3 de ago. de 2013

THE LONE RANGER, O CAVALEIRO SOLITÁRIO


A origem na Rádio:

Earl Graser, autor do famoso "Ai-ou Silver, Avante!"
- The Lone Ranger (O Cavaleiro Solitário) foi um personagem criado para um programa da rádio WXYZ de Detroit (Michigan, EUA) em 1933, por George W. Trendle (1884-1972) e desenvolvido pelo escritor Fran Striker.
- George Seaton foi o primeiro ator da rádio a representar The Lone Ranger, de janeiro a abril de 1933.
- Jack Deeds foi o segundo intérprete para The Lone Ranger, de abril de 1933 a abril de 1941.
- Earle Graser (1909/1941) seria o terceiro a emprestar sua voz para dar vida a The Lone Ranger. O famoso grito de The Lone Ranger “Hi-yo Silver, Away!” foi desenvolvido e imortalizado por Grazer. Mesmo após a sua morte, o famoso grito gravado foi usado tanto nos episódios radiofõnicos quanto na famosa série de TV. Greaser deu voz ao Cavaleiro Solitário de 1933 a 1941. Ele nunca perdeu uma transmissão ao vivo e apesar de apresentar um outro programa, poucos sabiam que era de Graser a voz do Cavaleiro Solitário. Em 08 de abril de 1941, enquanto se dirigia para a rádio para mais um dia de trabalho, Graser sofreu um acidente de trânsito fatal aos 32 anos. 
Brace Beemer, voz e corpo de The Lone Ranger
- Brace Beemer (1902/1965), foi o mais famoso dos atores de rádio a interpretar The Lone Ranger. Antes de assumir a vaga deixada por Earle Graser, Beemer (que já trabalhava na rádio WXYZ) aparecia em público caracterizado de The Lone Ranger para promover o personagem.  Beemer era de boa estatura, tinha porte atlético e sabia cavalgar, praticou regularmente o tiro e tinha boa mira.  Graser, ao contrário, mesmo fazendo a voz do Cavaleiro Solitário, não tinha um físico compatível com o personagem, pois era baixinho e fora de forma, jamais se aproximou de um cavalo e não tinha dado mais  que uns poucos tiros em toda a sua vida. A performance de Beemer como o herói mascarado foi a que teve mais longevidade, de abril de 1941 a 03 setembro de 1954, data do último episódio das aventuras do Cavaleiro Solitário na WXYZ. Após o encerramento definitivo do programa, Beemer emprestou a famosa voz de The Lone Ranger para eventos e propagandas diversas, como para a venda de automóveis. Se o grito “Ai-ôu Silver, avante!” imortalizou Graser, a performance marcante de Brace Beemer marcou toda uma geração de ouvintes dos rádios ligados por toda a América nas décadas de 1940 e 1950, que identificavam sua voz com a do Cavaleiro Solitário.
Brace Beemer e John Todd (calvo e de óculos) em plena transmissão da WXYZ
- John Todd (1877/1957) foi o ator que deu vida à Tonto, o companheiro fiel do Cavaleiro Solitário. Todd interpretou o personagem de 1933 a 1954. Inicialmente ao lado de Earle Graser, para finalmente encerrar as aventuras do Cavaleiro Solitário e Tonto na companhia de Brace Beemer no último episódio transmitido pelo rádio em 1954. John Todd viveu até os 80 anos.

A lenda renasce nas telas dos cinemas:

Lee Powell e Victor Daniels - O Cavaleiro Solitário e Tonto
- Lee Powell (Lee Berrian Powell - 1908/1944) foi o primeiro ator da telona  a interpretar The Lone Ranger. O tele-seriado “The Lone Ranger” foi lançado em 1938 nos cinemas dos EUA. Lee Powell morreu em circunstâncias não totalmente esclarecidas quando servia à Marinha norte-americana nas ilhas do pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial. A informação oficial foi que ele teria ingerido bebida alcoólica envenenada. Nesta versão de 1938, o rosto e indentidade do Cavaleiro Solitário só são revelados nos últimos capítulos. O ator Lee Powell finalmente tira sua máscara adaptada a uma espécie de véu que cobria todo o seu rosto, revelando assim ao público qual dos seis atores teria interpretado o Cavaleiro Solitário durante todo o seriado. 
- Chief Thundercloud (Victor Daniels – 1899/1955) foi o primeiro ator da telona a interpretar  Tonto, o fiel companheiro índio do Cavaleiro Solitário, inicialmente interpretado por Lee Powell. Victor Daniels tinha realmente sangue índio da tribo cherokee ou muskogee. Daniels também interpretou o personagem Tonto ao lado de Robert Livingston na segunda temporada de The Lone Ranger.
Bob Livingston, o segundo a encarnar The Lone Ranger
- Robert (Bob) Livingston (Robert Edward Randall – 1904-1988) foi o segundo ator da telona a interpretar The Lone Ranger. Ele substituiu Powell em 1939 noutro tele-seriado intitulado “The Lone Ranger Rides Again”.


O Cavaleiro Solitário invade as Televisões da América
Clayton Moore e Jay Silverheels, inesquecíveis na série de TV
- Clayton Moore (Jack Clayton Moore – 1914/1999) foi o mais famoso dos atores a interpretar The Lone Ranger. Ele protagonizou um inesquecível seriado de TV (de 1949 a 1951 e de 1955 a 1957)  e também dois longas para o cinema representando o herói mascarado ao lado de Jay Silverheels: “The Lone Ranger” (1956) e “The Lone Ranger and the Lost City of Gold” (1958).
John Hart substituiu Moore por dois anos
- John Hart (1917-2009), foi o segundo ator a interpretar The Lone Ranger para um seriado de TV. Ele substituiu Moore entre 1952 a 1954, enquanto este supostamente se afastou para negociar a renovação de seu contrato.
- Jay Silverheels (Harold J. Smith – 1912/1980), foi o primeiro e último ator a interpretar Tonto, o fiel companheiro índio de The Lone Ranger para o seriado de TV. Silverheels trabalhou ao lado de Moore e Hart, nas duas fases de The Lone Ranger entre 1949 a 1957. Como Victor Daniels, o primeiro a interpretar Tonto no cinema, Silverheels também tinha sangue índio, dos mohawk canadenses.
- A música tema da série de TV The Lone Ranger com Clayton Moore e Jay Silverheels ficou marcada na memória de quem curtiu as aventuras do Cavaleiro Solitário; principalmente a parte final extraída da obra “William Tell Overture” de Giocchino Rossini, adaptada e conduzida por Daniel Pérez Castaneda para a famosa abertura da série.

Versões modernas de The Lone Ranger:
 
The Legend of The Lone Ranger,  1981. Razoável.
- O filme para as telonas “The Legend of The Lone Ranger” de 1981, foi estrelado por CLinton Spilbury que interpretou The Lone Ranger, e Michael Horse encarnou Tonto. O filme não foi bem aceito porque foi contra, em muitos detalhes, a verdadeira origem do personagem. Além disso, Clinton Spilbury não convenceu como The Lone Ranger.

The Lone Ranger, 2003. Um fracasso.
- O filme para a TV  “The Lone Ranger” de 2003, foi estrelado por Chad Michael Murray como The Lone Ranger e Nathaniel Arcand como Tonto. Outra Tentativa fracassada de adaptar a história do Cavaleiro Solitário, fazendo dele um rancheiro mascarado. Acabou arquivado e esquecido.

The Lone Ranger, 2013. Não decepciona.
- O filme para o cinema “The Lone Ranger” de 2013, foi a última versão para o Cavaleiro Solitário, estrelado por Armie Hammer como The Lone Ranger e o consagrado ator Johnny Depp como Tonto. Alguns aprovaram, mas a maioria saudosista e fiel ao original ficou decepcionada, já que a versão tente mais para a comédia  e há um certo abuso de efeito especiais.  Fica uma sensação de que o personagem do Cavaleiro Solitário fica em segundo plano, pois a versão de Tonto de Johnny Depp rouba a cena.

Zorro vs. Cavaleiro Solitário
O Cavaleiro Solitário e o Zorro no Brasil

No Brasil o seriado The Lone Ranger estrelado por Clyaton Moore e Jay Silverheels foi exibido na TV em prêto e branco a partir da década de 1960 com reprises nas décadas de 1970. A TV Tupi (já extinta) foi a primeira a exibir o seriado com o nome errôneo de “Zorro”, da mesma forma nas revistas em quadrinhos lançadas pela Editora Brasil-América (Ebal) onde The Lone Ranger ou o Cavaleiro Solitário era apresentado como Zorro. Na Verdade o Zorro (raposa em espanhol) seria originariamente o herói mexicano mascarado de capa e espada, que montava um alazão negro chamado Tornado e era acessorado por um fiel escudeiro chamado Bernardo. Zorro lutava pela independência do México e contra o exército local corrompido pelos colonizadores espanhóis. O herói mexicano ainda tinha como um inimigo trapalhão, o gorducho Sargento Garcia. Nada a ver com o Cavaleiro Solitário, que tem suas aventuras passadas no Texas já anexado ao território norte-americano várias décadas após as aventuras do Zorro de origem mexicana. Alguns traduziram “Ranger” como “Guarda Florestal”, mas na verdade o termo ranger está mais “patrulheiro” ou “vigia”. Estes homens da lei vigiavam as fronteiras do Texas com o México, uma rota muito explorada pelos diversos contrabandistas de armas e bebida; bandidos em fuga; ladrões de gado e cavalos; e malfeitores que se refugiavam no território mexicano. Os rangers do Texas realmente existiram, era uma força respeitada da polícia de fronteira composta de homens capacitados e treinados para a função de patrulhamento e perseguição aos fora-da-lei.

The Lone Ranger nos Quadrinhos

The Lone Ranger teve suas primeira tiras de quadrinhos para o jornal nos EUA publicadas a partir de 1938 pela King Features Syndicate, desenhadas inicialmente por Ed Kressy
 
Desenhos de Eddy Kressy
No ano seguinte o imortal Charles Flanders (1907/1973) definiu para a posteridade os traços que caracterizariam o Cavaleiro Solitário e seu amigo Tonto. 
 
Desenhos de Charles Flanders
Após a aposentaria de Flanders em 1971, surge Tom Gill (1913/1992) que definiu o personagem mascarado com traços mais refinados e precisos, auxiliado de vez em quando por arte-finalistas,  destacando-se em seu trabalho além do sombreamento e detalhismos nas paisagens, o visual de um Cavaleiro Solitário elegante e de postura nobre. 
 
Desenhos de Tom Gill
No Brasil os trabalhos de Flanders e Gill foram lançados em revistas em quadrinhos mensais pela EBAL em edições coloridas e em prêto e branco com o título equivocado de “Zorro”, até o final da década de 1970. No início da década de 1980, Russ Heath apresenta o Cavaleiro Solitário com o figurino do filme de 1981. No início da década de 2000 Timothy Truman ilustra The Lone Ranger de uma forma bastante inovadora. Em 2006,  John Cassaday apresenta o Cavaleiro Solitário com uma  áurea mais sombria.

Capas inesquecíveis dos quadrinhos  de The Lone Ranger

Um Resumo da História do Cavaleiro Solitário

O Capitão Daniel Reid dos Rangers do Texas, comandava seu irmão John Reid (The Lone Ranger)  e mais quatro patrulheiros numa perseguição ao bando de Butch Cavendish que aterrorizavam o território. Os rangers seguiam os rastros dos bandidos guiados por um guia traiçoeiro que os levou a uma emboscada fatal num desfiladeiro. Em um número superior aos dos guardas rurais, o bando de Cavendish ocultos por um  paredão de rochas atiraram para matar. Todos os rangers  foram mortos, menos um, justamente o irmão mais novo do Capitão Reid, que se tornaria The Lone Ranger (o ranger solitário). John Reid foi  achado pouco tempo após o massacre seriamente ferido pelo índio (comanche ou apache) chamado Tonto.  Ele e seu cavalo malhado, scout (escoteiro), foram atraídos pelo vôo dos abutres. Tonto logo teria reconhecido o ranger sobrevivente, já que este teria salvo a sua vida em sua juventude, por ocasião de um ataque à sua aldeia.
Tonto o conhecia pelo nome indígena Ke-Mosah-Bee, originado de um dialeto provavelmente comanche ou apache, que significava “olheiro fiel” (trusty scout) ou “amigo de confiança” (trusted friend).  A tradução aqui no Brasil chegou como “kemo-sabe” e até ao absurdo de “quem-não-sabe”. 
Escoteiro, Tonto, Cavaleiro Solitário e Silver
Após ser curado das feridas, o único guarda rural sobrevivente do massacre, John Reid, pede a tonto para fazer a sexta sepultura, indicando assim que todos os rangers teriam morrido na emboscada. Assim ele ficaria livre de uma  possível perseguição do bando de Cavendish e poderia caçá-los no anonimato usando uma máscara que preservaria a sua verdadeira identidade.
Durante a procura ao bando de Cavendish The Lone Ranger e Tonto presenciam uma luta desigual entre um magnífico corcel branco selvagem e um búfalo. The Lone Ranger intervém e abate o búfalo a tiros; a seguir trata do cavalo e o doma, dando-lhe o nome de silver (pois era branco como a prata).
Em seguida, The Lone Ranger e seu companheiro, chegam a uma cabana que ocultava em seu interior a entrada para uma mina de prata descoberta por ele e seu irmão falecido.  Lá com a ajuda de um ranger aposentado que protegia a propriedade, forjam as famosas balas de prata, que se tornariam um símbolo de justiça naquele território, agora sob a proteção do Cavaleiro Solitário e seu fiel companheiro Tonto. Após uma perseguição árdua, finalmente The Lone Ranger e Tonto capturam Cavendish e seu bando e os entregam à justiça. Era apenas o início de uma jornada do justiceiro mascarado num combate sem tréguas a qualquer bandido que se aventurasse nos seus domínios.
Ai-ôu, Silver, Avante!
Um detalhe importante: O Cavaleiro Solitário nunca atirava para matar, apenas desarmava os bandidos com tiros extremamente precisos. E como ele mesmo diria: o julgamento ou a morte dos fora-da-lei, cabe à justiça ou à providência divina! Como as coisas mudaram, não?
E ao término de cada aventura bem sucedida podia-se ouvir ao longe o brado de guerra de The Lone Ranger: Ai, ôu Silver, Avante! (Hi-Yo Silver, Away!).

A Polêmica do nome de Tonto

Tonto, ou melhor, Jay Silverheels
Tonto, o fiel amigo índio do Cavaleiro Solitário, era provavelmente de origem apache ou comanche, pois essas etnias indígenas habitavam o Novo México e o Texas. Tonto era muito inteligente e frequentemente agia  com muita astúcia em situações onde o Cavaleiro Solitário não poderia se expor devido às circunstâncias ou ao uso da máscara. Usava com eficiência o colt 45 e se precisasse, da mesma forma, a faca, o arco e a flecha. Tonto, como o Cavaleiro Solitário, tinha também um cavalo treinado que se chamava escoteiro (scout). 
O personagem Tonto teve vários intérpretes célebres, como John Todd na rádio WXYZ nos anos de 1930 a 1950; Chief Thundercloud (Victor Daniels) nos cinemas dos anos de 1930; e Jay Silverheels na famosa série de TV dos anos de 1950 e em dois filmes para o cinema em 1956 e 1958. Recentemente Tonto foi revisitado para cinema no filme The Lone Ranger (O Cavaleiro Solitário - 2013) pelo consagrado ator, John Deep.
O nome “Tonto” causou polêmica desde quando o personagem fora criado pelo radialista George W. Trendle.  “Tonto” era um nome índio real de origem Pottowatomie, que literalmente poderia significar “selvagem ou descontrolado”; como também “Tonto” era um reconhecido dialeto ou uma variação do idioma dos índios apaches, também chamados coyoteros, que habitavam numa determinada região do Texas. Aliás, o nome “Tonto” provocou um certo constrangimento para nós brasileiros e fãs do personagem em diversos países de língua portuguesa e espanhola, já que o adjetivo “tonto” para nós nunca pôde ser considerado um elogio, pois o termo pejorativo se associa a uma pessoa atrapalhada ou pouco inteligente, o que não era o caso do valente escudeiro do Cavaleiro Solitário.

Por Eumário J. Teixeira.

7 de jul. de 2013

JIM KELLY, O FAIXA PRETA JONES, MORREU!

 

Jim Kelly foi  um legítimo representante do movimento da “força negra” ou "poder negro" nos anos de 1970, pelo menos em termos de visual. Com sua vasta cabeleira afro-black power, suas costeletas “a la Elvis Presley” e seu caminhar gingado, Jim Kelly fez escola para os jovens negros nos Estados Unidos que curtiram os personagens vividos por ele nos filmes de artes marciais. Aliás, Jim Kelly, tinha consciência de que ele foi um primeiros atores negros a protagonizarem filmes de ação para o público negro carente de heróis e que os representassem nas telonas. Ele reunia todas as condições para ser bem aceito como um novo astro negro do cinema como Sidney Poitier, Jim Brown, Fred Williamson e Calvin Lockhart. Era um ator razoável direcionado para os filmes de ação do gênero conhecido como “Blaxploitation” (filmes de ação independentes dirigidos às comunidades de periferia com muita música soul e atores negros), pois tinha um carisma natural, um físico de atleta e era realmente um estiloso praticante faixa-prêta de karatê japonês. Assim, faço aqui uma pequena homenagem ao “Black Samurai” Jim Kelly, que junto a Bruce Lee, tanto me inspirou para curtir e praticar artes marciais.


Jim Kelly como o presunçoso karateca Williams
JIM KELLY James Milton Kelly, nasceu em 05 de maio de 1946 em Paris, no interior do Kentucky, nos Estados Unidos. Muitos achavam que ele teria nascido num bairro violento como o Bronx de New York, como os ínumeros personagens que representou em seus filmes. Ainda criança se mudou para San Diego, na Califórnia. Quando rapaz, ganhou uma bolsa de estudos da Universidade de Louisville, se valendo do seu porte atlético e 1,88 m para se ingressar no time de futebol americano. Mas logo se retirou do grupo em protesto contra o tratamento racista e discriminatório aos jogadores negros. Provavelmente se sentindo cada vez mais ameaçado pela onda de racismo que se propagava pelo país em meados dos anos de 1960, Jim Kelly resolveu aprender karatê e se formou faixa preta em poucos anos de treinamento. Inicialmente ele começou a praticar o estilo Shorin-Ryu de karatê, passando a praticar também outros estilos primitivos de karatê de Okinawa sob o comando dos mestres Parker Shelton e Gordon Doversola.
Em  1971 chegou a vencer o Quarto Campeonato Internacional de Karatê de Long Beach, California, na categoria peso médio. Na época, Jim Kelly já ensinava em seu próprio dojô ou academia no distrito de Crenshaw de Los Angeles.
Jim Kelly começou a flertar com o cinema quando passou a ministrar aulas particulares de karatê para o ator negro Calvin Lockhart que precisava estar em forma para atuar no filme  de supense policial “Melinda” em 1972. Ao aparecer nos estúdios de gravação para checar a performance de seu aluno, Jim Kelly foi notado pelo diretor negro Hugh A. Robertson. Assim Jim Kelly acabou por fazer uma “ponta” no filme Melinda.

Bruce Lee coreografando Jim Kelly em Operação Dragão
No início de 1973, enquanto selecionavam o elenco para o clássico maior das artes marciais no cinema Operação Dragão (Enter The Dragon), que consagrou Bruce Lee, os produtores procuravam um ator negro que tivesse habilidade em artes marciais para compor um trio multi-racial de heróis no filme, a saber, um chinês (Bruce Lee), um branco norte-americano (John Saxon) e um negro ou afro-americano. Após a desistência do ator Rockne Tarkington, Jim Kelly foi imediatamente recomendado e convocado pelo produtor Fred Weintraub para assumir o papel do personagem Williams, um karateca de “estilo nada ortodoxo”, carismático, sensual, cool, presunçoso e cheio de frases de efeito. Quem não se lembra da famosa exclamação de Williams - “Bullshit, Mr. Han!” - quando é confrontado pelo vilão de Operação Dragão? O personagem de Jim Kelly morre prematuramente pelas mãos do vilão no filme, mas sua performance, principalmente nas cenas de luta dirigidas por Bruce Lee, lhe deram certo destaque. Cada um do trio de heróis que embarcou para o sinistro torneio na ilha do vilão Han tinha seu motivo oculto para estar lá. Lee (Bruce Lee) era por vingança, já que Han era um monge shaolin renegado e corrupto traficante de ópio, que trouxe a desgraça para a sua ordem e que tinha como seu fiel guarda-costas, O’Hara (Bob Wall), o culpado direto pela morte da irmã de Lee; Roper (John Saxon) fugia da máfia pois devia muito dinheiro perdido em jogatinas; Williams (Jim Kelly) estava ali pelo simples prazer de competir e para provar a si mesmo o quanto era bom. 

Jim Kelly detonando em Operação Dragão
No roteiro o personagem de Williams morreria num confronto precoce com Han, o que foi decepcionante para o público em geral, eu mesmo me lembro que fiquei muito decepcionado, preferia que se fosse para morrer um coadjuvante de Lee, seria melhor que fosse Roper, apesar da sua simpatia. Pois evidentemente Williams (ou Jim Kelly) tinha um estilo mais atraente de luta que lembrava Muhammad Ali. Quem sabe não rolou um pouco de discriminação aí? Certamente já era um absurdo para a época, um norte-americano de origem chinesa como Briuce Lee ser convidado para ser o “mocinho” do filme, e independentemente de qualquer situação, Jim Kelly tinha deixado seu recado com muito competência e carisma. 

O Faixa Prêta Jones, o melhor de Jim Kelly
Após a morte inesperada de Bruce Lee em julho de 1973, um buraco enorme foi aberto no hall das estrelas dos “filmes de Kung Fu”. Dai surgiu uma oportunidade para Jim Kelly em 1974, ainda pegando carona na ótima repercussão de Operação Dragão e  na morte de seu principal astro. Robert Clouse, o mesmo produtor de Operação Dragão, o convida para estrelar seu próprio filme que se chamaria Jones, o Faixa Preta (Black Belt Jones). A história do filme gira em torno da máfia que queria comprar as propriedades da região de um gueto negro a preços irrisórios para um golpe de especulação imobiliária. Só que Pop Byrd, um velho instrutor de karatê dono de um prédio no qual morava e ministrava suas aulas, não se dobrou à pressão dos bandidos e acaba assassinado por isso. Adivinhe quem era o melhor amigo de Pop Byrd? Black Belt Jones, é claro! Para o azar dos mafiosos; e ainda por cima, a filha de Byrd, Sidney (Gloria Hendry), surge na trama sedenta de vingança.  Foi o melhor filme feito por Jim Kelly, sem dúvidas.
Em seguida vieram Three the Hard Way (1974); Golden Needles (1974); Take a Hard Ride (1975), um faroeste com o trio parada dura, Jim Brown, Fred Williamson e Jim Kelly (que representa um guerreiro negro criado por índios); Hot Potato (1976) com o personagem “Jones” de volta; Black Samurai (1977);  The Tattoo Connection (1978), ou Black Belt Jones 2, uma paródia do primeiro filme filmada em Hong Kong; Death Dimension (1978); The Amazing Mr. No Legs (1981); e One Down, Two To Go (1982).  

Os três filmes do 'trio parada dura': Jim Kelly, Jim Brown e Fred Williamson
Em Three the Hard Way (“Implacáveis até o Inferno”, no Brasil) de 1974,  Jim Kelly se junta novamente aos astros negros do gênero blaxploitation, Jim Brown e Fred Williamson; um trio bem sucedido que tornaria a se reencontrar em One Down, Two To Go (“Revanche de Sangue”, no Brasil) de 1982.  Em Black Samurai (“O Dragão Negro”, no Brasil) de 1977, Jim Kelly começa uma série de paródias de si mesmo, um filme de baixo orçamento e ruim, que apesar de tudo contra se tornou “cult” entre os fãs mais devotos.  
Williamson, Kelly e Brown, astros do gênero blaxploitation para o público negro
Jim Kelly acabou se cansando de tudo isso, abandonou os filmes de artes marciais e passou a se dedicar ao circuito senior de Tênis da USTA, esporte que ele curtia e praticava além do karatê desde meados dos anos de 1970, em Plummer Park, em West Hollywood, Los Angeles.

Jim Kelly vs. Muhammad Ali. Quem ganharia o confronto?
Nos anos de 1990, Jim Kelly reapareceu como coadjuvante em muitos filmes B. Sua última aparição nas telas foi numa pequena figuração em “Black Ninja”, uma comédia de ação blaxploitation de 2007. Em 2009, Jim Kelly apareceu numa convenção de quadrinhos, na Comic-Con de San Diego, na Califórnia, atraindo muitos fãs.

 A outra paixão de Jim Kelly era o tênis
Ainda em 2009, foi lançado o filme (misto de comédia e ação) “Black Dynamite” estrelado por Michael Jai White (que protagonizou Spawn)  numa clara referência e homenagem aos personagens vividos por Jim Kelly nas telonas. Black Dynamite vive nos anos de 1970, é  um veterano da Guerra do Vietnã e agente da CIA que parte para combater o crime nos guetos negros após o assassinato de seu irmão. Michael Jai White confessou que fez questão de copiar todos os trejeitos de Jim Kelly. O filme ainda rendeu uma série animada em 2011.
Jim Kelly faleceu no dia 29 de junho de 2013, aos 67 anos, em decorrência de um câncer, segundo informações de sua ex-esposa Marilyn Dishman. Jim deixou também uma filha, Sabrena Kelly-Lewis.
Saudades do Black Belt Jones, Oss!

Jim Kelly curtindo o boneco de Williams
Por Eumário J. Teixeira.

16 de jun. de 2013

OSWALD BOELCKE – O PAI DA AVIAÇÃO DE COMBATE



A fama de Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho, fez justiça ao mito criado durante e após a Primeira Guerra Mundial. Mas é fato  que ele não teria sido o que foi se não fosse convocado pelo ás Oswaldo Boelcke para integrar a Jagdstaffel (ou Jasta) 2. Quem era realmente Oswald Boelcke, aquele jovem piloto alemão que revolucionou para sempre a aviação de guerra, dando finalmente destaque e certo status para os pilotos de combate? Sem dúvida, Boelcke foi o pioneiro dos combatentes aéreos e suas estratégias de ataque e defesa são até hoje estudadas pelos pilotos modernos mesmo com seus caças equipados com alta tecnologia. A seguir uma breve resumo sobre a vida de Oswald Boelcke.

Boelcke, brilhante também nos estudos

Família, saúde e academia militar Oswald Boelcke nasceu em 19 de maio de 1891 em Glebichenstein, próximo a Halle, na Alemanha. Era filho de um professor de ensino médio. Seus três irmãos mais novos nasceram na Argentina, onde seu pai lecionou por algum tempo. Boelcke sempre teve a saúde fragilizada devido à problemas com sua asma e para fortalecer seu sistema cárdio-respiratório começou a praticar natação, ginástica e tênis. De família nacionalista, Boelcke se integrou na Academia Militar aos 13 anos quando teve sua solicitação atendida pelo Kaiser (Imperador) Guilherme II.  Boelcke foi um brilhante estudante, se destacando em física, química e matemática. Quando se formou como cadete, foi transferido para o Batalhão de Telegrafo nr. 3 em Klobenz. 

Primeiros contatos com um avião Em 1914 é transferido  junto a seu irmão mais velho, o capitão Wilhelm Boelcke para a recém formada Halberstadter Fleigerschule, a escola de Vôo de Halberstadt. Ainda nesse ano, recebeu treinamento de voo de maio a agosto, se formando como piloto em 15 de agosto de 1914.

A realidade da aviação Militar no início do Século XX Os aviões no início do século XX eram modelos biplanos ou triplanos com estrutura de madeira, entelados (cobertos com pano). Eram monomotores e sua baixa velocidade e sua ótima condição de planagem os credenciavam sobretudo para voos de reconhecimento, aliás, essa seria sua única função no começo da primeira guerra. Quando ocorria eventualmente um encontro entre lados opostos nos ares, as armas pessoais (pistolas) dos pilotos ou observadores é que decidiam quem permanecia voando e quem se espatifava no solo. Com os crescentes confrontos nos céus, as armas pessoais foram substituídas metralhadores manejadas pelo observador que só poderiam ser disparadas pelas laterais, para não atingir as hélices também feitas de madeira. Tentaram resolver esse problema revestindo as hélices com capas metálicas, mas perceberam que o piloto corria o risco de ser atingindo se os projéteis ricocheteassem nelas. Uma surpreendente solução foi alcançada quando desenvolveram um sistema de disparo em sincronia com a rotação das hélices. Agora o piloto poderia voar sem a necessidade de um observador para manusear a metralhadora. As metralhadoras passaram a ser posicionadas na frente do piloto que as disparava através de um dispositivo no próprio manche, fazendo com que os projéteis passassem entres as hélices em perfeita sincronia. As possibilidades de um ataque frontal se tornaram realidade e as estratégias de ataque se tornaram mais efetivas. Oswald Boelcke foi o principal responsável pelo desenvolvimento  das táticas de combate aéreo que mudaram radicalmente a função do avião nas guerras, da função de observação e vigilância para uma das armas mais letais usadas num conflito moderno.

Boelcke (à esquerda) e Richthofen, examinando um caça britânico
A Força Aérea Alemã na Primeira Guerra Mundial A Alemanha não era uma grande potência armada em relação ao poderio integrado dos ingleses, franceses e aliados, que eram superiores no  número de combatentes e armamentos. Daí o destaque para as proezas e heroísmo lendários dos combatentes alemães, principalmente dos ases da aviação de combate, teoricamente inferiores em número e sempre um passo atrás das inovações técnicas e estruturais da aviação aliada. Para superar a aparente desvantagem, os pilotos alemães esbanjavam espírito, força de conjunto e inteligência estratégica para o combate. 

Boelcke recebe a Cruz de Cavalheiro em 03/11/1915
Surge o primeiro Ás da Aviação – Antes de seu tornar um temível piloto de combate, Oswald Boelcke pilotou aviões de reconhecimento tendo seu irmão Wilhem Boelcke como observador pelo 13º Pelotão de Aviadores. Após 50 missões cumpridas, recebeu a condecoração da Cruz de Ferro junto com o irmão em 1914. A dupla foi desfeita devido à intrigas e rivalidades internas provavelmente causadas pelo sucesso dos irmãos. Em abril de 1915 Boelcke foi transferido para a 62 ª Unidade de Reconhecimento e Ajuste de Artilharia situados em Douai, situado em território francês ocupado pelos alemães. Em Julho de 1915, os pilotos de combate Oswald Boelcke, Max Immelmann, Otto Parschau e Jurt Wintgens receberam os primeiros protótipos dos aviões Fokker M.5K.MG, equipados com metralhadoras Parabellum sincronizadas e refrigeradas a ar. Em 04 de julho de 1915, Oswald Boelcke, ainda pilotando um avião biposto consegue sua primeira vitória com seu observador, o tenente Heinz von Wühlisch, num duro combate contra um avião Morane Parasol sobre a região de Valenciennes, França. A vitória numa ação específica de combate fomentou a idéia de desenvolver esquadrões treinados para a interceptação e combate. Em 19 de agosto de 1915, Boelcke obteve sua primeira vitória solo, derrubando um Bristol Biplano. Em 03 de novembro foi o primeiro piloto a receber a Cruz de Cavalheiro com Espadas da Ordem Real da Casa de Hohenzollern.

Max Immelmann, parceiro e rival de Boelcke
Boelcke, Immelmann e a Pour Le Mérite – Outro piloto que se destacava na 62ª Unidade era Max Immelmann, que até o final de 1915 obtivera sete vitórias, contra seis de Oswald Boelcke. Até o final de janeiro de 1916 ambos estavam com oito vitórias no currículo, o que os levou a receber a mais alta condecoração militar, a Ordem Pour Le Mérite. Em Março de 1916, Boelcke tornou-se líder da unidade recém formada, a Fliegerabteilung Sivery, comandando os combates sobre Verdun. Em 18 de junho, Max Immelmann foi abatido e morto em combate, ele havia alcançado 17 vitórias. 

O Kaiser e o herói nacional – Com a crescente fama e popularidade de Oswald Boelke entre o povo alemão e o temor de perder um exemplo único de combatente, o Imperador Wilhelm II, Rei da Prússia, chegou a ordenar seu afastamento dos combates aéreos para preservá-lo de uma morte prematura. O Kaiser queria utilizar sua capacidade intelectual e experiência adquirida nos combates na reestruturação da força aérea alemã que ainda estava atrasada em relação aos avanços tecnológicos alcançados pelos ingleses e franceses. A influência em terra como no ar de Oswald Boelcke foi decisiva para o progresso da força aérea alemã. 

Boelcke, antes de tudo um cavalheiro
O desenvolvimento dos caças alemães -  Os aviões Fokker E-III foram finalmente substituídos pelos modelos Halberstadt e Albatros, ao mesmo tempo em que ocorria um reorganização das Forças de Combate Aéreo. Foram desenvolvidos estudos que geraram novos conceitos e inovações táticas de combate aéreo tão revolucionárias que foram utilizadas até a Segunda Guerra Mundial. O conceito de se formar um esquadrão com espírito de equipe e cooperação comandado por um líder experiente e carismático, fez escola. 

Espírito de combatente e honradez de cavalheiro – O nobre caráter de Oswald Boelcke foi reconhecido graças a um incidente em 28 de agosto de 1915. Ao presenciar um avião francês ser abatido e mergulhar no canal próximo à sua base, Boelcke totalmente equipado para o voo se dirigiu ao local e mergulhou sem hesitar no canal, salvando o piloto Albert de Place do afogamento. A família do piloto francês em agradecimento requereu ao governo francês uma condecoração ao piloto alemão, que foi concedida através do governo da Alemanha, pelo seu ato de dignidade e bravura através da Rettungsmedaille am Band (Medalha de Salvamento), em 30 de novembro de 1915.

Boelcke e seus nove mandamentos de combate
A Dicta de Boelcke – Oswald Boelcke foi pioneiro em desenvolver táticas revolucionárias para o conflito aéreo, baseado nos muitos combates que realizou com sucesso. Assim  ditou instruções básicas para serem  seguidas por um piloto de caça:
01 – Antes do ataque, crie ou certifique-se das condições favoráveis ao sucesso do combate: velocidade, altitude, superioridade numérica e posicionamento.
02 -  Ataque sempre com o sol na retaguarda.
03 – Uma vez iniciado o ataque, dê continuidade e não o aborte.
04 – Dispare o mais próximo possível do adversário e somente se o tiver seguro na alça da mira.
05 – Não perca o adversário de vista.
06 – Em qualquer forma de ataque é necessária a aproximação pela retaguarda do adversário.
07 – Se o adversário o atacar em voo de mergulho, não tente desviar-se do ataque. Enfrente-o
08 – Ao sobrevoar linhas inimigas, mantenha-se orientado e resguarde sua retaguarda para a eventualidade de um recuo às próprias linhas.
09 – Em caso de ataque com esquadrilhas: Em princípio os ataques devem ser realizados em grupos de quatro a seis aviões. Caso ocorrer dispersão dos combatentes, evitar um ataque grupal a um único adversário. 

Boelcke (à direita) e um companheiro da Jasta 2
A Esquadrilha Jasta 2A Fliegerabteilung Sivery era integrada por seis caças, sendo a precursora das Jagdstaffel (Esquadrilhas de caça) alemãs criadas em 1916, que passaram a seguir os conceitos inovadores de Oswald Boelcke. Após a criação da Jagdstaffel (Jasta) 1, o tenente-coronel Hermann von der Leith-Thomsen incumbiu a Boelcke a formar a Jasta 2. Os primeiros pilotos escolhidos por Boelcke foram Manfred von Richthofen (o Barão Vermelho), Erwin Bohme e Hans Reimann. A Jasta 2 se tornou a unidade de elite da aviação de combate alemã. No início operavam os Fokker D-II e Halberstadt D-II que foram substituídos posteriormente pelos mais modernos modelos Albatros D-I e D-II. No final da guerra a Jasta 2 contava com 20 pilotos, contabilizando um total de 336 vitórias e apenas 44 baixas. O segredo para tantas vitórias era, segundo Boelcke, manter a disciplina tática do grupo e o espírito de equipe. Ele mesmo afirmou: “O sucesso da Jagdstaffel 2 nos combates depende da ação e conjunto. Não importa qual o piloto efetivamente obteve vitória, contanto que a Jagdstaffel vença o combate.”

Quadrinização do acidente fatal com Oswald Boelcke
A morte inesperada de Oswald Boelcke – Dois dias após sua 40ª vitória, no dia 28 de outubro de 1916, Oswald Boelcke e sua esquadrilha partem para interceptar os caças DH-2 britânicos da 24º esquadrilha da Royal Flying Corps. Durante a batalha aérea sobre Baupaume, o trem de pouso do caça pilotado pelo companheiro Erwin Böhme, rasga a asa superior do Albatros D-II de Boelcke. Com o avião descontrolado, Boelcke ainda consegue aterrissar. Mas o forte impacto ao solo, lhe causou a morte por traumatismo craniano. Boelcke tinha apenas 25 anos e já era considerado um mestre da aviação de combate. O velório, sob um forte comoção popular, se realizou na Catedral de Cambrai, com a presença de várias personalidades. Manfred von Richthofen, que seria em pouco tempo conhecido como o temido Barão Vermelho e nomeado o novo líder da Jasta 2, carregou as medalhas de seu mentor durante o velório. O corpo de Boelcke foi sepultado dois dias depois no cemitério honorário de Dessau com honrarias militares.
O corpo de Boelcke ao lado dos destroços
Funeral de Oswald Boelcke com honrarias militares
Numa próxima postagem falarei um pouco sobre outro ás da força aérea de combate alemã: Max Immelmann.

Por Eumário J. Teixeira.