Eric Clapton nasceu em 30 de março de 1945 em Ripley, cidadezinha próxima a Londres, filho de mãe solteira e de pai desconhecido, foi abandonado pela mãe aos dois anos de idade para ser criado pela avó materna. A ausência da figura paterna lhe deixou um enorme vazio e uma crise de identidade que o atormentou por muitos anos, recentemente (em 1998) após muita procura, ele descobriu que seu pai possivelmente se tratasse de um soldado canadense servindo na Inglaterra durante a 2ª Guerra Mundial. Clapton em sua juventude freqüentou uma escola formal de música, mas a partir dos 16 anos descobriu o blues na boemia de Londres. A partir daí não quis saber de outra coisa, se reunia com conhecidos nos fins de semana para trocarem idéias e escutarem os discos de blues recém importados da América. Sua relação com a música negra norte-americana se fez mais forte ao se identificar com a vida de seus ídolos, como o misterioso Robert Johnson que como ele, nunca conheceu o pai e era seu modelo de cantor e guitarrista de blues e Muddy Waters, a quem almejou como o pai que nunca teve. Nas bandas pelas quais passou como The Roosters, Yardbirds, se manteve apenas na guitarra, a partir de John Mayall´s Bluesbreakers se aventurou vez ou outra nos vocais, assim foi no Cream e Blind Faith. Nas suas participações na banda de Delaney & Bonnie de forma mais discreta, obteve total apoio de Delaney Bramlett para iniciar uma carreira solo com mais segurança. Em seguida com a formação de Derek & The Dominos, Clapton mergulhou a fundo no seu amor platônico e não correspondido por Pattie Boyd, na época esposa de George Harrison, dos Beatles. A paixão já era alimentada por muitos anos e para piorar, ele tinha um grande afeto por Harrison. A situação o fez refugiar-se mais e mais no álcool e nas drogas, dos quais se livrou com um tratamento no início dos anos 70 e culminou com seu retorno triunfal em 1973 num grande concerto apoiado por amigos como Pete Towshend do The Who e Stevie Winwood do Traffic e Blind Faith. Sua carreira prosseguiu com alternando gravações de blues, country e até pop, até que se firmou novamente ao lançar o premiado disco “Unplugged” em 1992 e “From The Cradle” em 1995, ambos dedicados à sua maior paixão, o blues. Atualmente Clapton se dedica a promover concertos e tributos aos velhos ídolos que ainda estão vivos, como B. B. King, Buddy Guy e Hubert Sumlin e a gravar e produzir seus próprios trabalhos.
Peter Green, aliás, Peter Allen Greenbaum, nasceu em 29 de outubro de 1946 em Bethnal Green, Londres. Aprendeu por conta própria a tocar guitarra a partir dos 11 anos de idade e aos 15 já tocava profissionalmente. Suas maiores influências no início e que certamente definiram seu estilo foram Hank Marvin do Shadows, B. B. King, Freddie King, Muddy Waters e até músicas tradicionais judaicas. Sua primeira banda foi a Boby Denim & The Dominoes onde tocava clássicos do rock & roll. Em seguida se ingressou numa banda de rhythm & blues, chamada The Muskrats. Logo imigrou para The Tridents, onde tocou baixo e, posteriormente, seguiu para The Peter Barden´s Looners, onde conheceu Mick Fleetwood com quem formaria anos depois o Fleetwood Mac. Em 1966 Eric Clapton deixa o John Mayall´s Bluesbreakers e o mais cotado para substituí-lo seria Peter Green. E ele cumpriu sua missão com muita competência na banda de Mayall, onde exibiu toda sua técnica de guitarrista, compositor e vocalista. E assim, mais experiente e reconhecido, Peter partiu para formar a banda de seus sonhos. Em 1967 lançou o excelente álbum Peter Green’s Fleetwood Mac, seguido de outros bem sucedidos. Tudo parecia estar bem, até que Peter sentindo-se desconfortável com sua vida e pressionado pelas situações impostas pelo showbusiness, retira-se da banda. Presume-se que tudo começou a partir do momento em que passou a sofrer de esquizofrenia, se entregando ao consumo de drogas pesadas como o LSD e ao misticismo religioso, impulsionado talvez pela dificuldade de assimilar sua posição de rockstar com a administração de todo aquele dinheiro arrecadado em concertos, vendas de discos e de outras obrigações contratuais. A música, antes um prazer, tornara-se um mero negócio, um fardo. Conta-se que tentou inclusive doar todos os ganhos da banda para a caridade, o que foi negado pelos outros componentes, fazendo então com que ele se afastasse definitivamente. Green tentou se recuperar posteriormente em carreira solo, mas alternava alguns discos razoáveis com internações psiquiátricas, sofrendo tratamentos até com eletro-choques. Foi um período obscuro em sua vida, descuidou-se do visual, passou a se isolar e morar sozinho enquanto se dizia atormentado por vozes que só ele escutava. Até que alguns amigos mais chegados se aproximaram e o resgataram aos poucos para o convívio social e para a música. Desde 1996 Green fez concertos e gravou regularmente com o Peter Green Splinter Group em parceria com o amigo-protetor e também guitarrista Nigel Watson. Mas suas performances ainda não lembravam o lendário Peter Green do passado, e apesar de às vezes não falar coisa com coisa, de não solar e cantar como antes, seu espírito de bluesman estava intacto e podia-se ver uma chama daquele excepcional artista que um dia tirou suspiros até do mestre B. B. King. Em 2004 Peter deixa o Splinter Group e se muda para a Suécia onde teria se juntado a outro grupo, mas devido a problemas de adaptabilidade com a sua medicação, seus projetos permanecem indefinidos e incertos quanto ao futuro.
Para concluir, é difícil afirmar qual dos dois lendários guitarristas era o melhor, mas uma coisa é certa, ambos se dedicaram ao máximo e fizeram de tudo pela música que tanto amam. Atuaram cada um a seu modo, impondo respeito e admiração por todo o mundo. Souberam superar as dificuldades impostas pelo destino e continuam seguindo a trilha do blues. Triste vai ser o dia em que Eric e Peter não poderem mais tocar para o seu público fiel, mas até lá, vamos curtir os caras pessoal!
Eumário J. Teixeira
Eumário J. Teixeira
Nenhum comentário:
Postar um comentário