11 de abr. de 2013

PAUL WASHER - O QUE É SER OU NÃO CRISTÃO

Paul Washer no auditório do Mackenzie, em São Paulo
Essa é mais uma transcrição de parte da palavra do missionário norte-americano Paul Washer por ocasião da II Conferência Cristianismo e Modernidade aos universitários cristãos na Universidade presbiteriana Mackenzie, em outubro de 2012. As palavras de Washer foram traduzidas simultaneamente pelo Bacharel em Teologia e Reverendo Presbiteriano, Heber Campos Jr.. A pregação de Washer se encontra na íntegra no You Tube sob o título “Paul Washer – II Conferência Cristianismo e Modernidade – Partes 1 e 2”.

Paul Washer: Talvez você não esteja consciente disso, existe um lugar onde você está mencionado nas escrituras, onde falam especificamente de você. Um profeta (João em Patmos) olha para o futuro e ele vê você. Não só um aglomerado de pessoas, ele vê você. Cada um de vocês. Eu quero ler um texto para você. Há um único lugar na Bíblia onde você é especificamente mencionado. Ouça: Apocalipse 20:11-12 – “E vi um grande trono branco, e o que etava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos...”, eles (os mortos) são vocês. Ele viu você. Naquela visão profética ele viu cada um de vocês, cada rosto, você que está sentado aí, ele viu você. Você é chamado de ‘morto’. É dito o seguinte: “ E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” – Apocalipse 20:11-15. É da Bíblia este texto, você deve achar que sou um puritano que deveria ter morrido há muito tempo atrás. Você acha que eu sou um pregador fundamentalista que quer amedrontá-lo, eu acho que as minhas credenciais acadêmicas são altas o suficiente para estar aqui. Mas se ainda minhas credenciais fossem ainda melhores eu ainda diria o que já disse. Porque não importa se isso te amedronta ou não, se isso te faz rir ou não, pois nada muda o fato de que isso é verdadeiro. Você é visto nas escrituras e lá você está morto e é julgado.Eu tinha pregado anteriormente (ver a parte 1 da II Conferência no You Tube) sobre Cristo morrendo no calvário e muitos saíram daqui, tenho certeza, como muitos de vocês sairão por essas portas e esqueceram do que foi dito. Jesus Cristo descreve esse tipo de pessoa, ele disse que o diabo vem e rouba as palavras de seus corações para que eles não creiam (Mateus 13: 4 e 19). Suas mentes estão cheias de tantas coisas desnecessárias, tantos pensamentos sobre si próprios, tão cheios de vaidade e desejos por diversão..., mas aqui hoje à noite estamos falando de eternidade, algo que vai acontecer. E não se iluda, você pode se esquecer desse momento, mas isso vai ser trazido de volta à sua mente no dia do juízo, e você vai perceber que um dia, um homem ficou diante de você e assumiu um risco enorme, pois ele ousou dizer a você, a verdade!

Paul Washer e Rev. Heber Campos Jr.
 A pergunta é: O que você vai fazer com ela? Vamos ao livro de Mateus capítulo 7 e estudar seu contexto. Mas se você olhar antes, em Mateus 5:1,2 está escrito: “E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; e, abrindo a sua boca, os ensinava dizendo: ...”. É estranho que Mateus usasse a palavra ‘monte’ aqui. Se você fosse naquela região da Palestina, você perceberia que não dá para chamar aquela região de montanhosa. Mas ele usa aquela palavra de propósito, Mateus estava escrevendo para judeus. Quando ele mencionava a palavra ‘montanha’, eles logo pensavam no Monte Sião. Por que era importante? Porque foi no monte Sião que a maior revelação de Deus havia sido dada, onde Deus deu à Moisés a sua lei (Deuteronômio 5:6-21).
O livro de Hebreus 10:26-29 nos diz uma coisa muito importante: “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não nos resta mais sacrifício pelos pecados. Mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” No monte Sião, Deus deu a Moisés a lei, a ‘montanha’, o ‘monte’. E aqui no capítulo 5 de Mateus, Deus está nos dizendo algo espetacular. Nós temos um outro monte no qual Deus vai revelar sua verdade. E agora não é a lei de Deus mediada pelos anjos aos homens. Nessa Montanha em Mateus 5, Deus desce em carne, na pessoa de Jesus Cristo de Nazaré.Se você perceber o contexto, é muito majestoso. No verso 2 (de Mateus 5): “E, abrindo a sua boca, os ensinava dizendo: ...”, isso aqui não é comum aos Evangelhos. Por que é apresentado dessa forma? Ele estava tentando descrever a majestade e singularidade deste momento. Deus veio a nós em carne, agora ele abre a sua boca e começa a nos dizer quem Ele é e o que Ele exige de nós. Agora pense nisso aqui: Hebreus 10:26-29 nos diz, que quebrar a lei dada à Moisés é morrer. Quanto mais severa será a punição que virá sobre aquele que pisoteou o sangue do Filho de Deus?
Isso aqui é muito importante. O que as escrituras estão exigindo de você é que com respeito à pessoa de Jesus Cristo, você não pode ficar neutro! As escrituras não permitem. Você não pode ficar por aí apenas dizendo coisas boas Dele e não ser a favor Dele. Isso é ser contra Ele.
O Brasil pode se considerar um país cristão, mas isso não significa nada. Por quê? Porque eu sou de um país cristão (de maioria protestante) que mata 4 mil bebês por dia (abortando fetos de até 9 meses) e que contamina o mundo com sua corrupção moral. Você pode se achar de certa forma um cristão, mas a não ser que Jesus Cristo seja tudo para você, não és realmente um cristão.
Uma das coisas que os universitários frequentemente fazem é que eles vão falar bem de religião, eles vão falar bem de Jesus, eles vão falar assim: “Eu acho que Ele foi um bom homem, se você quiser seguí-lo, tudo bem!”. Sabe por que você diz coisas assim? Porque você cresceu à base de televisão, você não leu livros com mais de 1.000 páginas e porque não te ensinaram lógica no ensino médio. Assim não dá para falar bem de Jesus, é impossível. 
Uma vez, C. S. Lewis disse o seguinte: “Você tem três opções em relação à pessoa de Jesus Cristo. E é só isso. Ou Ele foi um mentiroso, ou um louco, ou realmente o Filho de Deus”
1ª opção: Ele foi o maior de todos os mentirosos, porque ele disse que era o Filho de Deus e Ele sabia que não era. E Ele enganou a maior parte da humanidade no decorrer da história. Você está disposto a dizer isso? Se você está, pelo menos há uma certa integridade intelectual em você. Mas eu posso dizer que Ele não viveu e ensinou a mentira.
2ª opção: Ele era louco, um lunático. Porque qualquer pessoa que crê que é o Filho de Deus e não o é, não importa sua sinceridade, é um lunático. Eu entendo que esse tipo de lógica não se sustenta em seu mundo pós-moderno. Você tem que se divertir..., alguém comprou um novo aparelho de celular ou um novo Tablet que saiu, e tem um filme legal para assistir..., e tem ainda essa pessoa na história que não importa se você o ama ou o odeia..., mas ninguém afetou a história da humanidade como Ele, ninguém fez as alegações que Ele fez, nunca ninguém fez o que Ele fez, e você está pensando apenas em se divertir.
Você pode dizer que não tem certeza da existência de Deus, por quê então você não investiga a verdade mais importante para a humanidade? Você prefere festejar? Ou talvez correr atrás de uma profissão? Não estou dizendo isso para te machucar...estou dizendo isto para te acordar.
Para que tudo isso? Você nasce, é educado, trabalha, aposenta, morre. Eu tenho 51 anos de idade, ontem eu tinha sua idade, amanhã você vai ter a minha idade, e no final, todos morreremos. E você quer pensar apenas em coisas pequenas? Eu quero dizer a vocês que a verdade mais importante é: Quem é Essa pessoa?
Mas por favor, pare de falar bem Dele. Seja ousado para dizer que Ele é mentiroso e amaldiçoe-o. Chame-o de lunático e goze dele. Por falar nisso, se você fizer isso, você tem que jogar fora todas as suas virtudes, porque elas vêem Dele. Você terá que se tornar um animal sem regras, sem ética, você não poderá dizer que Hitler estava errado, porque no seu mundo pós-moderno é apenas sua opinião, onde todos estão certos. Pense, pense..., quem é Essa pessoa de Jesus Cristo?
3ª opção - Eu creio que Ele é o Filho de Deus, o eterno Filho de Deus que se tornou homem, que andou nessa terra, viveu uma vida perfeita, e foi para a cruz, para fazer o quê? Foi para satisfazer a justiça de Deus. Por quê era necessário? Porque Deus na sua justiça tem que julgar você e a única forma de você ser liberto é com o pagamento de seus pecados sendo feito. Deus se tornou homem e tomou o seu lugar, Deus pagou pelo seu crime. E agora você pode se reconciliar com Deus através da fé em Jesus Cristo. 
Vamos a Mateus 7:13,14: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.”

1 de abr. de 2013

PAUL WASHER ADVERTE SOBRE OS FALSOS PROFETAS DA TV BRASILEIRA


Em sua passagem pelo Brasil no mês de outubro de 2012, onde pregou na Conferência Fiel organizada pela Igreja Batista em Águas de Lindóia-SP e na Denominação Petencostal da Assembléia de Deus de Bonsucesso-RJ, o missionário Paul Washer não perdeu a oportunidade para falar também aos jovens universitários da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Exortando os estudantes cristãos sobre a condição da nossa natureza pecadora e o nosso envolvimento pernicioso com a cultura deste mundo, que cada vez mais nos afasta de Deus, Washer ainda falou um pouco sobre a proliferação dos falsos profetas por todo o planeta, onde ganham cada vez mais espaço na mídia atraindo pessoas fragilizadas para as falsas promessas de prosperidade, curas, exorcismos e outros “milagres”, como se o próprio Deus estivesse à nossa disposição 24 horas por dia, como um “mordomo divino”, pronto para realizar todas nossas vontades. É triste saber, que apesar de muitos ouvirem a palavra de Washer, poucos realmente vão ter o discernimento para constatar a sua própria miséria espiritual e a realidade do cristianismo no Brasil e no mundo. E como Washer sempre declara, os nossos falsos pastores, que não passam de lobos em pele de ovelha, foram formados pelos seus conterrâneos norte-americanos, num país tradicionalmente protestante, mas que também originou inúmeras seitas lideradas por mestres enganadores. Nosso Brasil de maioria cristã, dividido entre católicos e evangélicos, o engano não fica para trás, nós temos nossos lobos vorazes, basta ligar a TV para ver diariamente os profetas da prosperidade em ação e as celebridades do gospel business fazendo escola; e não é preciso citar aqui seus nomes, eles já estão na boca do povo. Só não discernem suas heresias quem realmente está cego ou surdo, espiritualmente falando.  

E Deus nos alerta, como está escrito em Colossenses 2:8 “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;” e ainda amaldiçoa os falsos pastores que não ensinam o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo, em Oséias 4:6,7“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitasse o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Como eles se multiplicaram, assim pecaram contra mim; eu mudarei a sua honra em vergonha.”

Eis aqui a transcrição de parte da dura palavra de Paul Washer aos universitários, precisamente no trecho em que ele se refere aos pastores enganadores.  O sermão pronunciado em inglês, foi  traduzido simultaneamente pelo Bacharel em Teologia e Reverendo Presbiteriano, Heber Campos Jr.. Acorda Igreja!!!


Paul Washer:
“...Jesus predisse, os apóstolos predisseram isso em seus escritos, de que no decorrer da história, a Igreja seria bombardeada por falsos profetas. E eu quero te dizer uma coisa: o Brasil está cheio de falsos profetas e o meu país também. Na verdade, a maior parte dos falsos profetas do Brasil foram treinados pelos falsos profetas dos Estados Unidos. O seu deus é o seu ventre, a sua glória é a sua vergonha, eles pregam a prosperidade, mas eles são os únicos que prosperam. Eles pregam cura para manipular aqueles que estão com dores, mas o que eles não fazem é viver corretamente. Eles não pregam a justiça (de Deus), e sobretudo para eles, Cristo e o Evangelho são muito pequenos. Eles pregam sobre Deus, como se Ele fosse um “grande mordomo do universo”, que existe para te servir ou como se Ele fosse uma “máquina de comprar salgadinhos”, onde se coloca lá uma moedinha e você pode pegar o que quiser. E a coisa mais triste, é que esses falsos profetas prosperam, em parte, porque eles dizem às pessoas o que elas querem ouvir: ‘Você pode ter esse mundo e o céu também’. Eles dizem que você pode viver erroneamente contra os princípios de Deus e ainda assim ser recebido no céu. Mas eu quero que vocês saibam que isso é uma mentira. Ouçam-me jovens, o seu melhor amigo é aquele que te diz a verdade maior. Vocês não sabem, mas eu ando em campus de universidades, as pessoas zombam, dão risadas, me odeiam, escrevem em seus blogs contra mim...por que eu estou aqui? Porque isso é verdade: Haverá o Dia do Juízo e você vai estar perante Deus. E se você não estiver revestido da vida de Cristo, você não terá nada. E se Cristo não estiver em sua vida, você irá experimentar uma eternidade de morte. Eu estou aqui porque tem tantos enganadores que vão alimentar sua carne e que vão lhe oferecer um cristianismo fácil..., mas estou aqui para te dizer: Não! Você tem que confiar Nele. Ele (Jesus Cristo) tem que ser o centro de todas as coisas ou Ele não é nada.”
Mateus 7:15-23“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má, produz frutos maus. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim; vós que praticais iniquidade.”

Nota: Os sermões de Paul Washer estão disponíveis na íntegra no You Tube, basta procurar por “Paul Washer na II Conferência Cristianismo e Modernidade”, partes I e II.

Por Eumário J. Teixeira                                                                                

MAGIC SLIM MORREU, O AUTÊNTICO BLUES DE CHICAGO ESTÁ DE LUTO

MAGIC SLIM - 1937/2013

Ainda está em tempo, mesmo que seja uma má notícia, mas o fato não pode passar desapercebido para quem curte a boa música. Venho então informar a quem não sabe, que o blues está agonizando com mais um duro golpe, na verdade, não só o blues mas, repito,  a boa música sofre mais uma grande perda, com a passagem de Magic (Morris Holt) Slim no início de 2013. Magic Slim não teve grande fama como seus contemporâneos e guitarristas mais concorridos como Buddy Guy, Magic Sam, Otis Rush, Luther Allison ou Freddy King, na era de ouro do blues elétrico durante a metade anos de 1950 até meados da década de 1960 e vale lembrar que estas lendas do blues surgiram graças à explosão revolucionária dos mestres Muddy Waters e Howlin’ Wolf, os responsáveis diretos pela eletrificação do blues em grandes centros urbanos, principalmente na cidade industrial de Chicago. Magic Slim "comia pelas beiradas" e apesar de ter tocado inicialmente baixo elétrico na banda de seu grande amigo Magic Sam (responsável pela alcunha “Magic Slim”) no início dos anos de 1950, Slim só viria a se destacar depois de formar sua própria banda e empunhar definitivamente uma guitarra elétrica. 

O  ainda jovem Morris "Magic Slim" Holt

Magic Slim nasceu no ano de 1937 em Grenada, no Mississipi. O jovem Morris Holt se interessou a princípio pelo piano, mas graças a um acidente com uma máquina de colher algodão que o fez perder o dedo mínimo da mão direita, ele foi obrigado a adotar a guitarra acústica.
Aos 18 anos foi para Chicago e foi convidado pelo companheiro de luta e lendário guitarrista, Magic Sam (Samuel Maghetti), para tocar baixo em sua banda. Como Slim não teria se entrosado com os outros componentes do grupo, retorna ao velho Mississipi e recorre ao seu irmão Nick que assumiu o baixo elétrico, com ele a guitarra e mais um baterista, formando assim a primeira versão dos Teardrops no início dos anos de 1960.
Uma das características mais notáveis de Magic Slim foi sua simplicidade, apesar do inseparável chapéu texano, de seus 1,98m e corpanzil forte, ele somava ao seu carisma, muita simpatia, bom humor e desapego ao estrelismo; além disso, Magic Slim tinha uma técnica de tocar ímpar, que unia o slide e o vibrato, o que lhe proporcionava um som econômico e sem virtuosismos de sua guitarra, mas que alcançava no tempo certo e preciso o clímax necessário para um blues balançante. 

Slim representava o autêntico blues de Chicago
Nas décadas de 1970, 80 e 90, os ícones do blues elétrico iam desaparecendo aos poucos, e o gênero começava a cambalear enfraquecido. Coube a figuras como Magic Slim segurar a onda, inspirando os jovens em todo o mundo que não tiveram a oportunidade de escutar o autêntico blues elétrico de Chicago. E ele cumpriu sua missão com competência, gravando mais de 30 discos e fazendo shows por todo o mundo, inclusive vários deles no Brasil, encantando a todos por sua simplicidade, simpatia e o som contagiante dos Teardrops.
Magic Slim soube manter a chama do velho blues acesa, agora com mais essa perda, poucos dos grandes nomes ainda resistem na caminhada como Buddy Guy, Otis Rush, Joe Louis Walker, Billy Boy Arnold e B. B. King.
Nos últimos anos, Magic Slim era obrigado a se apresentar sentado devido a problemas com o seu quadril, que somado à sua idade avançada e vida sedentária, também sofria com outras complicações com os pulmões e coração, graças seus vícios de fumar e de beber garrafas inteiras de Jack Daniel’s, sem contar com o sobrepeso e sua resistência à uma dieta controlada certamente recomendada pelos médicos. Mas mesmo com tantos problemas físicos, a qualidade de suas últimas apresentações e discos (ou cds) se mantiveram em alta qualidade. 

Magic Slim, carisma e simplicidade
Os discos de Magic Slim são a meu ver todos recomendados, não se deve procurar neles nenhuma pitada de genialidade ou inovação, mas com certeza se achará em suas gravações e shows, muito profissionalismo, competência, entrega, garra e o que blues mais oferece, balanço e muito ‘feeling’. Posso citar dentre o muitos de sua boa discografia: Highway Is My Home (1978); Grand Slam (1982); Raw Magic (1983); Black Tornado (1998); Blue Magic (2002); Midnight Blues (2008) e Bad Boy (2012).

Infelizmente no dia 21 do mês de fevereiro de 2013, Magic Slim faleceu em decorrência  do agravamento de seus vários problemas de saúde, com o comprometimento dos pulmões e rins e sangramento de úlcera, que o obrigaram a abandonar uma turnê no mês de janeiro deste ano para se tratar. Se queixando de dificuldades para respirar, Slim foi internado num hospital na Filadélfia, na costa leste dos Estados Unidos, mas acabou não resistindo e partindo aos 75 anos. A mágica do blues jamais será mais a mesma. God, have mercy...

Capas de alguns cds de Magic Slim

 Por Eumário J. Teixeira. 

17 de mar. de 2013

ALVIN LEE, O GUITARRISTA MAIS RÁPIDO DO MUNDO, MORREU!



Ele foi o guitarrista de blues & rock mais rápido do oeste. Ele portava uma Gibson vermelha 335 e ninguém se atrevia a  desafiá-lo. Seu nome era Lee...Alvin Lee. Mais um herói da guitarra desapareceu se integrando definitivamente à  galeria dos maiores e imortalizados guitarristas da história do rock. Que Deus tenha misericórdia de sua alma. 

"I'm going home"...

Alvin Lee, guitarrista, vocalista e compositor britânico nascido em 19 de dezembro de 1944. Em meados dos anos de 1960, o jovem Alvin Lee integrava a banda Jaybirds, com ele na guitarra, Leo Lyons no baixo e Ric Lee na bateria. O trio cumpriu a mesma trilha inicial dos Beatles  se apresentando em todos os pubs londrinos possíveis, até chegarem ao Star club em Hamburgo, na Alemanha. Mais tarde o empresário Chick Churchill assumiria os teclados e a mudariam o nome da banda para Ten Years After. Na segunda metade da década de 1960, começam a se destacar nos clubes londrinos mais importantes como o Marquee, com apresentações vibrantes e detonando temas de blues & rock. Nessa epóca, Alvin Lee deu um empurrãozinho para o recém formado Black Sabbath, agendando uma apresentação essencial para o futuro da banda de Tony Iommi e Geezer Buttler no Marquee. Com o álbum ao vivo no London’s Klookskleek Club foram finalmente notados na America e convidados para tocar no Fillmore East. E no auge da revolução psicodélica, a eletrizante performance de Lee no festival de Woodstock em 1969, obteve grande destaque, principalmente durante sua explosiva versão ao vivo para “I’m Going Home”. Após o sucesso em Woodstock, o Ten Years After fez inúmeras apresentações pelos Estados Unidos, tornando-se uma das bandas mais queridas por lá. Em 1974, o Ten Years After se dissolveu e Alvin Lee investiu numa carreira solo lançando bons discos com o apoio e participação de amigos renomados como George Harrison e Eric Clapton. Nos anos 80 Alvin Lee retornaria com um novo Ten Years After. Alvin Lee faleceu no dia 06 deste mês de março de 2013, na Espanha, em decorrência de uma cirurgia de rotina mal sucedida e em circunstâncias não esclarecidas pela família, aos 68 anos. Seu último trabalho foi o CD Still On The Road To Freedom, de 2012. 

Os discos Ten Years After são todos indispensáveis, mas posso citar: Ten Years After (1967), Stonedhenge (1969); Ssssh (1969); Cricklewood Green (1970) e Space In Time (1972). Na carreira solo de Alvin Lee, se destacam On The Road To Freedom (com Mylon LeFevre - 1973);  e In Flight (1974). Alguns temas de sucesso de Alvin Lee & Ten Years After além de “I’m Going Home”, foram “Good Morning Little School Girl”; “I Woke Up This Morning”,  “Help Me”; “Slow Blues In ‘C’ ”; “Hear Me Calling”; “Love Like a Man”; “Positive Vibrations” e “I’d Love To Change The World”. 
 
Capas dos cds do Ten Years After e de Alvin Lee
Por Eumário J. Teixeira

7 de mar. de 2013

MANFRED VON RICHTHOFEN – A LENDA DO BARÃO VERMELHO


O ÁS DOS ASES


Em abril de 2013 completar-se-ão 95 anos da sua morte, alguns nunca ouviram falar dele, outros já ouviram alguma coisa, muitos acham que não passa de uma lenda, um personagem fictício de filme ou desenho animado; mas na verdade, o Barão Vermelho existiu e dominou parte dos céus da Europa na segunda metade da Primeira Guerra Mundial. Historiadores o classificaram como um sanguinário e impiedoso caçador e outros como um piloto de caça romântico e que era respeitado mesmo até pelos seus adversarios. Vários mitos se criaram em torno de sua breve vida e suas proezas e, certamente, sua fama não se fez do nada. Assim, através desta postagem me permito homenagear ao Red Baron, um homem sem mêdo e que sem dúvida foi o maior e mais temido piloto de caça da história. Não estou fazendo apologia à guerra e muito menos ao imperialismo alemão, apenas reconhecendo o valor de um personagem histórico que se destacou por seus princípios éticos e morais, num ambiente de horror e caos que só um conflito mundial como aquele poderia gerar. Um nobre oficial alemão que foi honrado pelos próprios inimigos no seu túmulo de morte.

Ilustração do Albatros D-V do Barão Vermelho, semelhante ao D-III

Lothar, Albrecht (o pai) e Manfred: caçadores e aristrocatas


Espírito de caçador - Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen nasceu no dia 2 de maio de 1892, em Breslau, na Silésia (hoje Wroclaw, Polônia) que fazia parte do então Império Alemão. Aos nove anos mudou-se com sua família para Schweidnitz (hoje Swidnica, Polônia). Ainda adolescente desenvolveu o gosto pela caça e pela equitação incentivado pelo pai, Albrecht Karl Freiherr von Richthofen, que era oficial da Cavalaria do regimento Uhlan e um nobre proprietário de terras. O título nobiliárquico hereditário de Freiherr (que significa Barão) foi concebido à família pelo Imperador da Prússia Fredererico, o Grande, em 1741. Nas caçadas à javalis, alces, veados e aves, que fazia acompanhado pelo pai e os irmãos Lothar e Karl Bolko, era notório a astúcia e paciência do jovem Manfred para esperar o melhor momento e posicionamento para dar um único tiro fatal que abateria sua presa. Aos 11 anos, Manfred entrou na escola de cadetes prussianos, onde após se formar como cadete-oficial, ingressou-se no 1º Regimento de Cavalaria Uhlan, em 1911 aos 19 anos.


A Guerra - Quando estourou a primeira guerra guerra mundial em agosto de 1914, a sua unidade de cavalaria foi enviada para enfrentar os russos e cabia ao jovem oficial Manfred Richthofen fazer o trabalho de reconhecimento de campo no leste. O cumprimento de forma eficaz de sua função foi reconhecido através da condecoração com a Cruz de Ferro em 23 de setembro de 1914. Em seguida foi deslocado para a frente ocidental onde atuou, a contragosto, na retaguarda sem correr riscos. Percebendo-se que a cavalaria era inútil contra as metralhadoras posicionadas nas trincheiras, se tornando assim obsoleta na guerra moderna,  o regimento foi remanejado como infantaria mesmo permanecendo na retaguarda. Anda insastifeito, Richthofen escreveu ao oficial superior pedindo transferência para a unidade aérea Luftstreikräfte (Forças Aéreas de Combate) que se tornaria no futuro a temida Luftwaffe, destacando-se em sua solicitação as seguintes palavras: “Não vim para a guerra para apanhar queijos e ovos”. 

Manfred von Richthofen, livre para voar

Ânsia por voar - O desejo de Manfred foi atendido e ele foi incorporado ao 69º Esquadrão de Vôo durante a ofensiva a Brestlitovsk, de junho a agosto de 1915. A princípio pilotou aviões de reconhecimento sem participar diretamente das batalhas aéreas. Em pouco tempo foi transferido para Ostend, no front ocidental, com a mesma função de observador. Transferido novamente, desta vez para a região de Champane, alçou vôo como auxiliar do tenente Paul von Osterroth manejando uma metralhadora de ré, conseguindo derrubar seu primeiro avião, de modelo Farm, apesar dessa vitória não ter sido confirmada oficialmente porque o avião caiu em território inimigo. Seu sonho começou a se tornar realidade quando iniciou seu treinamento de piloto em outubro de 1915. Em seu primeiro vôo solo, Manfred danificou seu avião  na aterrisagem. Mas ele insistiu e recebeu o seu certificado de piloto próximo ao Natal de 1915. Em março de 1916 ele aprendeu a pilotar o modelo Albratros B-II, um caça de dois assentos, de motor de 100 hp, que desenvolvia a velocidade de 100 km/h e alcançava o teto de 3.000 m de altitude e que tinha uma metralhadora na parte superior da asa disparando para a frente. Com este avião teria alvejado, no dia 26 de abril de 1916, um modelo Nieuport francês que sobrevoava Verdun. Manfred Richthofen foi novamente enviado para o front russo, onde passou a voar em aviões de reconhecimento e bombardeiros, destruindo estações ferroviárias, pontes e regimentos de cavalaria cossacos com certa segurança, pois o russos não dispunham de muitos aviões para interceptá-los.  Mas ainda não era o que ele almejava, ou seja, os duelos nos ares. 

Oswald Boelcke, o primeiro ás e mentor de Manfred

O encontro com Boelcke e o Jasta 2 - O seu destino começa a mudar quando em agôsto de 1916, ele se encontra  casualmente com o herói nacional e ás da aviação, Oswald Boelcke, o maior piloto de guerra alemão até então, ao lado de Max Immelmann. Boelcke estava selecionando talentos para seu esquadrão Jagdstaffell 2 e Manfred lhe pareceu decidido e impetuoso o bastante para integrá-lo. No Jagdstaffell (ou Jasta) 2 e pilotando um biplano Albatross D-II, Manfred derrubou oficialmente seu primeiro avião em 17 de setembro de 1916, uma aeronave inglesa. O piloto e observador ingleses foram socorridos em  linhas alemãs. Mas não resistiram aos ferimentos e Richthofen, após o sepultamento de ambos, colocou uma pedra no túmulo do piloto em respeito ao inimigo derrotado, uma homenagem que o fez ser considerado mesmo entre os adversários e se tornou uma de suas principais características durante a guerra. Manfred descreveu a experiência de sua primeira vitória  e suas futuras conquistas em um diário que se tornou um livro autobiográfico, “Der rote Kampfflierger”, que poderia ser traduzido como “O Piloto de Combate Vermelho”. Outro hábito desenvolvido por ele, era o de mandar confeccionar pequenas taças ou copos de prata com o tipo de nave abatida e a data de confronto cravados; como também o costume de pegar uma peça do avião inimigo como  recordação, isso quando geralmente o piloto inimigo fosse digno de seu reconhecimento. 

O corpo e o albatross D-II destroçado de Boelcke

A morte de Boelcke - Inesperadamente, em 28 de outubro de 1916, as forças aéreas alemãs sofrem uma grande baixa. O modelo Albatros D-II do ás Oswald Boelcke choca-se com uma aeronave de seu próprio esquadrão, durante uma batalha aérea. Boelcke consegue ainda controlar seu caça e tenta aterrissagem, mas o choque da aeronave no solo foi muito forte e Boelcke sofre um traumatismo craniano fatal. O então idolatrado piloto alemão, que já tinha abatido 40 aeronaves inimigas, morre aos 25 anos de forma tão absurda deixando todo um esquadrão sem sua grande e inspiradora liderança. Manfred Richthofen carregou as condecorações de Boelcke durante o funeral. Em paralelo à tragédia ocorrida para a aviação alemã com a perda de Boelcke, a perícia de piloto de caça de Manfred se destacava abruptamente, pois em apenas dois meses de vôo solo, já havia derrubado 11 aviões inimigos. Uma vitória importante para Manfred foi quando, pilotando um Albatros biplano D-III, derrubou o ás inglês, major Lanoe Hawker, comandante do 24º esquadrão em 23 de novembro de 1916. Manfred levou consigo a metralhadora do avião britânico como souvenir. Essa vitória serviu também como uma resposta à morte de Boelcke. No mesmo dia Manfred foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Ordem da Casa Real de Hohenzaollem com Espadas. O comando alemão preocupado com a repercussão negativa da morte de Boelcke na moral de seus combatentes, trataram de promover e achar o seu substituto: o jovem e impetuoso piloto, Manfred Richthofen, ele seria o próximo “deus” invencível dos ares. Richthofen chegou a declarar: “Sobretudo não passo de um piloto de combate, mas Oswadl Boelcke era um verdadeiro herói”.

Manfred von Richthofen exibe em seu peito a Pour Le Mérite

A Ordem Pour Le Mérite e o Jasta 11 - A sua fama crescia na Europa, sendo cada vez mais temido pelos pilotos ingleses e franceses; assim, não foi difícil para ele assumir a liderança de seu próprio esquadrão por indicação direta do Imperador Wilhelm II que também lhe concedeu a maior honraria para um piloto, ser condecorado com a ordem Pour Le Mérite em 12 de janeiro de 1917. O novo esquadrão Jasta 11 era integrado por pilotos ainda inexperientes e cabia a Manfred doutriná-los nas estratégias do combate aéreo. Após um incômodo período de inatividade, muito treinamento e instruções, o Jasta 11 se tornou o celeiro dos mais competentes e destemidos pilotos de caça alemães, que na maioria como Richthofen, eram aristocratas e defendiam seu próprio código de honra e de espírito cavalheiresco. O próprio Manfred pregava aos seus comandados: “Os pilotos são como esportistas que apenas abatem os aviões e não perseguem os pilotos”. Essa idéia de Manfred parecia lhe transportar para um mundo paralelo alheio à realidade cruel da guerra, principalmente nas batalhas ocorridas fem solo nas trincheiras onde os soldados da infantaria eram rasgados nos arames farpados, perfurados pelas baionetas, metralhados pelo fogo inimigo, despedaçados pelas granadas e sufocados ou cegos pelos gases mortais. Nos ares ele se sentia livre como um nobre cavaleiro medieval medindo sua destreza de combate contra um valoroso oponente. Seu irmão Lothar Richthofen inesperadamente se integra ao esquadrão, uma progaganda estratégica do comando de guerra para propagar ao povo germânico a imagem patriótica dos intrépidos irmãos aviadores lutando lado a lado pelo triunfo do império alemão. Mas, ao contrário de Manfred, Lothar tinha sua visão particular e menos romântica da guerra, ou seja, o inimigo teria que ser perseguido até ser totalmente destruído, avião e piloto. Essa foi a razão do irmão mais velho e famoso o classificar como um “sanguinário”. 

O esquadrão colorido do Jasta 11, o Circo Voador de Richthofen

O Barão Vermelho e o Circo Voador no Abril Sangrento - Como comandante do Jasta 11, o tenente Manfred von Richthofen passa a pilotar um modelo biplano Albatros D-III (de comprimento: 7,32 m; envergadura: 8,99m; velocidade máxima: 175 km/h), surpreendendo a todos ao mandar pintar sua aeronave totalmente de vermelho. Daí o surgimento do apelido de “barão vermelho”. Alertado pelos seus comandados que ele se tornaria um alvo visado a longa distância com sua aeronave vermelha, ele retrucou que sua intenção era realmente ser avistado e impor temor aos seus adversários, já que sua fama de invencível e implacável caçador assolava boa parte dos céus da Europa. Em abril de 1917 ele já tinha acumulado 50 vitórias e a lenda do “Barão Vermelho” só aumentava. Neste mês somente ele tinha abatido 21 aviões, sem contar as aeronaves interceptadas pelos seus companheiros. Os ingleses sofreram grandes baixas e denominaram o período de “Bloody April” (abril sangrento). Os outros pilotos do Jasta 11 passam a usar também cores berrantes em seus aviões assim que provassem sua perícia no ar e não demorou muito para que a temida esquadrilha fosse apelidada de “o Circo Voador do Barão Vermelho” justamente em função das fortes cores de suas aeronaves. O esquadrão colorido voava em formação próximo ao front em patrulhas regulares com objetivos táticos, como um circo itinerante. Além do codinome “Red Baron” (barão vermelho), Manfred era também chamado pelos aviadores adversários como “Le Diable Rouge” (o diabo vermelho) ou “Le Petit Rouge” (o pequeno vermelho) pelos franceses e “The Red Knight” (o cavaleiro vermelho) pelos ingleses. 

O Barão Vermelho perseguindo e abatendo aviões ingleses

As características de um implacável caçador - As vitórias acumuladas por Manfred von Richthofen eram devidas principalmente à sua aplicação tática, sua destreza e ao seu sangue-frio mesmo em situações desfavoráveis. Sem mencionar sua dedicação e senso de dever exemplares. Das principais habilidades do Barão Vermelho se destacavam o cálculo preciso de distância do inimigo, sua grande habilidade para manobrar o seu avião e sua capacidade de avaliar friamente uma situação favorável ou desfavorável de combate. Como ele mesmo dizia: “Se você não tem como vencer o adversário, se retire antes que seja abatido por ele.” Nas batalhas sangrentas do Abril Sangrento quando enfrentou os triplanos ingleses, que eram mais potentes e manobráveis mas que sofreram enormes baixas, Manfred concluiu por si mesmo: “O que importa não é a máquina, mas a destreza do piloto.” Oswald Boelcke teria ensinado a Manfred sua melhor estratégia de combate descrita no “Boelcke Diktat”, que era atingir a maior altitude do que o inimigo e procurar vê-lo antes para assim poder atirar primeiro, descendo pela parte traseira do adversário, de preferência com o sol nas costas, dificultando assim sua visão e fuga. Tal estratégia não deixava de ser um estilo aristocrático de cerco à caça adaptado para o combate aéreo.

Manfred (ferido) e a enfermeira Kate Otersdörf, sua amante e companheira

O Barão Vermelho é ferido - Em  06 de julho de 1917, pilotando desta vez, um modelo Albatros D-V vermelho (comprimento: 7,33 m; envergadura: 9,05 m) que atingia a velocidade de 186 km/h, Manfred começou a perseguir um bombardeiro bimotor F. E. 2b. O observador do bombardeiro percebendo sua aproximação eminente,  acionou a sua metralhadora de ré contra o Barão Vermelho e caprichosamente um projétil atinge Manfred na cabeça. Com o impacto da bala ele ficou cego e sem reação por alguns segundos, mas se recobrou a tempo para aterrisar com segurança escoltado por dois companheiros. O Barão Vermelho, ferido, foi submetido a várias intervenções cirúrgicas dolorosas para remover os fragmentos de ossos do crânio. O ferimento lhe trouxe seqüelas permanentes, pois passou a ter dores de cabeça constantes, tendo náuseas sempre que voltava dos vôos. Tais reações colaterais afetaram seu temperamento, passando a ter crises alternadas de humor. Manfred Richthofen, nesse período de recuperação, chegou a sair do esquadrão por ordem do alto comando e assistir a realidade cruel dos  combates nas trincheiras e a viajar pelo país na tentativa de elevar o moral do povo alemão. Nesta época tentaram fazer com que se recolhesse pois temiam perder outro herói nacional em pouco espaço de tempo. Rebatendo as recomendações ele declarou: “Eu me sentiria um miserável se agora, coberto de fama e condecorações, desperdiçasse meu tempo como pensionista, preservando minha vida à nação, enquanto que qualquer pessoa como eu cumpre seu dever, resistindo na trincheira.” No período em que se recuperava do ferimento na cabeça, Manfred teria sido cuidado pela enfermeira Kate Otersdörf, com quem teve um romance significativo para sua  vida, fazendo com que até revesse seus conceitos pessoais e percebesse que seu nome e imagem de um “deus que nunca morre” estavam sendo usados pelo império alemão para justificar toda aquela carnificina gerada pela guerra. O Barão Vermelho que nunca se recuperou inteiramente desse ferimento, não se intimidou e com uma proteção de ataduras e uma touca, não tardou a se lançar novamente aos combates. Além disso era superticioso, usava sempre o mesmo casaco de couro quando voava e dizem que nunca partia sem ser beijado por alguém que amava.

Réplica do lendário Fokker DR-I triplano do Barão Vermelho

O Fokker DR-I Triplano - Em setembro de 1917 Manfred Richthofen, o ás dos ases, é apresentado ao modelo Fokker Dr-I triplano, uma aeronave menor (comprimento: 5,77m; envergadoura: 7,20 m) e mais ágil, em resposta aos triplanos ingleses. Este novo modelo lhe proporcionava mais agilidade nas manobras evasivas e de ataque, apesar de se tornar um alvo mais fácil numa trajetória em linha reta, pois ocorria uma significativa perda de velocidade (atingindo no máximo 185 km/h). Com o Fokker Dr-I alcançou a marca inédita, até então, de 60 vitórias no dia 1º de Setembro de 1917. A ironia é que a imagem do Barão Vermelho ficou mais associada ao Fokker triplano com o qual obteve apenas 20 vitórias, no total impressionante de  aviões derrubados em toda sua carreira; apesar dele ter abatido a maioria de suas vítimas com o Albatros D-III.  Sobre a agilidade do pequeno triplano, o capitão Manfred von Richthofen declarou: “Ele sobe como um macaco e é tão ágil quanto o demônio”. O desempenho de Richthofen incomodou tanto aos aliados que sua cabeça foi posta a prêmio. O piloto que conseguisse derrubá-lo seria bem recompensado. O Barão Vermelho alcança sua 64ª vitória em março de 1918 ao abater o avião do piloto inglês H. J. Parks que se feriu gravemente. Demonstrando seu “espírito esportivo”, Manfred enviou ao adversário hospitalizado, uma caixa de charutos. A 80ª e última vitória de Manfred von Richthofen ocorreu em 20 de abril de 1918, quando abateu o tenente D. E. Lewis que sobreviveu ao confronto e foi capturado pelas forças alemãs.

O Barão Vermelho foi perseguido e abatido em linhas inimigas

A morte do Barão Vermelho - Em 21 de abril de 1918, o esquadrão alemão liderado pelo Barão Vermelho partiu rotineiramente para interceptar mais alguns aviões de observação,  modelo Sopwith Camels ingleses, quando estes faziam um reconhecimento fotográfico. Manfred se desgarrou do esquadrão para perseguir sua 81ª vítima, a aeronave pilotada pelo tenente Wilfrid May  que se desviava em zigue-zague das investidas do Barão Vermelho, que surpreendentemente invadiu as linhas inimigas durante a perseguição, se descuidando também da retaguarda, próximo a Sailly-le-Sac, um território francês controlado pelas forças australianas. Voando a baixa altitude e em linha reta se tornou alvo para a artilharia em terra inimiga e um alvo perfeito para o avião do capitão Canadense Roy Brown que estava colado na sua traseira com um Sopwith Camel. Não se sabia até pouco tempo se foi o fogo da artilharia anti-aérea australiana ou as rajadas disparadas do caça de Brown que derrubou o Barão Vermelho que não teve tempo para retornar em direção às suas linhas, mas o certo é que o avião de Manfred Richthofen foi atingido e pousou com dificuldade no solo. Manfred a essa altura da guerra tinha se tornado o alvo estratégico a ser abatido, seu avião vermelho estava visado e tinha que ser derrubado custe o que custar. 
Perseguindo a provável 81ª vítima, Manfred se descuida

Não me parece improvável a idéia de que um piloto aliado se posicionasse como isca atraindo-o para as linhas inimigas  e outro ficaria de prontidão para abordá-lo pela retaguarda. Se tal hipótese não for razoável, é certo que o Barão Vermelho simplesmente não observou suas próprias regras de auto-preservação se expondo tanto naquele fatídico dia. É certo que desde quando foi ferido na cabeça em julho de 1917, o Barão nunca mais foi o mesmo. De qualquer maneira, Roy Brown, ao que consta, nunca confirmou ou desmentiu seu feito. Os artilheiros australianos Robert Buie e Cedric B. Popkin revindicaram ter dado o tiro fatal. Muitas décadas depois foi revelado através de estudos durante uma reconstituição técnica, que o tiro fatal foi dado por Cedric B. Popkin, que faleceu sem saber que ele era o autor da façanha. Quando a equipe de resgate inimiga se aproximou do Fokker Dr-I, encontraram Manfred Richthofen já sem vida. Ele tinha apenas 25 anos, tal como Oswald Boelcke. Um projétil fatal penetrou no seu lado direito e pecorreu mortalmente os  pulmões e o coração, vazando pelo seu peito esquerdo. O já lendário Fokker Dr-I triplano quase sem danos foi praticamente desmontado pelos soldados aliados que queriam guardar qualquer lembrança do famoso piloto de caça alemão.  

Honrarias inimigas no funeral do Barão Vermelho

Funeral e homenagens dos inimigos - Era o início do mito do Barão Vermelho. Ele foi enterrado em território inglês, com honrarias e salva de 21 tiros. Como um homem assim homenageado pelos inimigos britânicos, poderia ser taxado de vilão, cruel e sanguinário? Logo após as homenagens, os aviões ingleses lançaram panfletos sobre a base aérea alemã anunciando a morte do até então “invencível” Barão Vermelho. Fotografias também foram tiradas do seu funeral.  Os panfletos lançados tinham a seguinte mensagem:  “Para o Corpo Aéreo Alemão: O Capitão Manfred Freiherr von Richthofen foi morto em combate aéreo em 21 de abril de 1918. Ele foi enterrado com todas as honras militares. Assinado: British Royal Air Force.” Sete anos depois de sua morte, o cadáver foi exumado a pedido da família e sepultado em Berlim, com mais honras militares e grande participação popular. Réplicas do triplano Fokker DR-I em que Richthofen foi abatido estão expostas na maioria dos museus de tecnologia e aviação do mundo. Manfred von Richthofen se tornou nome de esquadras, quartéis, praças e ruas por toda a Alemanha. Nos seus poucos anos de vida, Manfred von Richthofen experimentou com intensidade a liberdade que sempre amou desde sua juventude quando caçava livremente nos bosques com seus irmãos, planou e voou como um verdadeiro albatroz nos céus europeus, combatendo lealmente como um desportista seus inimigos sem o espírito sanguinário que injustamente lhe foi atribuído pela história. Ele não fugiu de suas obrigações como militar, combateu fielmente, mas sem experimentar o horror das fétidas trincheiras lotadas de cadáveres e moribundos em terra, pois os vôos pareciam ser destinados apenas aos cavaleiros de espírito nobre como ele, talvez o último representante de uma estirpe que agora só conhecemos nos romances.

Curiosidades e lendas sobre o Barão Vermelho:

O interessante filme O Barão Vermelho, de 2008
O Barão Vermelho no cinema e no imaginário popular – Foi realizado em 2008 um filme sobre o Barão Vermelho, numa co-produção da Alemanha e Reino Unido sob a direção de Nikolai Müllerschön. “Der Rote Baron”/”The Red Baron” (O Barão Vermelho , no Brasil) só foi lançado no Brasil em DVD, em julho de 2010. Os principais locais de filmagem ocorreram na República Checa, França e Alemanha. O filme foi feito na língua inglesa apesar da produção ter sido majoritariamente alemã, para favorecer sua comercialização. No elenco estavam Tomás Koutnik como Manfred von Richthofen (garoto); Matthias Schweighöfer como Manfred von Richthofen (o Barão Vermelho); Lena Headey como Käte Otersdorf; Joseph Fiennes como Tenente Roy Brown e Volker Bruch como Lothar von Richthofen. Outro filme realizado anteriormente em 1971, pela United Artists e MGM, “Von Richthofen and Brown” ('O Barão Vermelho' ou 'Águias  em Duelo', no Brasil), trata principalmente de uma suposta rivalidade entre os pilotos adversários Manfred Richthofen, o Barão Vermelho e o tenente australiano Roy Brown, culminando no duelo final entre os dois. A produção de Gene Corman e Roger Corman teve no elenco John Phillip Law (O Barão Vermelho), Don Stroud (Roy Brown) e Barry Primus.

Outra versão do cinema interessante da história do Barão Vermelho,
"Von Richthofen and Brown", de 1971, com o eclético
John Phillip Law.


O livro auto-biográfico de Manfred Richthofen
O livro auto-biográfico de Manfred von Richthofen - Manfred escreveu um livro autobiográfico durante a guerra, descrevendo sua infância, sua família, sua fascinação pela caça e a natureza selvagem, seu amor pela equitação, sua passagem pela escola de cadetes até chegar a servir no Regimento Uhlan de Cavalaria e seu ingresso na força aérea alemã, descrevendo suas primeiras experiências como observador até se tornar o temível e respeitado Barão Vermelho. O título do livro em alemão é "Der Rot Kampfflieger", traduzido para o inglês como "The Red Fighter Pilot", se fosse traduzido para o português seria algo como "O Piloto de Combate Vermelho".  O livro foi escrito em alemão em 1917 e traduzido para o inglês ainda em 1918 por J. Ellis Barker, com o título "The Red Battle Flyer", debaixo de certa censura na época. Quase um ano depois de sua publicação, o próprio Manfred von Richthofen julgou sua obra como insolente, e antes de sua morte, ele chegou a declarar que não era mais aquele tipo de pessoa.

Batman derrota um seguidor do Barão Vermelho

O Barão Vermelho nos quadrinhos - Na história em quadrinhos desenhada por Neal Adams em 1975, Franz, um suposto descendente de um piloto da 1ª guerra de nome von Hammer, surge com seu Fokker Dr-I vermelho (uma clara referência ao Barão Vermelho) para enfrentar Batman nos ares. Adivinha quem se deu bem no duelo? Batman é claro.

Uma versão hilária do Barão Vermelho na Corrida Maluca
O Barão Vermelho nos desenhos animados - Nos desenhos da TV, lembramos de “A Corrida Maluca” com seus hilários personagens, como Dick Vigarista e seu cão assistente Muttley, Penélope Charmosa, Peter Perfeito e o Barão Vermelho com o nº 4 na fuselagem do seu avião. Em outro desenho animado de mesma produção, chamado “As Máquinas Voadoras”, sobre uma esquadrilha atrapalhada (uma referência ao Circo Voador de Richthofen?!) que persegue um pombo correio em plena 1ª guerra mundial,  temos o mesmo Dick Vigarista como líder pilotando um Fokker Dr-1 vermelho. Outro personagem famoso, o cãozinho Snoopy, de Charlie Brown, tem como terrível adversário em sua imaginação, o Barão Vermelho e seu Fokker Dr-I a quem enfrenta com seu caça ou pilotando sua casinha de cachorro voadora. A imagem de vilão do Barão Vermelho foi assim alimentada no inconsciente popular graças à animações com essas. Mas a história revela o lado heróico e honroso de Manfred von Richthofen, mesmo sabendo que no campo de guerra independentemente do lado pelo qual se luta, existem apenas seres humanos e a grande maioria deles muito jovens e valorosos atirados ao matadouro pelos verdadeiros donos e vilões deste mundo.

Snoopy perseguido pelo Barão Vermelho

O Barão Vermelho foi derrotado por um OVNI ? – A imaginação humana não tem limites, recentemente surgiu uma teoria sobre o que realmente teria abatido o temido Barão Vermelho. Foi divulgado que um outro piloto alemão chamado Peter Waitsnik voava no momento e próximo ao local da queda de Fokker Dr-I de Manfred Richthofen em 1918 e que ele teria afirmado que o Barão teria sido abatido por um OVNI (objeto Voador não identificado) de luzes ondulantes alaranjadas. O objeto brilhante surgiu de repente na frente do avião de Richthofen que reagiu imediatamente abrindo fogo, mas foi atingido mortalmente pelo OVNI  e caiu ao solo. Finaliza  assim Waitsnik em sua suposta declaração: “Ficamos apavorados, pois nunca vimos uma coisa dessa antes...Já estou no fim da vida e não tenho nada a perder ao revelar isso”. Só mesmo um piloto de outro mundo para derrotar o invencível Barão Vermelho, acredite se quiser!

Somente um OVNI poderia acabar com a carreira vitoriosa do Barão Vermelho?!

O fantasma do Barão Vermelho – Diz a lenda que num período aproximado de seis meses entre a morte de Manfred von Richthofen e o fim da primeira guerra, pilotos aliados afirmaram que avistaram durante seus vôos o temido Fokker Dr-I vermelho do Barão. 

A nova Joana d’Arc e o albatross vermelho – Conta-se que durante a fabulosa campanha do esquadrão Jasta 11 no “Abril Sangrento”, um dos pilotos aliados capturados pelos alemães queria saber quem era a destemida piloto do famoso albatross D-III biplano de cor vermelha berrante. O boato que corria entre os aliados era que somente uma mulher  que diziam ser a “nova Joana d’Arc”, poderia pilotar um avião de combate pintado daquela cor. Para a surpresa do inimigo curioso, Manfred von Richthofen que ouvia tudo e estava se contendo para não rir da indagação do jovem piloto aliado, se posicionou frente a frente com o rapaz e se apresentou como o verdadeiro piloto do albatros vermelho.
Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho

O Barão Vermelho no rock – Uma foto do esquadrão Jasta 11 liderada pelo Barão Vermelho, foi usada (com alguns retoques) para a capa do famoso disco Vol. II do Led Zeppelin. Outra banda que teve Manfred von Richthofen como referência foi a criada por Guto Goffi (bateria) e Maurício Barros (teclados) nos anos de 1980 em São Paulo, Brasil. Por sugestão de Guto escolheram o nome “Barão Vermelho”. O grupo de pop rock, baladas & blues era integrado também por Robert Frejat (guitarra), Dé (baixo) e Cazuza (nos vocais). O ápice para Barão Vermelho foi a apresentação no Rock In Rio em 1985. 

Led Zeppelin plagiou uma foto do Jasta 11 para a capa do seu 2º disco

Nota – Em uma próxima postagem, falarei um pouco sobre aquele que foi considerado o pai da aviação de caça em todo o mundo, o herói e mentor de Manfred von Richthofen e o primeiro ás alemão, Oswald Boelcke.

Por Eumário J. Teixeira.