10 de abr. de 2016

CARRÕES FAMOSOS DA TV E DO CINEMA – PARTE III – Mad Max Interceptor


A melhor surpresa para mim no final da década de 1970 e início dos anos de 1980, em se tratando de filmes da ação, foi o surgimento do personagem Mad Max e seu carro patrulha Interceptor. A saga do patrulheiro australiano Max Rockatansky (interpretado pelo jovem Mel Gibson) era uma tremenda inovação para os filmes de ação e perseguição com carros e motos, destacando-se novos enquadramentos de câmeras, as altíssimas velocidades e os personagens surreais inseridos num cenário de vastidão desértica e futurístico que ainda proporcionava uma sensação de infinita liberdade naquelas longas retas das rodovias do interior da Austrália. 

O Interceptor V-8 turbinado do patrulheiro Max Rockatansky
Tudo fugia da mesmice e dos clichês dos filmes hollywoodianos e eu adorei. Mad Max me pareceu uma espécie de histórias em quadrinhos animada. Mas o que mais me fascinou foi o Interceptor, o carrão negro turbinado com motor V-8 movido a gasolina ou gás metano que Max utilizava para limpar as rodovias dos salteadores baderneiros e suas motos envenenadas.

As capas dos dvds das três sequências iniciais de Mad Max com Mel Gibson e a última com Tom Hardy
O filme Mad Max foi lançado em abril de 1979 na Austrália, a produção foi totalmente australiana e dirigido magnificamente por George Miller, com então jovem ator Mel Gibson no papel principal. No Brasil, Mad Max estreou em 15 de setembro de 1980.

Mad Max (1979) com Mel Gibson
O original sempre é melhor, Mad Max e o turbinado Interceptor
O carrão patrulha de motor V-8 de Mad Max, era na verdade um modelo XB GT Ford Falcon Coupe, fabricado exclusivamente na Austrália em 1973.

O Ford Falcon 1973 original e o resultado da transformação: O Interceptor
A transformação do Ford Falcon para o Interceptor se deu a partir de 1976, quando os cineastas Byron Kennedy e George Miller começaram a pré-produção do filme e já imaginavam um carro-patrulha negro e ameaçador de alta performance que denominariam “Interceptor” e que traria terror às gangs de rodovias.
O customer Murray Smith foi contratado para fazer essa transformação no Ford Falcon.  Finalmente com a ajuda de Peter Arcadipane e Ray Beckerley começaram a modificar o carro. O resultado foi compensador,  um carro negro belíssimo mantendo as linhas arrojadas originais e o motor V -8, um compressor ou supercharger no meio do capô, 4 tubos de escapamento em cada lateral traseira e um pára-choque baixo e reforçado. É bom ressaltar que o volante dos carros australianos é do lado direito e esse detalhe dava um charme extra para o Interceptor. Curiosamente só foi produzido um carro Interceptor para Mad Max filmado em 1979, devido ao baixo orçamento.

O Interceptor e o Carro Patrulha convencional usado pelos patrulheiros em Mad Max I
Após concluir sua vingança, Max Rockatansky se torna um errante guerreiro das rodovias
A parte triste da saga do Interceptor, é que na sequência da série, em Mad Max 2 – A Caçada Continua (Mad Max 2 – The Road Warrior, de 1981), o carrão simplesmente é destruído pouco antes da metade do filme durante uma perseguição, ao capotar e explodir, sendo a última performance do Interceptor nas telas com Mel Gibson no papel principal. 

Em Mad Max II, o Inteceptor está surrado e sem brilho, mas continua potente...

O solitário Max no segundo filme tem um cão fiel como companheiro de estrada

Isso para mim foi um tiro no pé dado pelos produtores, mas o personagem Mad Max conseguiu se sustentar sem o Inteceptor. Foi lamentável, mas para o consolo dos fãs, as réplicas do carrão de Mad Max se multiplicaram por todo o mundo, principalmente no seu país de origem, em exposições e shows, sem falar nas miniaturas apreciadas pelos colecionadores.



Acima, miniaturas do Interceptor Ford Falcon V-8


Detalhes do interior do Interceptor
O carrão era tão cult, que mesmo aparecendo no Mad Max 2 já todo surrado e detonado, ainda assim mantia seu magnetismo, era só ouvir o ronco do V-8 que já dava para arrepiar. Ficava me imaginando guiando o Inteceptor surrado numa longa e reta estrada para a liberdade escutando um bom e velho rock & roll. Bons tempos que não voltam mais.



Acima, uma réplica do Interceptor
Mas o que me conforta hoje são as cópias dos filmes (principalmente do I e do II) e as imagens de 37 anos atrás que nunca serão apagadas da minha mente. Mad Max teve a terceira parte filmada em 1985, sob o título Mad Max – Além da Cúpula do Trovão (Mad Max Beyond Thunder Dome) com a participação da cantora de soul e pop rock, Tina Turner, que contribuiu também para a trilha sonora do filme. Essa sequência foi a mais fraca das três filmadas com Mel Gibson e, infelizmente, o Interceptor já era uma lenda. 


Recentemente outra versão para Mad Max foi filmada em 2015, Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road), com Tom Hardy no papel de Max Rockatansky e com produção mista da Austrália e EUA. O Interceptor aparece brevemente no início do filme e é destruído após uma capotagem numa breve perseguição por uma gang motorizada no deserto. Nessa versão o próprio Mad Max tem um papel quase que secundário, pois Furiosa (interpretada por Charlize Theron) parece ter mais destaque. Fazer o quê, a indústria parece adorar destruir o que inicialmente deu certo...

Por Eumário J. Teixeira

7 de fev. de 2016

CARRÕES FAMOSOS DA TV E DO CINEMA – Parte II – Beleza Negra


Dando prosseguimento à postagem sobre os carrões que marcaram as séries de televisão e do cinema, venho desta vez relembrar um dos meus carros preferidos. Desta vez falarei do charmoso e misterioso Black Beauty ou Beleza Negra. 


O carro negro com seus faróis infra-esverdeados saía geralmente de um beco sombrio sob a cobertura da noite em busca dos malfeitores e era dirigido por Kato (Bruce Lee) que estava sob  o comando do Besouro Verde (Van Williams) que se assentava no banco traseiro de onde dava as coordenadas de busca e ataque.

Bruce Lee (Kato) no volante do Black Beauty e Van Williams (Besouro Verde) como navegador
O Besouro Verde era originariamente uma novela de rádio que foi adaptada para o cinema seriado em 1939. O “Beleza Negra”, da época, era na verdade um modelo Lincoln 1937. O ator Gordon Jones encarnava o Besouro Verde e Keye Luke representava Kato.

O Black Beauty do seriado de 1939, um Lincoln de 1937

O Besouro Verde sai do Black Beauty estacionado num beco sombrio...
O Black Beauty clássico de 1966, foi originado de um modelo Sedan Chrysler Imperial Crown de 1965.

Black Beauty antes e depois...

A transformação do Sedan Chryler Imperial Crown (1965) para o Beleza Negra

Dean Jeffries, o designer responsável pela criação do Black Beauty

Van Williams (Besouro Verde), Dean Jeffries (criador do Black Beauty) e Bruce Lee (Kato) em 1966
O carrão do Besouro Verde foi personalizado pelo car customizer, Dean Jeffries. Para obter aquela cor, utilizaram 30 camadas de metal flake de puro verde pérola negra. Foram adaptados, na verdade, dois modelos Crylsler Imperial Crown para atuarem como o Beleza Negra nas filmagens da série de TV de 1966.


O Beleza Negra, seu arsenal de armas e o detalhe do painel e acessórios internos.
O Black Beauty era na verdade, um arsenal sobre rodas. Disparava cargas explosivas atrás de painéis retráteis abaixo dos faróis; lançar gás através de um bico no centro da grade dianteira do carro; lançar um aparelho voador com vídeo e áudio para rastreamento instalado na tampa do bagajeiro; e foguetes e torpedos e gás poderiam ser lançados na mala traseira também e outros variados armamentos ou dispositivos de fuga ou camuflagem.


"Let's roll, Kato!" Dizia o Besouro Verde (Van Williams) ao partir para a caça aos malfeitores. Ver o detalhe
do dispositivo que fazia o Black Beauty surgir e  rodar pelas ruas escuras com seus faróis infra-verdes.

Besouro Verde, Kato e o Black Beauty, versão clássica de 1966

O Black Beauty clássico de três ângulos diferentes
A série Besouro Verde estreou nos Estados Unidos em 09 de setembro de 1966 com enorme sucesso, graças principalmente ao personagem Kato interpretado por Bruce Lee e o Black Beauty. Mas a série de qualidade que tinha uma proposta séria, competia com Batman e Robin, um seriado feito em tom de comédia que fez enorme sucesso fazendo com que O Besouro Verde tivesse apenas uma temporada por falta de retorno do público.

Clássico encontro ou duelo, entre o Black Beauty e o Batmobile

O belíssimo Beleza Negra
O seriado chegou ao Brasil por volta de 1970 e permaneceu no ar no início da década, voltou em meados da década de 1980 por poucos anos e atualmente ainda é exibida em alguns canais pagos.

As três versões do Black Beauty, Besouro Verde e Kato. A de 1939, com Gordon James e Keye Luke; a clássica e a melhor de todas de 1966, com Van Williams e Bruce lee; e a de 2011, que decepcionou, com Seth Rogen e Jay Chou.
Foi feita uma versão de o Besouro Verde para o cinema em 2011; para o Black Beauty acrescentaram duas metralhadoras acima do capô, que na minha opinião, foi um exagero que prejudicou o design moderno do Beleza Negra. E tentaram fazer como na série de Batman & Robin de 1966, dar um tom mais cômico para os personagens interpretados por Seth Rogen (Besouro Verde) e Jay Chou (Kato), o que não me agradou, pois não tinham o mesmo charme e mistério dos personagens da versão para TV interpretados por Van Williams e Bruce Lee.



Beleza Negra, o carrão negro do Besouro...
Para mim, o Black Beauty ou Beleza Negra, de  1966, permanece com um dos carros mais enigmáticos e interessantes já vistos e subestimados das telas da TV ou cinema.
Na próxima postagem destacarei o Interceptor, guiado por Mel Gibson, no clássico Mad Max, de 1979.

Por Eumário J. Teixeira

20 de jan. de 2016

CARRÕES FAMOSOS DA TV E DO CINEMA – Parte I - Batmóvel


Para começar o ano de 2016 com otimismo, resolvi postar sobre um assunto que sempre me fascinou desde criança. Estou me referindo aos carrões do cinema e séries de TV que tanto me impressionaram e ainda guardo em minha lembrança. Tais carros, em sua maioria, não eram convencionais, geralmente eram adaptados para a série ou filme para servir algum personagem ou herói, e na maioria dos casos, heróis mascarados. Dentre esses heróis ou quase super-heróis, podemos destacar Batman & Robin; O Besouro Verde & Kato; James Bond; Mad Max; El Santo, o Mascarado de Prata;  Ultra-Seven; e até o carrão da Pantera-Cor-de-Rosa. Mas alguns carros serviram como vilões também nos filmes, como em The Car, de 1977 e Christine, de 1983. Espero que gostem. Vamos iniciar a série com o Batmóvel e suas versões ao longo dos anos.



Batmóvel (Batmobile) – A série Batman & Robin foi exibida entre 1966 e 1968 na TV norte-americana. Foi lançada posteriormente e reprisada com sucesso no Brasil nos anos de 1970 a 1980 e recentemente em alguns canais fechados. A série tinha um tom cômico e debochado, quase que ridicularizando os heróis justiceiros dos quadrinhos, mas isso não diminuiu a popularidade do homem-morcego e do menino-prodígio, pelo contrário. A série tinha vários atrativos, além da própria dupla dinâmica; os vilões eram muito, digamos, excêntricos e além disso tinha a fabulosa  batcaverna, o batcinto de utilidades, o batcóptero, a batlancha, etc. Mas o que me cativava  mesmo era o belíssimo batmóvel.


O cruzado de capa com seu famoso Batmóvel



A melhor versão do Batmobile de todos os tempos, na minha opinião
Vale lembrar que o Batmóvel versão 1966/68, foi concebido de um modelo Lincoln Future 1955. Mas chegaram a cogitar em usar um modelo Cadillac 1959 adaptado.


Cadillac 1959 que poderia ter sido adaptado para o Batmóvel

A evolução do Lincoln Future 1955 até o Batmobile 1966


O Lincoln Future 1955 deu origem ao Batmóvel versão 1966


O início dos trabalhos para transformar o Lincoln Future 1955 no Batmobile
O responsável pela transformação do Lincoln Future para o Batmóvel foi o car customizer George Barris, que já tinha experiência em remodelar carros para seriados e filmes.


Registro histórico: o criador de Batman, Bob Kane (de terno escuro) e George Barris,
o criador do Batmóvel da série de 1966


George Barris e sua criação mais famosa
A obra de Barris finalizada
Nos antigos seriados para o cinema, o Batmóvel teve versões mais discretas nos anos de 1943 e 1949.


Batmóvel na versão de 1943

Batmóvel na versão de 1949


Batmóvel nas versões dos anos de 1940
Já no final da década de 1980, o Batmóvel para o cinema recebeu uma versão mais sombria que combinava com o personagem original.


Batmóvel na versão interessante para o filme em 1980
Vieram as décadas de 1990 e 2000 e houveram modificações de design que em nada se compararam, a meu ver, com o carrão conversível da década de 1960.


Personagem e seus batmóveis ao longo do tempo


O Batmóvel de 1966, para mim a versão definitiva!
Na próxima postagem destacarei o carrão negro do Besouro Verde, o Black Beautiful ou “Beleza Negra” .

Por Eumário J. Teixeira.