negro (O Demônio Negro) e El Murcielago II (O Morcego II). O último nome era uma “carona” da fama de Jesus Velazquez, famoso lutador de wrestler, conhecido como El Murcielago Velasquez, (O Morcego Velasquez) que era a sensação da época. Depois de uma apelação imposta à Comissão de Boxe e Wrestling mexicanos, o corpo regulatório proibiu à Guzman usar o nome de Murcielago II. Decepcionado com a decisão e ainda mais abalado com a morte de seu pai, Guzman quase abandona o wrestling.
No final dos anos de 1940, Rodolfo Guzman casou-se com Maria de los Angeles Rodriguez Montaño, chamada de Maruca, uma união que produziu dez filhos, bem divididos entre cinco homens e cinco mulheres. Destes, o caçula Jorge, se transformou num wrestler com certa fama por seus próprios méritos, conhecido como “El Hijo del Santo” (O Filho de Santo). Para se ter uma idéia do que o nome “Santo” representa no México, um dos netos de Guzman (que não era filho de Jorge) obteve certa fama lutando com o nome “El Nieto del Santo” (O Neto de Santo), o que fez Jorge entrar com uma ação legal contra o uso do nome do pai. Assim, El Nieto de Santo mudou seu nome de guerra para Axxel, mas o público ainda o trata como o Neto de Santo.
Em 1942, o empresário de Guzman, Don Jesus Lomeli, juntou uma nova equipe de wrestlers, todos vestidos de prata, e Rodolfo Gusman foi convidado a fazer parte dela. Foi sugerido três nomes a Guzman, El Santo (O Santo), El Diablo (O Diabo) e El Anjo (O Anjo). Guzman escolheu El Santo. Em 26 de lulho de 1942, Rodolfo Guzman debutou como Santo, el Enmascarado de Plata, para a Empresa Mexicana de Luta Livre, num confronto contra El Lobo Negro, no qual incrivelmente Santo foi desclassificado por desferir chutes nas partes baixas do adversário e aplicar golpes proibidos pelo regulamento. Nunca se havia desclassificado um lutador no México até aquele dia, Santo era muito rude e afoito, e não ainda não tinha refinado seu estilo de luta. No decorrer da carreira e graças a sua agilidade e versatilidade, ele desenvolveria um estilo único de luta que o tornaria muito popular.
Após o desastre da estréia, Santo se recupera e arrasa com os melhores wrestlers da época, como Bobby Bonales la Maravilla Moreliana e Jesús el Murcielago Velásquez. Vieram vitórias e mais vitórias. El Santo se torna um rolo compressor, tornou-se campeão nacional welter e campeão nacional dos pesos médios. Tudo corria bem, até que na inauguração do monumental coliseu La Arena, o ainda rude e novato El Santo enfrenta seu grande ídolo e rival, El “Tarzan” López, simplesmente o campeão mundial dos pesos médios. El Tarzan com sua vasta experiência e técnica, derrota El Santo aplicando-lhe duas quedas no tablado. A derrota foi dolorosa para Santo que estava se sobressaindo na carreira até então, mas serviu para que ele repensasse e avaliasse que em competições ninguém pode se achar infalível.
Os anos se passaram e a fama de Santo crescia; em 1944 formou uma dupla com El “Gori” Guerrero, uma dupla que arrasava com quaisquer adversários que surgiam pela frente. A dupla foi desfeita após derrotarem facilmente El Tarzan López e Pilusso.
Os ano de 1950 marcaram Santo definitivamente; primeiro pelo falecimento de sua mãe Dona Josefina Huerta de enfarto; e em 1951, o artista e editor José G. Cruz, começou a produzir uma revista em quadrinhos de El Santo, baseando-se pela influência de seu caráter na cultura popular mexicana e de sua enorme popularidade rivalizada somente pelo legendário Kaliman. A série de quadrinhos prosperou por 35 anos ininterruptos, vindo a terminar somente em 1987.
Em 17 de novembro de 1952, na Arena com mais de 10.000 espectadores, Santo obtém o seu maior troféu: a máscara do lutador Black Shadow após derrota-lo num embate. Neste emocionante confronto, Santo tinha como companheiro e assistente Dick Medrano e Black Shadow dispunha de seu compadre Blue Demon. A vitória de El Santo desencadeou uma rivalidade com Blue Demon que tomou as dores do amigo humilhado, ocasionando dois confrontos bem promovidos ainda em 1952 e outro em 1953, culminando com a derrota surpreendente de El Santo. Anos depois, apesar de aparecerem juntos em um bom número de filmes de ação e aventura, a rivalidade entre os dois nunca terminaria, pois Santo nunca conseguia esquecer suas derrotas nas mãos de Blue Demon, que visivelmente era mais alto e mais forte. Depois destas derrotas para Blue Demon, não se soube de outro lutador que conseguisse superar Santo nos ringues.
Ainda em 1952, uma série para o cinema baseada em um super-herói estava para ser lançada, seria chamada de “O Homem da Máscara de Prata”. Supostamente, o personagem principal seria de El Santo, mas ele se recusou a aceitá-lo por achar que tal projeto não teria sucesso comercial. O filme foi concluído com o papel principal dado ao lutador conhecido como El Medico Asesino (O Médico Assassino) que usou uma máscara prateada semelhante à de Santo. Um vilão chamado “O Homem da Máscara de Prata”, foi introduzido na última hora, assim o título do filme passou a ser referência ao bandido, não ao herói.
Em 1954, Santo se torna o ídolo máximo da luta-livre mexicana ao derrotar Sugi Sito pelo título mundial dos pesos-médios. A seguir conquista o campeonato mundial NWA de peso welter, derrotando Peter Pancoff.

Em 1958, Fernando Osés, um wrestler e ator, convidou Santo para trabalhar em filmes, e embora Santo desse prioridade a sua carreira no wrestling, aceitou, planejando fazer ambos ao mesmo tempo. Osés tinha em mente lançar um herói nos filmes com o “look” de El Santo. Fernando Osés e Enrique Zambrano escreveram os roteiros dos primeiros dois filmes, El Cérebro del Mal (O Cérebro do Mal) e Hombres Infernales (Homens Infernais), ambos foram lançados em 1958 e foram dirigidos por Joselito Rodriguez. Foram filmados em Cuba e terminados apenas um dia antes de Fidel Castro ter entrado em Havana e declarado a vitória da revolução. Santo atuou fazendo a parte de super-herói mascarado para o “mocinho” (chamado El Incógnito) nos dois filmes, não foi o ator principal e nem representou como um lutador de wrestling nas duas filmagens. Os filmes foram um fracasso de bilheteria quando lançados. Anos mais tarde, porém, quando os filmes de Santo se tornaram famosos, os distribuidores destas duas filmagens adicionaram discretamente o nome de Santo nos títulos. A carreira cinematográfica de Santo causa sensação popular realmente a partir de 1961, com seu terceiro filme “Santo contra os Zombis”. Santo recebeu o papel principal neste filme e foi mostrado pela primeira fez como um wrestler profissional que brilhava como um super-herói.
Santo trabalhou num total de 52 filmes de luta-livre, dois dos quais em papéis secundários. O estilo dos filmes era essencialmente o mesmo durante toda a série, com Santo como um super-herói que luta contra criaturas sobrenaturais, cientistas malignos, agentes secretos, alienígenas, criminosos de todos os tipos e assim por diante. Todas as obras eram baseadas em tons resgatados dos filmes-B, shows e seriados de tv norte-americanos, principalmente os retratados nos seriados da década de 1940.

O seu melhor filme feito fora do México e considerado também um dos melhores de sua carreira, foi “Santo contra las Mujeres Vampiro” (Santo contra as Mulheres Vampiro) de 1962. Neste filme, a produção foi mais valorizada, e houve uma tentativa de criar uma imagem mítica e uma atmosfera para Santo, como o último de uma linhagem de lutadores que combatia o mal. “Santo contra Las Mujeres Vampiro” foi um sucesso comercial, bateu os recordes de bilheteria, e foi um dos quatro filmes de Santo dublados em inglês. Alguns destes filmes foram importados aos Estados Unidos com os esforços de K Gordon Murray, que mudou o nome de Santo para “Samson” por conveniência de mercado. O filme mais bem sucedido financeiramente de Santo, entretanto, foi “The Mummies Of Guanajuato” (As Múmias de Guanajuato), onde Blue Demon e Mil Máscaras co-estrelaram. Muitos fãs mexicanos o consideram o maior filme de wrestling já feito. 
A série de filmes de Santo inspirou a produção da série similar estrelada por outros wrestlers mexicanos também conhecidos, como Blue Demon, Mil Máscaras, Superzan e Wrestling Women, entre outros. Santo estrelou com Blue Demon e Mil Máscaras em diversos de seus filmes. Quando Blue Demon o convidou para co-estrelar com ele e Mil Máscaras, sua trilogia para o cinema chamada “Champions of Justice” (Campeões da Justiça), Santo alegou estar muito ocupado com sua participação em outros filmes.
Já também como técnico e empresário de luta-livre, El Santo investiu em sua grande rivalidade contra os wrestlers, Los Hermanos Espantos, o que provocou um confronto com El Espanto I, no dia 30 de novembro de 1963. A luta foi uma das mais sangrentas e disputadas de todos os tempos e valia a máscara do adversário. El Santo saiu vitorioso. A popularidade de Santo a essa altura era estrondosa e os políticos que no início o evitavam, começaram a disputar sua presença e apoio em campanhas eleitorais.
Os anos se passaram e, apesar da idade, vieram alguns triunfos como o campeonato nacional de peso-médio contra René Guajardo, foi campeão de duplas ao lado de El Rayo de Jalisco e campeão nacional semi-completo frente a Espanto I. Em 1975, aos 58 anos de idade, junto com El Gran Solitário e “Don Personalidad” Mil Mascaras, foram nomeados o trio do ano.
Por volta de 1977, a onda de filmes de wrestler com seus lutadores mascarados tinha se esgotado fora do México, mas Santo continuou a aparecer em alguns poucos filmes nos anos seguintes. Seu último trabalho foi “Fury of the Karate Experts” (La Furia de los Karatecas), filmado na Florida (EUA) em 1982, no mesmo ano em que se aposentou dos ringues. Santo retirou-se oficialmente do wrestling em 12 de setembro de 1982, uma semana antes do seu 65º aniversário. Seu último combate foi realizado em El Toreo de Cuatro Caminos, no México. Sua carreira de wrestler profissional se estendeu por 48 anos.


R.I.P. - EL SANTO
Nos seus últimos dias, Santo apareceu como um convidado no programa de televisão mexicana chamado de Contrapunto e, completamente sem aviso, removeu a lendária máscara prateada o bastante para expor o rosto sexagenário de Rodolfo Guzman. Foi o único momento registrado em Santo tira sua máscara em público. Uma semana depois de sua aparição no programa Contrapunto, ele realiza uma apresentação que o deixou esgotado, ele se dirige ao camarim para descansar e sente-se mal, é socorrido, mas morre devido a um enfarto do miocárdio; era o dia 5 de fevereiro de 1984, às 21:40 horas. Rodolfo Guzman, El Santo, tinha 66 anos e foi enterrado, como desejou, com sua famosa e desgastada máscara de prata no Mausoléu Del Angel. Seu cortejo foi acompanhado por mais de 15.000 pessoas. Entre os que carregaram seu esquife, estavam os lutadores Black Shadow e Blue Demon. El Santo não morreu, estará sempre vivo nos ilmes e na memória de seus fãs saudosos, viva El Santo! 

Filmes memoráveis de Santo:
 

- La furia de los karatecas (1982)
- El puño de la Muerte (1982) .
- Santo contra el Asesino de la T. V. (1981)
- Santo en la Frontera del Terror (1979)
- Misterio en las Bermudas (1977)
- Santo en Oro Negro (1975)
- La venganza de La Llorona (1974) - Co-estrelando o campeão mundial de boxe pesos-médios cubano e naturalizado mexicano, Mantequila Nápoles
- Santo contra el Doctor Muerte (1973) - Co-produção com a Espanha e o primeiro filme dublado em inglês.
- Santo y Blue Demon contra el Doctor Frankestein (1973)
- Santo vs. las Lobas (1972)
- Santo contra los Secuestradores (1972)
- Anónimo Mortal (1972)
- Las Bestias del Terror (1972)
- Santo y Blue Demon contra Drácula y el Hombre Lobo (1972)
- Santo contra la Magia Negra (1972)

- Santo en el misterio de la Perla Negra (1971) - Filme lançado na Espanha em 1971 e só exibido no México em 1975
 - Misión suicida (1971)
- Santo y el Aguila real (1971)
- Santo contra los Asesinos de otros mundos  (1971)

- Santo vs. la Hija de Frankestein (1971)
- Las Momias de Guanajuato (1970) - Estrelando Blue Demon e Mil Máscaras e participação especial de El Santo.
- Santo en la Venganza de la Momia (1970)
- Santo vs. la Mafia del Vicio (1970)
- Santo contra los Jinetes del Terror (1970) - c/cenas de sexo na versão para adultos
- Santo en la Venganza de las Mujeres Vampiro (1970)
- Santo frente a la Muerte (1969)
- Santo vs. los Cazadores de Cabezas (1969)
- El Mundo de los Muertos (1969)
- Santo y Blue Demon contra los Monstruos (1969)
- Santo y Blue Demon en la Atlántida (1969)
- Santo contra Capulina (1968)
- Santo en el Tesoro de Drácula (1968) - c/cenas de sexo na versão para adultos
- El Tesoro de Moctezuma (1966)
- Operación 67 (1966) - Primeiro filme colorido
- Santo el Enmascarado de Plata vs. los Villanos del Ring (1966) - Última película pela B&W Film
- Santo contra la Invasión de los Marcianos (1966)
- El Barón Brákola (1965)
- Profanadores de Tumbas (Los traficantes de la Muerte) (1965)
- Atacan las Brujas (1964)
- El Hacha Diabólica (1964)

- Blue Demon contra el Poder Satanico (1964) - c/pequena participação de Santo
- Santo contra el Espectro (El Espectro del Estrangulador) - (1963)
- Santo en el Museo de Cera (1963)
- Santo vs. las Mujeres Vampiro (1962)
- Santo contra el Cerebro Diabólico (1961)
- Santo en el Hotel de la Muerte (1961)
- Santo contra el Rey del Crimen (1961)
- Santo contra los Zombies (1961)
- Santo contra los Hombres Infernales (Cargamento Blanco) (1958)
- Santo contra el Cerebro del Mal (Cerebro del Mal) - (1958) 
Eis um link no you tube para curtir imagens de El Santo:
http://www.youtube.com/watch?v=_mgmpRZ1bQY

Obs: Confiram também nesse blog a postagem de novembro de 2013,  El Santo ainda é Cult!
Por Eumário J. Teixeira.