10 de abr de 2010

MUHAMMAD ALI


           FLUTUANDO COMO UMA BORBOLETA E FERROANDO COMO UMA ABELHA
Na época das então inéditas transmissões via satélite pela TV de grandes eventos esportivos ou musicais na década de 1970, duas gratas lembranças me vem à mente, a primeira foi o famoso show de Elvis Presley realizado em 1973 no Hawaí, denominado “Elvis – Aloha From Hawai – Via Satellite”, onde o ainda “rei do rock” estava em plena forma e eu tinha apenas 11 anos. Elvis para mim era uma espécie de super-herói, sendo que aquele show só me fez ficar ainda mais fã dele. O outro evento, foi a luta do século entre Muhammad Ali e George Foreman em 1974, transmitido direto do Zaire, na África. Elvis e Ali se conheciam e se respeitavam, como também eventualmente se encontravam. A batalha do Zaire foi denominada “the rumble in the Jungle”, que poderia ser traduzido como “tremor na selva”. Aquela luta me marcou demais, eu já tinha lido sobre Cassius Clay (Muhammad Ali) em livros para o ensino do inglês no colégio, mas tudo me parecia tão irreal e fictício, que eu não poderia crer que um cara desses poderia existir mesmo, alguém que fazia do boxe uma arte, ou seja, ele conseguia socar e derrubar seus oponentes com elegância. Eu não tinha como obter informações sobre ele a não ser por revistas ou alguma notícia pela TV, mas aquela madrugada de 30 de outubro de 1974, foi minha realização. Pouco depois eu veria em Bruce Lee, o rei do Kung Fu, algo que me lembrava Ali, e como de fato, Lee revelou certa vez que era admirador do jogo de pernas de Muhammad Ali. Aquela ginga de Bruce Lee nos filmes, suas fintas e esquivas, foi tudo inspirado no maior de todos os tempos dentro do ringue, Muhammad Ali. Quando Bruce Lee morreu precocemente aos 32 anos em 1973, Ali declarou: “morreu o único homem capaz de me derrotar”; guardando as devidas proporções, é claro, pois Ali media 1,88 m e pesava mais de 85 kg, e Lee tinha 1,68 m e pesava cerca de 58 a 60 kg. A seguir uma pequena homenagem em forma de biografia ao maior artista do boxe mundial de todos os tempos.

O jovem campeão Cassius Clay
MUHAMMAD ALI Ele nasceu Cassius Marcellus Clay Jr. em Louisville, Kentucky, no dia 17 de janeiro de 1942, no seio de uma família cristã. Seu pai costumava fazer pinturas de imagens para as igrejas cristãs, o que levou o jovem Cassius a questionar sobre os improváveis olhos azuis e cabelos loiros do Jesus Cristo pintado pelo pai naqueles tempos de segregação racial. Na década de 1950 o jovem Cassius Clay já se sentia oprimido pela racismo e talvez por isso, como uma opção de auto-defesa naqueles tempos duros, se volta para o boxe inspirado em ícones negros que eram campeões da nobre arte, como Joe Louis (dos pesos pesados, “a bomba negra”, que se aposentou em 1951) e Sugar Ray Robinson (dos pesos médios, “o bailarino dos ringues”, que se retirou em 1965). Cassius começa seu treinamento no boxe aos 12 anos e em 1959 vence o torneio amador nacional conhecido como Golden Gloves, na categoria dos meio-pesados. Ainda como Cassius Clay, conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1960, em Roma, aos 18 anos na mesma categoria . A partir daí, partiu para o boxe profissional onde as portas estavam escancaradas para o jovem boxer talentoso e carismático. Muitas aparições em programas de TV, entrevistas e assédios diversos, o levaram a contratos milionários. Cassius Clay tinha uma incrível rapidez e agilidade para seus quase 1,90 m e 85 kg. Seu talento natural para boxear com arte o fez declarar: “eu flutuo como uma borboleta e pico como uma abelha”. Seu jeito falastrão e debochado com seus adversários e críticos, lhe trariam problemas mais tarde.

Cassius Clay faz Sonny Liston dormir
Em 25 de fevereiro de 1964, aos 22 anos de idade, para o espanto geral, o jovem Cassius “fanfarrão” Clay, derrotou o campeão Sonny Liston no 7º round por nocaute, em luta válida pelo título dos pesos-pesados pela WBA/WBC, conquistando seu primeiro título profissional na categoria. Depois da conquista surpreendente, anunciou sua fé ao Islã e renega seu nome de batismo, que dizia ser “nome de escravo” e muda seu nome para Cassius X, em homenagem ao seu mentor, o líder social e político, Malcom X.
Ali e o cantor de soul, Sam Cooke
Infelizmente, a seguir, Cassius X é pego de surpresa no dia 11 em dezembro de 1964, quando seu amigo e cantor Sam Cooke, foi assassinado aos 33 anos num motel em Los Angeles por uma mulher. A situação nunca foi totalmente esclarecida. Cassius compareceu ao funeral do ídolo da soul music e também ativista político, Sam Cooke.
Sonny Liston tentou recuperar o cinturão no ano seguinte, mas foi derrotado por Clay no 1º assalto na revanche. Cassius X defendeu o título por 9 vezes com sucesso até o ano de 1967, mas em decorrência de seu envolvimento com os movimentos sociais que exigiam liberdade, igualdade e direitos civis para a comunidade negra e sua proximidade à líderes negros como Malcom X, Elijah Muhammad (líder da Naçao Islã), Martin Luther King (pastor batista) e flertes com o movimento Black Power, o “tio sam” trama uma forma de parar com a crescente popularidade do jovem boxeador. Cassius foi convocado para servir o exército dos EUA na Guerra do Vietnã, mas ele se recusou a servir, entendendo que a convocação era uma armação do governo americano para enfraquecer o movimento pelos direitos civis dos negros, já que ele (Cassius) já era uma membro importante da Nação Islã, que era anti-americana e sonhava com poder e territórios independentes para os negros. Cassius justificou sua recusa em servir alegando que vietnamita algum o teria feito mal ou o chamado de negro; além de que, matar, contrariava sua fé. Sua rebeldia lhe custou simplesmente uma campanha difamatória nacional, acusações públicas de traidor da pátria, transformando-o de herói do boxe mundial para inimigo público número 1 dos Estados Unidos da América. Tudo isso acrescido também de multa de 10.000 dólares, 5 anos de prisão (amenizado por ações de advogados) e do título mundial cassado. No período que esteve inativo, Cassius X muda de nome para assumir definitivamente aquele que o tornou conhecido mundialmente, Muhammad Ali, em referência agora, ao líder dos black muslims (pretos muçulmanos) da Nação Islã.

Ali e o líder Malcom X
Em 21 de fevereiro de 1965, outro duro golpe para Ali, Malcom X, que havia deixado a Nação Islã por divergências com seu líder Elijah Muhammad, é brutalmente assassinado com vários tiros de calibres 38 e 45, a maioria no coração, na sede de sua Organização para a Unidade Afro-Americana. Ele tinha apenas 39 anos, morreu na frente da esposa e filhos.
Outro duro golpe para a comunidade afro-americana foi a morte do pastor protestante e ativista político, Martin Luther King, a tiros num hotel em Memphis, no Tenessee, em 04 de abril de 1968 aos 39 anos. King iria para uma marcha de protesto pouco antes do assassinato, a cidade era e ainda é um reduto sulista de segregacionistas brancos.
Muhammad Ali passou por três anos e meio sem conseguir lutar, mas graças à força dos contatos estratégicos na mídia televisiva associados a um marketing bem feito, a Suprema Corte reviu a decisão e libera Ali da punição. Ele retorna em luta oficial contra Jerry Quarry no dia 26 de outubro de 1970. Ali venceu o embate por nocaute no 3º round. Em seguida derrotou Oscar Bonavena no 15º round por nocaute técnico, retendo o título dos peso-pesados pela NABF em 07 de dezembro do mesmo ano.

As seis pedras no caminho de Ali
Em 08 de março de 1971 Ali tenta unificar o títulos dos pesados contra o boxeador que se tornaria seu maior rival, Joe Frazier. A luta se realizou no Madison Square Garden em Nova York, com cada lutador recebendo US$ 2,5 milhões, um recorde na época. A luta foi emocionante e equilibrada. Frazier partia para cima com tudo, parecia estar mais obstinado pela vitória e Ali tentava em vão dançar em torno do adversário e jabear e, por muitas vezes, se via acuado nas redes. Ali foi surpreendido finalmente com um gancho de esquerda no 15º round, caiu e se levantou rápido, aparentemente sem acusar o golpe, mas a decisão dos jurados foi unânime...Ali perde para Frazier por pontos.
Após esta inesperada derrota, Ali prosseguiu realizando a seguir mais 10 combates com êxito, vencendo todos por pontos ou por nocaute, de 1971 a 1973.
Ainda em 1973, outra derrota, desta vez para Ken Norton em 31 de março de 1973. Desta vez Ali perderia a luta e o título da NABF. A decisão foi por pontos e não foi unânime. Ali teria lutado os 12 assaltos com o maxilar fraturado. Abrindo um parêntese, Bruce Lee morreria em 20 de julho de 1973 após concluir as filmagens de Operação Dragão (Enter The Dragon) pela Warner Bros.
Em seguida, no mesmo ano, Ali enfrenta Rudi Lubbers e vence por decisão unânime na Indonésia.
Em 28 de janeiro de 1974 vem a esperada revanche contra Joe Frazier em New York. Ali recupera o título pela NABF numa luta de 12 rounds por decisão unânime e recupera seu prestígio.
Mas Ali sabia que o cinturão que lhe traria de volta o respeito mundial era o da WBA/WBC que estava em poder do temível George Foreman (o “Mike Tyson” da época). Foreman (atualmente pastor batista) era forte igual a um touro e tinha a simpatia e apoio dos conservadores brancos americanos, que queriam não só a derrota de Ali, mas também o fim do que ele representava perante a comunidade afro-americana com suas idéias anti-americanas. Assim, para Ali que já estava com 32 anos, a luta não seria simplesmente pelo cinturão, estava em jogo também sua fé, sua luta pela liberdade, igualdade e direitos civis para os negros e, sobretudo, era mais uma oportunidade de superação pessoal. Abrindo outro parêntese, se o 11 de setembro tivesse ocorrido na época do Ali militante, seu fim certamente seria numa fogueira no Central Park, em New York, onde seria julgado e executado como terrorista e apoiador da guerra santa de Bin Laden.
Voltando ao grande confronto, foi então acertado a chamada “Luta do Século” para o dia 30 de outubro de 1974. Após estudos e estratégias de marketing, foi escolhido o Zaire, na África, para o local do confronto épico. Foi na verdade, além do próprio espetáculo de boxe, um evento cultural afro-americano, com apresentações de vários grupos africanos e norte-americanos com B. B. King e James Brown, registrados em documentário de 1997, intitulado When We Were Kings (Quando Éramos Reis – no Brasil).
Ali na "luta do século" contra Foreman
A luta foi emocionante, a maioria dos apostas acusavam vantagem de 3 por 1 para Foreman, todos respeitavam a coragem e a audácia de Ali com seu carisma iluminado, mas na verdade se preocupavam a ponto de temer pela sua morte no confronto. Mas não foi bem assim, Foreman partiu para cima, tentou mantê-lo preso às cordas e o manteve assim na maioria dos assaltos. Ali parecia não ter condições para reagir. Ele bloqueava, abraçava e empurrava Foreman enquanto falava graçinhas no seu ouvido do tipo “é só isso que pode fazer?”. Foreman que parecia não parar de desferir seus golpes até Ali cair, cansou e, no 8º round, recebeu o contra-ataque, ou melhor, a picada da abelha. Caiu e não conseguiu se levantar antes da contagem final. Ali recupera seu título pela segunda vez. O público presente festejou mais do que nunca, a vitória foi deles também, Ali os estava representando naquele tablado. Ele era a encarnação da esperança, superação e conquista daquele povo miserável e sofrido. Ali fez mais três lutas após o embate com Foreman, vencendo-as com facilidade. Em 1º de janeiro de 1975, um novo confronto com Joe Frazier, agora nas Filipinas. O combate foi denominado “The Thrilla In Manila”. Ali o enfrentava pela terceira vez. E deu Ali novamente. Nocaute técnico no 14º round. Na melhor de três Ali venceu por 2 a 1.
Seguiram-se mais 3 lutas com Ali saindo-se vencedor, até que tornou a se encontrar nos ringues com Ken Norton em 28 de setembro de 1976, no Bronx, em New York. Nessa outra revanche, Ali também vence por decisão unânime, mantendo seu cinturão de campeão mundial dos pesados pela WBA/WBC.
Mais duas lutas vieram em 1977 e ele mantém o título. Aí chega o fatídico ano de 1978, mais precisamente em 15 de fevereiro, quando ele põe seu título da WBA/WBC novamente em jogo contra o jovem desconhecido Leon Spinks em Las Vegas, na Califórnia. Ali perde por decisão não unânime após 15 assaltos. Talvez o veterano boxeador de 36 anos estivesse pesado e lento demais para flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha.
Mas Muhammad Ali não pensava em desistir tão fácil, apelou para uma revanche que foi marcada para o mesmo ano, no dia 15 de setembro em New Orleans, em Louisiana. Foram mais 15 assaltos de batalha contra o jovem Spinks que parecia não acreditar na determinação de Ali que o venceu por pontos em decisão unânime. A conquista foi comemorada como um fato histórico e inédito no mundo do boxe, pois nenhum boxeador havia recuperado um título mundial por três vezes. Ali poderia ter encerrado sua carreira após esse confronto com Spinks, tendo se retirado como um eterno campeão honrado.
O título da WBA ficou vago em 1979 e, em 1980, após quase dois anos inativo, Ali aos 38 anos perde o título da WBC para Larry Holmes por nocaute técnico ao abandonar a luta no 10º assalto em Las Vegas no dia 02 de fevereiro. Nesta luta polêmica, quatro anos antes de anunciar que sofria do Mal de Pakinson, Ali já demonstrava alguns indícios físicos da doença. Estava visivelmente mais lento e com os reflexos comprometidos. E o que pesou bastante para sua derrota segundo especialistas, foi sua repentina perda de peso para a luta. Perdeu 15 kg em poucas semanas para estar apto para o combate. O sacrifício lhe deixou mais fragilizado, sem poder de punch e sem vitalidade, apesar de continuar a provocar Holmes com deboches durante todo o evento. Os sintomas iniciais do Mal de Parkinson em Ali tinham sido diagnosticados erroneamente dias antes da luta, foram confundidos como alterações da tireóide. A luta estava se tornou um massacre, Holmes acuava um Ali totalmente sem reação nas cordas, assim Angelo Dundee, técnico de Ali, não teve dúvidas, poupou seu lutador interrompendo a luta.
Ali torna a perder a próxima no ano seguinte para o canadense Trevor Berbick por decisão unânime, em Nassau, nas Bahamas, no dia 11 de dezembro de 1981. O confronto foi denominado “Drama nas Bahamas” e bota drama nisso. Ali teimava em lutar sem condições físicas ideais para fazê-lo. Os sintomas do Mal de Parkinson estavam cada vez mais evidentes, na coletiva para a imprensa e pesagem oficial antes da luta, Ali estava apático, falava baixo, não era mais aquele célebre falastrão carismático, seus olhos estavam sem brilho e se movimentava com certa lentidão. Todos em volta fingiam em não perceber, estavam querendo ver o campeão em ação de novo custe o que custasse. A luta foi marcada para as Bahamas porque certamente em território norte-americano não seria autorizada devido às condições clínicas de Ali. Apesar de toda dificuldade, ele fez uma luta equilibrada com o jovem Berbick, que não teve competência para derrubar a legenda da boxe. Após o absurdo nas Bahamas, Ali reconheceu ou foi convencido que era hora de parar. Como seu treinador, Angelo Dundee, mesmo disse depois do confronto nas Bahamas: “Muhammad Ali continuou a lutar, porque é isto que queria fazer. Ele não conseguia se afastar do boxe”.

Ali, portador do Mal de Parkinson, com Will Smith
Finalmente, em 1984, foi diagnosticado oficialmente em Ali, o Mal de Parkinson, do qual ele sofre até hoje aos 68 anos de idade. Após sua aposentadoria Ali passou a se dedicar à ações pela paz mundial e tolerância entre os povos e entre as religiões. Com a criação do Muhammad Ali Memorial em Louisville, KY, passou a apoiar pesquisas para a cura dos acometidos da mesma doença que o aflige. Ali foi indicado para o prêmio Nobel da Paz pelo seu esforço em criar também a Assembléia Geral das Crianças, ligada à ONU. Ali atualmente trata a sua doença com um trabalho que está sendo desenvolvido em Israel, através de experiências com células tronco adultas.
Ali, com sua filha Laila, também boxeadora
Em 1996, Muhammad Ali acendeu a pira olímpica dos jogos de Atlanta, nos EUA. Foi eleito o “Esportista do Século” pela revista americana Sports Illustated em 1999. Vários livros já foram escritos relatando sua biografia e suas proezas e, em 2001, o ator afro-americano, Will Smith, interpretou o maior boxeador de todos os tempos no filme, “Ali”. Constantemente Muhammad Ali é lembrado e homenageado, inclusive por seus eternos rivais no boxe, em eventos esportivos diversos nos EUA e no mundo. Ele foi mais que um boxeador, foi simplesmente o melhor de todos, mas também foi ídolo de toda uma geração oprimida e sem esperança de vitórias. E independentemente da cor da pele, foi não só um visionário no esporte, mas também na política social e libertária. Viva Ali!
 
Reflexão sobre Muhammad Ai
Essencialmente todos ser humano tem a necessidade de se expressar e de se comunicar com os outros. O modo de fazê-lo poder ser de várias maneiras, através das artes em geral (pintura, teatro, música, etc.), dos esportes (futebol, basquete, natação, boxe, etc.), das ciências, da política, ou simplesmente da oratória. Não basta ter o dom guardado para si mesmo, há uma necessidade de transmiti-lo aos outros, talvez como uma busca de auto-conhecimento, reconhecimento de si próprio ou dos outros, ou pela busca da auto-aceitação confirmada pela reciprocidade do que se faz, na medida em que se percebe a empatia dos que te vêem, te assistem e te escutam.
Ali era um homem abençoado por Deus, tinha o dom da oratória, na maioria das vezes falava em quantidade, mas quando falava com qualidade, suas palavras eram contundentes como seus punhos ao dirigi-las para a defesa dos direitos civis e liberdade de expressão para seus irmãos afro-americanos.
Da mesma forma nos ringues, ele se expressava magnificamente flutuando como uma borboleta e picando como uma abelha, com a rapidez e poder dos seus punhos e sua elegante movimentação nos tablados.
Foi triste e irônico a carreira de Ali se acabar com os sintomas daquela doença degenerativa. O Mal de Parkinson simplesmente lhe tirou seus maiores atributos, a oratória e o boxear com arte.
Talvez fosse uma punição de Deus, já que Ali com seu espírito rebelde e contestador, poderia ter chegado ao ponto de pensar no alto de sua auto-suficiência que não dependeria mais do Senhor para vencer seus obstáculos. Depender Daquele, que pela minha fé e de milhões de cristãos pelo mundo, se entregou como um cordeiro ao sacrifício por todos nós.
As imagens de Jesus Cristo de olhos azuis, cabelos loiros e pele branca, pintadas pelo pai de Ali, ficaram fixadas em sua mente inconformada que não aceitava o deus branco feito para os brancos, assim Jesus foi substituído por Maomé de pele parda, morena ou quase negra. Era o deus apropriado para ele e seus irmãos de cor que lutavam pelo movimento anti-segregacionista.
Apesar de evidências históricas confirmarem que a pele de Jesus estar mais para negra do que para branca, é certo que não podemos nos prender ao detalhe da cor da pele do Salvador, pois seja Ele branco, preto, vermelho ou amarelo, veio para todos nós que o reconhece como único e verdadeiro messias, o legítimo Filho de Deus. Que Deus abençoe a Muhammad Ali. Amém!

Por Eumário J. Teixeira.

2 comentários:

  1. Parabéns Eumário ótima postagem, muito bem detalhada e que Deus te abençoe!

    ResponderExcluir
  2. Acompanhei toda a trajetória deste Gigante do Esporte dos Reis, o BOXE, que, se bem estiloso, se parecia com um Ballet, tamanha a técnica dos contendores, como, Floyd Pattersson, Larry Holmes, Joe Frazier, George Foreman, e, o Maior de todos, creio, que, guardadas as diferenças de Categoria, maior e mais técnico do que Sugar Ray Robinson, contemporâneo da última esperança Branca, à época, Rocky Marciano, morto em acidente aéreo...Mas, vê-lo em Ação, a Cassius Marcellus Clay, primeiro, ativista sem amarras, na luta pelos Direitos Civis dos Negros Americanos ao lado de Lendas como Martin Luther King, Malcom X e Ângela Davis, dos Pink Panthers, e, os, dois mencionados antes, ambos assassinados, pela Sanha da Ira Racista...Ainda que lhe tenham tirado o Cinturão, pois, recusara-se a tomar parte em Guerra, de que, não se sentia sem um pouco responsável, o Vietnã, fincara pé e adotando o ISLÃ, abraçara, ademais, outro nome à batizá-lo, assim, pela segunda vez, "MUHAMMAD ALI ", o obsessivo destruidor de Mitos e Iconoclasta até à Medula...Jamais será esquecido, pois, a História, não tem por hábito, esquecer de seus autênticos Heróis...

    ResponderExcluir