13 de jun. de 2010

A BÍBLIA E SUAS VERSÕES NA LINHA DO TEMPO

A Bíblia, seus tradutores e suas versões na história:
- 1516 – Desidério Erasmo edita a primeira impressão do Novo Testamento.
- 1522 – Martinho Lutero completou a sua tradução do Novo Testamento em alemão, usando o Textus Receptus (T. R.).
- 1524-1525 – Editada a tradução do texto hebraico massorético feita Jacob Ben Chayyim, com edição de David Bomberg, a publicação é também conhecida como Texto Bomberg.
- 1526 – William Tyndale, completou a sua tradução do Novo Testamento em inglês, na Alemanha, usando o Textus Receptus (T. R.).
- 1546, 1549, 1550 e 1551 – O Novo Testamento Grego de Robert Stephens foi publicado em Paris. A edição de 1551 que ficou conhecida como Editio Regia (Edição Real), seguiu os textos das edições de 1527 e 1535 de Erasmo.
- 1465, 1582, 1588 e 1598 – Teodoro Beza publicou em Genebra, quatro edições em fólios do texto grego de Stephens com algumas pequenas mudanças e com um tradução dele no latim. Teodoro Beza publicou várias outras edições, mas particularmente a sua edição de 1598 e as duas últimas de Stephens, foram usadas principalmente para a versão autorizada (King James) de 1611, e para a versão João Ferreira de Almeida, de 1681.
- 1624, 1633 e 1641 – Boaventura e Abrão Elzevir, sócios de uma publicadora lançaram edições do texto grego em Leyden, seguindo a edição de 1565, de Beza.
- 1633 – No prefácio da edição deste ano de Boaventura e Elzevir, foi escrito Textum ergo habes nunc ab omnibus receptum...foi assim que surgiu o nome Textus Receptus a esta forma de texto.
- 1637 – É editada a tradução Statemvertaling da Holanda, baseada no Textus Receptus.
- As edições de Stephens, Beza, e os dois Elzevir, apresentam substancialmente o mesmo texto, ou seja, o Textus Receptus.
- Sobre a Versão Autorizada – Foi traduzida do Textus Receptus grego no Novo Testamento e Texto Massorético hebraico no Velho Testamento em 1611. O rei James I da Inglaterra autorizou um comitê de 50 sábios experts nas línguas hebraico e grego preparar um revisão das traduções no inglês mais antigo. Daí surgiu a King James Version ou Autorized Version, um dos maiores tesouros de língua inglesa.
- A versão do Novo Testamento de João Ferreira de Almeida em 1681 é muitas vezes comparada com a versão de King James.
- Confissões doutrinárias da Reforma: Westminster, 1647; De Savoy, 1658; e Confissão Batista de Londres, 1689.
- O texto de João Ferreira de Almeida foi revisado em 1693 e em 1711. Desde as ocorrências ortográficas da língua portuguesa em 1946, saíram várias novas edições.

Outras notas:
- Antigo Testamento – do Texto Massorético em Hebraico – Massoretas: Escribas judaicos.
- Novo Testamento – do Textus Receptus (texto recebido) em grego.
- A Bíblia: Palavra verbalmente inspirada de Deus, composta pelo Antigo Testamento hebraico e Novo Testamento grego, no total de 66 livros canônicos.
- A melhor edição do Texto hebraico Massorético foi a de 1524-25 feita por Jacob Ben Chayyim, com edição de David Bomberg (Texto Bomberg).
- O Textus Receptus grego – Um grupo de textos impressos. O primeiro foi publicado por Desidério Erasmo em 1516. Foi reconstruído por F. H. A. Scrivener em 1894.
- Traduções de Bíblia – Devem ser baseadas nas línguas originais:
# Velho Testamento – Texto Massorético hebraico
# Novo Testamento – Textus Receptus grego, tradicional e majoritário, por estar de acordo com mais de 98% de todos os manuscritos que existem.
- A descoberta dos rolos do Mar Morto em 1947 por beduínos árabes, só confirmam a existência e confiabilidade do texto hebraico massorético.
- Além do Textus Receptus, existem também vários outros textos.
- Desde o Ministério de Jesus Cristo até mais ou menos 100 d. C., os manuscritos originais do N. T. foram escritos na língua grega; chegando ao ano 400 d. C. o Novo Testamento foi compilado.
- Durante o período Bizantino nos anos 312-1453 d. C., o Textus Receptus foi usado pela Igreja grega. Por isso o texto é também conhecido como Texto Bizantino.

Atenção:
- Após o lamentável advento do Texto Crítico em 1881, traduzido por Westcott e Hurt, começaram a se multiplicar as versões baseadas nele (em inglês: Revised Version, American Standard; em português: Atualizada, Revisada, BLH – Bíblia na Linguagem de Hoje).
- O Texto Crítico é de autoria da dupla Westcott e Hurt, que tomaram como base um grupo de manuscritos que representam uma pequena percentagem dos cerca de 4.255 manuscritos existentes. Tal pequeno grupo de manuscritos foi rejeitado pela maioria dos cristãos protestantes através dos séculos, que não os consideravam dignos de confiança. O texto também é conhecido como T. C. ou W. H.
- Em 1982, dois críticos textuais (Zane C. Hodges e Arthur L. Farstad), usando a razão humana para enfraquecer o Textus Receptus, inventaram um outro texto e o batizaram indevidamente de “Texto Majoritário”, nome que já era usado como sinônimo do Textus Receptus. Arthur Farstad também foi responsável pela desencaminhadora New King James Bible (Nova Bíblia Rei James), que ao contrário da original King James de 1611, veio cheia de desinformações no texto, leituras falsas e induções erradas nas notas de rodapé.


Obs.: As informações acima foram obtidas no site www.biblias.com.br da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

4 de jun. de 2010

VIGIE SUA BÍBLIA - Estão de olho nela!


Folheto Esclarecedor (2a edição, jul.2000)

A Bíblia é a Palavra de Deus, inspirada, inerrante e infalível. É a base de toda a nossa fé e prática (II Tm 3:16). Por isso o diabo tem investido na tentativa de danificá-la. Todo esforço tem sido feito para corroer a fé na sua inspiração, infalibilidade e autoridade, e na divindade de Cristo. Se olharmos a História, veremos tentativas até de extirpar a Palavra de Deus. Não podendo destruí-la, o diabo tem investido na tentativa de enfraquecer as doutrinas cardeais dela, através das diversas versões, tendo como base fontes não fidedignas. Cabem algumas perguntas: "Por que tantas versões? Qual a origem das novas versões? Por que a Almeida Revista e Atualizada traz textos em colchetes? Por que a NIV suprime versículos inteiros?"
Quando se procura a respeito da origem das novas traduções, descobre-se que são grandemente baseadas na edição de um texto grego feita em 1881 por Westcott e Hort. Estes tomaram como base um grupo de manuscritos que representam uma pequena percentagem dos cerca de 4255 manuscritos existentes. Tal pequeno grupo de manuscritos havia sido rejeitado pela maioria dos crentes através dos séculos, porque não os consideravam dignos de confiança. A edição de Westcott e Hort tornou-se predominante nos modernos meios teológicos, trazendo grande prejuízo para as igrejas fieis. Aquela edição geralmente é chamada de "Texto Crítico" (T.C.) ou (W.H.).
Antes do surgimento do T.C., as traduções tinham como base o "Textus Receptus" (T.R.). Em inglês a versão Rei Tiago (ou King James Version) e em português a Almeida Corrigida.
O T.R. foi organizado por Erasmos em 1516, representando a maioria esmagadora dos manuscritos, sendo usado pelas igrejas Batistas, evangélicas fiéis a Deus.
Nosso propósito é mostrar que as versões que têm por base o T.C. procuram enfraquecer diversas doutrinas como: divindade de Cristo, expiação por Cristo, Sua morte vicária, etc. Temos como exemplo os diversos textos em colchetes na versão Atualizada, querendo insinuar que podem ou não ser inspirados por Deus, Jo 7:53-8:11. Isto é um acinte à doutrina da preservação, Sl 119:89,152,160; Is 40:8; Mt 24:35; I Pe 1:23-25; Ap 22:18-19.
Agora, em 2000, será lançada em nosso Brasil a NVI (Nova Versão Internacional). Veja o que está no prefácio da New International Version, na sua 5a impressão (setembro.86), na página vi: "O texto em grego usado na tradução do NT foi um texto eclético... Onde os manuscritos existentes diferem, os tradutores escolheram uma entre as leituras, de acordo com os consagrados princípios da crítica textual do Novo Testamento. Notas de rodapé chamam atenção para aqueles locais onde havia incerteza sobre em que consistia o texto original". Isto é um ataque frontal à doutrina da preservação. Além disso, como fundamentalistas não podemos aceitar versões e/ou traduções que seguem a filosofia de equivalência dinâmica (que violenta o sentido original do texto).
Vejam e pasmem com o que está escrito na contra capa do Novo Testamento da NVI, em português, que foi lançado em nosso país em 1994:
"Em 1991 deparei-me a primeira vez com a NVI... Logo verifiquei tratar-se de uma versão altamente precisa... tendo por princípio na sua tradução, a equivalência dinâmica. ...Considero-a a mais fiel ...".
Isto é um diatribe contra a Palavra de Deus.

Vejamos os ataques dessas versões:
ATAQUES À DIVINDADE DE CRISTO
(Choque-se comparando a NVI ante a Fiel também em Mc 9:24; Lc 23:42; At 8:37; 1 Co 15:47; Ap 1:11. A s demais, T.C. e NVI extirpam centenas dos títulos divinos: Senhor, Jesus, Cristo, Jesus Cristo, Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, etc.!):
João 3:13 Fiel = "Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, QUE ESTÁ NO CÉU." T.C. e NVI retiram do texto que Cristo "está no céu." Assim, anulam aqui (mesmo que não em toda a Bíblia), que Cristo é onipresente, é Deus!
NVI: "Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser aquele que veio do céu: o Filho do homem."
At 9:5,6 "E ele disse: Quem és, Senhor? E disse O SENHOR: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. DURO É PARA TI RECALCITRAR CONTRA OS AGUILHÕES. (6) E ELE, TREMENDO E ATÔNITO, DISSE: SENHOR, QUE QUERES QUE EU FAÇA? E DISSE-LHE O SENHOR: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer."
T.C. e NVI omitem aqui que Cristo é "o Senhor", é Deus, devemos-lhe imediata e total obediência!
NVI ="Saulo perguntou: 'Quem és tu, Senhor?' Ele respondeu: 'Eu sou Jesus, a quem você persegue. (6) Levante-se, entre na cidade; alguém lhe dirá o que deve fazer'."
Rm 14:10, 12 "Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de CRISTO. (12) De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" T.C. e NVI, no v. 10, adulteram "Cristo" para "Deus". Ora, como o juiz de v. 10 é o de v.12, T.C. e NVI aqui anulam uma fortíssima prova da divindade de Cristo, e que é a Ele que os crentes darão conta (para fins de galardoamento)!
NVI ="Portanto, você, por que julga seu irmão? Ou por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de DEUS. (12) Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus."
1Tm 3:16 "E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: DEUS se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória."
T.C. e NVI (em nota de rodapé) põem em dúvida "Deus", trocando-o por "Aquele que", portanto destruindo aqui uma das maiores provas da divindade de Cristo! "Note que a NIV americana já trocou "Deus" por "aquele que", no corpo do texto!...
NVI = "Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: aquele que foi manifestado em corpo, justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória."
1 João 4:3 "E todo o espírito que não confessa que Jesus CRISTO VEIO EM CARNE não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo." T.C. e NVI aqui agradam as falsas religiões, pois anulam que Cristo veio em carne, extirpam que Jesus Cristo (mesmo sempre sendo 100% Deus) encarnou literalmente, teve e sempre terá corpo literal e será 100% homem!
NVI: "mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Este é o espírito do anticristo, a cerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo."

ATAQUES À EXPIAÇÃO POR CRISTO
( EXCLUSIVAMENTE PELO SEU SANGUE)

Cl 1:14 "Em quem temos a redenção PELO SEU SANGUE, a saber, a remissão dos pecados;"
T.C. e NVI tiram aqui que foi pelo derramamento do sangue de Cristo que nossos pecados foram expiados, Deus foi propiciado, nossa salvação foi comprada!
NVI: "em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados." Nunca esqueçamos: He 9:22 "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão."!

ATAQUES À MORTE VICÁRIA DE CRISTO
(sua morte em nosso lugar!)
1 Co 5:7 "Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado POR NÓS." T.C. e NVI tiram aqui que Cristo morreu "por nós", recebendo em nosso lugar o castigo que merecemos Is 53:5!
NVI: "Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado."
1Pd 4:1 "Ora, pois, já que Cristo padeceu POR NÓS na carne, armai-vos também vós com este pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado;" Novamente, é pisado e tirado aqui que Cristo morreu "por nós", recebendo em nosso lugar o castigo que merecemos Is 53:5!
NVI: "Portanto, uma vez que Cristo sofreu corporalmente, armem-se também do mesmo pensamento, pois aquele que sofreu em seu corpo rompeu com o pecado."

ATAQUES À DOUTRINA DA TRINDADE
1 João 5:7-8 "Porque três são os que testificam NO CÉU: O PAI, A PALAVRA, E O ESPÍRITO SANTO; E ESTES TRÊS SÃO UM. E TRÊS SÃO OS QUE TESTIFICAM NA TERRA: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num."
T.C. e NVI arrancam aqui a mais explícita e uma das mais fortes provas da doutrina da Trindade:
"Há três que dão testemunho: (8) o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes."
Será que isto não equivale à Bíblia dos Testemunhas de Jeová:? "Porque são três os..."
O rodapé da NVI visa levar a mortal engano, pois a passagem é estabelecida por fortes provas teológicas, gramaticais, lógicas, históricas, de contradição da crítica textual e de consistência com o estilo bíblico. E por pelo menos: várias traduções antiqüíssimas (Siríaca/Pershitta de 150DC, Waldenses de 150 DC, etc.); 22 manuscritos gregos (o 635, de 10** DC; etc.), entre aqueles relativamente poucos que contêm o capítulo e sobreviveram; praticamente todos os códices que também contêm o capítulo e sobreviveram (alguns anteriores ao século IV); e citações de 12 "pais da Igreja" (Tertuliano em 200 DC; etc.). Há um excelente livro exclusivamente em defesa destes 2 versos: "The History of the Debate Over 1 John 5:7-8", Michael Maynard, Comma Publications, 444 págs., 1995.

ATAQUES À INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA
Lc 4:4 "E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, MAS DE TODA A PALAVRA DE DEUS." T.C. e NVI retiram aqui que viveremos de cada uma de todas as palavras da Bíblia, e que todas e cada uma delas são inspiradas por Deus! NVI: "Jesus respondeu: Está escrito: 'Nem só de pão viverá o homem'."???? E o restante, a bíblia NIV comeu????

ATAQUES À DOUTRINA DA SALVAÇÃO
(Choque-se comparando a NVI ante a Fiel também em: Mt 9:13; 18:11):
Mt 20:16 "Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; PORQUE MUITOS SÃO CHAMADOS, MAS POUCOS ESCOLHIDOS." T.C. e NVI aqui tiram palavras de modo a gravemente enfraquecer a doutrina da salvação (mais especificamente, do chamamento e da eleição). NVI: "Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos." E o restante do versículo?????
Mc 2:17 "E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores AO ARREPENDIMENTO”
( observação da professora Marineide: na minha Bíblia Almeida também não aparece o relato AO ARREPENDIMENTO. Não sei nas Bíblias de vocês?) T.C. e NVI extirpam aqui a indispensabilidade de verdadeiro arrependimento, para salvação!
NVI: "Ouvindo isso, Jesus lhes disse: 'Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores'.”
João 3:15 "Para que todo aquele que nele crê NÃO PEREÇA, mas tenha a vida eterna." T.C. e NVI extirpam aqui que quem não crer perecerá (sofrerá eternamente no lago de fogo, esta é a morte eterna)!
NVI: "Para que todo o que nele crê tenha vida eterna.””
João 6:47 "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê EM MIM tem a vida eterna." T.C. e NVI retiram aqui "em mim", favorecendo o universalismo, que basta crer em algo ou alguém, seja o que ou quem for, não indispensavelmente em Cristo!
NVI: "Asseguro-lhes que aquele que crê tem a vida eterna."
At 8:37 "E DISSE FILIPE: É LÍCITO, SE CRÊS DE TODO O CORAÇÃO. E, RESPONDENDO ELE, DISSE: CREIO QUE JESUS CRISTO É O FILHO DE DEUS." T.C. e NVI tiram aqui todo o verso do texto principal, anulando que batismo vem depois da salvação, e esta decorre de crer em Cristo e em tudo que Ele disse de Si, inclusive Sua divindade!
At 9:5-6 "E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. DURO É PARA TI RECALCITRAR CONTRA OS AGUILHÕES. E ELE, TREMENDO E ATÔNITO, DISSE: SENHOR, QUE QUERES QUE EU FAÇA? E DISSE-LHE O SENHOR: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer." T.C. e NVI extirpam aqui o que pusemos em maiúsculas, anulando que salvação vem da aceitação de Cristo como Senhor (a quem aceitamos como controlador absoluto) e como Deus! NVI: "Saulo perguntou: 'Quem és tu, Senhor?' Ele respondeu: 'Eu sou Jesus, a quem você persegue. (6) Levante-se, entre na cidade; alguém lhe dirá o que deve fazer'." (O irmão Hélio Silva conta de um missionário americano a quem ele muitíssimo admira e ama, e que usava a boa King James Bible para preparar sermões que ia pregar em português. Com a KJB, ele preparou um excelente sermão baseado no texto que a NVI extirpou. Resultado: confundiu-se todo na hora de pregar, mesmo que tenha tentado usar todas as Bíblia - T.C. brasileiras presentes! Inconsistência! Inconsistência!).
Rm 8:1 "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, QUE NÃO ANDAM SEGUNDO A CARNE, MAS SEGUNDO O ESPÍRITO." T.C. e NVI extirpam aqui o que pusemos em maiúsculas, anulando, aqui, que há, sim, condenação (não quanto à salvação mas sim quanto à comunhão, correção, galardão, o ser usado por Deus) para o salvo que andar segundo a carne: At 5:1-10; 1Co 3:12,15; 5:9-10; Gl 5:16-18; 1Jo 3:20-21; 5:16!1 NVI: "Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus,"
1Pd 2:2 "Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, PARA QUE POR ELE VADES CRESCENDO." T.C. e NVI anulam o que pusemos em maiúsculas, favorecendo aqui o ensino herético que a salvação vem por um processo gradual de crescimento! NVI:’"Como crianças recém-nascidas, desejem intensamente o leite espiritual ouro, PARA QUE POR MEIO DELE cresçam PARA SALVAÇÃO."
2Pd 2:17 "Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas ETERNAMENTE se reserva." T.C. e NVI extirpam aqui que a condenação é eterna! (sem cessar de existir e sofrer)! NVI: "Estes homens são fonte sem água e névoas impelidas pela tempestade. a escuridão das trevas lhes está reservada."

ATAQUES À IMPORTÂNCIA DO JEJUM BÍBLICO
Choque-se comparando a NVI ante a Fiel também em: At 10:30-31; 1 Co 7:5):
Mt 17:21 "mas esta casta de DEMÔNIOS não se expulsa senão pela oração e pelo jejum." T.C. e NVI (em nota de rodapé) põem séria dúvida sobre todo o verso, enfraquecendo aqui a necessidade da arma oração + jejum. Quem teria interesse nisto, senão o nosso inimigo?! (ver Ef 6:12)
Mc 9:29 "E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração E JEJUM." T.C. e NVI (em nota de rodapé) põem em dúvida "e jejum", enfraquecendo aqui que piedoso jejuar é indispensável contra certos demônios.

GRAVÍSSIMAS CONTRADIÇÕES
(T.C. se contradiz a si próprio! Bíblias-T.C., idem):
Mt 27:34 "Deram-lhe a beber VINAGRE misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber." T.C. e NVI adulteram "vinagre" para "vinho", contradizendo frontalmente Sl 69:21! NVI: "Ali lhe deram para beber VINHO misturado com fel; mas, depois de prová-lo, recusou-se a beber". Ver análise no livro de Pickering, 4.5.1 e 7.1.1.
Mc 1:2-3 "Como está escrito NOS PROFETAS: Eis que eu envio o meu anjo ante atua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. (3) Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas.." T.C. e NVI adulteram "nos profetas" para "no profeta Isaías", criando grave contradição ao citarem de Ml 3:1 (além de Is 40:3)! NVI: "Conforme está escrito no profeta ISAÍAS: 'Enviarei à tua frente o meu mensageiro; ele preparará o teu caminho' (2) 'voz do que clama no deserto: preparem o caminho para o Senhor, endireitem as veredas para ele'."
2Ts 2:8 "E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor DESFARÁ pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda;" T.C. e NVI adulteram "desfará" para "matará", contradizendo frontalmente Ap 19:20 ("lançados vivos...")! Do mesmo modo que os crentes vivos por ocasião do Arrebatamento terão seus corpos transformados em imortais e para a glória eterna, sem experimentarem antes a morte física, o anticristo e o falso profeta terão seus corpos transformados em imortais e para o sofrimento eterno, sem experimentarem antes a morte física. Mas a NVI diz: Então será revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus MATARÁ com o sopro de sua boca, e destruirá, pela manifestação de sua vinda."
Contraste a NVI ante a Fiel também em: Mt 5:22 (Jesus irou-se em Mc 3:5, mas com motivo). Lc 4:44 contra Mt 4:23 + Mc 1:39. Mt 19:17 contra Mc 10:18 + Lc 18:9. Mt 10:10 contra Mc 6:8.

OUTROS ERROS:
Mt 1:25 "E não a conheceu até que deu à luz seu filho, O PRIMOGÊNITO; e pôs-lhe por nome Jesus." T.C. e NVI agradam o romanismo, retirando daqui que Jesus foi o primeiro entre os vários filhos de Maria. NVI:"Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus."
1 Co 6:20 "Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, E NO VOSSO ESPÍRITO, OS QUAIS PERTENCEM A DEUS." T.C. e NVI extirpam aqui algumas das revelações de Deus mais preciosas e confortadoras às nossas almas! NVI:"Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês." (consegue se achar o mesmo significado nas duas versões?????)
1Tm 6:5 "Contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; APARTA-TE DOS TAIS." T.C. e NVI extirpam aqui2 que temos ordem de nos SEPARAR de todos "crentes" e "igrejas" que ensinam qualquer coisa que conflite com a Palavra de Deus. Qual texto favorece o Diabo e o erro?! NVI: "e atritos constantes entre homens de mente corrompida, privados da verdade, os quais pensam que a piedade é fonte de lucro."

OUTRAS AMPUTAÇÕES:
Somente quanto a outros versos inteiros: T.C. e NVI, em notas de rodapé, põem sérias dúvidas (o que, em termos práticos, é idêntico a erradicar da Bíblia!) sobre Mc 16:9-20 e Jo 7:53-8:11 (24 versos!); Mt 12:47; 16:3; 17:21; 18:11; 21:44; 23:14; Mc 7:16; Lc 22:43-44; 23:34. Põem tão mais sérias dúvidas que já chegaram a realmente extirpar do texto principal e difamar dentro de rodapés: Mc 9:44,46 (repetições de Is 66:24); 11:26; Lc 17:36; 23:17; Jo 5:4; At 8:37; 15:34; 24:7; 28:29; Rm 16:24.
Ao todo, T.C. e NVI omitem (ou gravemente questionam, o que dá no mesmo) 55 versos completos, mais 147 versos quase completos.
Lembremos que o T.C., base preponderante da NVI, tem mais de 6000 palavras omitidas, 2000 adicionadas e 2000 adulteradas, totalizando mais de 10.000 (7% !) perversões das cercas de 140.000 santas palavras do Novo Testamento em grego!

CONCLUSÃO:
Ah, irmãos, tremamos ante Ap 22:18-19 + Pv 30:6 + Dt 4:2 (não adicionar/ subtrair). 2Co 2:17 (não corromper), e Rm 1:25 (não transformar a Bíblia em mentira)!
A intenção daqueles que fizeram este folheto, não é causar brigas e divisões no meio do povo de Deus. O nosso alvo é despertar pastores, líderes e membros das igrejas, para se aprofundarem mais no assunto da crítica textual, assunto este, que por sinal tem sido ensinado com pouca profundidade em nossos seminários. Não estamos causando um problema nem inventando modismo.
Deveríamos admitir que versões baseadas no T.C. não deviam ter entrado no meio Fundamentalista. Podemos afirmar que divisores, polarizadores e causadores de contenda são aqueles que, no passado, sutilmente infiltraram essas novas versões. E o nosso povo foi se acostumando gradativamente. Há pessoas sinceras que no passado repudiaram essas versões, mas com o passar do tempo foram aceitando. Amados, é hora de reestudarmos este assunto. Não podemos ficar inertes diante de tamanho vilipêndio contra a Santa Palavra de Deus.
O que estamos defendendo não são as traduções, mas sim os textos gregos que foram usados para essas versões. Pelas evidências já apresentadas, e por muitas outras, cremos que Deus preservou sua Palavra através do Textus Receptus.

NOTA: TENHA AMOR À VERDADE PARA SE SALVAR: PROCURE ENCONTRAR, PELA INTERNET OU POR QUALQUER OUTRO MEIO, A PRIMEIRA VERSÃO DA BÍBLIA DE JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA PUBLICADA NO BRASIL, QUE, AO COMPARARMOS COM AS VERSÕES MODERNAS MANTÉM O SENTIDO ORIGINAL DOS MANUSCRITOS SAGRADOS. COMO AS SOCIEDADES SECRETAS AINDA NÃO HAVIAM ASSUMIDO ESTE CONTROLE TOTAL QUE HOJE EXISTE SOBRE A EDIÇÃO E PUBLICAÇÃO DAS BÍBLIAS EVANGÉLICAS, ESTA VERSÃO NUNCA FOI REVISTA OU REVISADA, E, POR ISSO, NÃO CHEGOU A SER DETURPADA.
O MESMO SE APLICA ÀS TRADUÇÕES JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA QUE FORAM PUBLICADAS ANTES DE 1957, QUE, TAMBÉM NÃO FORAM “REVISTAS”, “REVISADAS”, OU “CORRIGIDAS”, E, POR ISSO, NOS FORNECEM AS VERDADEIRAS PALAVRAS DE DEUS DOS TEXTOS ORIGINAIS.


********* NOTAS DE RODAPÉ *********
1) O rodapé da NVI, em vã tentativa de conquistar/aplacar aqueles que nada sabem da (sã) crítica textual, diz que somente alguns poucos ou pouquíssimos manuscritos acrescentam/adulteram as palavras para as do Texto Recebido. O bom senso e o Espírito em nós retrucam que aquele inimigo que está por trás de tudo (mesmo se e quando usou instrumentos sinceros mas inconscientes) não tem interesse em mudar a Palavra na direção de reforço a Deus fé e verdade, mas sim na direção contrária. Portanto, nos é óbvio que foi do texto original (que viria a ser impresso com o nome Texto Recebido) que a Palavra de Deus foi sacada e adulterada em Alexandria, para se transformar no TC.
2) Só dissemos que a negação/enfraquecimento desta importante doutrina ocorre aqui, não que ocorre em toda a NVI/ NIV/ TC.

Para obter este folheto e outros materiais, entre em contato com o Pr. Emídio Viana, Cx. Postal 1223, CEP 59075-970, Natal/RN, telefone (084) 218 - 3030, emidio.viana@digi.com.br.
Se quiser razões técnicas indague ao Pr. Alberto Johnson (Cx. Postal 1, Barbalha/CE, CEP 63180-000). Em breve (pela graça de Deus), será lançado em nosso país o livro, "Qual o Texto Original do Novo Testamento?", de Wilburg Pickering, 350 págs., livro que trata o assunto de maneira exaustiva e profunda.
Tire cópias deste folheto e distribua-os a todos os crentes em Cristo Jesus que o irmão conhecer.

A PALAVRA DE DEUS PERMANECE PARA SEMPRE.

3 de jun. de 2010

JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA, O FIEL TRADUTOR DA PALAVRA DE DEUS

As versões da Bíblia mais adotadas pela comunidade protestante no Brasil são as baseadas na tradução de João Ferreira de Almeida. Digo “baseadas” porque a primeira tradução feita pelo próprio Almeida se deu por volta de 1644 e desde então novas edições com alterações sutis e suspeitas foram impostas e publicadas. Por exemplo, dois anos após sua morte, em 1693, o Novo Testamento de Almeida foi revisto e lançado em 2ª edição com algumas modificações. É tida como fiel aos manuscritos sagrados a primeira versão da Bíblia de Almeida publicada no Brasil, esta versão nunca chegou a ser revista ou revisada. O mesmo em relação às traduções de Almeida publicadas aqui antes de 1957, que também não foram revistas, revisadas ou corrigidas, permanecendo fiéis às verdadeiras palavras de Deus contidas nos textos originais. O interessante é que sempre me aconselharam a ter a Bíblia de Almeida, pois era a mais fiel, mas eu nunca imaginava que uma tradução tão tradicional e respeitada entre os cristãos protestantes também sofresse ataques predatórios encobertos por supostas revisões e correções. Como se pudessem simplesmente “amaciar” ou “moldar” as palavras de Deus para uma melhor adaptação aos tempos modernos. E outra coisa que sempre me intrigou é que todos falavam do tal “Almeida” e ninguém sabia me dizer nada a respeito dele. Eu por exemplo, achava que ele era brasileiro...“santa ignorância!”. Após algumas pesquisas, consegui coletar algumas informações que resumem um pouco da vida e obra de João Ferreira de Almeida e das controvérsias em torno de sua tradução e o que aconteceu com as mesmas após sua morte.

João Ferreira de Almeida era filho de pais católicos e nasceu em Torre de Tavares (Mangualde), Portugal, em 1628. Ao ficar órfão ainda criança, foi morar com um tio, membro de uma ordem religiosa católica, em Lisboa. Não se tem registros sobre sua infância e adolescência em Lisboa, mas é certo que teve ótima formação visando o sacerdócio. Supostamente Almeida teria deixado Portugal ainda adolescente escandalizado com a campanha de terror imposta pela igreja através da Inquisição. Almeida foi para a Holanda e, aos 14 anos, embarca para a Ásia, passando pela Batávia (hoje Jacarta), na ilha de Java, Indonésia. A Batávia, era na época, o centro administrativo da Companhia Holandesa das Índias Orientais, no sudeste da Ásia. Em 1642, ao Velejar entre a Batávia e Malaca, na Malásia, Almeida leu um folheto escrito em espanhol de cunho protestante, intitulado “Diferencias de la Cristandad” (Diferenças da Cristandade). O panfleto questionava algumas doutrinas e conceitos católicos, incluindo a utilização de línguas incompreensíveis dirigidas ao povo comum, como o latim, durante as missas. O manifesto provocou grande impacto ao jovem de 14 anos, que de imediato converteu-se à Igreja Reformada Holandesa ao chegar em Malaca. Em 1644, aos 16 anos, Almeida começou a se dedicar à tradução de trechos dos Evangelhos do castelhano para o português. A seguir, em 1646, Almeida encarou o projeto ambicioso de traduzir o Novo Testamento para o português usando como base parte dos Evangelhos e das Cartas do Novo Testamento em espanhol da tradução de Reyna Valera, de l569. Almeida também buscou auxílio para sua tradução nas versões latina (de Beza), francesa (Genebra, 1588) e Italiana (Diodati, 1641), todas estas traduzidas de textos hebraicos e gregos. Seu trabalho foi realizado em menos de um ano. Almeida, de imediato, enviou uma cópia do texto ao governador geral holandês, em Batávia. Acredita-se que em seguida a cópia teria sido remetida para Amsterdan, Holanda, para publicação, mas o responsável pela tarefa faleceu e o texto desapareceu. Almeida ficou sabendo do sumiço do original em 1651, ao lhe ser solicitada uma cópia para a Igreja Reformada na ilha de Ceilão (hoje Sri Lanka). Sem se deixar abater, Almeida parte para uma nova tradução, baseando-se em cópias ou rascunhos anteriores do seu trabalho. A nova tradução foi concluída em 1652, uma versão revista dos Evangelhos e do livro de Atos dos Apóstolos. Em 1654, Almeida completou todo o Novo Testamento, mas como da primeira vez, nenhum esforço foi feito para imprimir a tradução, sendo feitas apenas algumas poucas cópias manuscritas. Almeida começa ministrar na Igreja Reformada Holandesa inicialmente como “visitador de doentes” e a seguir como “pastor suplente”. Em 1656 foi aprovado nos exames teológicos sendo ordenado para o ministério pastoral e missionário. Serviu inicialmente em Ceilão e depois na Índia, onde foi um dos primeiros missionários protestantes a visitar aquele país. Tudo indica que foi na sua estada no Ceilão que Almeida conheceu e casou-se com sua esposa que se chamava Lucrécia Valcoa de Lemmes. Já que era um missionário convertido ao protestantismo e afirmava sua desaprovação em relação às doutrinas católicas e não omitia denúncias de corrupção moral entre o clero, Almeida passou a ser visto como apóstata e traidor por muitos das comunidades portuguesas. Durante o pastorado em Galle (sul do Ceilão), Almeida assumiu sua posição anti-católica contra o que chamava de “superstições papistas”, o que levou o governo local apresentar uma queixa a seu respeito ao governo de Batávia em 1657. Entre 1658 e 1661, quando foi pastor em Colombo, o governo tentou impedi-lo de pregar em português, sem sucesso, em represália às suas idéias contra a Igreja Católica. Em Tuticorin (sul da Índia) onde pastorou por um ano aproximadamente, Almeida teve seu retrato queimado numa fogueira na praça pública de Goa, Índia, a mando da Inquisição, o que levou muitos nativos recusarem-se a ser batizados ou casados por Almeida. As manifestações contra Almeida orquestradas pelos católicos levou Almeida ao tribunal da Inquisição em Goa em 1661. Ele foi condenado e sentenciado à pena de morte por heresia, mas o governador geral da Holanda transferiu-o de volta a Batávia, livrando-o da morte certa. Em 1676, Almeida apresentou o seu trabalho de tradução do Novo Testamento para revisão ao consistório (assembléia de cardeais) da Igreja reformada em Batávia. Almeida e os revisores não se entendiam, principalmente sobre o estilo do português usado na tradução. As divergências de opiniões fez com que o trabalho se atrasasse, sendo que o Evangelho de Lucas ainda estava inacabado quatro anos após o início da revisão. Sem o conhecimento dos revisores, Almeida enviou uma cópia para Holanda visando sua publicação. A versão do Novo Testamento em português finalmente foi publicada em Amsterdan em 1681, apesar da desaprovação do consistório em Java. Várias cópias chegaram a Ásia no ano seguinte, mas ainda assim os revisores conseguiram impor suas alterações no trabalho de Almeida. O governo apoiou Almeida e mandou destruir toda a primeira impressão alterada. Almeida ainda conseguiu salvar algumas cópias corrigindo os erros principais à mão até a realização de nova impressão. Os revisores de Batávia tornaram-se reunir para concluir a verificação do Novo Testamento e partir também para o Velho Testamento, à medida que Almeida o fosse traduzindo. Almeida finalmente deixa o trabalho missionário em 1681 devido à sua saúde bastante fragilizada e passa a se dedicar exclusivamente ao trabalho de tradução. Mas veio a falecer no mês de outubro de 1691 enquanto traduzia o capítulo 48.21 de Ezequiel. Ao amigo e pastor holandês Jacobus op den Akker, coube completar sua tradução em 1694. Depois de várias alterações, ela foi impressa na Batávia, em dois volumes: o primeiro em 1748 e o segundo, em 1753. A segunda edição do Novo Testamento em português, foi revista pouco antes de sua morte, sendo publicada ainda em 1693. Historiadores afirmam que, novamente, esta segunda edição foi desfigurada pelos revisores. Uma sociedade inglesa, a Society for Promoting Christian Knowledge, de Londres teria financiado a terceira edição do Novo Testamento de Almeida, em 1711. No século XIX, a British and Foreign Bible Society e a American Bible Society distribuíram milhares de exemplares da versão de Almeida em Portugal e nas principais cidades do Brasil, o que tornou a tradução de João Ferreira de Almeida um dos textos mais populares das Escrituras em língua portuguesa.

No Brasil temos disponíveis estas versões de Almeida:

- Almeida Corrigida e Fiel (pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil - SBTB-1999, que é a mais recomendada por estudiosos e cujo Texto base é o Textus Receptus (grego), e Massorético (hebraico)
- Almeida Revista e Corrigida (pela Sociedade Bíblica do Brasil – SBB-1995)
- Almeida Revista e Atualizada (pela Sociedade Bíblica do Brasil – SBB- 1956,1993)

Por Eumário J. Teixeira.

5 de mai. de 2010

A LENDA DO FANTASMA


Sempre gostei de histórias-em-quadrinhos, cresci colecionando ”revistinhas” e se não tivessem me roubado a minha primeira coleção, que eu já dispunha lá pelos meus onze ou doze anos de idade, e se eu mesmo não desfizesse de outra, na altura de meus trinta e poucos anos, eu teria hoje um acervo invejável de revistas raríssimas e valiosas das saudosas editoras EBAL, RGE, Abril, Vecchi e outras. Mas graças a Deus tenho muitas imagens arquivadas em minha memória e a Internet me ajuda a resgatar muito do meu passado de colecionador. Na minha época, os garotos levavam a sério colecionar revistas em quadrinhos, e tínhamos como dia oficial, o domingo, para nos encontrarmos na frente do saudoso Cine Palácio, aqui na minha cidade de Teófilo Otoni (por volta de 1972 a 1974), onde se realizava uma espécie de feira livre onde trocávamos, comprávamos e vendíamos as revistinhas de acordo com nosso interesse. Bons tempos aqueles, as coisas eram mais simples e não tão maldosas para uma pré-adolescente de 11 para 15 anos. Voltávamos para casa após as negociações, ansiosos para desfrutar das novas revistas. Mais tarde voltávamos para o cinema para assistir a sessão das 16 horas. Dos muitos personagens dos quadrinhos de quem eu era fã, o Fantasma (The Phantom) era um dos meus preferidos. Aprendi a desenhar de tanto tentar reproduzir os quadrinhos desse herói como de tantos outros. Mas o Fantasma era fascinante pela sua origem dramática, o mistério que cercava seus domínios e o temor que causava aos bandidos só de saberem que ele estava por perto. Segundo consta, o Fantasma foi o primeiro herói uniformizado dos quadrinhos, ele não tinha super-poderes, mas só a mística e a lenda que o cercava, seu modo de agir furtivamente, faziam os malfeitores criarem expectativas temerosas ao seu respeito. Ele pode ter inspirado a Bob Kane criar o personagem Batman (O Homem Morcego) que tem a mesma aura de terror e mistério originariamente, pois enquanto Batman explorava sua figura assustadora para amedrontar os facínoras no ambiente urbano de Gotham City, o Fantasma usava a mesma estratégia na selva de Bengala, que se situaria num ponto indeterminado da costa da India. O Fantasma foi criado pelo norte-americano Lee Falk em 1936, foi o pontapé inicial para a revolução cultural dos quadrinhos em todo o mundo. Em seguida, falarei um pouco do Fantasma, seu criador e seus principais ilustradores. 

Lee Falk e sua criação versão Hollywood
O Criador – Lee Falk, nasceu no dia 28 de abril de 1912, em Saint Louis, Missouri, EUA. Foi batizado Leon Harrison Gross. Desde cedo revelou seu talento inato para criar suas próprias histórias inspirando-se, na maioria das vezes, em personagens das mitologias gregas e romanas. Falk foi um dedicado estudante até concluir a faculdade, em seguida profissionalizou-se como escritor e produtor de teatro, escrevendo várias peças importantes que vieram a ser interpretadas por artistas renomados como Marlon Brando, Charlton Heston e Paul Newman. Foi em 1934 que Lee Falk ofereceu à King Features Syndicate em Nova York, textos sobre o personagem Mandrake, o mágico (outro herói de HQ bem sucedido) e, dois anos depois, com o sucesso de Mandrake, apresentou à editora o Fantasma, o espírito que anda. Inicialmente as aventuras de Mandrake e Fantasma foram lançadas em pequenos livros de bolso (little big Book) e a seguir vieram as tiras desenhadas dos heróis que eram publicadas diariamente nos jornais, agradando em cheio aos leitores ávidos por aventuras em todo o mundo. Mesmo servindo na Segunda Grande Guerra como Agente do Serviço de Inteligência, Falk não parou de produzir, pelo contrário, a época conflituosa aflorou sua imaginação. Com o fim da guerra, ele volta a produzir e escrever roteiros de peças de teatro, chegando a administrar teatros em Massachusetts, EUA e nas Bahamas. Lee Falk viveu para ver seu personagem O Fantasma, ser reproduzido para um seriado de cinema em 1943 e mais recentemente numa boa produção para a telona, em 1996. Casado com Elizabeth Moxley Falk, Lee morava em New York num apartamento com decoração exótica com vista para o Central Park, onde faleceu em 13 de março de 1999, em decorrência de uma insuficiência cardíaca aos 87 anos incompletos. 

O criador e seus principais colaboradores
Primeiro desenhista – Ray Moore foi o primeiro a desenhar as primeiras tiras do Fantasma. E como o personagem, Moore foi tão misterioso quanto, pois pouco se sabe sobre ele. Raymond S. Moore nasceu em 1905 na cidade de Montgomery City, Oklahoma. Começou a se projetar como desenhista quando colaborou com Lee Falk na criação do personagem Mandrake em 1934, atuando como assistente do artista Phil Davis (1906-1964). Não foi por acaso que ele seria o mais indicado para desenhar então o próximo herói, o Fantasma, em 1936. Moore era filho de um joalheiro e inicialmente começou a ganhar a vida como engenheiro, mas posteriormente passou a desenhar profissionalmente como ilustrador. Como Lee Falk escrevia as histórias para o Fantasma e não tinha tempo para ilustrá-las, recorreu a Moore que já o tinha auxiliado com Mandrake. Nos anos 40, Moore, serviu na Segunda Grande Guerra Mundial tal como Falk, só que não teve a mesma sorte. Ele sofreu um acidente como piloto da Força Aérea Norte-americana em 1942 que o deixaria com sequelas impossibilitando-o de continuar seu trabalho regular de desenhista. Assim o Fantasma passou a ser desenhado pelo seu assistente Wilson McCoy a partir do mesmo ano. Consta que na verdade ele abandonou definitivamente os desenhos em 1948, há outras versões para o acidente, teria sido um acidente de carro ou até mesmo excesso de bebidas; de qualquer forma, apesar de Wilson McCoy assumir o trabalho em 1942, Moore reaparecia esporadicamente até que, por questões de saúde, abandonou de vez o Fantasma. Ray Moore tinha um estilo caprichoso nos desenhos e, inicialmente, seus traços sombrios atribuíam ao personagem ágil e de corpo esguio, um ar envolvente de mistério. Posteriormente Moore deixa aos poucos seu estilo sombreado tendendo-se para um estilo mais realista e detalhista, fazendo escola com seus traços bem acabados. Lee Falk o considerou o melhor desenhista do Fantasma, principalmente devido às ilustrações das belas mulheres que apareciam constantemente nas aventuras do herói. Moore é considerado pelos fãs tão misterioso quanto o personagem que ilustrou, só foram registradas apenas duas fotos dele e ambas de perfil; e quando raramente se deixou entrevistar, pouco falou sobre sua vida particular. Moore faleceu em 13 de janeiro de 1984 de causas naturais (derrame cerebral), no subúrbio de Kirkwood em Saint Louis, Missouri. Ele deixou sua esposa, Claire, que faleceu em 2005; sua irmã mais velha, Mary Odelia Moore (já falecida); seu irmão mais novo, David Yerly Moore; seu sobrinho, John Alt Moore; e suas ilustres sobrinhas Maria Moore e Gina Moore Reiners. Treze acres de mata, que Claire e Ray compraram em Des Peres, Missouri, foram doados para o Departamento de Conservação do estado, por isso em homenagem a Moore, a mata foi denominada “Floresta do Fantasma” (Phantom Forest).

Segundo desenhista – Wilson McCoy, ou melhor, Robert Wilson McCoy, nascido em Troy, Missouri, no dia 06 de abril de 1902, cartunista, ilustrador e pintor, ficou conhecido como o segundo desenhista do Fantasma. Tinha um estilo diferenciado de desenhar, pois ao contrário de Moore, atentava muito para detalhes em suas ilustrações, não explorava o sombreamento e sempre se baseava em fotografias de locais específicos para ilustrar suas histórias, usando também familiares e amigos como modelos para desenhar seus personagens em situações diversas exigidas pelo enredo em que trabalhava. Muitos dos personagens coadjuvantes do Fantasma de McCoy geralmente eram bizarros, feios e mal-encarados. O Fantasma de McCoy era de corpo mais robusto e não tão longelíneo como o de Ray Moore. Como o autor Lee Falk, McCoy tinha espírito aventureiro e viajava pelo mundo, principalmente por lugares selvagens, para alimentar sua criatividade. Chegou a conhecer uma tribo dos pigmeus Ituri, na África, para usá-los como referência em suas ilustrações dos pigmeus Bandar, a tribo que acolheu o primeiro Fantasma. Wilson McCoy estudou na School Of The Art Institute de Chicago, na American Academy e na University’s School Of Fine Arts de Washington, onde mais tarde serviu trabalhando como um artista comercial, ele fez ilustrações para as capas da Liberty Magazine, calendários, gravuras, pin-ups e anúncios para as maiores companhias. Enquanto seu amigo Ray Moore servia na Segunda Grande Guerra, McCoy assumiu a responsabilidade de ilustrar as novas tiras do Fantasma para a King Features Syndicated. Sua esposa, Dorothy, declarou que McCoy continuou desenhando as tiras até pouco antes de sua morte, causada por um ataque cardíaco, em 20 de julho de 1961. Ele deixou sua esposa Dorothy e duas crianças, Robert e Carol. Suas histórias de O Fantasma foram publicadas na Europa e América por diversas editoras em várias edições com muito sucesso. O Fantasma após o falecimento de McCoy passou a ser desenhado por Bill Lignante por breve um período, até surgir Sy Barry que assumiu de vez o trabalho no restante da década de 1960 e prosseguir nas três décadas seguintes.

Terceiro desenhista – Bill Lignante, nascido em 20 de março de 1925, no Brooklyn, em New York, coube a honrosa tarefa de continuar as ilustrações das aventuras do Fantasma fora da King Features Syndicate. Os desenhos de Bill Lignante na sua versão para o fantasma, tendiam para o padrão dos super-heróis dos anos de 1960, com traços fortes e bem definidos. O Fantasma de Lignante ficou conhecido graças ao seu trabalho na Charlton Comics e principalmente na Gold Key Comics, que geralmente caprichavam nas ilustrações das capas de suas edições, trabalhadas pelo sensacional George Wilson, onde o herói geralmente se encontrava em situações de ação e extremamente perigosas. Além dos quadrinhos, Lignante fez animação para Hanna-Barbera e foi cartunista em salas de corte para ABC Network News durante 26 anos, ilustrando no total mais de 55 julgamentos. Dentre os mais famosos julgamentos ele ilustrou estão o de Charlie Manson e Patty Hearst.

Quarto Desenhista – Finalmente chegamos a Sy Barry, de traços bonitos, limpos e dinâmicos, que assumiu de vez o posto de desenhista oficial do Fantasma pela King Features Syndicate. Nas tiras passou a se observar, desde então, a assinatura “Falk & Barry”. Seymour “Sy” Barry nasceu, pelo que se sabe, no ano de 1928. Desenhista e pintor, Barry ilustrou o Fantasma por mais de 30 anos, substituindo a Wilson McCoy a partir de 1961 na King Features Syndicate. No colégio Barry foi incentivado por um professor a tentar uma vaga na renomada School Of Industrial Art de New York. Barry foi um dos 100 alunos aprovados em 1943. Formado, Sy Barry começou a auxiliar seu irmão Dan Barry, desenhista já reconhecido, nas tiras do herói das aventuras espaciais, Flash Gordon. Sy, nesta ocasião, pintava os desenhos para Dan Barry. Após esta fase, Sy passaria para o lápis de vez em quando, onde auxiliou de forma intensa ao seu irmão em alguns trabalhos, sem ser creditado por isso. Após ter trabalhado tanto em Tarzan como em Flash Gordon, ele começa finalmente a ilustrar as aventuras de o Fantasma, uma jornada de 33 anos, de 1961 a 1994. Barry deu ao Fantasma um físico de “mister universo” e um visual moderno, que nunca mudou, enquanto durou seu trabalho nas tiras e nas revistas. Lee Falk apreciou tanto o estilo de Barry, que acabou por fazer algumas atualizações no mundo de seu personagem mais famoso, dando à Bengala (local da maioria das aventuras), um presidente negro e, à Patrulha da Selva, um Coronel também negro. Sy Barry freqüentemente utilizava desenhistas auxiliares para o trabalho, ficando mais com a arte final e pintura, embora fizesse todo o trabalho quando lhe sobrava tempo. Alguns de seus ajudantes conhecidos eram, George Olesen (o mais freqüente), Joe Giella, Neal Adams, Bob Forgione, André LeBlanc e Graham Nolan. Eles faziam os esboços sobre a orientação de Barry, que escolhia os ângulos, cenários e toda composição gráfica, e que finalmente fazia a arte final, ou seja, passava o nanquim sobre o lápis. No auge de sua popularidade, as histórias retratadas nas tiras de jornais e revistas por Lee Falk e Sy Barry chegaram a ser lidas diariamente por mais de 100 milhões pessoas pelo mundo. Atualmente na Europa, o trabalho de Falk e Barry continuam a ser publicadas aleatoriamente em edições especiais ou comemorativas. Cansado da rotina que tinha que encarar diariamente e que se tornara repetitiva e enfadonha, o que acabou refletindo nas aventuras do herói, Sy Barry retira-se das tiras em 1994, dedicando-se aos seus próprios trabalhos com desenhos mais elaborados e a pintura de paisagens. Eventualmente ele volta a desenhar o Fantasma e muitas de suas ilustrações foram usadas para capas em edições do personagem por todo o mundo. Sy Barry tem uma residência fixa em Long Island, onde vive com sua esposa Simmy e os três filhos do casal. Barry regularmente comparece pelo mundo em convenções de quadrinhos por todo o mundo.
Tom Tyler, Roger Creed & Billy Zane
O personagem nas telas - O Fantasma (The Phantom) teve sua versão para a telona, aliás, duas versões oficiais até agora. A primeira foi lançada em 1943, num seriado típico da época para o cinema. O ator que fazia o papel do Fantasma era Tom Tyler, que também encarnou Capitão Marvel num seriado para a Republic e Buffalo Bill para a Universal. O seriado O Fantasma (The Phantom) foi produzido pela Columbia em 15 episódios. Diana Palmer, a noiva do Fantasma, foi representada pela atriz Jeanne Bates, e o seu fiel lobo, Capeto, foi incorporado por um pastor alemão chamado Ace (the wonder dog – o cão maravilha). A série, que depois chegou a ser exibida na TV, foi dirigida por B. Reeves Eason. Consta que em 1961, chegou a ser filmado um piloto para a televisão, com Roger Creed como Fantasma, mas foi vetado e não exibido. Somente em 1996 foi feito um longa para o herói mascarado das selvas, desta vez estrelado por Billy Zane. Diana Palmer foi representada pela atriz Kristy Swanson. Nesta versão, além de Capeto, se destacava também Herói, o magnífico corcel branco do Fantasma. O filme foi dirigido por Simon Wincer, o roteiro (enxuto) foi escrito por Jeffrey Boam, que conseguiu resgatar alguns bons momentos dos quadrinhos. A aventura foi ambientada na década de 1930 e bem que merecia uma continuação; sendo realizado pela Paramount Pictures, foi filmado na Austrália, Tailândia e Estados Unidos, em comemoração aos 60 anos do personagem criado por Lee Falk.

A origem do Fantasama desenhada por Ray Moore
A origem – O primeiro Fantasma surgiu há mais de 400 anos, quando um navio mercante foi atacado por piratas de Singh e naufragou tomado pelas chamas (aproximadamente no ano de 1535) próximo à costa de Bengala. O pai do primeiro Fantasma, de origem britânica, era o capitão da embarcação, seu nome seria Christopher Standish e viajava com seu único filho, supostamente de mesmo nome. Amparado na praia pelos temíveis pigmeus da tribo Bandar, o jovem Standish, o único sobrevivente do impiedoso ataque, jurou com o crânio do assassino de seu pai nas mãos, que seus filhos e os filhos de seus filhos dedicariam sua vida ao combate à pirataria, à tirania e a todo tipo de injustiça que estivesse ao seu alcance. O refúgio dos pigmeus Bandar se localizava nas entranhas da selva de Bengala, na temível Floresta Negra, e na aldeia havia uma enorme caverna em forma de caveira. Os Bandar sempre esperaram pelo “salvador” de sua tribo explorada e escravizada, que viria do mar. Christopher Standish teve a idéia de explorar tal superstição dos pigmeus e espalhar a lenda entre outras tribos, assumindo o papel de um “deus protetor da selva, nativos e animais”, reforçando sua imagem sobrenatural com uma máscara negra, uniforme e capuz roxos*. E assim foi por várias gerações até hoje. Sempre que o Fantasma chegava a uma idade de se aposentar no combate ao crime e a pirataria, ele convocava seu filho mais velho para tomar seu lugar. Geralmente o filho primogênito já estaria se preparando no ocidente, se graduando nos estudos e em treinamentos físicos, técnicos e específicos, para quando fosse convocado pelo pai, estivesse apto. Muitas vezes o Fantasma foi seriamente ferido ou morto em combate, então seu corpo era resgatado furtivamente pelos pigmeus Bandar e o filho dele era convocado para assumir seu lugar e dar prosseguimento à missão não concluída pelo pai. Daí a lenda aumentava sobre a imortalidade do “homem-que-não-podia-morrer” ou do “espírito-que-anda”. Em rara ocasião, a filha de um dos Fantasmas, tomou a frente sem se revelar como mulher, até que seu irmão estivesse em condições de assumir. O Fantasma atual é da 21ª geração de uma linhagem de mais de 400 anos. Só o chefe atual dos pigmeus Bandar, Guran e alguns parentes deste, sabe da mortalidade de seu mestre, na verdade um ser humano comum. Como já foi citado, o nome verdadeiro do Fantasma, como dos seus antepassados, é Christopher Standish, o sobrenome Standish foi substituído posteriormente para Walker, e para os poucos que lhe são íntimos, ele é chamado Kit Walker. A lenda da imortalidade do Fantasma se espalhou graças a superstição dos próprios pigmeus Bandar, e de outras tribos como as dos Lombo e Wambesi, que a reforçaram. Outro fator importante é a marca do Fantasma, que é na verdade um anel usado pelo herói na mão direita, o temido “Anel da Caveira”, que é utillizado como uma espécie de “carimbo” ao desferir potentes diretos nos queixos dos malfeitores. O bandido que ganha essa “marca amaldiçoada”, que jamais poderá ser retirada, por onde andar, fará com que a lenda do Fantasma só perdure. Já na mão esquerda, ele tem outro anel com a marca de dois ossos cruzados em forma de “x”, a “marca do bem”; quem a tiver, geralmente na mão ou braço, estará sob a proteção do Fantasma, e ai de quem molestar tal pessoa, seja em qualquer parte do mundo. O Fantasma atual carrega no seu cinturão duas pistolas automáticas calibre 45, que geralmente usa com muita precisão. Ele tem como aliados, além dos pigmeus Bandar, um lobo treinado de nome Capeto, um cavalo branco de nome herói e um falcão de nome Fraka. O Fantasma é na verdade também o comandante invisível da Patrulha da Selva, um posto de soldados treinados que lhe dá suporte em várias de suas aventuras. O Fantasma tem uma noiva chamada Diana, que ocasionalmente trabalha para a ONU; e em versões mais recentes, ocorreu o esperado casamento do exótico casal na Floresta Negra. Não demorou muito e aconteceu em seguida, o nascimento do filho do 21º Fantasma, de nome Christopher “Kit” Walker Jr. Quando o Fantasma tem que ir às cidades, ele se apresenta como Sr. Walker (o que anda) e geralmente usa chapéu, óculos escuros e um longo casaco que encobre seu uniforme tradicional. Outras peculiaridades do mundo fascinante do Fantasma bastante conhecidas: a Ilha do Éden, uma espécie de paraíso particular de natureza exuberante onde ele desfruta em paz, a harmonia entre diversos animais selvagens, como tigres, leões, elefantes e girafas, sem contar com os lagos, cachoeiras e as raríssimas flores e plantas exóticas. Outra curiosidade é que no interior da caverna da caveira, o Fantasma costuma receber seus convidados assentado no famoso “Trono da Caveira”, ainda na caverna ele mantém em uma sala bem reservada, um tesouro incalculável de peças e moedas de ouro e prata, jóias diversas e outros objetos valiosos de arte centenários e milenares, como também armas de todas as eras usadas ou confiscadas pelos seus antepassados. Em outro ambiente, ele conserva num mausoléu as tumbas de todos os Fantasmas desde a primeira geração, onde em cada tampa está registrado data de nascimento e morte de seu antepassado. Num compartimento em separado há uma espécie de biblioteca na qual preserva livros com relatos de todas as aventuras vividas pelos seus antepassados, as chamadas "crônicas do Fantasma". O Fantasma também tem sob seu domínio, um platô, também conhecido como “mesa de Walker”, num deserto em algum país do ocidente, que às vezes lhe serve como base de apoio. O personagem realmente é riquíssimo, e à medida que foi se popularizando foram lhe acrescentando facetas que contribuíram ainda mais para sua aceitação pelos fãs dos quadrinhos no mundo inteiro. É claro que ele acabou perdendo a aura sombria e misteriosa que aterrorizava os bandidos do início, para se adequar à onda dos super-heróis que veio em seguida, e apesar de nunca ter lhe sido atribuído nenhum super-poder, ele compensava esta “deficiência” com muitos de seus recursos naturais e exóticos, tais como os diversos citados anteriormente. Se o Fantasma de Ray Moore era fechado e sério, mas com um sorriso discreto e sarcástico, a versão de Fantasma de Sy Barry já mostrava um herói mais sociável, bem humorado e sorridente, mas nem por isso menos implacável com os facínoras.

* A cor do uniforme do Fantasma varia conforme a edição de cada país, alguns preferem a vermelha, marrom, outros azul escuro. Originariamente era para ser cinza escura, mas devido a um acidente na impressão nas primeiras tiras, ficou tradicionalmente com a cor roxa, que Lee Falk justificou posteriormente como a cor de um deus esperado e adorado pelos nativos Bandar. 
Por Eumário J. Teixeira.

ALBERT COLLINS - O Mestre da Telecaster


Com a banda já no palco mandando um som cheio de swing, o mestre de cerimônia bradava: “Ladies e Gentleman, get ready for The Man...The Master of the Telecaster...The Houston Twister...The Razor Blade...The Iceman himself...ALBERT COLLINS !!!”. Então ‘o homem mais feio do mundo’ surgia e mandava ver, logo o ambiente estava pegando fogo com os riffs de sua telecaster dourada!
Albert Collins nasceu em 3 de outubro de 1932 na cidade de Leona, Texas. Ainda criança mudou-se para a cidade de Houston onde começou a aprender piano influenciado pelo som dos teclados de Jimmy Smith e Jimmy McGriff. Porém, aos 13 anos de idade, escutou no rádio o som de “Boogie Chillen” de John Lee Hooker que o fez trocar o piano pela guitarra, sob orientação do primo Willow Young. No início dos anos de 1950 a técnica de outro primo guitarrista, o já famoso Lightnin´ Hopkins, exerceu uma forte influência sobre ele. Foi de Hopkins que Albert collins herdou a afinação em ré menor e as notas agudas sustentadas, que foram as principais características do som de sua Telecaster, definido como “cold blues”. Iniciando-se como músico profissional, Albert tocou nas bandas de Malcom Moore, Piney Brown e Clarence “Gatemouth” Brown. Em Houston, Albert alternou as atuações nos palcos com trabalhos sem ligação com a música, até que em 1958, aos 36 anos, teve a oportunidade de gravar o seu primeiro compacto para o Selo Kangaroo Records, com os temas “The Freeze” e “Collins Shufffle” que eram dois instrumentais com muita reverberação, eco, metal, e orgão, de estilo semelhante ao de Duane Eddy e Albert King. A venda de 20.000 cópias do disco permitiu-lhe ir para frente com a profissão. Em 1962, gravou seu segundo compacto com as faixas “De-frost” e “Albert’s Alley”, e com o terceiro “Frosty”(1962), atingiu um milhão de cópias. Nessa época (1962-63) lançou outros instrumentais, como “Icy Blue”, “Frosbite”, “Snow-Cone”, e “Dyin’ Flu”, o primeiro tema no qual Collins canta. Durante os anos seguintes fez parte das bandas de B. B. King, Freddie King, Jimmy McCracklin, Little Richard (na qual substituiu Jimi Hendrix que acabara de sair) e Big Walter Price. Em seguida Collins começou sua relação com a Imperial Records da Califórnia gravando três LPs: Love Can Be Found Everywhere (1969), Trash (1969), e The Complete Albert Collins (1970). Em 1971 grava para o Selo Tumbleweed, de Bill Szymczyck, no qual lançou There’s Gotta Be A Change, porém não teve continuidade devido à falência da gravadora. Durante um longo tempo, enquanto esperava que alguém se interessasse pelo seu som, continuou se apresentando em shows acompanhado pelo grupo do até então desconhecido (e fã) Robert Cray e gravando com vários artistas como Ike e Tina Turner. Finalmente, quando estava trabalhando numa loja de tintas, para reforçar o orçamento, consegue com a ajuda de um amigo, um contrato com o Selo Alligator do então jovem e incondicional amante do Blues, Bruce Iglauer, responsável pela contratação e recuperação de muitos bluesmen. Finalmente, em 1978, Albert, lança pela Alligator o excelente LP Ice Pickin’ (1978), indicado ao Grammy, acompanhado pelo novo grupo, The Icebreakers. Depois gravaria ao vivo Albert Collins & Barrelhouse (1978); Frosbite (1980); a seguir, Frozen Alive (1981) e finalmente sua consagração, Don’t loose Your Cool (1983), como qual obteve o prêmio W. C. Handy de melhor disco de Blues contemporâneo. A Fundação Memphis Blues, que em 1980 e 1981 o reconheceu como “O Melhor Artista de Blues”, o elegeu “Melhor Instrumentista de 1983”. Em 1984 saiu Live In Japan, em 1985 recebeu um Grammy por Showdown, gravado junto aos guitarristas Johnny Copeland e Robert Cray, ambos discípulos do “Mestre da Telecaster”. Em 1986, lançou Cold Snap, seu último trabalho na Alligator. Em 1991 gravou o LP Iceman pelo Selo Point Blank. Infelizmente após uma turnê européia realizada no verão de 1993, diagnosticaram-lhe um câncer de pulmão em fase muito avançada, com o qual foi descartada a possibilidade de uma cirurgia. Embora lhe dissessem que ainda tinha um ano de vida, Collins veio a falecer em 24 de novembro de 1993 aos 61 anos. No seu leito de morte, o último a vê-lo com vida foi B. B. King. Pouco tempo antes de falecer, numa apresentação no Brasil, Collins gabava-se a uma repórter que jamais usou drogas e que nunca precisou delas para se inspirar ou tocar, indo assim na contra-mão da maioria dos músicos de rock, blues e jazz.

The Ice Man & o rock - Albert começou a flertar com a comunidade rockeira desde 1968, quando durante uma das suas eventuais viagens a Houston, conheceu os integrantes do Canned Heat, que tinham um grande interesse por blues e que conseguiram que Albert Collins mudasse para a Califórnia onde ele se tornou conhecido nos circuito de bares e fosse contratado pelo Selo californiano Imperial. Em 1980 Collins se apresenta ao vivo com Johnny Winter no New Morning Festival de Genebra na Suiça. Em 1987 contratou Debbie Davis para seu grupo, uma guitarrista californiana nascida em 1957 e namorada de um dos seus músicos anteriores, Coco Montoya, que também foi guitarrista do John Mayall’s Bluesbrearkers. Debbie ficaria no grupo por três anos. Em 1990, participou do disco Still Got The Blues de Gary Moore e em 1993 participou do LP Wake Up Call de John Mayall.

De Albert Collins são essenciais os cds:
- Truckin’ With Albert Collins) - coletânea de compactos gravados nos anos 1962-63 (MCA)
- Ice Pickin’ (Alligator)
- Frosbite (Alligator)
- Frozen Alive (Alligator)
- Don’t Loose Your Cool (Alligator)
- Live in Japan (Alligator)
- Showdown – com Robert Cray e Johnny Copeland (Alligator)
- Cold Snap (Alligator)
- Albert Collins and The Icebreakers Live ´92 – ´93 (Pointblank). 

Aí está o link do you tube onde Albert Collins detona "Honey Hush":

Por Eumário J. Teixeira

10 de abr. de 2010

MUHAMMAD ALI


           FLUTUANDO COMO UMA BORBOLETA E FERROANDO COMO UMA ABELHA
Na época das então inéditas transmissões via satélite pela TV de grandes eventos esportivos ou musicais na década de 1970, duas gratas lembranças me vem à mente, a primeira foi o famoso show de Elvis Presley realizado em 1973 no Hawaí, denominado “Elvis – Aloha From Hawai – Via Satellite”, onde o ainda “rei do rock” estava em plena forma e eu tinha apenas 11 anos. Elvis para mim era uma espécie de super-herói, sendo que aquele show só me fez ficar ainda mais fã dele. O outro evento, foi a luta do século entre Muhammad Ali e George Foreman em 1974, transmitido direto do Zaire, na África. Elvis e Ali se conheciam e se respeitavam, como também eventualmente se encontravam. A batalha do Zaire foi denominada “the rumble in the Jungle”, que poderia ser traduzido como “tremor na selva”. Aquela luta me marcou demais, eu já tinha lido sobre Cassius Clay (Muhammad Ali) em livros para o ensino do inglês no colégio, mas tudo me parecia tão irreal e fictício, que eu não poderia crer que um cara desses poderia existir mesmo, alguém que fazia do boxe uma arte, ou seja, ele conseguia socar e derrubar seus oponentes com elegância. Eu não tinha como obter informações sobre ele a não ser por revistas ou alguma notícia pela TV, mas aquela madrugada de 30 de outubro de 1974, foi minha realização. Pouco depois eu veria em Bruce Lee, o rei do Kung Fu, algo que me lembrava Ali, e como de fato, Lee revelou certa vez que era admirador do jogo de pernas de Muhammad Ali. Aquela ginga de Bruce Lee nos filmes, suas fintas e esquivas, foi tudo inspirado no maior de todos os tempos dentro do ringue, Muhammad Ali. Quando Bruce Lee morreu precocemente aos 32 anos em 1973, Ali declarou: “morreu o único homem capaz de me derrotar”; guardando as devidas proporções, é claro, pois Ali media 1,88 m e pesava mais de 85 kg, e Lee tinha 1,68 m e pesava cerca de 58 a 60 kg. A seguir uma pequena homenagem em forma de biografia ao maior artista do boxe mundial de todos os tempos.

O jovem campeão Cassius Clay
MUHAMMAD ALI – Ele nasceu Cassius Marcellus Clay Jr. em Louisville, Kentucky, no dia 17 de janeiro de 1942, no seio de uma família cristã. Seu pai costumava fazer pinturas de imagens para as igrejas cristãs, o que levou o jovem Cassius a questionar sobre os improváveis olhos azuis e cabelos loiros do Jesus Cristo pintado pelo pai naqueles tempos de segregação racial. Na década de 1950 o jovem Cassius Clay já se sentia oprimido pela racismo e talvez por isso, como uma opção de auto-defesa naqueles tempos duros, se volta para o boxe inspirado em ícones negros que eram campeões da nobre arte, como Joe Louis (dos pesos pesados, “a bomba negra”, que se aposentou em 1951) e Sugar Ray Robinson (dos pesos médios, “o bailarino dos ringues”, que se retirou em 1965). Cassius começa seu treinamento no boxe aos 12 anos e em 1959 vence o torneio amador nacional conhecido como Golden Gloves, na categoria dos meio-pesados. Ainda como Cassius Clay, conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1960, em Roma, aos 18 anos na mesma categoria . A partir daí, partiu para o boxe profissional onde as portas estavam escancaradas para o jovem boxer talentoso e carismático. Muitas aparições em programas de TV, entrevistas e assédios diversos, o levaram a contratos milionários. Cassius Clay tinha uma incrível rapidez e agilidade para seus quase 1,90 m e 85 kg. Seu talento natural para boxear com arte o fez declarar: “eu flutuo como uma borboleta e pico como uma abelha”. Seu jeito falastrão e debochado com seus adversários e críticos, lhe trariam problemas mais tarde.

Cassius Clay faz Sonny Liston dormir
Em 25 de fevereiro de 1964, aos 22 anos de idade, para o espanto geral, o jovem Cassius “fanfarrão” Clay, derrotou o campeão Sonny Liston no 7º round por nocaute, em luta válida pelo título dos pesos-pesados pela WBA/WBC, conquistando seu primeiro título profissional na categoria. Depois da conquista surpreendente, anunciou sua fé ao Islã e renega seu nome de batismo, que dizia ser “nome de escravo” e muda seu nome para Cassius X, em homenagem ao seu mentor, o líder social e político, Malcom X.
Ali e o cantor de soul, Sam Cooke
Infelizmente, a seguir, Cassius X é pego de surpresa no dia 11 em dezembro de 1964, quando seu amigo e cantor Sam Cooke, foi assassinado aos 33 anos num motel em Los Angeles por uma mulher. A situação nunca foi totalmente esclarecida. Cassius compareceu ao funeral do ídolo da soul music e também ativista político, Sam Cooke.
Sonny Liston tentou recuperar o cinturão no ano seguinte, mas foi derrotado por Clay no 1º assalto na revanche. Cassius X defendeu o título por 9 vezes com sucesso até o ano de 1967, mas em decorrência de seu envolvimento com os movimentos sociais que exigiam liberdade, igualdade e direitos civis para a comunidade negra e sua proximidade à líderes negros como Malcom X, Elijah Muhammad (líder da Naçao Islã), Martin Luther King (pastor batista) e flertes com o movimento Black Power, o “tio sam” trama uma forma de parar com a crescente popularidade do jovem boxeador. Cassius foi convocado para servir o exército dos EUA na Guerra do Vietnã, mas ele se recusou a servir, entendendo que a convocação era uma armação do governo americano para enfraquecer o movimento pelos direitos civis dos negros, já que ele (Cassius) já era uma membro importante da Nação Islã, que era anti-americana e sonhava com poder e territórios independentes para os negros. Cassius justificou sua recusa em servir alegando que vietnamita algum o teria feito mal ou o chamado de negro; além de que, matar, contrariava sua fé. Sua rebeldia lhe custou simplesmente uma campanha difamatória nacional, acusações públicas de traidor da pátria, transformando-o de herói do boxe mundial para inimigo público número 1 dos Estados Unidos da América. Tudo isso acrescido também de multa de 10.000 dólares, 5 anos de prisão (amenizado por ações de advogados) e do título mundial cassado. No período que esteve inativo, Cassius X muda de nome para assumir definitivamente aquele que o tornou conhecido mundialmente, Muhammad Ali, em referência agora, ao líder dos black muslims (pretos muçulmanos) da Nação Islã.

Ali e o líder Malcom X
Em 21 de fevereiro de 1965, outro duro golpe para Ali, Malcom X, que havia deixado a Nação Islã por divergências com seu líder Elijah Muhammad, é brutalmente assassinado com vários tiros de calibres 38 e 45, a maioria no coração, na sede de sua Organização para a Unidade Afro-Americana. Ele tinha apenas 39 anos, morreu na frente da esposa e filhos.
Outro duro golpe para a comunidade afro-americana foi a morte do pastor protestante e ativista político, Martin Luther King, a tiros num hotel em Memphis, no Tenessee, em 04 de abril de 1968 aos 39 anos. King iria para uma marcha de protesto pouco antes do assassinato, a cidade era e ainda é um reduto sulista de segregacionistas brancos.
Muhammad Ali passou por três anos e meio sem conseguir lutar, mas graças à força dos contatos estratégicos na mídia televisiva associados a um marketing bem feito, a Suprema Corte reviu a decisão e libera Ali da punição. Ele retorna em luta oficial contra Jerry Quarry no dia 26 de outubro de 1970. Ali venceu o embate por nocaute no 3º round. Em seguida derrotou Oscar Bonavena no 15º round por nocaute técnico, retendo o título dos peso-pesados pela NABF em 07 de dezembro do mesmo ano.

As seis pedras no caminho de Ali
Em 08 de março de 1971 Ali tenta unificar o títulos dos pesados contra o boxeador que se tornaria seu maior rival, Joe Frazier. A luta se realizou no Madison Square Garden em Nova York, com cada lutador recebendo US$ 2,5 milhões, um recorde na época. A luta foi emocionante e equilibrada. Frazier partia para cima com tudo, parecia estar mais obstinado pela vitória e Ali tentava em vão dançar em torno do adversário e jabear e, por muitas vezes, se via acuado nas redes. Ali foi surpreendido finalmente com um gancho de esquerda no 15º round, caiu e se levantou rápido, aparentemente sem acusar o golpe, mas a decisão dos jurados foi unânime...Ali perde para Frazier por pontos.
Após esta inesperada derrota, Ali prosseguiu realizando a seguir mais 10 combates com êxito, vencendo todos por pontos ou por nocaute, de 1971 a 1973.
Ainda em 1973, outra derrota, desta vez para Ken Norton em 31 de março de 1973. Desta vez Ali perderia a luta e o título da NABF. A decisão foi por pontos e não foi unânime. Ali teria lutado os 12 assaltos com o maxilar fraturado. Abrindo um parêntese, Bruce Lee morreria em 20 de julho de 1973 após concluir as filmagens de Operação Dragão (Enter The Dragon) pela Warner Bros.
Em seguida, no mesmo ano, Ali enfrenta Rudi Lubbers e vence por decisão unânime na Indonésia.
Em 28 de janeiro de 1974 vem a esperada revanche contra Joe Frazier em New York. Ali recupera o título pela NABF numa luta de 12 rounds por decisão unânime e recupera seu prestígio.
Mas Ali sabia que o cinturão que lhe traria de volta o respeito mundial era o da WBA/WBC que estava em poder do temível George Foreman (o “Mike Tyson” da época). Foreman (atualmente pastor batista) era forte igual a um touro e tinha a simpatia e apoio dos conservadores brancos americanos, que queriam não só a derrota de Ali, mas também o fim do que ele representava perante a comunidade afro-americana com suas idéias anti-americanas. Assim, para Ali que já estava com 32 anos, a luta não seria simplesmente pelo cinturão, estava em jogo também sua fé, sua luta pela liberdade, igualdade e direitos civis para os negros e, sobretudo, era mais uma oportunidade de superação pessoal. Abrindo outro parêntese, se o 11 de setembro tivesse ocorrido na época do Ali militante, seu fim certamente seria numa fogueira no Central Park, em New York, onde seria julgado e executado como terrorista e apoiador da guerra santa de Bin Laden.
Voltando ao grande confronto, foi então acertado a chamada “Luta do Século” para o dia 30 de outubro de 1974. Após estudos e estratégias de marketing, foi escolhido o Zaire, na África, para o local do confronto épico. Foi na verdade, além do próprio espetáculo de boxe, um evento cultural afro-americano, com apresentações de vários grupos africanos e norte-americanos com B. B. King e James Brown, registrados em documentário de 1997, intitulado When We Were Kings (Quando Éramos Reis – no Brasil).
Ali na "luta do século" contra Foreman
A luta foi emocionante, a maioria dos apostas acusavam vantagem de 3 por 1 para Foreman, todos respeitavam a coragem e a audácia de Ali com seu carisma iluminado, mas na verdade se preocupavam a ponto de temer pela sua morte no confronto. Mas não foi bem assim, Foreman partiu para cima, tentou mantê-lo preso às cordas e o manteve assim na maioria dos assaltos. Ali parecia não ter condições para reagir. Ele bloqueava, abraçava e empurrava Foreman enquanto falava graçinhas no seu ouvido do tipo “é só isso que pode fazer?”. Foreman que parecia não parar de desferir seus golpes até Ali cair, cansou e, no 8º round, recebeu o contra-ataque, ou melhor, a picada da abelha. Caiu e não conseguiu se levantar antes da contagem final. Ali recupera seu título pela segunda vez. O público presente festejou mais do que nunca, a vitória foi deles também, Ali os estava representando naquele tablado. Ele era a encarnação da esperança, superação e conquista daquele povo miserável e sofrido. Ali fez mais três lutas após o embate com Foreman, vencendo-as com facilidade. Em 1º de janeiro de 1975, um novo confronto com Joe Frazier, agora nas Filipinas. O combate foi denominado “The Thrilla In Manila”. Ali o enfrentava pela terceira vez. E deu Ali novamente. Nocaute técnico no 14º round. Na melhor de três Ali venceu por 2 a 1.
Seguiram-se mais 3 lutas com Ali saindo-se vencedor, até que tornou a se encontrar nos ringues com Ken Norton em 28 de setembro de 1976, no Bronx, em New York. Nessa outra revanche, Ali também vence por decisão unânime, mantendo seu cinturão de campeão mundial dos pesados pela WBA/WBC.
Mais duas lutas vieram em 1977 e ele mantém o título. Aí chega o fatídico ano de 1978, mais precisamente em 15 de fevereiro, quando ele põe seu título da WBA/WBC novamente em jogo contra o jovem desconhecido Leon Spinks em Las Vegas, na Califórnia. Ali perde por decisão não unânime após 15 assaltos. Talvez o veterano boxeador de 36 anos estivesse pesado e lento demais para flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha.
Mas Muhammad Ali não pensava em desistir tão fácil, apelou para uma revanche que foi marcada para o mesmo ano, no dia 15 de setembro em New Orleans, em Louisiana. Foram mais 15 assaltos de batalha contra o jovem Spinks que parecia não acreditar na determinação de Ali que o venceu por pontos em decisão unânime. A conquista foi comemorada como um fato histórico e inédito no mundo do boxe, pois nenhum boxeador havia recuperado um título mundial por três vezes. Ali poderia ter encerrado sua carreira após esse confronto com Spinks, tendo se retirado como um eterno campeão honrado.
O título da WBA ficou vago em 1979 e, em 1980, após quase dois anos inativo, Ali aos 38 anos perde o título da WBC para Larry Holmes por nocaute técnico ao abandonar a luta no 10º assalto em Las Vegas no dia 02 de fevereiro. Nesta luta polêmica, quatro anos antes de anunciar que sofria do Mal de Pakinson, Ali já demonstrava alguns indícios físicos da doença. Estava visivelmente mais lento e com os reflexos comprometidos. E o que pesou bastante para sua derrota segundo especialistas, foi sua repentina perda de peso para a luta. Perdeu 15 kg em poucas semanas para estar apto para o combate. O sacrifício lhe deixou mais fragilizado, sem poder de punch e sem vitalidade, apesar de continuar a provocar Holmes com deboches durante todo o evento. Os sintomas iniciais do Mal de Parkinson em Ali tinham sido diagnosticados erroneamente dias antes da luta, foram confundidos como alterações da tireóide. A luta estava se tornou um massacre, Holmes acuava um Ali totalmente sem reação nas cordas, assim Angelo Dundee, técnico de Ali, não teve dúvidas, poupou seu lutador interrompendo a luta.
Ali torna a perder a próxima no ano seguinte para o canadense Trevor Berbick por decisão unânime, em Nassau, nas Bahamas, no dia 11 de dezembro de 1981. O confronto foi denominado “Drama nas Bahamas” e bota drama nisso. Ali teimava em lutar sem condições físicas ideais para fazê-lo. Os sintomas do Mal de Parkinson estavam cada vez mais evidentes, na coletiva para a imprensa e pesagem oficial antes da luta, Ali estava apático, falava baixo, não era mais aquele célebre falastrão carismático, seus olhos estavam sem brilho e se movimentava com certa lentidão. Todos em volta fingiam em não perceber, estavam querendo ver o campeão em ação de novo custe o que custasse. A luta foi marcada para as Bahamas porque certamente em território norte-americano não seria autorizada devido às condições clínicas de Ali. Apesar de toda dificuldade, ele fez uma luta equilibrada com o jovem Berbick, que não teve competência para derrubar a legenda da boxe. Após o absurdo nas Bahamas, Ali reconheceu ou foi convencido que era hora de parar. Como seu treinador, Angelo Dundee, mesmo disse depois do confronto nas Bahamas: “Muhammad Ali continuou a lutar, porque é isto que queria fazer. Ele não conseguia se afastar do boxe”.

Ali, portador do Mal de Parkinson, com Will Smith
Finalmente, em 1984, foi diagnosticado oficialmente em Ali, o Mal de Parkinson, do qual ele sofre até hoje aos 68 anos de idade. Após sua aposentadoria Ali passou a se dedicar à ações pela paz mundial e tolerância entre os povos e entre as religiões. Com a criação do Muhammad Ali Memorial em Louisville, KY, passou a apoiar pesquisas para a cura dos acometidos da mesma doença que o aflige. Ali foi indicado para o prêmio Nobel da Paz pelo seu esforço em criar também a Assembléia Geral das Crianças, ligada à ONU. Ali atualmente trata a sua doença com um trabalho que está sendo desenvolvido em Israel, através de experiências com células tronco adultas.
Ali, com sua filha Laila, também boxeadora
Em 1996, Muhammad Ali acendeu a pira olímpica dos jogos de Atlanta, nos EUA. Foi eleito o “Esportista do Século” pela revista americana Sports Illustated em 1999. Vários livros já foram escritos relatando sua biografia e suas proezas e, em 2001, o ator afro-americano, Will Smith, interpretou o maior boxeador de todos os tempos no filme, “Ali”. Constantemente Muhammad Ali é lembrado e homenageado, inclusive por seus eternos rivais no boxe, em eventos esportivos diversos nos EUA e no mundo. Ele foi mais que um boxeador, foi simplesmente o melhor de todos, mas também foi ídolo de toda uma geração oprimida e sem esperança de vitórias. E independentemente da cor da pele, foi não só um visionário no esporte, mas também na política social e libertária. Viva Ali!
 
Reflexão sobre Muhammad Ai
– Essencialmente todos ser humano tem a necessidade de se expressar e de se comunicar com os outros. O modo de fazê-lo poder ser de várias maneiras, através das artes em geral (pintura, teatro, música, etc.), dos esportes (futebol, basquete, natação, boxe, etc.), das ciências, da política, ou simplesmente da oratória. Não basta ter o dom guardado para si mesmo, há uma necessidade de transmiti-lo aos outros, talvez como uma busca de auto-conhecimento, reconhecimento de si próprio ou dos outros, ou pela busca da auto-aceitação confirmada pela reciprocidade do que se faz, na medida em que se percebe a empatia dos que te vêem, te assistem e te escutam.
Ali era um homem abençoado por Deus, tinha o dom da oratória, na maioria das vezes falava em quantidade, mas quando falava com qualidade, suas palavras eram contundentes como seus punhos ao dirigi-las para a defesa dos direitos civis e liberdade de expressão para seus irmãos afro-americanos.
Da mesma forma nos ringues, ele se expressava magnificamente flutuando como uma borboleta e picando como uma abelha, com a rapidez e poder dos seus punhos e sua elegante movimentação nos tablados.
Foi triste e irônico a carreira de Ali se acabar com os sintomas daquela doença degenerativa. O Mal de Parkinson simplesmente lhe tirou seus maiores atributos, a oratória e o boxear com arte.
Talvez fosse uma punição de Deus, já que Ali com seu espírito rebelde e contestador, poderia ter chegado ao ponto de pensar no alto de sua auto-suficiência que não dependeria mais do Senhor para vencer seus obstáculos. Depender Daquele, que pela minha fé e de milhões de cristãos pelo mundo, se entregou como um cordeiro ao sacrifício por todos nós.
As imagens de Jesus Cristo de olhos azuis, cabelos loiros e pele branca, pintadas pelo pai de Ali, ficaram fixadas em sua mente inconformada que não aceitava o deus branco feito para os brancos, assim Jesus foi substituído por Maomé de pele parda, morena ou quase negra. Era o deus apropriado para ele e seus irmãos de cor que lutavam pelo movimento anti-segregacionista.
Apesar de evidências históricas confirmarem que a pele de Jesus estar mais para negra do que para branca, é certo que não podemos nos prender ao detalhe da cor da pele do Salvador, pois seja Ele branco, preto, vermelho ou amarelo, veio para todos nós que o reconhece como único e verdadeiro messias, o legítimo Filho de Deus. Que Deus abençoe a Muhammad Ali. Amém!

Por Eumário J. Teixeira.