3 de nov. de 2012

OS 10 MAIORES GUITARRISTAS – PARTE II - DE BLUES ACÚSTICO & ELÉTRICO


Muitas listas com os nomes dos maiores guitarristas da história da música circulam pela internet e revistas especializadas. A cada classificação de tais nomes geralmente é baseada na capacidade técnica e habilidade de cada músico, o que é o bastante para gerar muita controvérsia. Para exemplificar, há certo consenso no que se diz respeito sobre quem seria o número um da lista, o maior de todos. O nome que mais aparece no primeiro lugar é o de Jimi Hendrix. Já a partir do segundo classificado acontecem muitas variações, revezando os nomes de Eric Clapton, Jeff Beck, Jimmy Page, Eddie Van Halen, etc. Como alguns gêneros musicais são desprezados nessas relações e nomes como Django Reinhardt e Dick Dale, geralmente ficam de fora, elaborei quatro listas com guitarristas considerados especialistas em seu gênero musical, sendo que a classificação de cada relação vai de um a dez. Não considerei apenas a habilidade técnica do guitarrista, mas também sua importância dentro do(s) gênero(s) que representa. Não sou um conhecedor profundo do assunto, nem ao menos sou músico, mas me baseei nos discos que já ouvi e no que li sobre a história da música em geral, considerando também o meu gosto pessoal. As listas estão divididas em quatro gêneros assim classificados: 1 – Jump Blues, Rock & Roll, Surf & Instrumental Rock; 2 – Blues Acústico & Elétrico; 3 - Blues Rock & Heavy Rock; e 4 – Jazz & Fusion. 

1 – Robert Johnson –  Guitarrista afro-americano nascido em 08/05/1911, é considerado o “rei do blues do Delta do Mississipi”. De técnica admirável, suas 40 faixas gravadas num quarto de hotel só com a guitarra acústica e voz, são consideradas verdadeiras preciosidades por guitarristas renomados como Eric Clapton e Peter Green. As faixas parecem indicar, em certos momentos, que haviam dois guitarristas nas sessões, mas na verdade só Robert Johnson estava naquela sala de gravação. Ele padronizou os doze compassos para o blues. Há muito mistério em torno da vida de Robert Johnson, como de sua pouca habilidade para tocar atestada por Son House e Bukka White, até que Johnson ressurge após um breve período de ausência do meio freqüentado pelos velhos bluesmen, com uma habilidade e técnica surpreendente. Daí surgiu a lenda de que ele teria feito pacto com o diabo (numa encruzilhada) para ser um mestre da guitarra; só que ele não pôde aproveitar sua conquista por muito tempo, pois teria sido morto através de whisky envenenado por um marido ciumento. Suas músicas foram regravadas por vários artistas e bandas de rock como Eric Clapton, Peter Green, Rolling Stones, Cream, etc. Alguns de seus blues mais famosos são “Crossroads”, “Come On In My Kitchen”, “Love In Vain”, “Little Queen Of Spades”, “From Four Till Late”, “Sweet Home Chicago”, “Rambling On My Mind”, “I Believe I’ll Dust My Broom” e “Walking Blues”. Robert Johnson morreu em 16/08/1938 aos 27 anos.

2 – T-Bone Walker – Guitarrista e vocalista afro-americano nascido em 28/05/1910, sua receita de blues continha ingredientes do texas blues, jump blues, jazz blues e R & B. T-Bone Walker tinha uma técnica refinada e estilo único naquelas décadas de 1940 e 1950, e “todos queriam soar como T-Bone Walker”, declarou B. B. King. Outros grandes guitarristas inspirados em T. Bone foram Eric Clapton, Steve Ray Vaughan, Albert Collins, Buddy Guy, Chuck Berry, Clarence “Gatemouth” Brown e Jimi Hendrix.Walker tocava até com os dentes, o que foi copiado por muitos guitarristas de rock nas décadas posteriores. É de sua autoria o clássico do blues “Stormy Monday Blues”, regravado por inúmeros artistas do blues e blues rock; outros de seus sucessos foram “Mean Old World”, “T-Bone Suffle” e “You Don´t Love Me”. Walker faleceu em 16/03/1975.

3 – B. B. King – Guitarrista e vocalista afro-americano nascido em 16/09/1925, também conhecido como “the king of blues”. Dos três reis magos da guitarra (B. B., Albert e Freddie), ele é considerado o primeiro. O que Louis Armstrong e seu trompete representaram mundialmente para o jazz, B. B. King, da mesma forma, com sua guitarra Epiphone Gibson ES – 3555, chamada Lucille, foram para o blues; um embaixador do gênero, viajando por todo mundo divulgando o estilo de música que o consagrou. O nome “Lucille” para sua guitarra foi dado depois de um acidente no qual quase se feriu num incêndio provocado por dois homens numa espelunca que brigavam por causa de uma mulher de mesmo nome. Seu estilo econômico de tocar fez escola, não abusava da quantidade de notas em seus solos, mas sustentava poucas notas através de um efeito adotado por ele, chamado “vibrato” (segurar com um dedo a nota contra o braço da guitarra enquanto gira levemente o pulso), que poucos conseguiram efetuar com a mesma eficiência, mas que dá um “feeling” de arrepiar, fazendo com que uma nota soe por mil. B. B. King confessou que apurou essa técnica para compensar sua incapacidade de tocar “slide” como seu primo Bukka White e o lendário Elmore James. Muitos foram seus seguidores, guitarristas como Peter Green do Fleetwood Mac, Eric Clapton, Freddie King, Otis Rush, Buddy Guy e o nosso saudoso Celso Blues Boy. Quem quiser apreciar o feeling do blues de B. B. King escute o disco Live In Cook County Jail (1971), o famoso “disco da cadeia”, gravando ao vivo num show para os presos locais; outros interessantes são Live At Regal (1965), Live And Well (1969), Indianola Mississipi Seeds (1970) e B. B. King In London (1971) com a participação de Peter Green. Algumas das músicas mais destacadas do “rei do blues” são “How Blue Can You Get”, “The Thrill Is Gone”, “Guess Who”, “Sweet Sixteen”, “Every Day I Have The Blues”, “Caldonia”, “Three O’Clock Blues”, “Please Accept My Love”, “Rock Me Baby”, “Hummingbird”, entre outras.

4 – Albert King – Guitarrista (canhoto), compositor, baterista e vocalista afro-americano nascido em 25/04/1923. Não tinha parentesco nenhum com os outros dois “kings”, B.  B. e Freddie, mas tinha em comum com os outros dois a paixão pelo blues e a guitarra como instrumento preferido.  Albert adotou uma Gibson Flying V de visual bem arrojado e futurista para o final dos anos de 1950. Por ser canhoto invertia a guitarra sem trocar o encordoamento de posição deixando as cordas graves para baixo. Por coincidência chamava também sua guitarra de “Lucy” em homenagem a uma atriz comediante de TV, chamada Lucy Ball. Albert agregava ao seu blues ingredientes bem temperados de soul e funk, graças à intervenção do guitarrista rítmico Steve Cropper em suas gravações, o que lhe deu uma identidade própria e diferenciada. Influenciou vários guitarristas e bandas de rock e blues rock, como John Mayall’s Bluesbreakers, Eric Clapton, Peter Green, Mick Taylor, Jimi Hendrix, Mike Bloomfield, Rory Gallagher, Gary Moore e Stevie Ray Vaughan que incorporou ao seu estilo muito de Albert King. Sua principal característica ao tocar era o “feeling” que tinha para segurar uma nota ao máximo (sustain) durante um “bend” até dar um clímax, seguido de um breve relaxamento e retorno ao solo. Alguns discos indispensáveis de Albert King são Big Blues (1962) e Born Under A Bad Sign (1967), outro essencial é o ao vivo Live Wire/Blues Power (1968), também recomendo Blues For Elvis – King Does The King’s Things (1970) e I’ll Play The Blues For You (1972). Seus clássicos são vários, e para citar alguns: “Born Under A Bad Sign”, “Crosccut Saw”, “Oh, Pretty Woman”, “As The Years Go Passing By”, “The Hunter”, “Kansas City”, “I’ll Play The Blues For You”, “Angel Of Mercy”, etc.

5 – Freddie King – Guitarrista afro-americano e vocalista nascido em 03/09/1934. Era de uma geração mais jovem do que a dos outros dois “kings” e apesar do sobrenome não tinha nenhum parentesco com ambos. Freddie normalmente empunhava uma Gibson ES-345 e vez ou outra uma Gibson Les Paul. Para dedilhar usava uma dedeira no polegar e outra no indicador na mão direita; e ainda contra os padrões vigentes, mesmo sendo destro, usava a alça da guitarra no ombro direito, aliás, uma mania dos guitarristas texanos, como “the ice man” Albert Collins. Seu modo de tocar e cantar a princípio teve influência de seu primo guitarrista de country blues Lightnin’ Hopkins, mas Freddie também se inspirou no saxofonista e vocalista Louis Jordan, nos guitarristas Eddy Taylor, T. Bone-Walker e em B. B. King, só que intensificava mais seus “bends”. Freddie ou Freddy fez escola para muitos músicos de blues rock como Eric Clapton, Peter Green, Mick Taylor, John Mayall, Lonnie Mack e Stevie Ray Vaughan. Seu estilo de blues “made in Texas” com elementos de R&B e muito “swing”, sem deixar o lamento tradicional do blues, produziram muitos sucessos como as instrumentais “Hideaway”, “San-Ho-Zay”, “The Stumble”, “Remington Ride” e “Sen-Sa-Shun”; blues como “Have You Ever Loved A Woman”, “I’m Tore Down”, “Someday, After A While (You’ll Be Sorry)” e “You’ve Got To Love Her With A Feeling”; e temas de rock como “Palace Of The King” e “Going Down”. Apesar de ser texano, Freddie pertencia também a nova geração de guitarristas produzida em Chicago no final dos anos de 1950, junto com Buddy Guy, Magic Sam, Otis Rush e Luther Allison. Freddie King faleceu precocemente em 28/12/1976. Vale a pena conferir dele os discos, Freddy King Sings (1961), Let’s Hideaway And Dance Away With Freddy King (196l) e My Feeling For The Blues (1970).

06 – Buddy Guy – Guitarrista e vocalista afro-americano nascido em 30/07/1936, pertencente à nova geração de guitarristas surgida no final da década de 1950 em Chicago, a capital do blues urbano. Dono de uma técnica admirada até por Jimi Hendrix, Buddy Guy iniciou sua trajetória tocando sua guitarra em estúdio nos de discos de nomes já consagrados como Muddy Waters e Howlin’ Wolf. Fez uma parceria produtiva com o gaitista Junior Wells, que lhes renderam discos respeitáveis como Buddy Guy & Junior Wells Plays The Blues (1972) e Live In Montreux (1977). Sua  carreira solo não foi desprezada, pois lançou alguns discos essenciais como A Man And The Blues (1968); Stone Crazy (1981); Damn Right, I’Ve Got The Blues (1991) e Sweet Tea (2001). Buddy Guy tem como companheira fiel uma Fender Stratocaster da qual extrai bends intensos, altas distorções e licks (ou fraseados) nervosos combinados com seu vocal rasgado e agressivo que maravilhava seus fãs não menos famosos como Jimi Hendrix, Eric Clapton, Jeff Beck, Jimmy Page e Stevie Ray Vaughan.

07 – Otis Rush – Guitarrista (canhoto) e vocalista afro-americano nascido em 29/04/1934. Rush inverte a guitarra para tocar sem trocar o encordoamento, com as cordas mais finas em cima, ele realiza seus intensivos “bends” puxando a corda para baixo ao invés de empurrá-la no sentido contrário do mesmo modo de Albert King e Dick Dale. Rush pertence à geração de guitarristas que fez fama no west side de Chicago, junto com Magic Sam, Luther Allison e Buddy Guy. Seu estilo lento, mas dramático e inflamado, cativou outros guitarristas de renome como Eric Clapton e Michael Bloomfield. Muitos de seus hits mais famosos foram regravados por John Mayall’s Bluesbreakeres, Peter Green’s Fleetwood Mac, Led Zeppelin e Rory Gallagher. E só para citar alguns de seus sucessos: “I Can´t Quit You Baby”, “Double Trouble”, “All My Love”, “So Many Roads So Many Trains”, “Homework”, “Gambler’s Blues” e “Cold Day In Hell”. São essenciais os seguintes títulos de sua discografia, This One’s A Good Un” (1968), “Screamin’ & Crying’” (1974), “So Many Roads: Live In Concert (1975), “Right Place Wrong Time” (1976) e Ain’t Enough Comin’ In (1994).

08 – Elmore James – Guitarrista slide, vocalista (estridente) e compositor afro-americano nascido em 27/01/1918. Considerado como o “rei da guitarra slide”, tem uma enorme importância no desenvolvimento do blues elétrico e sua influência no blues rock é inquestionável. Elmore não usava uma guitarra elétrica, mas um violão adaptado e amplificado, um Kay Dreadnought da década de 1940, do qual tirava aqueles riffs de slide que o tornaram uma lenda ainda em vida. Elmore James no início de carreira chegou a acompanhar o misterioso guitarrista Robert Johnson em suas apresentações. Inúmeros guitarristas de blues rock e rock desenvolveram suas técnicas baseados em Elmore James; alguns deles foram Jeremy Spencer, do Fleetwood Mac, que chegou bem próximo do timbre de Elmore James; George Throrogood; Alan Wilson do Canned Heat; Brian Jones dos Rolling Stones; Mick Taylor do John Mayall’s Bluesbreakers e Rolling Stones; e Duane Allman do Allman Brothers. Outros que não se aprofundaram no slide, mas gravaram muitos de seus sucessos foram, Jimi Hendrix, Eric Clapton e Peter Green. Alguns dos muitos sucessos de Elmore James são: “Dust My Broom”, “Early In The Morning”, “Can’t Stop Lovin’”, “Dust My Blues”, “I Believe My Time Ain´t Long”, “It Hurts Me Too”, “Bleeding Heart”, “Look On Yonder Wall”, “Shake Your Money Maker”, “Done Somebody Wrong”, “Rollin’ And Tumblin’” e a belíssima “The Sky Is Crying”. Elmore James faleceu precocemente aos 45 anos em 24/05/1963, justamente quando ocorria o “boom” do blues britânico que seria responsável por resgatar para os palcos de todo o mundo, os mestres de blues afro-americanos. Qualquer coletânea de Elmore James vale a pena conferir.

09 – Muddy Waters – Guitarrista (slide), gaitista, compositor e vocalista afro-americano nascido em 04/04/1915, chamado de “the boss”, foi considerado o “o pai do blues de Chicago”, ou seja, através de Muddy Waters o blues rural foi eletrificado e sua versão urbana foi consolidada na cidade de Chicago. Outra novidade imposta por Waters foi a formação de uma super-banda composta por excelentes músicos, com um baterista, um baixista, um guitarrista rítmico, um gaitista solo, e ele próprio nos vocais e guitarra (slide) solo. A banda de Muddy Waters, com as guitarras elétricas e a gaita amplificada de Little Walter tocava alto, bem acima dos padrões vigentes já no final dos anos de 1950. Seu som amplificado inicialmente escandalizou os jovens britânicos durante uma excursão pela Europa em meados dos anos de 1960, pois o público esperava o blues de raiz ou acústico. Posteriormente os ingleses se renderam ao blues de Chicago graças ao surgimento das bandas britânicas que faziam suas versões “branquelas” de um blues elétrico mais dançante, como Yardbirds, Animals, Manfred Mann, Them e The Rolling Stones (o nome da banda é inspirado no blues “Rollin’ Stone” de Waters). Waters geralmente tocava numa Fender Telecaster ou Gibson Les Paul.  A única banda que rivalizava com Waters na época de ouro do blues de Chicago, era a de Howlin’ Wolf, o “lobo uivante”, que tinha como guitarrista solo, o incrível Hubert Sumlin e suas “distorções” até então inéditas na guitarra do blues. Dizer sobre a influência de Waters no blues rock e rock & roll, é ‘chover no molhado’, pois suas gravações marcaram para sempre a música afro-americana. Para citar alguns hits do velho “águas lamacentas” posso começar com “Rollin’ Stone”, “Rollin’And Tumblin’”, “Long Distance Call”, “Honey Bee”, “Standing Around Crying”, “I Can´t Be Satisfied”, “Blow Wind Blow”, “(I’m Your) Hoochie Coochie Man”, “I Just Want To Make Love ToYou”, “She’s Nineteen Years Old”, “I’m Ready”, “Mannish Boy”, “I Feel So Good” e “Got My Mojo Working”. Alguns discos dos mais essenciais são: At Newport (1960); Folk Singer (1964); Eletric Mud (1968); Fathers And Sons (1969); Hard Again (1977) e Muddy “Mississipi” Waters (1979). Outros grandes guitarristas admiradores e seguidores de Muddy Waters são Eric Clapton, Buddy Guy, Otis Rush, Chuck Berry, Magic Sam e o “albino maluco” Johnny Winter, que foi influenciado pela técnica slide de Muddy e produziu seus últimos discos no final da década de 1970. Muddy Waters faleceu em 30/04/1983.

10 – Albert Collins – Guitarrista, compositor e vocalista afro-americano nascido em 01/10/1932. Conhecido também como “the master of the telecaster”, “the razor blade”, “the Houston twister” e “the ice man”. Desenvolveu um estilo inconfundível de tocar com uma forte pegada mesmo sem o uso de palheta que o fazia superar o problema crônico da Telecaster, a proteção da ponte, que a maioria dos guitarristas deste modelo retirava para tocar, ao contrário de Collins. Seu estilo talvez tenha tido muito a influência do primo bluesman e guitarrista, Lightnin’ Hopkins. Collins agregava também ao seu blues, muito funk, soul e pitadas de jazz. O som estalado de sua Fender Telecaster dourada já faz parte da história da história do blues urbano e moderno, porém sem jamais esquecer suas raízes. Collins que já foi considerado “o homem mais feio do mundo”, tinha um carisma e uma presença de palco, irresistíveis. Como todo bom guitarrista texano, colocava a alça da sua Telecaster no ombro direito, mesmo sendo destro. Albert tinha um estilo diferenciado por manter afinações em tons menores e sempre usava um capotraste na quinta, sétima ou nona casa da guitarra, sobrando pouco mais de 1/3 do braço para tocar. O mestre da Telecaster influenciou vários guitarristas famosos com seus “vibratos” inflamados e “bends” estridentes, como Robert Cray, Johnny Copeland, Stevie Ray Vaughan, Jeff Beck e Gary Moore. Colaborou em trabalhos de artistas consagrados do blues como B. B. King, John Lee Hooker e John Mayall. Seus hits são inúmeros, mas vale citar “Freeze”, “Defrost”, “Frosty”, “Sno-Cone”, “Dyin’ Flu”, “Don’t Lose Your Cool”, “Conversation With Collins”, “Honey, Hush! (Talking Woman Blues)”, “When The Welfare Turns Its Back On You”, “Cold, Cold Feeling”, “Too Tired”, “Master Charge”, “If You Love Me Like You Say” e “When A Guitar Plays The Blues”.  Dos seus discos, cito os essenciais Truckin’ With Albert Collins (Coletânea 1962-1963); Ice Pickin’ (1978); Frosbite (1980); Don’t Loose Your Cool (1983); Frozen Alive (1981); e Live In Japan (1984). Collins faleceu em 24/11/1993.

Aguardem a terceira lista com guitarristas de blues rock e heavy rock.

Por Eumário J. Teixeira

8 de out. de 2012

PAUL WASHER: MENSAGEM AOS CRISTÃOS BRASILEIROS


Paul Washer veio ao Brasil para participar da Conferência Fiel de 01 a 05 de outubro em Águas de Lindóia – SP e nos dias 05 e 06 de outubro no Rio de Janeiro. Sua mensagem como sempre foi direta e piedosa e deve ter impactado muitos corações endurecidos. Paul Washer ainda deixou uma mensagem aos cristãos brasileiros em vídeo (disponível no youtube) e aqui transcrita na íntegra.

Olá, meu nome é Paul Washer e estou aqui no Brasil pela primeira vez em meus 30 anos de ministério. Eu acabei de pregar e, agora, estou indo pregar em outro lugar, mas gostaria de dizer um “oi”  e cumprimentar os cristãos aqui do Brasil.
Eu também quero encorajá-los a estudar as Escrituras e comparar o que vocês têm aprendido nas Escrituras com outros crentes piedosos ao longo das eras. Sejam muito cuidadosos com o evangelicalismo moderno e com todas essas coisas que estão acontecendo.
Aprendam a andar na simplicidade da obediência. Aprendam a andar em santidade. A maior paixão de vocês deve ser estar cada vez mais devotos à pessoa de Cristo. Entendê-lo, entender o que Ele fez por vocês e servi-lo com tudo o que vocês têm.
Nós vivemos em um mundo muito corrupto, agora. Um mundo que está extremamente caído e que expressa a sua raiva e hostilidade contra Deus. Devemos perceber que viver em um lugar tão corrupto também pode nos contaminar. Então, sejam muito cuidadosos com o modo que vocês andam. Não andem como o tolo, mas andem como o sábio.
Estudem a Bíblia todos os dias de suas vidas. Vivam em seus joelhos. Levem toda necessidade, “tudo a Deus em oração”.
Para vocês, jovens cristãos, uma das melhores coisas que eu posso recomendar é algo que tenho praticado por muitos anos: leiam sistematicamente toda a Bíblia. Comecem em Gênesis e leiam tudo até Apocalipse; e, quando acabar, comecem tudo de novo.  Outra coisa maravilhosa que irá ajudá-los a crescer no conhecimento da Palavra é: se enquanto lêem a Bíblia vocês não entenderem algo, peguem um caderno e escrevam uma breve pergunta sobre o que não entenderam e continuem lendo. O que acontecerá de maravilhoso é que, quando vocês voltarem a ler a Bíblia inteira novamente, pela segunda vez, vocês serão capazes de responderem muitas das suas perguntas com as próprias Escrituras. Enquanto fazem isso, vocês crescerão gradualmente no conhecimento de Deus e de Cristo.
Outra coisa que quero recomendar é isto: se vocês estiverem estudando muito as Escrituras, horas por dia, mas sem oração, então muito desse conhecimento se tornará em orgulho e não produzirá muita piedade em suas vidas. Então, vocês precisam estudar as Escrituras, mas também precisam orar. A oração não é apenas intercessão, mas, também, simplesmente estar com Deus. Vocês poderiam inclusive estudar as Escrituras de joelhos. Muitas vezes, eu ajoelho ao lado de minha cama e coloco a Bíblia sobre ela e leio o texto de joelhos. Quando algo chama minha atenção, eu as elevo a Deus; e quando vejo algo nas Escrituras que não vejo em minha vida, peço para Deus me ajudar, naquele exato momento.
Sabe, o grande desejo de Deus para vocês é conformá-los a imagem de Seu Filho, Jesus Cristo. Isso não acontecerá se forem apáticos e passivos. Paulo fala inclusive de como precisamos nos disciplinar.
Deixe-me repetir isso. Estudar as Escrituras, mas sem pular por elas. Leia de Gênesis até Apocalipse. Além disso, vivam uma vida de oração; não somente a oração, mas também a memorização da Escritura, pois vocês não poderão ter a Bíblia aberta diante de vocês durante o dia inteiro. Então, aprendam a memorizar a Escritura. Vocês sabiam que existem pessoas que memorizaram o Novo Testamento inteiro, todos os Evangelhos, o livro inteiro dos Salmos, e coisas assim? Vocês também conseguem! Eu me lembro de conversar com um homem que é bem conhecido pela sua capacidade de memorização da Escritura. Eu disse: “irmão, Deus lhe deu um dom para memorizar tantos trechos das Escrituras”. Você sabe o que ele me disse? Ele disse: “Não, de forma nenhuma. Eu simplesmente me esforcei mais do que você”.
É isso que eu quero que vocês vejam. Para mim, não é fácil ler a Bíblia sempre, não é fácil orar, porque a carne odeia isso. Então, o que vocês precisam entender é que todos nós precisamos lutar contra a apatia. Todos nós precisamos lutar contra a preguiça espiritual. Porém, são aqueles que lutam contra isso que prevalecem e progridem em santidade. Isso é muito, muito importante. Vocês não se santificarão, vocês não crescerão em sua conformidade com Cristo sem fazer nada.
Deus os abençoe. Eu oro que Ele lhes prospere em tudo, conforme a Sua vontade. Deus os abençoe.

Por: Paul Washer © HeartCry Missionary Society | hcmissions.com

Obs.: Mais informações em textos e vídeos sobre a palavra de Paul Washer no Brasil no site Voltemos ao Evangelho

2 de out. de 2012

OS 10 MAIORES GUITARRISTAS - PARTE I - DE JUMP BLUES, ROCK & ROLL, SURF & INSTRUMENTAL ROCK


Muitas listas com os nomes dos maiores guitarristas da história da música circulam pela internet e revistas especializadas. A cada classificação de tais nomes geralmente é baseada na capacidade técnica e habilidade de cada músico, o que é o bastante para gerar muita controvérsia. Para exemplificar, há certo consenso no que se diz respeito sobre quem seria o número um da lista, o maior de todos. O nome que mais aparece no primeiro lugar é o de Jimi Hendrix. Já a partir do segundo classificado acontecem muitas variações, revezando os nomes de Eric Clapton, Jeff Beck, Jimmy Page, Eddie Van Halen, etc. Como alguns gêneros musicais são desprezados nessas relações e nomes como Django Reinhardt e Dick Dale, geralmente ficam de fora, elaborei quatro listas com guitarristas considerados especialistas em seu gênero musical, sendo que a classificação de cada relação vai de um a dez. Não considerei apenas a habilidade técnica do guitarrista, mas também sua importância dentro do(s) gênero(s) que representa. Não sou um conhecedor profundo do assunto, nem ao menos sou músico, mas me baseei nos discos que já ouvi e no que li sobre a história da música em geral, considerando também o meu gosto pessoal. As listas estão divididas em quatro gêneros assim classificados: 1 – Jump Blues, Rock & Roll, Surf & Instrumental Rock; 2 – Blues Acústico & Elétrico; 3 - Blues Rock & Heavy Rock; e 4 – Jazz & Fusion.

01- Chuck Berry – Guitarrista, compositor e vocalista afro-americano, nascido em 18/10/1926, considerado o “pai do rock & roll”, autor do clássico do gênero, “Johnny B. Goode” (que tem o famoso riff copiado de Carl Hogan), que todo guitarrista que se preze tem que saber tocar. Suas maiores influências na guitarra foram Charlie Christian, Carl Hogan, T-bone Walker e Muddy Waters. Chuck Berry se considera um “bluesman frustado”, reconhecendo que não tinha voz para o gênero, seu padrinho de gravação foi ninguém menos que Muddy Waters. Chuck sempre teve como uma das principais atrações em suas apresentações, a execução do “duck walk” atravessando o palco enquanto sola, para  o delírio do público. Seu estilo influenciou diversos guitarristas do rock, como Hank Marvin, Bob Bogle, John Lennon, Johnny Winter, John Forgety e Keith Richards do Rolling Stones, que incorporou seus trejeitos e seu estilo de tocar, sendo declaradamente seu fã número um. Alguns de seus inúmeros hits são, além de “Johnny B. Goode”, “School Days”, “Sweet Little Sixteen”, “Little Queenie”, “Carol”, “Almost Grown”, “Reelin’ And Rockin’”, “Nadine”, “Rock And Roll Music”, “Roll Over Beethoven”, entre outros. De sua discografia posso citar os essenciais One Dozen Berrys (1958), Chuck Berry Is On Top (1959); St. Louis To Liverpool (1964); London Sessions (1972) e Hail! Hail! Rock ‘N Roll (1987).

02 – Carl Hogan – Guitarrista, baixista e compositor afro-americano que atuou inicialmente nas Jeter-Pillar’s Orchestra e George Hudson’s Orchestra. Durante a década de 1940 fez carreira na banda The Tympani Five de Louis Jordan, que fazia um som considerado precursor do rock & roll, com uma mistura de jump blues, R&B, big band e muito swing. Seus riffs foram copiados por ninguém menos que Chuck Berry, que nunca negou a influência de Hogan no seu estilo; outro fã declarado de Hogan é B. B. King. O riff de Hogan em “Just Like A Woman (They’ll Do It Every Time)” de 1946, foi copiado por Berry 12 anos depois em “Johnny B. Goode”. As participações de Hogan com os Tympani Five de Jordan ficaram registradas em trilhas sonoras com “Look Out Sister” (1946) e “Reet, Petite, And Gone” (1948), e também nas gravações em estúdio das faixas “Choo Choo Ch’Boogie”, “Don’t Worry ‘Bout That Mule”, “Ain’t Nobody Here Us Chickens”, “Jack, You’re Dead”, “Let The Good Times Roll”, “Open The Door, Richard”,  “Boogie Woogie Blue Plate”, “Jack, You’re Dead, e “Early In The Mornin’”.

03 – Earl  Hooker – Guitarrista afro-americano de muitos recursos técnicos, nascido em 15/01/1929 e, ao contrário do que se pensa, não se limitava ao blues, se sentia confortável em tocar também o country, folk, jazz, funk e até surf-rock. Suas gravações são essencialmente instrumentais, sem vocal, com raras exceções. Foi considerado pelos colegas do ramo como “o músico dos músicos”, sendo constantemente convocado para gravar em estúdio em discos de artistas consagrados como John Lee Hooker (seu primo) Sonny Boy Williamson II e Junior Wells. Faleceu precocemente aos 40 anos em 21/04/1970. Discos (cds) recomendados de Earl Hooker: Two Bugs & A Roach e Sweet Black Angel , ambos de 1969.

04 – Eddie Cochran – Guitarrista e vocalista norte-americano, nascido em 02/10/1938. Foi um dos primeiros guitar-heroes brancos surgido no final da década de 1950. Seu estilo abrangia os gêneros rock & roll e rockabilly e seu modelo de guitarra Gretsch 6120 ficou imortalizado após sua morte precoce em 17/04/1960. Ficou conhecido pelos sucessos “C’Mon Everbody” e “Summertime Blues”, regravado pela banda de britânica de rock, The Who.

05 – Duanne  Eddy – Guitarrista norte-americano, nascido em 26/04/1938. Seu estilo de música instrumental ficou caracterizado pelo “Twangy” ou som estalado, graças à exploração das notas graves da guitarra, resultando num som grave e tremulante. Diz a lenda, que Duane Eddy desenvolveu o som “twangy” graças a uma idéia do seu parceiro Lee Hazlwood que comprou um tanque de água e o usou como uma câmara de eco acentuando o efeito da Gretsch de Duane na gravação de “Moovin’ ‘n’ Groovin’”, em 1957. Seus hits mais famosos são “Rebel Rouser”, e sua versão do tema “Peter Gunn” de mesmo nome da famosa série policial da TV no final dos anos de 1950. Dois de seus maiores fãs foram Hank Marvin dos Shadows e George Harrison dos Beatles.

06 – Hank B. Marvin – Guitarrista, banjoísta e pianista, britânico, nascido em 28/10/1941. Foi fundador da banda instrumental The Shadows, que também foi a banda de apoio, por um período, do vocalista Cliff Richard. O vibrato e o eco se destacavam no som da guitarra de Marvin à frente do The Shadows. Alguns de seus hits foram “Apache”, “Geronimo”, “Dance On” e “F. B. I.”. The Shadows foi considerada a banda mais influente antes da era Beatles.

07 – Bob Bogle – Guitarrista e baixista norte-americano nascido em 16/01/1934. Ele e o guitarrista rítmico Don Wilson fundaram a banda instrumental The Ventures, considerada rival da inglesa The Shadows. O uso do tremolo (técnica de palhetar rapidamente uma mesma nota) era o que caracterizava o estilo de Bogle. O tema da série de TV “Hawaii Five-Zero” (1968-1980), obteve uma ótima versão de Bob Bogle e The Ventures; outros sucessos foram “Walk Don’t Run”, “Perfídia” e “Surf Rider”. Bogle, ainda no início dos anos de 1960, passa a guitarra solo dos Ventures para o novo membro, Nokie Edwards, e passa a assumir o baixo. Bob Bogle influenciou guitarristas do rock como John Forgety, Steve Miller, Joe Walsh e Steve Ray Vaughan. Ele faleceu em 14/06/2009.

08 – Steve Cropper – Guitarrista e produtor musical norte-americano nascido em 21/10/1941. Seu estilo econômico, mas eficiente com base no R&B, soul e funk, se caracterizava mais pelo ritmo do que pelo solo. Integrou o grupo de estúdio The Mar-Keys (da Stax Records) e, em seguida, deixando os instrumentos de sopro dos Mar-Keys de lado, foi formada a banda instrumental Booker T. & The MG’s, liderada por Booker T. nos teclados, com Al Jackson na Bateria e pelo excelente Donald “duck” Dunn no baixo; quem nunca ouviu “Green Onions”, que foi “roubada” por Sonny Boy Williamson II para revestir “Help Me” ?. Steve fez parcerias interessantes com músicos do blues, soul e rock. Tocou para  a dupla de soul Sam & Dave; para o vocalista de blues e R&B, Rufus Thomas; e fez o ritmo na guitarra para Albert King nas gravações das famosas “Born Under A Bad Sign” e “Crosccut Saw”. Compôs com o soulman Eddie Floyd, a música “Knock On Wood”; e com Otis Redding, pouco antes deste falecer, “(Sittin’ On) The Dock Of The Bay”. Steve Cropper ainda integrou nos anos de 1980/90, a banda The Blues Brothers de John Belushi, Don Aykroyd e do lendário guitarrista Matt “Guitar” Murphy.

09 – Roy Buchanan – Guitarrista, baixista, compositor e vocalista norte-americano nascido em 23/09/1939. Admirado por seus próprios colegas de profissão pela sua técnica apurada. Foi considerado o “guitarrista desconhecido mais famoso do mundo”, pois ninguém nunca entendeu porque ele nunca alcançou o reconhecimento merecido ainda em vida. De temperamento difícil e sarcástico, fazia sua Fender Telecaster gemer e chorar através de seus solos incríveis e imprevisíveis. A base do seu som, essencialmente instrumental, era o blues, mas desenvolvia qualquer tema com extrema sensibilidade, seja rock, folk, country ou jazz. Roy Buchanan faleceu em 14/08/1988 em circunstâncias obscuras. Alguns dos muitos discos recomendados de Roy Buchanan são Roy Buchanan (1972), Second Album (1974), A Street Called Straight (1976), e When The Guitar Plays The Blues (1985).

10 – Dick Dale – Guitarrista, trompetista, saxofonista, baterista, acordeonista, gaitista e vocalista norte-americano nascido em 04/05/1937, conhecido como o “rei da surf-guitar” nos anos de 1950. Dale foi descoberto nas praias da Califórnia em 1955 tocando para surfistas, por Leo Fender, o criador da Fender Stratocaster, que não hesitou em usar o jovem guitarrista para testar suas guitarras. Canhoto, Dale usa sua Stratocaster invertida sem trocar as posições das cordas. Com sua guitarra dourada chamada de “The Beast”, Dale detona um som cheio de escalas “exóticas” desenvolvidas por influências de tribos nativas e de músicas folclóricas do leste europeu e do Oriente Médio herdadas de seus pais. E ainda através do efeito de reverberação (reflexão múltipla de uma freqüência de som), reproduz algo parecido com o “som das ondas do mar”. Para definir seu som, Dale estourou 48 amplificadores e arrebentou inúmeras cordas da sua guitarra, até que adaptasse todo o equipamento à sua pegada, que ele mesmo chama de metralhadora de “staccato”. Se Chuck Berry foi o “pai do rock & roll”, Dick Dale que foi já considerado “pai do heavy metal”, é sem sombra de dúvidas o criador do som que caracterizou o surf-rock, já que ele também era surfista e sempre tentou reproduzir com sua guitarra a sua relação amorosa com o mar. Em suas apresentações ele sempre usa uma unidade de reverberação (The Fender Tank Reverb) desenvolvida por Leo Fender especialmente para ele, e é também conhecido por sua rapidez e alto volume com que toca. Sua versão do hit “Misirlou” foi redescoberta com o sucesso do filme Pulp Fiction (1994) de (seu fã) Quentin Tarantino; outros grandes sucessos de Dick Dale And His Del-Tones foram “Pump It”, “Surf Beat”, “Jungle Fever”, “Let´s Go Trippin’”, “The Wedge”, “Night Rider”, “Summer Surf”, “Oh Marie”, “Mr. Eliminator” e “King Of The Surf Guitar”. Dick Dale foi homenageado por Jimi Hendrix que compôs “Third Stone From The Sun” para ele, que foi regravada pelo próprio Dale e também por Stevie Ray Vaughan, outro de seus fãs fervorosos. Alguns discos essenciais de Dale são: Surfer’s Choice (1962); King Of The Surf Guitar (1963); Checkred Flag (1963); Mr. Eliminator (1964); Summer Surf (1964); Tribal Thunder (1993) e Spacial Desorientation (2001).

Por Eumário J. Teixeira.

Aguardem a segunda lista com 10 guitarristas de Blues Acústico e Elétrico.

29 de set. de 2012

YOUCEF NADARKHANI FINALMENTE ESTÁ LIVRE!

Uma boa notícia já quase no final de 2012 nos animou apesar de todas as dificuldades que vez por outra enfrentamos e que agora certamente renova nossa fé em Deus e nosso Senhor Jesus Cristo. Graças à misericórdia Dele, as autoridades iranianas tiveram seus corações quebrantados e ouviram as ações de protestos das comunidades cristãs de todo o mundo, somadas às intervenções de diplomatas de países influentes como o Brasil, Grã-Bretanha e Estados Unidos; e em resposta dada por Deus às orações de milhares de cristãos por todo o planeta, o pastor iraniano Youcef Nadarkhani foi finalmente libertado da prisão em que estava confinado e provavelmente sofrendo torturas psicológicas e talvez físicas, desde 2009. A libertação ocorreu no último dia 08 de setembro de 2012. O pastor Nadarkhani compareceu diante do tribunal no dia 08 (sábado) para se defender das acusações a ele impostas. A audiência foi por quase seis horas, mas finalmente ele foi libertado e recepcionado pela esposa, filhos, parentes e irmãos de fé na saída para a liberdade. Toda a glória ao Senhor Deus, por mais este milagre. Eu posso imaginar os olhos brilhantes dos dois filhos de Youcef Nadarkhani ao ver o pai liberto, sorridente e de braços abertos indo na sua direção, as lágrimas de felicidade de sua esposa e sua gratidão a Deus por Sua fidelidade e tamanha graça concedida. As autoridades concluíram que ele era inocente da acusação de apostasia e que já havia cumprido a pena imputada por ter praticado a evangelização a muçulmanos nestes quase três anos que estava preso. De acordo com o Christian Solidarity Worldwide (CSW), uma organização cristã que defende e trabalha pela liberdade religiosa, o pastor Youcef já está com sua família em casa, mas permanece monitorado pelas autoridades iranianas e todo cuidado agora é pouco. Outras centenas de cristãos e até advogados de direitos humanos estão presos, aguardando julgamento e possível condenação à pena de morte no Irã. O próprio advogado de Nadarkhani, Mohammad Ali Dadkhah, enfrenta ameaça de prisão por seu trabalho no passado envolvendo defesa dos direitos humanos. Deus libertou Youcef Nadarkhani desta vez, e o devolveu para sua família e irmãos, que nosso Senhor continue lhe protegendo, encorajando e lhe dando sabedoria para prosseguir com seu trabalho de evangelização no Irã ou para onde Deus agora lhe enviar. Amém!

Por Eumário J. Teixeira

8 de set. de 2012

OTIS REDDING & THE (ORIGINAL) BAR-KAYS - UMA TRAJETÓRIA METEÓRICA DE SUCESSO E TRAGÉDIA

Se o fatídico acidente não ocorresse em 1967, Otis Redding e a maioria dos componentes da banda The Bar-Kays teriam deixado um legado musical ainda maior. Era uma combinação perfeita para o soul emergente, eles representavam magnificamente o gênero musical que teve grande aceitação entre os jovens afro-americanos que queriam um ritmo musical moderno e que traduzisse um momento de inovação cultural e de luta por seus direitos civis por eles reenvidicados em meados da conturbada década de 1960. Apesar do soul ter se derivado do rhythm & blues, os jovens negros em sua grande maioria, consideravam r & b como um estilo ultrapassado já que o mesmo era uma reformulação do blues que ainda trazia à tona as lembranças da pobreza, segregação, racismo e trabalho escravo experimentados por seus avós no sul e que eram temas comuns neste gênero melancólico. O soul era essencialmente urbano e falava mais do amor entre um homem e uma mulher, apesar de temas de cunho social e político também ter seu lugar assegurado pelas circunstâncias vigentes na época. Até o veterano bluesman Albert King se rendeu ao soul ao ser contratado pela Stax Records, gravadora de Memphis, no Mississipi, especialista no gênero. King incorporou ao seu blues elementos de soul graças aos arranjos elaborados da banda Booker T. & The MG’s comandada pelo tecladista Booker T. Jones, que tinha simplesmente Steve Crooper na guitarra, Donald “duck” Dunn no baixo e Al Jackson na bateria, contando ainda com os sopros dos Memphis Horns. Junto a Sam Cooke, Solomon Burke, Percy Sledge, Eddie Floyd, Jackie Wilson, Ben E. King e Joe Tex, o soulman Otis Redding e sua competente banda de apoio, The Bar-Kays, cantavam o que a mulherada apaixonada queria ouvir de seus homens. Outros personagens essenciais também reforçavam o cenário da soul music, seria imperdoável não mencionar nomes consagrados como Aretha Franklin, Etta James, Sam & Dave, George McCrae, Brook Benton, Louis Rawls, Wilson Pickett, Marvin Gaye e Al Green, que sustentaram o soul por quase quatro décadas. A seguir um pequeno resumo sobre as carreiras e a valiosa contribuição de Otis Redding e The Bar-Kays para a soul music.

Otis Redding – Otis nasceu em Dawson, no estado da Geórgia, em 09 de setembro de 1941. Teve sua primeira grande oportunidade como vocalista, na banda Pinetoppers do bluesman guitarrista, Johnny Jenkins. Além de cantar Otis Redding ainda acumulava a função de motorista de Jenkins. As principais influências na de Otis Redding na época eram o veterano roqueiro Little Richard e o jovem cantor de soul e gospel Sam Cooke. Quando Otis cantou e registrou “These Arms Of Mine” no estúdio em 1962 durante um intervalo das gravações de um disco de Johnny Jenkins, percebeu que tinha potencial para se aventurar numa carreira solo. Contudo, somente a partir de 1965 viria o reconhecimento com os hits “Mr. Pitiful”, “Respect”, “Try A Little Tenderness”, “I’ve Been Loving You Too Loong”, “Pain In My Heart”,  “Fa-Fa-Fa-Fa-Fa”, “Security”, “Satisfaction”, “Tramp”, “Ole Man Trouble”, “That’s How Strong My Love Is” e a póstuma e belíssima “(Sittin’ On) The Dock Of The Bay”.  Otis Redding compunha a maioria das músicas que gravava, tocava violão e fazia os arranjos para suas canções; e no momento que emplacou seu primeiro sucesso, nunca mais sairia do top da soul music. Sua consagração ainda em vida foi na sua genial apresentação no Monterey Pop Festival, na Califórnia em 1967, onde dividiu o palco com Janis Joplin (sua fã declarada), Jimi Hendrix, The Mamas & The Papas, The Who, e outros. Tudo parecia apontar que ele estava próximo de atingir o auge de sua carreira e o reconhecimento merecido pela crítica e público. Inesperadamente após sua última apresentação com The Bar-Kays em Cleveland, Ohio, em 10 de dezembro de 1967, o avião que transportava Otis e cinco membros da banda caiu no lago Monona próximo a cidade de Madison, no estado de Wisconsin. A tragédia resultou na morte de Otis Redding aos 26 anos, seu empresário, quatro membros do The Bar-Kays e o piloto; o único que se salvou foi o trompetista Ben Cauley. Otis Redding havia gravado “(Sittin’  On) The Dock Of The Bay”  quatro dias antes do acidente, essa canção de parceria com o guitarrista Steve Cropper, viria a ser o seu maior sucesso. A gravação póstuma revelava que Redding teria desenvolvido um estilo mais sofisticado de compor e interpretar, ou seja, mais “pérolas” naturalmente surgiriam se a tragédia não ocorresse.
- Discos (cds) essenciais gravados por Otis Redding: Pain In My Heart, de 1964; Otis Blue/Otis Redding Sings Soul, de 1966; The Soul Album, de 1966; Complete & Umbelievable: The Otis Redding Dictionary Of Soul, de 1966; e o póstumo The Dock Of The Bay, de 1968.
Confira (Sittin' On) The Dock Of The Bay neste link:


The Bar-Kays – Formado em 1966, o grupo instrumental The Bar-Kays saltou do sucesso repentino em 1967 para uma fatídica tragédia; mas persistiu, ainda que sem a maioria dos seus integrantes originais até meados da década de 1990. Lançaram inúmeros hits que figuraram nas paradas de R & B nos EUA, entre eles “Soul Finger” de 1967, “Son Of Shaft” de 1972 e “Boogie Body Land” de 1980. Inicialmente The Bar-Kays era uma banda de estúdio da gravadora Stax de Memphis no Tennessee, que tocava nas sessões dos artistas contratados pelo selo sulista, tais como Albert King e Otis Redding. Não demorou muito para se tornarem a banda oficial de apoio de Redding também nos palcos de todo o país. A formação original que atuou de 1966 a 1967 de The Bar-Kays era: Jimmy King, na guitarra, nascido em 1949; Ronnie Caldwell, órgão, nascido em 1948 e o único branco do conjunto; Phalon Jones, saxofone, nascido em 1949; Carl Cunninghan, bateria, nascido em 1949; Ben Cauley, trompetista, nascido em 1947; e James Alexander, no baixo elétrico, nascido em 1948; praticamente todos recém saídos da adolescência na época, mas nem por isso menos competentes. Com a combinação explosiva da interpretação passional de Otis Redding nos vocais e do excelente instrumental de The Bar-Kays, a fama e os compromissos aumentaram, e as viagens também. Assim, em 10 de dezembro de 1967 num destes vôos, algo deu errado com o avião em que viajavam rumo à cidade de Madison para mais uma apresentação; a aeronave caiu e se espatifou no Lago Monona, próximo a cidade de Madison, no estado de Wisconsin. No trágico acidente, de causas não apuradas satisfatoriamente, morreram Otis Redding, seu empresário, o piloto, e quatro membros dos Bar-Kays, Jimmy King, Ronnie Caldwell, Phalon Jones, e Carl Cunninghan. O único membro da banda que se salvou foi Ben Cauley. James Alexander também escapou simplesmente por ter embarcado noutro avião devido à falta de espaço no Beechcraft 18 de Otis Redding. Posteriormente o grupo foi reformulado pelos sobreviventes Cauley e Alexander acrescentando Harvey Henderson, no saxofone; Michael Toles, Guitarra; Ronnie Gorden, órgão elétrico; Willie Hall, bateria e posteriormente Larry Dodson nos vocais. Ben Cauley deixou o grupo em 1971 e apesar das várias entradas e saídas da banda, James Alexander continuou no comando do conjunto até meados da década de 1990 tocando o melhor do r & b, soul e funk.
- Discos (cds) essenciais gravados por The Bar-Kays: Soul Finger, 1967; Gott A Groove, de 1969; Too Hot To Stop, de 1976; Flying High On Your Love, de 1977 e Money Talks, de 1978.

Por Eumário J. Teixeira

JO-ANN KELLY – A Rainha do Blues Britânico


Quem nunca ouviu falar de Janis Joplin? Aquela branquela norte-americana que cantava blues com toda sua alma. A característica de Janis Joplin era a garra com que atuava nos palcos com sua voz rouca e potente que somada ao seu carisma natural hipnotizava a todos os ouvintes da platéia. “Ela nasceu com a cor da pele errada, deveria ter nascido negra...”, diziam alguns. Janis era única, impressionou a todas suas concorrentes no rock, como Mama Cash (Mamas and the Papas) que ficou de boca aberta impressionada com sua apresentação no Festival de Monterey em 1967. Janis Joplin apreciava o blues desde garotinha e idolatrava cantoras negras pioneiras de blues como Bessie Smith e Big Mama Thornton; associou o blues ao rock, como era de praxe em meados dos anos de 1960, agregando ainda ao seu estilo explosivo elementos psicodélicos que davam mais atrativos à sua performance. Nenhuma cantora era páreo para Janis Joplin, ao menos nos Estados Unidos da América, porque na Grã Bretanha, mais precisamente na Inglaterra, outra branquela metida a negra dava o seu recado com muita competência, e melhor, com sobriedade, ao contrário da louquíssima Janis Joplin. O nome da inglesinha (com cara de bibliotecária) quase subestimada e não tão lembrada no mundo do blues-rock quanto rival americana, era Jo-Ann Kelly. Ela era loura, usava óculos de grau, não era esteticamente muito atraente, mas era muito competente tanto para cantar quanto para tocar, sem falar que era realmente conhecedora do blues de raiz, pois estudava e pesquisava sobre o gênero sem cessar. A seguir um breve resumo da vida dela, uma quase desconhecida das enciclopédias do rock e do blues-rock, mas certamente uma figura respeitada pelos apaixonados e estudiosos do blues primitivo: Jo-Ann Kelly.

Jo-Ann Kelly – Ela era uma cantora e guitarrista inglesa de blues acústico, ou de raiz, das mais autênticas surgidas no velho continente. Seu estilo de tocar era baseado em grandes personagens do blues tradicional de raiz.
Jo-Ann nasceu no sul de Londres, na cidade de Streatham em 5 de janeiro de 1944. Desde a adolescência, ela e seu irmão, Dave Kelly, se apaixonaram pelo blues e ambos participaram ativamente da explosão do blues britânico em meados dos anos de 1960. Poucas mulheres tinham a habilidade para tocar, cantar e o conhecimento sobre o blues de raiz como Jo-Ann Kelly, assim, não demorou que ela fosse notada no meio de todo aquele boom musical. Sua voz era incrivelmente poderosa, profunda, e de uma qualidade tonal perceptíveis apenas em cantoras negras de jazz, blues ou gospel como Dinah Washington ou Sister Rosetta Tharpe; e seu estilo vigoroso de tocar guitarra acústica era fortemente influenciado por  Memphis Minnie, Son House e Charlie Patton.
Jo-Ann viria fazer a sua primeira gravação aos 20 anos, um compacto de produção privada. Em seguida, após formar uma parceria musical com o também inglês e excelente guitarrista de blues, Tony McPhee (dos Groundhogs), acabou por gerar duas compilações pela Liberty Records, nas quais se destacava: Me And The Devil (1968) e I Asked For Water, She Gave Me Gasoline (1969).
Ainda no finalzinho da década de 1960, Jo-Ann participou de uma jam session com a banda californiana de blues rock, Canned Heat, no Second National Blues Convention, e se saiu tão bem que os membros do Canned Heat a convidaram para se integrar ao grupo; a proposta não foi aceita por Jo-Ann Kelly. Ela também recusou uma oferta do bluesman e guitarrista texano, Johnny Winter. Sua recusa aos convites tem haver com sua fidelidade ao som do blues de raiz, caracterizado por um vocal potente e essencialmente pelo instrumental acústico.
Mesmo não abrindo mão do seu trabalho solo, ela não recusava convites para gravar em estúdios e shows esporádicos com bandas de blues elétrico.
Em 1968 e 1969 participou dos álbuns da The John Dummer Blues Band.
Ainda em 1969, gravou com a banda Tramp, um super-grupo composto de membros de outras bandas como Danny Kirwan (guitarra) e Mick Fleetwood (bateria), do Fleetwood Mac; Bob Hall (teclados) do Savoy Brown; Bob Brunning (baixo), Dave Brooks (Sax tenor) do Manfred Mann; Dave Kelly (vocais), entre outros.
Em 1971 é lançado um álbum no qual Jo-Ann fez outra parceria com Tony McPhee, intitulado Same Thing On Their Minds. No mesmo ano participa do álbum solo de seu irmão Dave Kelly, ao lado de Bob Brunning e Peter Gee (na verdade Peter Green, guitarrista e fundador do Fleetwood Mac). Em seguida excursionou pelo velho continente com o violonista Pete Emery.
Em 1972 foi lançado um álbum no qual foi acompanhada por Woody Mann, John Miller e pelo também estudioso e guitarrista de folk & blues, o norte-americano John Fahey; no mesmo ano participou do álbum Kings Of  The Robot Rhythm da banda Chilli Willi & The Red Hot Peppers.
Em 1974 participa novamente com seu irmão noutra gravação para o Tramp, resultando no álbum Put A Record On.
Em 1976, grava um álbum com Pete Emery intitulado Do It, pelo selo Red Rag.
Em 1979, junto ao irmão Dave e o primeiro baixista do Fleetwood Mac, Bob Brunning, fundam a The Blues Band.
Em 1980, Jo-Ann Kelly acompanhada pela The Blues Band prestou um tributo a algumas cantoras negras de blues que a inspiraram, no show intitulado Ladies And The Blues.
Ela também chegou a integrar a Terry Smith Blues Band ainda em meados dos anos de 1980.
Apesar de sua discografia solo oficial ser pequena, Jo-Ann fez inúmeras gravações de muita qualidade que foram resgatadas em compilações posteriores.
Em 1988, Jo-Ann começa a sofrer com regulares dores de cabeça, e no ano seguinte é operada do cérebro de onde é retirado um tumor maligno. Aparentemente recuperada em 1990, ela volta a excursionar com seu irmão. Uma de suas últimas performances foi no festival em Lancashire em agosto de 1990, onde ainda foi premiada como Cantora do Ano pela British Blues Federation.
Sua última performance foi no Three Horseshoes em Doncaster no dia 22 de setembro de 1990. Pouco depois Jo-Ann passaria mal e morreria em 21 de outubro de 1990 aos precoces 46 anos.

Confira Jo-Ann Kelly neste link:
http://youtu.be/L6aIIe8dkd0

Por Eumário J. Teixeira 

3 de ago. de 2012

METROPOLIS DE FRITZ LANG – UM FILME DA ELITE PARA A ELITE

Metropolis - O simbolismo explícito e satânico do filme de Fritz Lang
Um filme impressionante e de tema atualíssimo é Metropolis, do cineasta e expressionista alemão Fritz Lang lançado em 1927. 

É considerado por muitos como o primeiro filme de ficção científica realizado, com muitos elementos proféticos e referências bíblicas, mas que também traz uma mensagem oculta sombria já em meados da década de 1920. A película alemã, uma obra de arte sem precedentes da indústria cinematográfica mundial para a época, confirma o que hoje muitos já sabem e discernem graças à rapidez da troca de informações proporcionada pela internet; ou seja, o filme informa aos “que entendem” toda a sua simbologia, que o plano inicial de Ninrode de um só povo, uma só língua e um único governo mundial centralizado na sua Torre de Babel, continua. É sabido que Deus acabou com a farra de Ninrode gerando confusão de línguas entre os construtores (Gênesis 11.1-9); pois logo após o grande dilúvio, a humanidade voltando a povoar a Terra deveria se dispersar e habitar todo o planeta. Mas Ninrode já possuído pelo espírito de revolta comanda os homens na planície de Sinar e edifica a Torre de Babel com o objetivo de “alcançar os céus” e provavelmente escapar de outro dilúvio imposto pela Ira divina. Foi a primeira tentativa de um governo único e mundial que exaltava a capacidade humana de realizar grandes obras independentemente da vontade do Criador. Mas Deus os fez parar com a obra ostentosa tirando-lhes o entendimento e eles se espalharam frustrados pela Terra. Mas os revoltosos dispersados não desistiram, as línguas diferentes apenas teriam adiado sua meta, eis aí a importância do surgimento do simbolismo presente em todas as irmandades secretas espalhadas pelo mundo que os ajudam a se reconhecerem em qualquer parte do globo e a partilhar seguramente suas mensagens ocultas. O filme Metropolis trata de uma realidade existente não alcançada por Ninrode e também fornece algumas pistas falsas, como a princípio, uma analogia à intervenção de Jesus Cristo como mediador entre Deus e a humanidade corrompida. Na verdade a intenção é comunicar aos conspiradores sobre a expectativa da chegada do anticristo que virá como lobo em pele de cordeiro e amansará o povo com suas falsas promessas de paz e prosperidade em favor de uma elite satanista que lhe preparou caminho e que desfrutará dos prazeres mundanos graças à exploração do povo escravizado pelo sistema 666 (do anticristo) e da Nova Ordem Mundial que será imposto.

O Filme – Tudo acontece no século XXI, ano 2026, onde existe duas classes distintas e que convivem separadamente, a dos pensadores (governantes ou elite) e as dos trabalhadores (escravos e “robôs” sem vontade própria). 
A classe operária dos subterrâneos sem vontade própria
A Nova Ordem Mundial já é realidade em Metropolis, a elite vive suspensa nos jardins na superfície onde gozam uma vida de luxo e prazeres; a classe operária vive nos subterrâneos em seus prédios (semelhantes a pombais) e trabalham nas máquinas mais abaixo nas profundezas, um inferno altamente monitorado (como atualmente já experimentamos as câmaras por todo lado). É assustador pensar que essa idéia de monitoramento tecnológico, já era imaginada numa época em que não havia recursos para isso. Em um país livre e democrático nunca poderia ser aceito a monitoração de cidadãos livres, mas com o advento dos atentados terroristas pelo mundo e o índice de criminalidade e insatisfação sociais (também provocados) cada vez mais altos, se formou uma situação tão tensa, que até mesmo o cidadão democrata mais convicto abriu mão de sua privacidade em troca de uma suposta garantia de segurança. De volta ao filme, os trabalhadores abaixo da superfície da terra se vestem igualmente, andam em sincronia e cabisbaixos, são mentalmente desgastados e resignados com seu destino. São mansos como um bando de cordeiros e são tocados como gado. Eles mantêm uma máquina monstruosa em funcionamento através de tarefas repetitivas e desumanas. 
A máquina comparada à Baal
Essa máquina, através de uma visão do “mediador”, é comparada à Moloch (Baal, o Touro do Sol), um antigo deus semita que era adorado e exigia sacrifícios humanos; as vítimas eram atiradas ao fogo pelo ventre da enorme imagem do deus em forma de touro. No filme, enquanto os operários “se matam” num trabalho escravo e repetitivo sem exigências intelectuais, os pensadores e governantes se deleitam na mordomia dos jardins da superfície, numa clara referência aos jardins da Babilônia. Muitos nem tem consciência de que todo aquele prazer só desfrutado graças ao sacrifício dos escravos subterrâneos. Aí está outro simbolismo evidente, o da dualidade, baseado na máxima hermética “Tanto Acima, Quanto Abaixo”, representado na estrela de cinco pontas de Salomão (adorado e considerado pelos maçons) que evidencia que as classes distintas existem em dependência uma da outra, num equilíbrio perfeito. 
Metropolis iluminada e a Torre de Babel ao centro
Metropolis foi idealizada e é governada pelo empresário milionário Joh Frederson, que se assemelha ao deus gnóstico Demiurgo, criador do mundo material, mas que a meu ver, poderia ser também uma alegoria à Satanás, o senhor deste mundo e que é adorado pelos Illuminati; e para os maçons Fredersen poderia representar GADU (Grande Arquiteto do Universo), que dá no mesmo. Seu filho, Freder, como um dirigente do mundo da superfície descobre por acaso a realidade dos trabalhadores nas profundezas. Compadecido com a situação se infiltra entre os operários como um simples trabalhador. A princípio, Freder seria uma referência a Jesus Cristo que desce dos céus com uma mensagem de esperança e salvação aos homens. De imediato ele se apaixona por Maria, uma mulher santa e importante para a comunidade operária. Maria é uma profeta da classe oprimida e anuncia que virá um mediador entre a cabeça (os pensadores) e as mãos (operários), que é justamente Freder. 
Maria profetisa a vinda do mediador
Maria anunciando o mediador representaria a mãe geradora de Jesus Cristo, o Filho de Deus? Em um de  seus sermões, Maria cita a história da Torre de Babel, onde estaria escrito: “Grande é o mundo e seu Criador! E grande é o Homem!” Outra referência ao ocultismo onde se ensina que os homens têm o potencial de se tornarem deuses através da iluminação, ou seja, sabedoria humana. Confirmando assim a relação estreita entre a maçonaria, Ninrode e a Torre de Babel. Maria ainda diz: “Um hino de louvor do homem se tornou maldição a outro homem”, ou seja, o monumento de louvar a grandeza do espírito humano foi construído com o sangue e o suor dos trabalhadores que não sabiam nada da grande visão do construtor, ou do pensador. Entendendo que os operários planejam uma revolta com a chegada do “messias”, Joh Fredersen recorre ao cientista, inventor e conselheiro, Rotwang, que parece conhecer também os segredos do ocultismo. Na porta da casa do cientista tem um desenho de um pentagrama, que é uma referência clara ao conhecimento oculto ou à maçonaria, e que também poderia servir como uma identificação para outros membros de sua irmandade mística não acessível aos mortais comuns. O mago Rotwang revela a Fredersen sua mais recente criação, um andróide, que ele diz ser o “homem do futuro”, e que tem a capacidade de se transformar à semelhança de qualquer pessoa, sendo impossível para qualquer um distingui-lo de um ser humano. Uma clara alusão ao transhumanismo. 
O robõ assume a forma de Maria
Rotwang, a pedido de Fredersen, captura Maria e dá ao robô sua imagem e o infiltra (Maria-robô) no meio dos operários no subterrâneo com o intuito de promover a confusão e a corrupção seduzindo-os, tirando-lhes assim toda esperança. O andróide se levanta do seu trono onde ao fundo se vê um enorme pentagrama invertido (simbolismo satânico) na parede e recebe a ordem de Rotwang: “Eu quero que você vá às profundezas, a fim de destruir o trabalho da mulher, de cuja imagem você foi criada”. A Maria-robô simplesmente responde fechando um olho e sorrindo diabolicamente, uma alusão ao simbolismo ocultista do “olho que tudo vê” da pirâmide maçônica inacabada claramente representada, como na nota de um dólar. O andróide em seguida vai para o clube Yoshiwara, freqüentado por homens da elite, onde dança sensualmente incorporando a imagem da cidade da Babilônia, a grande prostituta do Apocalipse sendo sustentada pelos sete pecados capitais. 
Maria robô, representa a sedução da Babilônia
Sua atuação erótica leva aos dirigentes governantes à intolerância, inveja, luxúria e idolatria, fazendo-os mergulhar no poço sem fim do pecado. A seguir Maria-robô parte para agir entre os trabalhadores onde atua como “agente provocador”, incentivando-os à rebeldia contra Joh Fredersen e seu império, que assim teria motivos para usar toda força repressora contra eles. Uma fórmula mágica usada pelos governantes ocultos, provocar uma situação de pânico que desencadeará uma reação revoltosa e que por sua vez obrigará a uma solução não popular, mas necessária para a manutenção da ordem social que deve ser restabelecida às custas de um alto sacrifício (ver ataque ao World Trade Center). Finalmente o chefe dos operários intervém e junto aos colegas percebem que foram induzidos ao erro pela Maria-robô, que é considerada uma bruxa e é queimada na fogueira. Em seguida Freder, o filho do governante de Metropolis, surge finalmente como mediador entre seu pai e o chefe dos operários, fazendo os dois apertarem as mãos num acordo. 
O mediador entre a cabeça e o coração sela a "paz"
E no final aparentemente feliz, aparece na tela a legenda: “O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração”. Uma evidente solução para o problema da elite governante, para manter as massas sob o controle, ganhar os corações deles através do mediador, que é hoje em dia representado pela mídia. Os meios de comunicação contemporâneos controlados pelo governo elitista, fazem com que os trabalhadores se mantenham “dopados” com seus ídolos da música, esportes, talk show, big brother, jornalismo, igreja, etc., que lhes dizem o que devem se vestir, o que devem comer, o que devem assistir, o que devem ler, o que devem pensar e como devem agir. A mensagem explícita deles é esta: “continuem mansos e ignorantes, continuem achando que são donos dos seus narizes enquanto nós estamos no controle de tudo, continuem absorvendo o lixo que nós lhe empurramos pela garganta até apodrecerem por dentro; se ocupem com o seu trabalho e com o consumismo desenfreado e não percam tempo com seu Deus e Sua promessa de salvação.” Toda indústria do entretenimento já é controlada pelos governantes da nossa Metropolis chamada Terra. 
Maria robô e a simbologia do "olho que tudo vê" ou olho de Hórus
Já vemos todos os Maria-robôs de hoje cada vez mais efêmeros e se multiplicando, fazendo apologia descarada em seus vídeos e shows aos seus criadores, os governantes ocultos e expondo sua simbologia maligna para os seus fãs já controlados. Finalizando, a idéia do filme Metropolis representa o que a Nova Ordem Mundial almeja: o controle total e definitivo das massas alienadas em prol da segurança e bem estar da elite governante que serve ao “senhor deste mundo” e ao anticristo e que em breve será anunciado.
Capa do filme Metropolis (1927) restaurado para DVD
Nota: Se quiser conferir e avaliar o filme “Metropolis” de Fritz Lang, o youtube disponibiliza uma versão legendada em espanhol para download.

No link abaixo uma amostra do filme:
http://youtu.be/W-UOm4Ahq5U

Por Eumário J. Teixeira.