3 de jan. de 2011

SONNY BOY WILLIAMSON II - HELP ME


O blues de Sonny Boy Williamson II que mais me marcou foi sem dúvida, “Help Me”, gravado em 1963. A letra foi feita em parceria com o grande compositor e baixista do gênero, Willie Dixon. "Help Me" foi um dos blues mais gravados da história, por bluesmen ou rockers. A música é baseada em “Green Onions” de autoria de Booker T. & The Mg’s, gravada em 1962. Para citar alguns que fizeram algumas versões dignas de nota, mas que não superaram a de Sonny Boy, podemos destacar:

 - Charlie Musselwhite (versão pesada no cd Stand Back! Here Comes Charles Musselwhite´s Southside Band);
- John Hammond Jr. (numa versão acústica primorosa, do cd John Hammond, coletânea pela Gravadora Eldorado/Alldisc );
- John Mayall & The Bluesbreakers (com solo incrível do guitarrista Coco Montoya, no cd Life In The Jungle, de Mestres do Blues nº 07);
- Paul Butterfield Blues Band (Butterfield como gaitista e fã de Williamson, não poderia passar em branco, no cd The Original Lost Elektra Sessions);
- Canned Heat (com letra alterada, mas que manteve o ritmo original, destacando-se a voz falsete e gaita de Alan Wilson, no cd Canned Heat de 1967 );
- Johnny Winter (muita honestidade e garra na interpretação do albino maluco com sua voz rouca e sua guitarra nervosa, no cd The Progressive Blues Experiment);
- Junior Wells (homenagem feita do discípulo ao seu mestre, acompanhado pelo guitarrista Buddy Guy, no cd Buddy Guy & Junior Wells - Live In Montreaux);
- Magic Slim (com seu jeitão simples de caipira, Slim canta e toca, mantendo o ritmo original do clássico apoiado pela sua competente banda, no cd Highway Is My Home);
- Booker T. & The M. G’s (a versão instrumental original que é de autoria da banda de Booker T. e é denominada “Green Onions”, no disco homônimo de 1962, é só ouvir para perceber que Sonny Boy fez a sua versão um pouco mais lenta em “Help Me”.
- Michael Bloomfield & Al Kooper (versão ao vivo de “Green Onions”, destacando-se os teclados de Kooper e a sensibilidade da guitarra de Bloomfield, no cd The Live Adventures Of Mike Bloomfield & Al Kooper);
 

A seguir a letra original e a tradução feita por mim mesmo, já que não consegui outra mais fiel ao espírito da letra malandra de Help Me. Se alguém quiser contestar a tradução e quiser corrigi-la, é só se manifestar, ou melhor... “me ajudar” !

 HELP ME (Me Ajuda)– SONNY BOY WILLIAMSON II 

You got to help me 
Você tem que me ajudar 
I can't do it all by myself
 Eu não posso fazer tudo isso sozinho
You got to help me, baby
 

Você tem que me ajudar, benzinho
 I can't do it all by myself 
Eu não posso fazer tudo isso sozinho
 You know if you don't help me darling 
Você sabe que se você não me ajudar querida
 I'll have to find myself somebody else
 Eu terei que achar outro alguém
 I may have to wash 
Eu tenho que lavar
 I may have to sew
 Eu tenho que costurar
 I may have to cook
 Eu tenho que cozinhar
 I might mop the floor
 Eu tenho que esfregar o soalho
 But you help me babe 
Mas você me ajuda benzinho 
You know if you don't help me darling 
Você sabe que se você não me ajudar querida
 I'll find myself somebody else
 Eu terei que achar outro alguém
 When I walk, you walk with me
 Quando eu ando, você anda comigo
 When I talk, you talk to me
 Quando eu falo, você fala comigo
 Oh babe, I can't do it all by myself 
Oh meu bem, eu não posso fazer tudo isso sozinho 
You know if you don't help me darling 
Você sabe que se você não me ajudar querida
 I'll have to find myself somebody else
 Eu terei que achar outro alguém
 Help me, help me darlin' 
Me ajuda, me ajuda querida
 Bring my nightshirt 
Traga meu camisolão
 Put on your morning gown 
Vista seu robe 
Bring me my nightshirt
 Traga-me meu camisolão
 Put on your morning gown 
Vista seu robe 
Darlin’ I don't feel like sleepin
 Querida eu não sinto vontade de dormir 
But I feel like lying down 
Mas eu sinto vontade de me deitar

Eis o link do youtube para "Help Me" de Sonny Boy Williamson II : http://www.youtube.com/watch?v=VgCpw--3Lyc
e o link para "Green Onions de Booker T. & The MG's: http://www.youtube.com/watch?v=aGthEPeIEnohttp: 

Por Eumário J. Teixeira.

SONNY BOY WILLIAMSON II – O Demônio da Gaita


Sonny Boy Williamson II foi uma das figuras mais enigmáticas do blues, sua vida antes da fama permanece um mistério e é um prato cheio para especulações comparáveis ao do mito Robert Johnson, de quem, aliás, foi parceiro. De matuto astuto nascido no interior do Mississipi passou para a quase condição de “Sir” na Grã-Bretanha. Seu carisma aliado aos seus dotes artísticos eram inquestionáveis e ele soube explorá-los até o fim.

O demônio da gaita
Seu nome de batismo era Aleck Ford, filho de Mille ford e de pai ausente. Depois que sua mãe se juntou a um tal de James Miller, mudou de Aleck para ‘Alex’ Miller. Ele teria nascido em 5 de dezembro de 1899 em Glendora, Mississipi, outras fontes afirmam que seria no ano de 1897. Desde muito jovem viajava pelo Mississipi e Arkansas sobre o pseudônimo de ‘Little Boy Blue’ se apresentado como multi-instrumentista. Ele passaria a usar o nome de ‘Sonny Boy Williamson’ em 1941, roubado de John Lee Williamson (1914-1948) o primeiro Sonny Boy , de quem Alex Miller copiou e aprimorou a técnica de tocar harmônica. Entre 1941 e 1945 participou do programa de rádio “King Biscuit Time”, da emissora KFFA, em Helena, Arkansas. Era o programa de blues mais famoso da época, escutava-se por todo o delta do Mississipi.. Foi nesta época que recebeu o apelido de “Rice”(arroz) Miller, pela sua participação nas campanhas de lançamento de cereais que patrocinavam o programa. Logo foi contratado pelo Selo Trumpet e gravou “Eyesight To The Blind” em 1951. Na mesma temporada passou para o Selo Ace, e em 1955, foi contratado pela poderosa gravadora Chess de Chicago, onde permaneceu até 1963. 
Sonny Boy & The King Biscuit Time
Obteve a melhor fase de sua carreira na Chess onde gravou “Don’t Start Me Talkin” e hits consecutivos como “Work With Me”, “Let Me Explain”, “Keep It To Yourself”, “Born Blind”, “Ninety Nine”, “Lonesome Cabin”, “Nine Below Zero”, “Bring It On Home”, “One Way Out” “Bye Bye Bird” e o clássico “Help Me” de 1963. 
O lorde do blues
Sonny Boy Williamson II era uma artista diferenciado, compunha, cantava e tocava harmônica com um estilo provocante; era dono de um senso rítmico raro e tinha uma presença de palco invejável; com sua voz nítida de barítono adotava um estilo surrealista, pois parecia um aristocrata rural bem vestido, com chapéu-coco, barba-de-bode e provido de poucos dentes; sem esquecer do cinturão que carregava municiado de gaitas Hohner ou “French Harp”. Era também conhecido pela sua forte personalidade e seu poder tanto criativo como persuasivo. Sonny Boy participou da turnê européia do American Blues Festival em 1963, e fez tanto sucesso que permaneceu por mais tempo em Londres, onde se apresentou com The Yardbirds e The Animals, voltando no ano seguinte para gravar com Brian Auger e Jimmy Page. Mas na época, Sonny Boy pressentiu que seus dias estavam contados e decidiu voltar para sua terra, apesar de pensar em se naturalizar cidadão inglês pelo fato de ter sido tão bem aceito por lá. Nos EUA passa as noites num bar de Helena bebendo e tocando no início de 1965 acompanhado pelos Hawks, o grupo que mais tarde se tornaria The Band. O Guitarrista Robbie Robertson conta que durante as apresentações Sonny Boy cuspia regularmente numa jarra, e no fim da noite, Robbie observou que na jarra além da saliva, continha sangue do velho bluesman. Assim, em 25 de maio de 1965, Sonny Boy foi encontrado na cama morto aos 65 anos, vítima de um ataque cardíaco pelo seu amigo baterista James “Peck” Curtis. Sonny Boy, o segundo, foi sepultado no cemitério da Igreja Batista de Whitfield, em Tutwiler, Mississipi.

Sonny Boy com os Yardbirds
Sonny Boy Williamson II influenciou inúmeros rockers nas andanças pelo velho mundo, participou das apresentações de bandas de rock, r&b e jazz inglesas tais como The Chris Barber Band; Cyril Davies & The All Stars; The Animals; The Yardbirds e Brian Auger & The Trinity. Chegou a ter o conjunto norte-americano The Hawks (que se tornaria The Band) como sua banda de apoio. Johnny Winter, Paul Butterfield Blues Band e Canned Heat gravaram versões interessantes e diferenciadas de “Help Me”; o Led Zeppelin gravou “Bring It On Home” no LP Led Zeppelin II.
Sonny Boy com os Animals

De Sonny Boy Williamson II é necessário conferir os essenciais The Animals With Sonny Boy Williamson - Charly; Sonny Boy Williamson And The Yardbirds - Optimism; One Way Out –Arhoolie (temas gravados pela Chess 1955-61) e Keep It Out Ourselves – Alligator (gravado na Dinamarca em 1963, com Memphis Slim). 

 Por Eumário José Teixeira.

17 de dez. de 2010

JOHN FAHEY - Um violão dedicado ao country, folk e blues primitivos.

Pesquisar sobre música de qualidade se assemelha a cavar em um campo aberto a procura de tesouros enterrados, a partir do momento que você descobre alguma peça de valor, certamente terá uma grande chance de enxergar pistas que o levarão à outras preciosidades encobertas. Em postagem anterior dedicada a Alan “Blind Owl” Wilson (Canned Heat), mencionei a amizade deste com um tal John Fahey em meados dos anos de 1960. Em minha ignorância musical assumida, jamais tinha ouvido falar algo sobre John Fahey, se ouvi ou li não dei a devida importância. Mas assim são as coisas, tudo no seu devido tempo, pois ao descobrir que Alan Wilson (um catedrático em blues) considerava tanto a Fahey, corri atrás de informações sobre o ilustre desconhecido (para mim). Estava eu cavando para descobrir fatos sobre a vida de Wilson quando tropecei em vestígios que me revelaram algo também bastante valioso. Alan Wilson dedicou sua curta existência à divulgação do blues, à preservação do meio-ambiente, e a outros interesses culturais diversificados; John Fahey já era obcecado por uma só coisa, a exploração máxima da sonoridade de sua guitarra acústica. Ele “viajava” pela música folclórica norte-americana através dos ritmos do folk, country, blues e bluegrass, como também estava atento aos sons estrangeiros; e um dos músicos que o influenciou positivamente foi o brasileiro Bola Sete (Djalma de Andrade, 1923-1987), um exímio violonista que dominava os ritmos do samba, bossa nova e jazz. Bola Sete mudou-se definitivamente para os EUA em virtude de seu talento, mas isso é assunto para uma postagem em breve. Fahey que também era conhecido pelo pseudônimo de “Blind Joe Death” (numa alusão aos velhos mestres de blues), nos deixou uma discografia de alta qualidade.
John Aloysius Fahey nasceu em 28 de fevereiro de 1939 em Takoma Park, no estado de Maryland. Era um finger Style Guitarrist, ou melhor, um sujeito que tocava seu violão com uma técnica ímpar de dedilhado. Seu modelo de guitarra predileto era a steel-string acoustic guitar. Dentre os estilos musicais que interpretava estava o folk e blues norte-americanos; música clássica; portuguesa; brasileira (bossa nova); e indígena. A revista Rolling Stones fez uma lista dos 100 melhores da guitarra (The 100 Greatest Guitarrists Of All Time), Fahey foi classificado no 35º lugar. Fahey descobriu o blues em 1952 quando ouviu um disco de Blind Willie Johnson no qual continha a gravação de “Praise God I´m Satisfied”. O disco de 78 r.p.m. fazia parte da coleção de “olds blues” do amigo e mentor Richard K. Spottswood, que era musicólogo. Fahey comparou tal audição como uma ‘conversão religiosa’, ficando devoto ao blues até sua morte em 22 de fevereiro de 2001, em Salem, Oregon. Graduado em filosofia na universidade de Los Angeles, na California, Fahey realizou (com a ajuda de Alan Wilson) a tese para mestrado intitulada: A Textual And Musicological Analysis Of The Repertoire Of Charley Patton. Em suas primeiras gravações Fahey chegou a utilizar o pseudônimo de “Blind Joe Death”. Vale a pena conhecer, por exemplo, os álbuns (ou cds): The Legend Of Blind Joe Death (Coletânea – 1996); The Transfiguration Of Blind Joe Death (1965); The Voice Of The Turtle (1968); Of Rivers And Religion (1972); e outras pérolas. No youtube há alguns registros de algumas apresentações magistrais de John Fahey, só ele e o violão, sem ser enfadonho...mas hipnótico!

Eis um link do you tube com John Fahey tocando "Desperate Man Blues":

http://www.youtube.com/watch?v=PQnPJqeH80I

Por Eumário J. Teixeira.

10 de dez. de 2010

ALAN “BLIND OWL” WILSON


Taí um personagem importante do rock que foi subestimado pela história. A praia de Alan realmente era o blues e é sabido que ele era uma autoridade sobre o assunto. Pesquisava tudo que tinha relação com a história do blues e era freqüentador assíduo do circuito Folk-Blues Café de Cambridge; tinha um considerável acervo de discos raros de blues e ainda resgatava artistas veteranos desse gênero musical para os estúdios de gravação; foi o que fez, por exemplo, com Eddie “Son” House em 1965, com quem cooperou na gravação do LP The Father Of Delta Blues. Wilson chegou a escrever dois longos artigos para a o jornal de Massachussets, o ‘Broadside de Boston’, sobre os bluesmen Robert ‘Pete’ Williams e Eddie ‘Son’ House, trabalho que a revista ‘Downbeat’ considerou como uma das 10 mais importantes contribuições para o reconhecimento do blues moderno e foi considerado também como a primeira análise musicológica do estilo.
Alan era um expert em blues
Alan Wilson dominava vários instrumentos musicais, como a guitarra acústica, guitarra elétrica, guitarra slide, piano e a harmônica, principalmente. Tinha um vocal estilo falsete, frágil e dissonante dos padrões do rock ou do próprio blues, mas era pessoal, interessante e exótico.
O forte de Blind Owl realmente não era o visual, pois não se preocupava com a própria aparência. Nunca foi um narcisista como seus colegas amantes do blues, Brian Jones dos Rolling Stones ou Eric Clapton do John Mayall’s Bluesbreakers e Cream. Um amigo me disse certa vez que Alan tinha um rosto não masculino, mas semelhante ao de uma menina feia.
Seu apelido “blind Owl”, que traduzindo seria “coruja cega”, foi dado pelo amigo guitarrista de folk & blues John Fahey, que durante uma viagem feita por ambos
em 1965, atentou para os enormes óculos quadrados de lentes “fundos de garrafa” e de alto grau de Alan. Era muito comum a colegas de Al Wilson pedir sua ajuda para supervisionar certos projetos para graduação na universidade que fossem relacionados com a música folclórica norte americana, foi o que fez Fahey que se graduava em folclore na época, recorrendo ao profundo conhecimento de Wilson a cerca de country blues para reorganizar e concluir sua tese de mestrado sobre o lendário Charley Patton.
Alan Wilson, um defensor do meio ambiente
Tímido e recluso, apesar de ser o líder do grupo, Alan não era o frontman ideal para a banda Canned Heat, tal papel coube ao vocalista principal, o gorducho carismático Bob “o urso” Hite, que também colecionava inúmeros discos de blues.
Além do blues, Blind Owl tinha outros interesses, tais como como o hábito de devorar livros sobre botânica e ecologia. Não era à toa sua obsessão pela preservação das florestas de sequóias e das árvores centenárias da Califórnia, pois chegou a criar junto ao ecologista Skip Taylor, a Mountain Music Foundation, uma organização formada para preservar as árvores em uma área chamada Skunk Creek, na Califórnia do Norte; era também notório seu apreço pela música e cultura indígenas.
E como a maioria dos jovens idealistas da época que sonhavam com um mundo de paz, amor, liberdade, rock & roll e muita erva para queimar, Alan mergulhou numa onda mística e utópica, numa procura desenfreada de si mesmo e de uma realidade inexistente, amparando-se em alucinógenos e nas filosofias esotéricas e naturalistas insustentáveis, numa viagem depressiva sem volta.
Talvez tudo isso somado a uma série de fatores tais como seu isolamento social auto-imposto, a pressão dos compromissos de rock star e sua dependência de drogas, o levasse a abraçar a morte tão precocemente aos 27 anos de idade.
Mas é certo que Alan se expressava verdadeiramente através do blues, e ele comeu, bebeu e respirou o blues até o final, e foi o pior tipo de blues, aquele que te consome por dentro e por fora. Lord, have mercy!

Por Eumário J. Teixeira

Canned Heat de Alan ‘Blind Owl’ Wilson e Bob ‘The Bear’ Hite


O Canned Heat formado em 1966 tinha como base criadora Bob Hite, frontman, vocais e harmônica; e Alan ‘Blind Owl’ Wilson, na guitarra slide (elétrica e acústica), harmônica, piano e vocais, além de ser o principal responsável pelos arranjos da banda. Bob Hite quando adolescente começou a trabalhar numa loja de discos o que o levou a descobrir e se apaixonar pelo som dos bluesmen do Delta do Mississipi, daí começou a colecionar raridades. Al Wilson de cultura erudita trabalhava na fábrica de tijolos de seu pai e conheceu Bob Hite através do guitarrista Henry Vestine. A afinidade entre eles fez com que formassem uma banda com o intuito de divulgar o blues para a rapaziada da Califórnia. Com o primeiro LP “Canned Heat” de 1967, demonstraram desde o início que tinham como objetivo principal o resgate do gênero musical afro-americano, sendo que se tornou característico no som da banda, o ritmo derivado do próprio blues, o boogie-woogie. 
O nome Canned Heat, uma homenagem à Tommy Johnson
O que contou para a crescente popularidade do Canned Heat na segunda metade da década de 1960, na era utópica dos hippies e do Sunflower Power, foram as participações da banda em festivais que se tornaram históricos por revelarem grandes músicos e conjuntos de rock, como os festivais de Monterey (1967) e Woodstock (1969). O nome da banda tem origem num velho blues chamado “Canned Heat Blues”, de autoria do lendário bluesman Tommy Johnson, nascido em Terry, Mississipi, em 1896 e morto em 1956, na cidade de Crystal Springs, também no Mississipi. A tradução de “Canned Heat” seria “fogo enlatado”, pois refere-se a um óleo de cozinha gelatinoso, chamado sterno, que era consumido como bebida pelos lavradores ao sul dos EUA durante a Lei Seca; o produto era esquentado e coado com meias ou fatias de pão para separar o álcool metílico do produto que era por sua vez misturado, geralmente, com refrigerantes. Tal bebida dava um “barato” que saia caro na maioria das vezes para seus consumidores causando até cegueira ou alta intoxicação; Johnson, inclusive, teria morrido pela ingestão regular de “canned heat”. 
Let's work together...
A Banda Canned Heat tocou em lugares respeitados como no Olympia de Paris, Montreaux na Suíça, no Carnegie Hall e Madison Square Garden de Nova York, implacando seus hits que não eram poucos como: “On The Road Again”; “Let´s Work Together”, “Bullfrog Blues” e “Goin’ Up The Country, só para citar alguns. E o que diferenciava a banda nitidamente das demais na época, era a falta de pompa e estrelismo de seus integrantes, que só tocavam por prazer e diversão, sem grandes pretensões, mas com competência. Os quatros primeiros discos do Canned Heat são essenciais para quem ama o blues. No LP de estréia (Canned Heat pela Liberty Records) de 1967 estão vários clássicos do blues como “Rollin’ and tumblin’”; “Bullfrog Blues”; “Dust My Broom”; “Help Me” e “The Road Song”. O segundo trabalho, em fevereiro do ano seguinte, é Boogie With Canned Heat, onde se tem músicas de autoria da banda além de blues tradicionais, como “Evil Woman”; “On The Road Again”; “An Own Song” e “Anfhetamine Annie”. Ainda em outubro de 1968 lançam o duplo Living The Blues, um trabalho de blues experimental e psicodélico com faixas de longa duração, para citar algumas: “Going Up The Country” (que foi o hino de Woodstock); “My Pony”; “My Mistake”, “Sandy’s Blues”; Walking My Self” e “Boogie Music”. A seguir, vieram os LPs Hallelujah (dezembro de 1968) com as faixas “Same All Over”; “Canned Heat”; “Time Was” e “Big Fat”, e Future Blues (1970) destacando-se as faixas “Let’s Work Together”; “That´s Allright, Mama”, “So Sad” e “London Blues”.
Boogie & blues sem frescura
O produtor Johnny Otis realizou uma gravação com o grupo ainda com uma formação instável em 1966, com Bob Hite, Alan Wilson, Frank Cook, Henry Vestine e Stuart Brotman no seu estúdio em Los Angeles. O registro só foi lançado em 1970 e o LP foi denominado Vintage Heat, que tornou-se um raro bootleg na discografia do Canned Heat, no qual continha versões primorosas de “Rollin’ And Tumblin’” de Muddy Waters; “Spoonful” de Howlin’ Wolf e a lindíssima versão para “Louise”, de John Lee Hooker.
Em 03 de setembro de 1970, Al Wilson foi encontrado morto na casa de Bob Hite situada em Topanga Canyon, provavelmente teria cometido suicídio aos 27 anos de idade. De personalidade sensível e conflituosa, Alan teria tentado suicídio anteriormente por algumas vezes, tinha passado por um tratamento psiquiátrico recentemente e estava sob os cuidados de Bob Hite. Em fevereiro de 1971 alcançaram o auge da fama ao ser lançado o duplo Hooker ‘N’ Heat, este trabalho dirigido por Hite foi considerado responsável pela recuperação da carreira do veterano John Lee Hooker. A nota triste é que Alan Wilson que participou de todo o trabalho não pode desfrutar do sucesso do disco.
Alan "blind owl" Wilson e Bob "the bear" Hite
 O primeiro disco do álbum é mais acústico com apenas John Lee Hooker no vocal e guitarra acompanhado de Al Wilson ao piano apenas na última faixa, destacando-se “Messin’ With The Hook”; “You Talk To Much” e “Bottle Up And Go”. No outro lado da bolacha John Lee estava assessorado pela banda inteira mandando ver em “Whiskey And Women”; “Let’s Make It”; “Peavine” e “Boogie Chillen nº 2”. John Lee Hooker não cansava de declarar Al Wilson como um dos maiores gaitistas que já ouvira em toda sua longa carreira.
Mas a banda prosseguiu, gravaram ainda bons discos como o LP Rollin’ & Tumblin’ (1973); One More River To Cross (1974); Memphis Heat (1974), com o pianista de blues Memphis Slim; Captured Live (1981) e fizeram apresentações sensacionais como a de Montreaux em 1973, com participação especial de Clarence ‘Gatemouth’ Brown. Infelizmente o Canned Heat sofre outro duro golpe em 5 de abril de 1981, com a morte de Bob Hite em Los Angeles, aos 36 anos, vitimado por um ataque de coração pouco antes de uma apresentação. O guitarrista Henry Vestin viria a falecer em 20 de outubro de 1997, também vitima de ataque cardíaco em Paris, após o encerramento de uma turnê. Adolfo Fito de la Parra, baterista e um dos últimos integrantes originais, continua mantendo a memória musical do Canned Heat em atividade por todo o mundo ao lado do baixista Larry Taylor e de um dos primeiros guitarristas da banda, o virtuose Harvey Mandel.

Canned Heat (1967)
Em uma entrevista concedida à revista Poeira Zine (www.poeirazine.com.br) na edição de outubro/novembro de 2008, Fito de La Parra respondeu a várias perguntas dos leitores, inclusive a minha sobre as circunstâncias da morte de Al Wilson, e segundo suas próprias palavras: “Alan se Matou. Ele tomou uma dose letal de comprimidos. No começo eu o achava muito estranho: seu visual, suas roupas sujas, seu cabelo... (risos). Mas logo comecei a conhecer ele melhor e vi que era um cara extremamente talentoso e uma pessoa maravilhosa. Alan não estava nem aí para o seu visual; ele apenas enrolava sua roupa e a jogava num do quarto. Ele sempre dormia no chão; não curtia dormir na cama...E gostava bastante de dormir ao relento, ao ar livre tanto que quando morreu, Alan estava dormindo do lado de fora da casa (no jardim da casa de Hite)...Ele era um ‘cara da natureza’...”. Outra pergunta interessante foi a de Marco Gaspari sobre a convivência dele (Fito de la Parra) com Bob Hite e Al Wilson e suas coleções de discos de blues, a resposta do baterista foi essa: “Eu não sabia dessa ‘aptidão’ deles até o dia em que fui fazer a audição para me tornar baterista do grupo e cheguei com um LP de Junior Wells & Buddy Guy debaixo do braço que comprei no caminho. Tanto Hite como Wilson ficaram espantados e Hite depois me confessou que logo pensou consigo mesmo: ‘Esse cara é o batera ideal para o Canned Heat!’. 
Boogie with Canned Heat (1968)
Todos nós fomos influenciados por esses álbuns maravilhosos da coleção deles. Tínhamos acesso a tudo e ficávamos meses ouvindo raridades do blues. Não poderia ter sido melhor...Hite e Wilson eram apaixonados por música e isso ficava evidente em nossas performances”.

É isso aí pessoal, muitos falam e com razão do John Mayall’s Bluesbreakers e do Peter Green’s Fleetwood Mac, mas não podemos deixar de honrar também a memória daqueles que suaram pela revitalização do blues na ensolarada Califórnia nos anos de 1960, a banda liderada por Al Wilson e Bob Hite, o incrível Canned Heat!
Quem quer ter uma noção geral sobre a música do Canned Heat deve correr atrás da coletânea Uncanned! The Best Of Canned Heat (1994), vale a pena! 



O Link para curtir no you tube "Let's Work Together" com o Canned Heat: 


Por Eumário José Teixeira.

16 de nov. de 2010

ÉDER JOFRE - O ETERNO GALINHO DE OURO DO BRASIL



ÉDER JOFRE, PARABÉNS PELOS 50 ANOS DA CONQUISTA DO TÍTULO MUNDIAL DOS PESOS GALO!

Uma lenda do boxe mundial que praticamente não é reconhecido em seu próprio país!

Nosso eterno herói do boxe, Éder Jofre
No Brasil foi implantada a idéia de que somente o futebol gera uma paixão nacional. Há várias décadas, bem antes da tragédia do maracanã em 1950, quando a seleção brasileira perdeu o título do mundial para o Uruguai, já se acreditava que qualquer brasileiro nascia naturalmente com o dom de jogar bola e sambar. 
Numa época em que a informação era lenta e restrita a poucos privilegiados, até que não poderia se pensar de forma diferente; quando se lia um jornal, na página de esportes só se via notícias de futebol, e da mesma forma era no rádio, onde só ouvia política, rádio-novelas, musicais e o grito de goool! Com raras exceções uma conquista em alguma outra modalidade esportiva era discretamente mencionada. Com o advento da televisão pouco mudou, o futebol continuou a ser a atração principal das coberturas esportivas. Na década de 1960 com a confirmação do talento de Mané Garrincha com suas pernas tortas e endiabradas e o surgimento de sua majestade, Pelé, qual a chance dos holofotes se direcionarem para os outros esportes? E na mesma época, já tínhamos a talentosa tenista Maria Esther Bueno, a princesa das quadras campeã de Wimbledon; o medalhista olímpico Adhemar Ferreira da Silva e um boxeador franzino e promissor de 1,64 m, um tal de Éder Jofre. 

Yes, nós temos boxer campeão do mundo
Ôpa, nossos olhos se abriram para novidades, o brasileiro também sabe jogar tênis, saltar e boxear. É, nós também somos bons de briga, haja visto que Hélio e Carlson Gracie, os patriarcas do jiu-jitsu brasileiro, já acenavam com esta verdade desde os anos de 1930 e se fizeram respeitar com suas conquistas até meados de 1960. Mas esse tal de Éder Jofre, que a maioria dos jovens hoje em dia não conhece ou nunca ouviu falar, foi o maior boxeador brasileiro de todos os tempos, e um dos maiores do mundo. Ao ganhar o título mundial dos pesos galo, em 18 de novembro de 1960, Éder Jofre passou a ser o único atleta a rivalizar em popularidade com Pelé e Garrincha na época. Atualmente é reverenciado por ninguém menos que o ex-campeão peso pesado Mike Tyson, que admitiu que o galinho de ouro foi uma de suas maiores influências devido ao seu estilo de boxear, se referindo a sua garra e ímpeto ao partir para cima do adversário. Tivemos outros campeões de boxe em categorias diversas, como Miguel de Oliveira (pesos médio), Maguila (pesos pesado), e mais recentemente o Acelino “Popó” de Oliveira, mas nenhum deles conquistou o respeito e admiração que Éder conquistou mundialmente, e mesmo hoje, após 50 anos de seu primeiro título mundial dos pesos galo, ele é admirado e venerado pelos entendidos do mundo do boxe e ex-adversários, tais como Masahiko “Fighting” Harada do japão, o único a vencer a Éder Jofre por pontos em dois combates memoráveis e polêmicos em sua decisão em 1965. 

O reencontro 50 anos depois entre Éder, Eloy Sanchez e Fighting Harada
Mas não vemos esse reconhecimento no Brasil, seja do público, da mídia ou governo, e mesmo os campeões mais recentes de nosso país não fazem questão de dar a Éder o valor e reconhecimento que merece. Ora, o próprio Pelé, o rei do futebol, não tem unanimidade aqui, a molecada ainda vacila entre optar por ele ou Diego Maradona. Por quê isso? Acho que a mídia tem boa parte da culpa, por omissão e falta de interesse na divulgação da trajetória heróica e pioneira de Éder e por não saber cultivar e alimentar a memória do povo. Me arrisco a dizer que se o galinho de ouro tivesse nascido mexicano, ele seria “endeusado”, teria estátuas e monumentos em sua homenagem, teriam feito filmes e documentários para preservar seu passado glorioso, etc. Veja na Argentina como Maradona é adorado; como El Santo (morto há décadas) e Julio César Chavéz são idolatrados no México; como Muhammad Ali e os falecidos Sugar Ray Robinson e Joe Louis, apesar de negros são ou foram reverenciados até hoje nos EUA; no Brasil não, o herói é que precisa sair e gritar por aí: “Ei, não se esqueçam do que fiz por vocês e pelo país, que tal me dar um pouco de atenção? Prefiro receber as homenagens em vida...”; mas se ídolo não der retorno financeiro, fica difícil; não foi o caso, por exemplo, de Airton Senna que mesmo agora na saudade, sua marca ainda gera rendimentos para muitos.

Campeões em 1961: Maria Esther Bueno, Pelé, Éder e Bruno Hermanny
Por isso humildemente pretendo a seguir, resumir a trajetória heróica do maior de todos nos ringues do Brasil e do mundo em sua categoria, e que ao meu ver, só não superou em termos mundiais, Muhammad Ali, Sugar Ray Robinson e Joe Louis.
Antes, uma pergunta que não quer se calar: O que houve com o filme com direção de Nilton Travessos que estava sendo produzido sobre a vida de Éder Jofre, pararam com as filmagens que teria se iniciado em 2008? O projeto foi cancelado? Por quê?


Por Eumário J. Teixeira.

ÉDER JOFRE - SUA VIDA E SUA LUTA PELO BOXE BRASILEIRO


OS 50 ANOS DO TÍTULO MUNDIAL DOS PESOS GALO, EM 18 DE NOVEMBRO DE 1960!

Éder Jofre nasceu em 26 de março de 1936, em São Paulo, numa família de boxeadores. O menino teve uma infância normal e saudável, era naturalmente arisco e costumava invadir a chácara dos padres para apanhar frutas e se divertir no parque Peruche correndo atrás de pipas e balões ou jogando bola com seus primos e amigos. Seu pai Aristides Pratt Jofre, também conhecido como Kid Jofre, era argentino de nascença e já tinha praticado a nobre arte, passando posteriormente a trabalhar como técnico de boxe no São Paulo Futebol Clube.
Éder, menino, uma promessa do boxe
Com um “empurrão” de Kid Jofre, Éder começou a sua carreira de boxeador, defendendo as cores do tricolor paulista. Disputou o Campeonato do Sesi e inúmeros Torneios de Novos e Novíssimos. Ainda defendendo o São Paulo, Éder conquistou seus primeiros campeonatos paulistas e brasileiros; e ainda como amador, representou o boxe brasileiro nas Olimpíadas de 1956, em Melbourne na Austrália. Chegou aos jogos já com certa fama e favoritismo, mas não conseguiu medalhas. Venceu a primeira luta contra Thein Myint Burman, mas perdeu por pontos nas quartas-de-final para o chileno Cláudio Barrientos. Mais tarde, já como profissional, venceu o mesmo Barrientos por nocaute, fazendo-o beijar a lona por 7 vezes, antes de nocauteá-lo de vez.
Éder Jofre iniciou sua carreira de boxeador profissional em 1957. No ano seguinte tornou-se campeão brasileiro na categoria peso galo e, em 1960, conquista o título sul-americano na mesma categoria, numa luta de 15 assaltos contra Ernesto Miranda. Era o início da trajetória do maior boxeador que o Brasil já teve.
No mesmo ano o mundo passa a respeitar o “galinho de ouro”, que se muda para os Estados Unidos da América com um cartel de 34 vitórias, 2 empates e 0 derrotas para conquistar o título mundial dos pesos galo da NBA (National Boxing Association).
O combate decisivo na vida de Éder Jofre foi contra Joel Medel, quem vencesse teria direito de enfrentar Eloy Sanchez na disputa do título mundial.

Éder derrota o perigoso Medel e parte para o título mundial
Segundo Éder não foi nada fácil, como relata em entrevista dada a José Elias Flores Jr., em setembro de 2003: “Foi pauleira o tempo todo. Uma luta franca. No 6º. round ele quase me nocauteou com um golpe no fígado. Ele viu que eu estava sentindo, por que eu dei um gemido quando este golpe dele entrou. Fiquei quase pendurado nas cordas, mas não caí. Reagi e o nocauteei no 10º. round. Era uma eliminatória da disputa de título mundial e quem ganhasse enfrentaria o Eloy Sanchez pela coroa. Esta luta com o Medel foi a mais difícil. Depois desta, considero a luta com o Tony Jamito”.
Chega o dia 18 de novembro de 1960 na cidade de Los Angeles, mais precisamente no Olympic Auditorium, onde Éder Jofre, numa luta prevista de 15 rounds, nocauteou o mexicano Eloy Sanchez no sexto round, cravando seu nome para sempre no hall of fame das lendas do boxe.
Como r
elembra o próprio Éder na entrevista de 2003 : “Nunca esqueço do meu irmão gritando após eu ter nocauteado o Sanchez. Ele dizia: “Sou irmão do campeão do mundo! Sou irmão do campeão do mundo!” Só aí é que me dei conta do que estava acontecendo. Na volta ao Brasil, tinha me transformado em um ídolo nacional. 
Éder derrota Eloy Sanchez e se torna campeão do mundo
O assédio era enorme. Seria rigorosamente impossível fazer esta entrevista neste local naquela época. Teria uma multidão nos cercando aqui agora (neste momento, Eder faz uma pausa e reflete). Meu pai era demais. Mesmo quando eu estava no auge, ele sempre me lembrava que aquela fama, aquele assédio, tudo acabaria um dia. Ele era muito sábio”.
Após a conquista foi aclamado e reconhecido pela luta que realizou em 25 de março de 1961, onde venceu por nocaute, no décimo round, Piero Rollo, sem o título estar em jogo. Em 18 de janeiro de 1962, vence o irlandês Johnny Caldwell, unificando o título dos galos, tornando-se o único campeão mundial da categoria.
Defendeu seu título com sucesso por 8 vezes, de 1960 a 1965 e detém o recorde de maior defensor de título de peso-galo em lutas consecutivas, vencendo-as todas por nocaute, incluindo uma seqüência de cinco vitórias conquistadas aqui no Brasil. Enfrentou atletas de alto nível, como José Casas, José Smecca, Roberto Castro, Leo Spinoza e Danny Kid.

Éder Jofre - Duas derrotas polêmicas contra Harada
Mas então surgiu a pedra em seu caminho, o japonês Masahiko “Fighting” Harada, para quem perdeu o título em 1965 em Tóquio, numa luta equilibrada e decidida por pontos em que Éder teve que forçar a perda de duas libras no dia do confronto para estar apto para a luta. Após perder o título dos pesos galo para Harada por uma contagem não convincente, Éder tem a oportunidade de reaver o título numa revanche no ano seguinte, mas na ocasião da luta ele novamente estava abaixo do peso ideal, devido à perda de água por ingestão de diuréticos, e visivelmente mais frágil em relação a Harada, seu desempenho foi comprometido, causando a perda do confronto sob uma contagem por pontos mínima e controversa.
Na entrevista de 2003, Éder desabafa: “Bem, a verdade é que eu estava muito fraco. Ele (Harada) estava em cima de mim o tempo todo, e eu já vinha há algum tempo com dificuldades para fazer o limite dos galos. Fiquei 12 horas sem colocar uma gota d’água na boca. Estava desidratado e cansei muito”.
Sobre a revanche, ele esclarece: “Me foi dado diurético antes desta luta para não ter problemas com o peso, mas isto me enfraqueceu. Além disto, mesmo depois de já estar no peso, o diurético não foi suspenso e eu acabei pesando quase 1 quilo abaixo do limite. Estava quase como peso mosca. Novamente estava fraco demais e perdi”.
Decepcionado, chegou a pensar seriamente em abandonar a carreira. Mas não conseguiu largar os ringues, o boxe estava em seu sangue e seu espírito de boxeador o atormentava, assim, em 1970, decidiu voltar aos ringues, agora como peso-pena, para dar prosseguimento à sua vitoriosa carreira.

O japonês Aoki não impôs muita resistência
Sobre sua desistência após as derrotas para Masahiko Harada, falou: “Estava de saco cheio mesmo desta rotina de fazer peso, passar fome, treinar. Queria aproveitar a vida, ficar com a família, comer à vontade. Tirei 3 anos de férias. Você sabia que este negócio de passar fome e não tomar água me deixou anos depois com pedras nos rins? Algumas pessoas me achavam arrogante, porque me convidavam a sentar com elas e tomar um refrigerante ou comer alguma coisa e eu nunca aceitava. Na verdade, eu não podia”.
Sobre a motivação que levou à sua volta aos ringues, revelou: “Minha tia tinha um circo e alguns lutadores se apresentavam em exibições. Um dia ela me convidou para lhe ajudar, fazendo uma exibição. Eu fui. Durante este período, eu ainda treinava 3 vezes por semana, mas não corria. Lutei e me senti um leão. Estava bem mesmo. Aí, algumas pessoas começaram a me incentivar a voltar e eu resolvi tentar como peso pena”.
Sua volta foi triunfal, pois venceu 25 das 25 lutas que realizou e conquistou seu segundo título mundial, desta vez o dos penas, versão CMB (Conselho Mundial de Boxe), contra o espanhol José Legra. Éder estava com 37 anos e seu adversário era sete anos mais jovem. Esta luta foi disputada em 1973, em Brasília, em plena ditadura militar.


Éder Jofre Campeão dos Pena, em 1973
Éder fala sobre a conquista em 1973: “...Mas quando eu lutei com o José Legra pelo título dos penas, eu queria ganhar por nocaute. Queria fazer isto pelo meu pai, que estava com câncer.
Na sequência defendeu o título dos penas contra um dos maiores pugilistas de todos os tempos, o mexicano Vicente Saldivar, vencendo por nocaute no 4º round, numa luta realizada em Salvador, Bahia.

Éder recebendo o cinturão do mundial dos Pesos-Galo em 1960
Persistiu lutando até 1976, vencendo todas lutas. Mas neste mesmo ano, decidiu encerrar definitivamente sua carreira de boxer, após um aborrecimento com uma disputa de empresários, resolveu não lutar mais e foi destituído do título dos pesos pena, e sua decisão se confirmou após o falecimento de seu irmão Dogalberto Jofre.
Sobre seu pai e seu irmão, Éder diz, na entrevista em 2003: “Meu pai foi meu maior ídolo. Ele conversava tudo comigo e com meus irmãos e sempre foi muito aberto conosco. Veja bem, nos idos de 50 ou 60, meu pai já recomendava que eu usasse camisinha. Ele “filtrava” o assédio, que era muito grande, e sempre me deixava à vontade para que eu tomasse as decisões. Mas, na época da luta com Legra, ele já estava muito doente, com câncer no pulmão. Peço que tu coloques isto na matéria: o que matou meu pai foi o cigarro. Mas na época ele também estava sofrendo muito com a doença do meu irmão, Dogalberto. Quando tinha apenas uns 6 anos, meu irmão caiu de bicicleta e bateu o abdômen. Isto depois se transformou num câncer e ele faleceu antes dos 40 anos, logo depois da morte do meu pai”.

Éder e seu pai e treinador, Kid Jofre
Dono de uma técnica excepcional e muita raça, Éder Jofre construiu ao longo de sua carreira um cartel impressionante de 81 lutas, vencendo 75, empatando 4 e sofrendo apenas duas derrotas para Harada.Mesmo encerrando sua carreira, Éder continuou colecionando títulos. Em 1983 foi eleito pelo Conselho Mundial de Boxe, o maior peso galo do boxe contemporâneo, homenagem realizada no edifício da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York, Estados Unidos.
Em 1992, ingressou no Hall of Fame do boxe mundial, também em Nova York, E.U.A., e quatro anos mais tarde foi eleito pela Bíblia do boxe mundial, a revista The Ring, como um dos 50 maiores pugilistas da era moderna (ficou posicionado no nono lugar do raking).
Na vida político-partidária, está exerceu vários mandatos como vereador, aprovando 25 Leis Municipais, todas em busca da melhoria da qualidade de vida dos cidadãos de São Paulo, com ênfase para o esporte, educação e cultura. Pois é pessoal, neste ano de 2010 o boxe brasileiro pôde comemorar com orgulho os 50 anos de aniversário do primeiro título mundial conquistado pelo guerreiro Éder Jofre, o cinturão dos pesos galo, nos EUA, em 25 de março de 1960.


Lista dos títulos de Éder Jofre:


- Bicampeão Mundial de Boxe - Peso-galo em 18 de novembro de 1960 e Peso-pena em 5 de maio de 1973;
- Em 1982, foi considerado o maior peso-galo da história do boxe, na comemoração dos 30 anos do CMB.
- Em 1985, foi novamente reconhecido como o maior peso-galo da história, desta vez pela Associação Interamericana de Imprensa;
- Em 1992 ingressou no Hall Of fame (Corredor da Fama), O título de maior prestígio no boxe e conferido pela primeira vez a um atleta fora do eixo Europa/EUA;
- Em 1996, foi eleito um dos dez maiores lutadores da era moderna do boxe, ficando em 9º lugar, suplantando neste cartel pugilistas como MikeTyson, George Foreman e Evander Hollyfield; eleição feita pela revista "The Ring", a bíblia do boxe mundial.
- Recorde sul-americano de público - 53.00 pessoas assistiram, no estádio El Campín, em Bogotá, à vitória (no sétimo round) de Eder Jofre sobre o colombiano Bernardo Carvalho, na disputa do título mundial dos peso galo;
- Recorde no Ibirapuera - Em 1962, o Ibirapuera recebeu o seu maior público em lutas de boxe: 23 mil pessoas presenciaram a vitória de Eder Jofre sobre o irlândes Johnny Caldwell, na unificação do título mundial do peso galo.
- A ESPN elegeu Éder Jofre o 36º dentre os 50 melhores pugilistas de todos os tempos em eleição feita recentemente. O que certamente prejudicou o ranqueamento do brasileiro na eleição da ESPN se diz respeito ao fato dele ter feito poucas lutas nos EUA em sua carreira, apenas três do seu total de 81 combates. Ficou à frente de boxeadores fenomenais, como Thomas Hearns, Larry Holmes, Oscar De La Hoya, Evander Holyfield, Carlos Monzon, Roy Jones Jr e Mike Tyson. O fato é ainda mais relevante se observarmos que as categorias mais leves, como a dos galos, na qual o brasileiro se destacou, nunca recebeu o merecido destaque na América.

Éder Jofre homenageado pelo São Paulo F. C. , seu time de coração
No dia 18 de novembro de 2010 não deixem de comemorar os 50 anos do título mundial dos pesos galo, inédito e histórico para o Brasil. Obrigado Éder Jofre, parabéns ao nosso eterno campeão!

Obs.: A entrevista cedida em 2003 por Éder Jofre a José Elias flores Jr. pode ser conferida na íntegra, no site http://www.ringue.net/
Por Eumário J. Teixeira.

6 de nov. de 2010

BOB DYLAN PINTA A REALIDADE DO BRASIL


Quem não conhece ou nunca ouviu falar de Bob Dylan, mesmo quem não sabe identificá-lo fisionomicamente já escutou algumas de suas inúmeras músicas mesmo sabendo que não era dele, como a desgastada “Blowin´ In The Wind”. No Brasil temos fãs famosos de carteirinha do cara como Zé Ramalho, que recentemente gravou um CD com versões das músicas de Dylan. Poesia é a outra faceta do roqueiro veterano, suas letras e poemas são respeitadas em todo o mundo por intelectuais ou rockers de variados estilos e tendências. Mas o cara que já foi militante político, cristão fervoroso, judeu ortodoxo e rock-star ressurge agora como pintor. Surprise? Para mim não, o sujeito é um artista por natureza, seu talento não tem limites e alcançou mais uma faceta da arte. Mas nem todos pensam assim.
Eu gosto de desenhos e pinturas, mas não entendo a fundo de pintura clássica e não saberia classificar o trabalho de Dylan, entretanto, gostei muito das cores vivas dos quadros, que apesar de não apresentarem uma realidade animadora, não deixam de ser figuras atraentes. Experts classificaram seu estilo como influenciado pelo realismo americano do início do século 20, tendo afinidades com escola do mestre Matisse dos anos de 1920.
Outros afirmaram que como pintor, Dylan é um bom poeta. Por se tratar de quem é, gerou-se uma polêmica em torno das pinturas de Dylan, que conseguiu expor no respeitável Statens Museum for Kunst de Compenhague, na Dinamarca, a partir de setembro deste ano. Apesar de ser o Bob Dylan, críticos dinamarqueses impiedosos afirmaram que sua obra não está à altura do maior e tradicional museu do país e Europa.
O espantoso é que as obras foram encomendadas exclusivamente à Dylan pela direção do museu para exposição, as quais o artista produziu entre o ano de 2009 e o primeiro trimestre de 2010. A coleção que ficará aberta ao público até 30 de janeiro de 2011, compreende 40 telas pintadas em acrílico e oito desenhos.
Essa não foi a primeira exposição de Bob Dylan, sua coleção anterior, “Drawn Blank Series”, foi exibida na Alemanha, em 2007, e no Reino Unido, em 2008. A coleção consistia em pinturas feitas durante suas excursões realizadas entre 1989 e 1992, onde retratava temas e lugares descritos em suas canções. Como comentou o próprio pintor, ou melhor, Dylan, eram desenhos sobre tudo o que ele achava interessante e não tinha a menor intenção de fazer algum comentário social ou aprofundar a visão de alguém. Os quadros mais famosos de Drawn Blank Series foram os dois da série “Train Tracks”, que representam vias ferroviárias que desaparecem entre montanhas distantes sob o céu.
Mais interessante ainda é o tema do trabalho exposto recentemente na Dinamarca, denominado por Dylan como The Brazil Series. Isso mesmo, a amostra retrata a pobreza, as favelas, os campos e a violência brasileira de forma muito viva e colorida; também há quadros dramáticos sobre desilusões amorosas e até acertos de contas entre mafiosos (de ternos). Segundo o curador do museu, Dylan absorveu todos os temas em suas inúmeras viagens pelo país. Os quadros que se destacam a princípio são dois, denominados “Favela Villa Candido” e “Favela Villa Broncos”.

Uma amostra das críticas dinamarquesas desfavoráveis à Dylan: - O jornal Berlingske Tidende mandou: “...compondo, Bob Dylan é um dos grandes, o Picasso do século XX, mas este não é o caso como sua Pintura”.
- O jornal de economia Boersen acusou o museu de colocar os ganhos financeiros à frente do critério artístico, já que o nome Dylan atrairá o público pela posição do cantor e compositor, não pela qualidade do seu trabalho como pintor.
- O professor de História da Arte Peter Brix Soendergaard, em entrevista no jornal Information, analisou Bob Dylan assim: “...pinta como qualquer amador, utilizando um estilo figurativo um tanto pesado. É o que chamávamos antes de ´um pintor de domingo`.”


Agora alguma crítica favorável: 
- A revista semanal Weelendavisen, pegou mais leve ao afirmar que Dylan não é um grande pintor, mas é interessante porque não é pretensioso e tem um olhar para o drama.
- A direção do museu respondeu às críticas e negou que o interesse fosse econômico e que Dylan é um pintor de qualidade.
- “Bob Dylan não é apenas um artista legendário, como também um pintor apaixonado, o que não é comum entre os cantores de rock que se dedicaram à pintura, sem sucesso”, declarou o curador do museu dinamarquês, Kaspar Monarad.

Independentemente das críticas favoráveis ou desfavoráveis, cada qual tem sua opinião e gosto, eu mesmo apreciei seus quadros, mas particularmente não creio que o velho Bob teria que expor em um museu tão pomposo como esse, já que lá só valorizam as obras consagradas de artistas centenários. Quem sabe no futuro, daqui há meio século mais ou menos, irão falar das valiosíssimas obras de um pintor judeu, intuitivo, sensível e incompreendido, que também era poeta, cantor, multi-instrumentista, ativista político e social, quase messias, chamado Robert Allen Zimmerman? Quem viver, verá!

Por Eumário J. Teixeira.

25 de out. de 2010

IGREJAS FUNDADAS PELO HOMEM

Para sua reflexão...

É certo que toda igreja fundada antes de Cristo é precoce, e toda igreja fundada depois de Cristo é tardia.

A igreja começou com Jesus Cristo em Jerusalém como descrito em Mateus 16:18 : “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela...”, e se multiplicou como descrito em Atos 8:1-25 e ainda em Atos 9:31.
Mas o tempo passou e a igreja primitiva cristã foi quase que totalmente aniquilada pelo estado imperialista romano que reinventou a igreja “oficial” dos templos e santuários, tendo o papa como intercessor entre Deus e os fiéis já que Roma não pôde exterminar o “fanatismo” cristão que crescia a olhos vistos.
Ora, se não posso com o inimigo vou me juntar a ele, e uma vez dentro dos seus domínios, é só aguardar a chance de tomar conta do pedaço. E assim foi.
Em seguida veio a fase negra da igreja, com as inquisições, caça às bruxas e aos hereges que insistiam com o modelo primitivo de igreja, compra de indulgências, comércio de imagens e objetos ditos sagrados, loteamento no céu, etc., que culminou finalmente com a reforma protestante que originou em seguida a contra-reforma da igreja de Roma.
Dentro do próprio movimento reformista, ocorreram cismas movidos pela ambição de lideranças que geraram múltiplas denominações no seio protestante corrompendo assim a idéia original de se levar a Palavra à todos sem sectarismo. No geral, a igreja protestante atualmente permanece do jeito que o diabo gosta, ou seja, fragmentada, o rebanho ficou disperso e vulnerável.
Atualmente se vê uma portinha de igreja evangélica por todo o lado principalmente nos bairros mais carentes, onde pastores de denominações diversas aparecem aos montes.
Nestas igrejas mais modestas é onde geralmente os milagres se multiplicam e não é difícil flagrar pais pastores e líderes de igreja explorando o suposto poder de cura de alguma criança inocente, como já foi mostrado em reportagens televisivas.
Pela TV nos é oferecido também milagres financeiros e profissionais ao nosso alcance em troca de taxas fixas de R$ 900,00 e ainda assistimos os mesmos mercadores da Palavra, verdadeiras celebridades santas, esmagando e humilhando o diabo no púlpito como se o adversário da humanidade não fosse nada.
Pela internet já se pode contar, inclusive, com cursos para formação de pastores em faculdades virtuais.
O que dizer então dos templos soberbos de algumas igrejas pentecostais de dar inveja às riquezas do Vaticano?
Não vejo a necessidade de mencionar a igreja evangélica freqüentada por homossexuais e lésbicas que foi fundada por um casal de pastores gays...
Deus tenha misericórdia de todos nós!

A seguir uma lista das Principais igrejas fundadas pelo homem depois de Cristo:

BRASIL

- Congregação Cristã no Brasil – fundada em 1910 pelo ítalo-americano Luís Francescon;

- Brasil para Cristo – fundada em 1955 por Manuel de Melo e Silva;

- Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) – fundada em 1977 por Edir Macedo e R. R. Soares no Rio de Janeiro;

- Igreja Internacional da Graça – fundada em 1980 por R. R. Soares no Rio de Janeiro após um desentendimento com Edir Macedo.

O brasileiro sabe usar a sua reconhecida criatividade até para fundar igrejas.

ROMA

- Igreja Católica Apostólica Romana – Muitos consideram que foi fundada no ano 312 (séc. IV) pelo imperador romano Constantino. Na verdade não se pode afirmar precisamente quem fundou a igreja católica, mas sabe-se que Nero que iniciou as primeiras perseguições aos cristãos em 54-68 d. C. e que o imperador Diocleciano promoveu a última e mais cruel delas em 303-305 d. C.
Em 313, o imperador Constantino se declara convertido ao cristianismo, concedendo liberdade religiosa em todo o império romano, por meio do Edito de Milão. Assim os cristãos puderam finalmente sair das catacumbas e celebrar livremente seu culto e “construir” suas igrejas.
Em 380 d. C. , o cristianismo passou a ser considerado a religião do estado romano, logo após o imperador Teodósio ter sido batizado cristão. Cerca de uma década depois, os cultos pagãos teriam sido proibidos e o cristianismo tornou-se efetivamente a religião oficial de Roma e organizou-se então como a igreja Católica Apostólica Romana, que construiu sua hierarquia tendo como modelo a estrutura administrativa do império.


ESTADOS UNIDOS

- Igreja de Cristo – fundada em 1827 por Alexander Campbell;

- Igreja Mórmon – fundada em 1830 por Joseph Smith;

- Igreja Adventista – fundada em 1843 por William Miller;

- Igreja das Testemunhas de Jeová – fundada em 1884 por Charles Taze Russel;

- Igreja Pentecostal – fundada em 1903 por A. J. Tomlinson;

- Igreja Assembléia de Deus – fundada em 19l4 por um grupo de pentecostais;

- Igreja do Evangelho Quadrangular (Cruzada Nacional) – fundada em 19l8 por Aimee Semple McPherson.

Obs.: Os americanos lideram mundialmente até na quantidade de fundações de igrejas ditas protestantes.

INGLATERRA

- Igreja Episcopal – fundada em 1534 pelo rei Henrique VIII;

- Igreja Congregacional – fundada em 1580 por Robert Browne;

- Igreja Metodista – fundada em 1739 por John Wesley.

ALEMANHA

- Igreja Luterana – fundada em 1520 por Martinho Lutero.

SUÍÇA

- Igreja Presbiteriana – fundada em 1536 por João Calvino.

APESAR DE MUITOS FAZEREM DA PALAVRA DE DEUS UM COMÉRCIO, FONTE DE RENDA OU UMA PROFISSÃO, ALGUNS IRMÃOS SEGUEM FIELMENTE O ENSINAMENTO DE JESUS CRISTO, QUE NOS DEU A GRAÇA DE GRAÇA E ORDENOU PARA ANUNCIARMOS O EVANGELHO DA MESMA FORMA. AÍ ESTÁ A ESPERANÇA EM TODO O MUNDO, POIS CRISTÃOS DESVINCULADOS DE QUAISQUER ORGANIZAÇÕES ECLESIÁSTICAS E RELIGIOSAS, PROCURAM REVIVER EM PEQUENOS GRUPOS OU CÉLULAS NAS SUAS CASAS JUNTOS ÀS SUAS FAMÍLIAS E IRMÃOS, A VERDADEIRA IGREJA FUNDADA POR JESUS CRISTO. TAIS GRUPOS COMO NO PASSADO, SERÃO, SE JÁ NÃO SÃO, PERSEGUIDOS COMO SEITAS, APESAR DE ESTAREM DIVULGANDO O VERDADEIRO EVANGELHO DO REINO À MARGEM DO SISTEMA RELIGIOSO IMPOSTO. QUE ASSIM SEJA!

O Senhor Jesus Cristo disse e está escrito em Mateus 18:20 : “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles”.

Em Romanos 16:4 e 5 Paulo escreve: “...o que não só lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios. Saudai também a igreja que está em sua casa.”

O que Jesus espera dos seus verdadeiros discípulos, está em Mateus 10:7-10 : “ ...e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça daí. Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão, porque digno é o trabalhador do seu alimento”.

Por Eumário José Teixeira.

12 de out. de 2010

FALSOS PROFETAS, POLÍTICA E MAÇONARIA

“É muito difícil..." era o jargão de um personagem de um programa cômico da TV e realmente está muito difícil a caminhada para um crente, evangélico, cristão ou discípulo hoje em dia. Mas a tendência é piorar, pois segundo a Palavra, a porta que nos leva a Jesus Cristo é estreita e poucos, e creio que pouquíssimos, passarão por ela. Se não bastasse o sistema mundial que nos envolve e nos molda para o mal, ainda vemos uma crescente horda de pastores e líderes protestantes envolvidos em denúncias e escândalos revelados pelos próprios colegas de profissão, se é que podemos classificar o pastorado como um ofício.
Eles estão no alto de seus púlpitos deixando as pobres ovelhas desorientadas, pois ao invés de guiá-las para um lugar seguro, as estão direcionando para a cova do lobo cada vez mais faminto.
Quando eu comecei a ouvir rumores sobre o projeto para os direitos humanos que o PT quer implantar no Brasil caso Dilma for eleita, ou seja, sobre o polêmico PNDH-3, procurei me informar na internet sobre o assunto. Tais denúncias contra o PNDH-3 foram a princípio feitas pela igreja católica e agora são apoiadas pelas denominações evangélicas. Ora, na política eu sempre tendi para a esquerda, mas lendo e ouvindo assuntos referentes ao PNDH-03, concluí que tudo no mundo está caminhando e se adequando realmente para o governo global do anticristo. Tanto faz esquerda ou direita, conservador ou liberal, na política tudo se projeta para a queda da humanidade e de seus valores mais sagrados, como a família, por exemplo. Para se ter alguma idéia do que consta no projeto petista para o futuro, eis alguns itens: Liberação total do aborto; casamento homossexual; adoção de crianças por homossexuais; criminalização da “homofobia”; “desconstrução da heteronormatividade”; “controle social” da imprensa; eufeminismo para censura; legitimação da prostituição, etc.
Mas uma coisa puxa a outra, e pesquisando sobre assuntos relativos cheguei através do youtube aos vídeos de ex-pastor presbiteriano Caio Fábio que dizem ser “cria” do pastor norte-americano Billy “grana” Graham”. Caio Fábio após sua “queda” (adultério e problemas com o fisco) em 1998, se diz agora alheio ao sistema das igrejas evangélicas do Brasil, fazendo denúncias, verdadeiras bombas, contra seus ex-colegas pastores que o rifaram do circuito evangélico; ele denuncia figuras como o futuro presidente da Assembléia de Deus, Silas Malafaia, e seu partner norte-americano ou brasileiro, Morris Cerullo; o pastor galã e chorão, Marco Feliciano; o presidente da Igreja Universal e inimigo nº 1 da rede globo, Edir Macedo; o co-fundador da IURD e que depois do racha fundou a Igreja da Graça, R. R. Soares; e outros mais. Caio Fábio agora com um visual de guru transcendental, de barba e cabelos longos, os acusa pelo site do qual agora ministra, de fazerem comércio da Palavra de Deus, como também de forjarem milagres e forçarem doações expressivas em trocas de supostas graças materiais, vide Morris Cerullo e a famosa taxa de R$ 900,00.
Mas não é só isso, navegando sem parar me deparei também com a escandalosa lista que circula pela internet de autoria de um ex-maçom grau 33 conhecido como Pastor Saad, sobre os vínculos de denominações evangélicas de tradição no Brasil com a maçonaria, que é no mínimo para Deus, uma aberração! Dentre os pastores que seriam maçons estão os desafetos de Caio Fábio acima citados e o próprio. Ora pois, a maçonaria é uma entidade filantrópica e ecumênica, ou seja, não importa sua crença, se és espírita, macumbeiro, católico, evangélico, ateu ou satanista, lá você é bem recebido se guardar as regras e segredos da casa. Basta adorar o deus deles, G.A.D.U.(Grande Arquiteto do Universo). Esse é um ambiente adequado para um homem de Deus? Está escrito em Mateus 6.24: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”.
As ovelhas, coitadas, ficam então no meio do “tiroteiro santo” escandalizadas com as denúncias que mancham os currículos dos seus até então impecáveis guias espirituais que seriam aparentemente iluminados por Deus.
A verdade é que eles lutam pelo poder, o poder que Jesus Cristo recusou ao ser tentado por Satanás no deserto por quarenta dias descrito em Lucas 4.1-13. Eles foram pegos pela vaidade admitida pelo pregador no Livro de Eclesiastes. Eles estão assumindo o papel de falsos profetas abominados por Deus em Mateus 7.15-23, onde nos versículos 22-23 está escrito: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade".
Creio que nos bastaria a dignidade de ser cristãos, discípulos de Jesus, e a prosperidade que unicamente deveria nos interessar ao invés da material seria a riqueza do caráter de Cristo Jesus. Cuidado com os falsos ídolos de carne e osso, pois como está escrito em João 14.6: “Respondeu-lhes Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida: ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Meu Deus, tenha piedade de nós, sei que não levaremos nada dessa vida, nem orgulho, nem bens materiais, nem reconhecimento humano.
Cuidado pois, ovelhas desavisadas, quando a igreja começar a ministrar correntes de oração com o intuito de fazer cair do céu o carro do ano ou uma posição de destaque na sua empresa em troca de generosas ofertas ou dízimos, certamente tem alguma errada, os bodes podem estar implantando sutilmente o evangelho da oferta. Ainda em Mateus 8.20 temos: “Mas Jesus respondeu-lhe: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Lembre-se que o senhor Jesus Cristo, o filho legítimo de Deus, que derramou seu sangue precioso na cruz do calvário para nos salvar da perdição eterna, não tinha onde repousar a cabeça...e o que vemos hoje são pastores, supostos donos da verdade, vestidos em ternos caríssimos, bem produzidos para seus shows como autênticos apresentadores de programas de auditório, desfilando em seus carrões do ano cercados de seguranças, morando em mansões não acessíveis a qualquer ovelha, vendendo livros, cds, dvds, todo o tipo de objetos santificados, bênçãos, curas e milagres em nome de Deus.
Meu Senhor, é chegado realmente o fim dos tempos, tenha misericórdia dos que realmente querem uma transformação em sua vida e na de sua família, a verdadeira mudança de caráter em Cristo, pois se somos realmente novas criaturas, moraríamos mesmo embaixo de uma ponte, pois estando com Deus e ele em nós, não precisaremos de mais nada, nada nos faltará, pois temos a maior de todas as riquezas e estaremos debaixo de suas asas, haja o que houver.

Eumario J. Teixeira