21 de mar. de 2010

"WITHOUT YOU" DO BADFINGER


Já destaquei em artigo nesse blog uma situação semelhante, ou seja, uma música do passado que tinha tudo para ser sucesso quando lançada, mas que não vingou com sua banda original, tornando-se hit apenas anos mais tarde com outra banda ou intérprete. Citei o caso da belíssima “I Don´t Want To Talk About It”(1971) do Crazy Horse, grupo liderado por Danny Whitten que apoiava Neil Young em shows e discos. A música só estourou com Rod Stewart em 1975.
Desta vez relembro o sucesso “Without You” de autoria da banda inglesa Badfinger, que era simplesmente apadrinhada dos Beatles.

Badfinger e o padrinho George Harrison
Na minha opinião a versão original que saiu no álbum No Dice (de 1970) é insuperável, mas quis o destino que a canção não escalasse as paradas de sucesso da época.
“Without You” foi escrita por Pete Ham e Tom Evans com produção de Geoff Emerick. A canção foi intitulada originariamente como “If It’s Love”, sendo que dois versos estavam prontos mas ainda faltava um refrão para causar impacto. Tom Evans cuidou disso e do refrão saiu o título definitivo, “Without You”. Na canção o personagem central declara “I can´t live, if living is without you”, ou seja, em português, “ Eu não posso viver, se viver for sem você”.

Badfinger seriam os sucessores dos Beatles
O vocal lamentoso de Ham que estava nos teclados, a intervenção sensível e na medida certa da guitarra de Holland no solo e mais o apoio nos vocais de Evans no refrão, fizeram da versão do Badfinger simplesmente primorosa.
Só que passou desapercebida esta pérola do pop-rock em 1970. Ironicamente um ano mais tarde, Harry Nilssom, um cantor e compositor de New York, a gravou. Sua versão tornou-se um single de sucesso, permanecendo em primeiro lugar da Billboard Hot 100 norte-americano por quatro semanas, de 19 de fevereiro a 18 de março de 1972. Nilsson ganhou um “Grammy” pela sua performance de vocalista-masculino-pop em 1973, graças a sua bem sucedida interpretação de “Whitout You” no álbum Nilsson Schimilsson. Recebeu também um disco de ouro pela RIAA dos EUA, por um milhão de cópias vendidas, além da indicação de melhor disco do ano.
Eu não tenho nada contra Nilssom, ele foi competente no que propôs a fazer pela música pop, mas a versão do Badfinger é infinitivamente superior!!!!!!!!
O sucesso de Nilsson graças ao gosto popular norte-americano e europeu levou a uma enxurrada de outras versões cada vez mais lamentáveis. Mas de qualquer maneira foi a música que mais rendeu royalties para Ham & Evans.
Outra versão, digamos, bastante popular, foi a de Mariah Carey, lançada em 1994 pouco depois de Harry Nilssom morrer de ataque cardíaco. A versão de Mariah tende para o estilo o gospel nos vocais de apoio. Ela certamente quis homenagear Nilssom, será que ela tinha ouvido falar do Badfinger? Creio que não.

Outras (arghhhh!!!) versões de Without You:


- Shirley Bassey, para o álbum And I Live You So, em 1972;
- Cilla Black, para o álbum Dauy By day With Cilla, em 1973;
- Billy Paul, para o álbum Let ‘Em In, em 1976 (não comprometeu!)
- Heart, para o álbum Magazine, em 1978;
- Air Supply para o álbum The Earth Is..., em 1991
- Tito Nieves, para o álbum I Like It Like That (versão arrghhh!!! Salsa), em 1997
- Orquestra Corinto, para o álbum Latinos en Salsa Tenerife, sob título “Sin Ti”, em 1996;
- Klasse Aparte, para o álbum Ti Del Pecado, versão adaptada (pasmem) de Sin Ti, em ritmo merengue, em 1998;
- Natalia, para o álbum This Time, na Bégica, em 2003;
- Jamily, para o álbum Conquistando o Impossível, versão chamada gospel com letra adaptada em “Usei a Fé”, em 2006;
- Michael Sweet, para o álbum Touched, em 2007
- Wander Wildner, especialmente para o filme “Houve uma vez dois Verões”, de Jorge Furtado;
- Calcinha Prêta, (mas que droga!!!!) numa versão abaianada que dizem que é forró...com o título adaptado para “Paulinha”, em 2007... êtaaahhhh Brasil !!!!


Pete Ham e Tom Evans estão se revirando nos respectivos túmulos por causa das infelizes versões, e que Deus tenha misericórdia deles, principalmente pelo que ambos fizeram com suas respectivas vidas.

A capa do álbum No Dice de 1970, contendo o hit "Without You"
Letra e tradução de Without You
Well, I can´t forget this evening
Bem, eu não posso esquecer dessa noite
And your face when you were leaving
E de seu rosto quando você me deixou

 But I guess that´s just the way the story goes
Mas eu acho que é justamente o caminho que a história toma
You always smile, but in your eyes your sorrow shows, yes it shows
Você sempre sorrindo, mas em seus olhos se via tristeza, sim, se via
Well, I can´t forget tomorrow
Bem, eu não posso esquecer amanhã
 
When I think of all my sorrow
Quando eu pensar de toda minha tristeza
I had you there, but then I let you go
Eu tive você lá, mas depois eu deixei você ir
And now it’s only fair that I should let you know
E agora é justo apenas que devo deixar você saber
What you should Know
O que você deveria saber
CHORUS (refrão)
I can´t live, if living is without you
Eu não posso viver, se viver for sem você
I can´t live, I can´t give anymore
Eu não posso viver, eu não posso viver mais
I can´t live, if living is without you
Eu não posso viver, se viver for sem você
I can´t live, I can´t give anymore
Eu não posso viver, eu não posso viver
mais

BADFINGER, A HISTÓRIA TRÁGICA DE UMA BANDA
Uma banda excelente, mas sucumbiu tragicamente
Badfinger foi uma banda britânica de pop rock do final dos anos de 1960, era considerada uma das grandes promessas do rock na época. A banda foi apadrinhada pelos Beatles, sendo contratada pelo selo Apple dos fab-four. Badfinger gozou de um certo sucesso na Inglaterra como também nos EUA graças aos seus hits como “Dear Angie”; “Come And Get It” (composta para eles por Paul McCartney); “No Matter What”; ‘Day After Day”; “Baby Blue” ; “Get Down”; “Believe Me”; “Whitout You” e “Lay Me Down”. Mas a história da banda não foi pautada só por sucesso e fama, esse grupo de rock foi marcado para sempre pelas mortes trágicas de seus fundadores.
Em 1968, o grupo The Iveys, formado por Pete Ham (vocais, guitarra, piano), Tom Evans (vocais, baixo), Mike Gibbins (bateria) e Joey Molland (Vocais, guitarra), apresentou seu trabalho à Apple dos Beatles e foi contratado. Eles tinham muito em comum com os quatro rapazes de Liverpool, pois Joe Molland e Tom Evans também eram de lá, os vocais das bandas eram parecidos, sem falar na semelhança física entre Molland e Paul McCartney, e Pete Ham nos palcos chegava a lembrar um pouco John Lennon, apesar de não usar óculos. Foram convidados a fazer a trilha sonora do filme The Magic Christian (estrelado por Ringo Starr e pelo comediante Peter Sellers), na qual incluíram “Come And Get It”.
Magic Christian Music - 1970
Com o lançamento desta canção mudaram o nome da banda para Badfinger. A banda acompanhou George Harrison (pós beatles) no seu álbum clássico All Things Must Pass; John Lennon no álbum Imagine; participaram do álbum e show Concert for Bangladesh, e no single de Ringo Starr “It Don´t Come Easy”.
Logo depois saíram da Apple em circunstâncias não esclarecidas, alguns falam em má administração do selo e da produção sofrível de Mal Evans, assim acabaram assinando com a Warner e a partir daí é que as coisas pioraram.
Quando o empresário Stan Polley começou a tomar contas dos negócios do Badfinger, a coisa começou a cair, os membros começaram a se desentender e só Peter Ham parecia confiar na figura que já dava indícios de desvio do dinheirinho suado da banda, enquanto os músicos com suas respectivas famílias viviam modestamente numa única casa em comunidade. Com o acúmulo de muitos shows, gravações estressantes e trapalhadas de produtores e empresários, que viam o Badfinger como uma galinha de ovos de ouro, o nível de stress ficou insuportável. Peter Ham deixa a banda em 1974 mas retorna logo depois. 
Straight Up - 1971
Joey Molland abandona o barco no final do mesmo ano. Mas como as vendas não melhoraram por problemas contratuais, estratégicos, etc., a Warner cancelou o contrato com a banda. A gota d’água para Peter Ham foi saber que seu empresário de confiança fugiu com todo o dinheiro da banda. Bastante deprimido, Ham suicidou-se em 24 de abril de 1975 por enforcamento em sua própria casa, deixando um bilhete de desculpas pela situação financeira desastrosa. A morte de Ham decretou o fim agonizante da banda que prometia ser a melhor depois do surgimento dos Beatles.
Badfinger - 1974
Anos depois, Tom Evans e Joey Molland entraram numa disputa pelos direitos de ressuscitar o Badfinger. O desgaste entre os dois ex-parceiros levou Evans a um profundo estado de depressão e a cometer suicídio em 19 de novembro de 1983, enforcando-se no quintal de sua casa.
Em 04 de outubro de 2005, Mike Gibbins morreu de causas Naturais.
Joey Molland até pouco tempo excursionava com o Joe Molland’s Badfinger, tentando manter na memória dos fãs a chama quase mística do Badfinger.

Curiosidades
• A nota de suicídio deixada por Pete Ham dizia, entre outras coisas (em uma tradução livre), o seguinte: "Annie (a namorada), eu te amo. Blair (o filho), eu te amo. Eu não me permitirei amar nem confiar em ninguém. Assim é melhor. Pete. P.S. Stan Polley é um bastardo sem alma. Eu o levarei comigo".
Pete Ham

• A filha de Pete Ham nasceu exatamente um mês após seu pai ter se matado. Seu nome é Petera Ham.
• Quando cometeu suicídio, Tom Evans foi encontrado por seu filho que, ao ver a cena, correu para cozinha e disse à mãe que havia encontrado um homem muito parecido com o pai pendurado na árvore do quintal.
Tom Evans
• Ao contrário de Ham, Evans não deixou um bilhete justificando seu suicídio.



Discografia

The Iveys
• Maybe Tomorrow - 1968

Badfinger
• Magic Christian Music - 1970 (bom álbum de estréia)
• No Dice – 1970 (ótimo, cheio de hits e o meu preferido)
• Straight Up - 1971 (muito bom e vendeu bem, parecia com o som final dos Beatles)
• Ass - 1973 (o ultimo pela Apple, considerado fraco)
• Wish You Were Here – 1974 (pela Warner e considerado um dos melhores trabalhos)
• Badfinger - 1974 (razoável, mas que obteve boas vendas)
• Airwawes - 1979 (não compromete, mas mas não vendeu bem)
• Say No More - 1981 (fracasso total, sem turnê de divulgação)
• Day After Day - 1990 (gravação ao vivo de 1974)
• Without You: The Tragic History Of Badfinger – 1997 (livro e documentário sob supervisão de Joey Molland)
• BBC In concert - 1997 (com apresentações da banda na rádio londrina em 1972 e 1973)
• Head First – 2000 (sem Joey Molland e gravado em 1974 com Pete Ham assumindo as guitarras, ficou na geladeira por 25 anos e é muito bom).

 
Eis o link do youtube para você curtir "Whitout You" do Badfinger: http://www.youtube.com/watch?v=PyBS_1vGwpU
Por Eumário J. Teixeira.

1 de mar. de 2010

O GRITO


Definição: Nos dicionários consta que grito é o mesmo que “clamor, berro, brado”. Em outro encontrei que seria “voz emitida com força para ser ouvida de longe, voz de alguns animais” ou “o grito do Ipiranga: brado de independência ou morte! dado pelo príncipe D. Pedro I, às margens do Ipiranga em 7 de setembro de 1822”. Veio daí a expressão “ganhar no grito”?

Edvard Munch
O grito na arte: O grito foi retratado de forma trágica num quadro do pintor norueguês Edvard Munch, um dos precursores do expressionismo, em 1893. A pintura mostra uma figura andrógina num momento de angústia profunda e desespero existencial. São várias as hipóteses para a inspiração de Munch para O Grito (Skrik, no original). Uma delas foi sua própria vida que foi foi pautada por tragédias, como a perda da mãe e uma irmã quando ele era apenas uma criança, o rompimento dele com seu pai quando adulto, o envolvimento desesperador e sofrível com uma mulher casada, o internamento de sua irmã favorita num asilo psiquiátrico, a morte de outra irmã pouco depois de se casar e, por fim, o reconhecimento tardio de sua obra.
"O Grito" de Munch
A dor de O Grito, de Munch, não está presente apenas no personagem, ao fundo nota-se em destaque que a vida para quem sofre não é mesma que as outras pessoas vêem, tudo que faz parte dela é doloroso também e, talvez por isso, nos identificamos tanto com o personagem da pintura, pois podemos sentir a dor e o grito desesperado dado por ele. Basta interagir com o mundo disforme e distorcido retratado na obra, que nos perturbamos e somos tocados diretamente nas profundezas de nosso ser.
O Grito de Munch se tornou popular posteriormente após sua morte em 1944, só para exemplificar, em 1961, a revista Time destacou O Grito na capa de uma edição dedicada aos complexos de culpa e ansiedade; nos anos 80, o artista plástico Andy Warhol realizou uma série de trabalhos dedicados à obra de Munch, incluindo uma reinterpretação de O Grito; em 1991, o muralista Robert Fishbone criou uma versão de um boneco inflável que vendeu milhares de cópias em todo o mundo; o quadro também apareceu duas vezes na série de desenhos de Os Simpsons. O Grito é pop!

O grito no Cinema: O eterno Tarzan, Johnny Weissmuller, a partir de 1931, soltou o grito mais famoso de todos os tempos nas telas. É claro que na verdade, nenhum ser humano poderia berrar daquele jeito. Tudo indica que era uma colagem de sons de um barítono, uma soprano, cães uivando e violinos. De qualquer forma, Tarzan, ou melhor, Weissmuller morreu em 1984 aos 79 anos, reivindicando a autoria do grito épico. Ninguém jamais soube ao certo a fórmula mágica daquele grito: OOOUOOOUUUOOOHHHH !!!!! 
Janet Leigh, na banheira, gritando de pavor
Outro grito famoso foi o de Janet Leigh, na famosa cena do chuveiro em "Psicose" dirigido por Alfred Hitchcock em 1960.
Ghostface, o assassino psicopata da série de filmes Scream (Pânico), esconde seu rosto sob uma máscara inspirada na obra O Grito.




O grito na música: Em inglês, grito é “shout”. Nos anos de 1930, uma derivação do blues (gênero musical afro-americano) surgiu em Kansas City pela necessidade dos cantores dos botequins tinham de se fazer ouvir, já que o ambiente barulhento e a competição com os instrumentos musicais os obrigavam a berrar em vez de cantar. Daí o motivo dos “shouters” ou berradores, surgirem. Alguns dos mais famosos foram Big Joe Turner e Jimmy Rushing. 
Big Joe Turner, o blues gritado
No início de carreira os Beatles já cantavam (ou gritavam) "Twist and Shout"; alguns anos depois na década de 1970, Ian Gillan, ex-vocalista da banda inglesa Deep Purple, fazia escola com seu gogó que marcou definitivamente o rock. Se quiser conferir, escute o cd "Machine Head", considerada a obra prima da banda, e o duplo ao vivo "Made In Japan".

 

O grito como válvula de escape: O grito pode ter significados diversos dependendo da ocasião, pode ser uma forma de confissão explosiva de total incapacidade diante de uma situação inesperada que foge do controle, como pode também ser uma forma de espantar as dúvidas e temores de uma mente temporariamente confusa que precisa urgentemente ordenar seus pensamentos para administrar uma situação conflituosa.

Soltando o grito !!!!!
No momento em que digito estas palavras, por exemplo, faz um calor insuportável e meu humilde ventilador não está correspondendo à altura, assim estou me controlando para não soltar um grito e bradar em alto e bom som: Que calor infernal !!!!!! O saudável seria libertar este meu incômodo interior através de um grito e chute simultâneos no dito cujo, mas não farei isso, pois acabaria por assustar os que estão na sala de tv, os que estão dormindo, os vizinhos etc.

O grito nas artes e disciplinas orientais: Nas disciplinas de combate, principalmente nas artes marciais japonesas, como o Karatê (O Caminho das mãos vazias) e o Kendô (O Caminho da Espada), o grito ou Kiai, é essencial para o desempenho satisfatório num combate. O kiai expele e repele tudo o que é ruim, que te faz desconcentrar, que te impõe medo e que te faz recuar. O Kiai tem um duplo objetivo: 1º – gerar uma energia maior no momento do ataque; 2º – amedrontar o inimigo e até mesmo paralisá-lo, deixando-lhe vulnerável.


O kiai do samurai expele e gera o mêdo no combate
Li em algum livro ou revista, que o grito foi uma forma de arte praticada até por monges budistas japoneses com o intuito de curar vítimas de síncope (uma perda súbita de consciência acompanhada por ausência de respiração e circulação). A arte conhecida como Kiai-jitsu era usada como forma terapêutica pelos monges ao emitirem determinados sons. Dizem também que até os milenares Ninjas usavam a arte sonora para matar adversários, ao paralisarem com um kiai mortal, centros cerebrais específicos.

O grito, ou kiai, é usado por todos nós inconscientemente de uma forma mais rudimentar, como por exemplo, ao contrair os músculos do abdome para levantar um peso, você emite um grunhido no momento de maior esforço. Especialistas dizem que se treinar e desenvolver o kiai, você poderá usar mais eficientemente seu potencial energético, utilizando-o na arte marcial voltada para a defesa pessoal ou esporte, como também obterá melhor desempenho com menor esforço em atividades rotineiras.

O grito e seus efeitos: Uma forma de provar você mesmo os efeitos do kiai é esta: fique de pé, imóvel, se concentre, e de repente dê um grito. Você sentirá uma contração involuntária dos músculos abdominais e uma onda de calor atravessando o corpo. Em seguida, experimente dar um soco ou chute sem gritar, em seguida, tente o soco e o chute ao mesmo tempo em que grita. Terá uma sensação diferente, ou seja, explosiva!

Bruce Lee: Huáááhhh !!!

Por outro lado, uma forma de fazer alguém provar os efeitos do grito, é essa: Numa conversa informal com uma pessoa (que não pode ser desconhecida, idosa, estressada ou cardíaca), grite de repente. O seu kiai vai mesmo assustar ou até levar ao pânico a pessoa que não está esperando pelo seu berro.

Conclusão: É certo que o medo de ruídos altos e repentinos é um dos instintos naturais do homem. Um grito surpreendente pode por um momento descontrolar totalmente um quadro de reações físicas e mentais consideradas normais. De imediato, tremores, fraqueza da musculatura, aceleração das batidas do coração e suores frios, poderão ocorrer. É momento em que os adversários momentaneamente paralisados, devem ser abatidos.

O grito também serve para encobrir, mesmo por um instante, o seu medo interior, pois o que transparece exteriormente para o adversário é uma atitude audaz e corajosa que o pega de surpresa, e o grito se torna a expressão de sua determinação e autoconfiança.

O grito também pode ser comparado ao blefe no jogo de pôquer, um verdadeiro blefe sonoro, dependendo da situação, é claro. Talvez você não tenha a cartada certeira, mas você deve agir como se a tivesse. O espírito de luta de um combatente quando se lança contra o inimigo pode ser medido pela intensidade de seu kiai.

O medo e a emoção podem liberar em nós energia reservas ocultas, que podem nos levar a realizar certas proezas nunca imaginadas em condições normais. Com o grito liberamos energia extra, desabafamos, nos defendemos, atacamos e exorcizamos tudo que nos aflige e nos tortura.



O grito medonho de Yoko Ono ainda assombra...
Para finalizar, tenho de dizer que um dos gritos mais insuportáveis e irritantes que já ouvi, foi o de Yoko Ono, viúva de John Lennon, numa apresentação ao lado do ex-beatle, Eric Clapton e Keith Richards registrado no filme “Rock ‘n’ roll Circus”. Aquele berro botava para correr qualquer samurai; os gritinhos mais desprezíveis para mim sempre foram os de Michael Jackson; os mais temidos foram os de Bruce Lee; o mais famoso sem dúvida era o de Johnny “Tarzan” Weismuller, apesar das piadinhas sobre a origem do mesmo.

Por tudo isso, não seja acanhado e berre à vontade, clame pela misericórdia de Deus, grite de alegria, de tristeza, para desabafar, por medo de alguma coisa, para espantar algum ladrão, grite que te fará bem, mas longe de mim! Está muito quente, estou estressado e possivelmente eu gritaria de volta (hehehehe!).

Para encerrar um link do you tube em homenagem ao griiitooooo!!!!:

Por Eumário J. Teixeira.

16 de fev. de 2010

SANTO, O MASCARADO DE PRATA


Em meados dos anos de 1970 (no século passado), eu costumava frequentar regularmente as salas de cinema da minha cidade. Aliás, naqueles tempos tínhamos ao nosso dispor três casas de exibição, o cine Vitória, o cine Palácio e o cine Metrópole. Para uma cidade de porte médio era bom demais. Mas com o advento do vídeo-cassete e logo depois do dvd-player, a sustentabilidade dos cinemas tornou-se inviável na nossa Teófilo Otoni, como também na maioria dos municípios do país que ainda ofereciam tal opção de lazer. O Vitória se tornou um teatro; o Metrópole, uma igreja evangélica; e o Palácio... ainda não se sabe o que vai ser, mas já fechou as portas. Mas o assunto que quero tratar aqui não é bem esse, tem haver com o cinema de uma forma saudosa, numa época em que centenas de jovens e adultos dobravam o quarteirão numa fila para assistir a uma sessão dominical.
Antes da febre Bruce Lee; dos Discípulos de Shaolin liderados por Chen Kuan Tai, Ti Lung, Alexander Fu Sheng e Chi Kuan Chun; e do japonês Chiba Shinichi, discípulo de Mas Oyama, um lutador que não era chinês, japonês e muito menos norte-americano, fazia a galera delirar com seu golpes acrobáticos nas telas. O nome do cara era: El Santo, o rei da luta-livre.
Na época, as lutas de tele-catch eram transmitidas pela TV Tupi e tinham grande audiência no Brasil, nós tínhamos um herói tal como o mexicano El Santo. Era Ted Boy Marino. Muita saudade daquelas noites de sábado em que parávamos no TV para assistir aquelas lutas ensaiadas, com mocinhos e vilões se socando, chutando e pulando para todos os lados, numa coreografia que me parecia na época perfeita, quase real.
Creio que se não fosse pelos filmes de El Santo e seu rival e por vezes parceiro, Blue Demon, o show de luta-livre pela TV não teria tido tanto sucesso.
Assim, a seguir, vou tentar contar um pouco sobre a vida e carreira deste lendário lutador mexicano, pois antes mesmo do famoso campeão mundial de boxe na categoria peso médio, Júlio César Chavez, existiu uma lenda nos tablados do México e do mundo, o nome dele eu já mencionei, era conhecido como El Santo, o mascarado de prata.
Biografia - Rodolfo Gusman Huerta, nascido em 23 de setembro de 1917, conhecido mais popularmente como El Santo, era mexicano, lutador profissional de Wrestling, ator e um personagem folclórico no México. Santo, juntamente com Blue Demon e Mil Máscaras, é um dos ícones mais famosos dos lutadores mundiais de wrestling, e foi considerado como uma das maiores legendas do esporte mexicano. Sua carreira como Wrestler se estendeu por quase cinco décadas, durante a qual se transformou num herói popular e um símbolo da justiça para o cidadão comum em suas aventuras retratadas em revistas em quadrinhos e filmes. Sua popularidade é comparada a de Hulk Hogan nos Estados Unidos e Rikidozan no Japão.
Nascido em Tulacingo, no estado mexicano de Hidalgo, filho de Jesus Campuzano e Josefina Huerta Márquez, sendo o quinto de sete crianças, Rodolfo chegou na cidade do México no início dos anos de 1920, onde sua família se estabeleceu nas vizinhanças de Tepito. Na juventude praticou o baseball e o futebol americano, mas logo se interessou pelo wrestling ou luta-livre. Na verdade iniciou-se no jiu-jitsu e logo após se voltou para o wrestling clássico. Há divergências quanto ao local e data de sua primeira competição oficial de wrestling. Alguns relatam que foi na arena de Peralvillo Cozumel no dia 28 de junho de 1934 aos 17 anos completos, outros afirmam que foi no Deportivo Islas na comunidade de Guerrero, da cidade do México em 1935. Mas foi na segunda metade dos anos de 1930 que ele se firmou como wrestler usando os nomes de Rudy Guzman, El Hombre Rojo (O Homem de Vermelho), El Demônio Negro (O Demônio Negro) e El Murcielago II (O Morcego II). O último nome era uma “carona” da fama de Jesus Velazquez, famoso lutador de wrestler, conhecido como El Murcielago Velasquez, (O Morcego Velasquez) que era a sensação da época. Depois de uma apelação imposta à Comissão de Boxe e Wrestling mexicanos, o corpo regulatório proibiu à Guzman usar o nome de Murcielago II. Decepcionado com a decisão e ainda mais abalado com a morte de seu pai, Guzman quase abandona o wrestling.
No final dos anos de 1940, Rodolfo Guzman casou-se com Maria de los Angeles Rodriguez Montaño, chamada de Maruca, uma união que produziu dez filhos, bem divididos entre cinco homens e cinco mulheres. Destes, o caçula Jorge, se transformou num wrestler com certa fama por seus próprios méritos, conhecido como “El Hijo del Santo” (O Filho de Santo). Para se ter uma idéia do que o nome “Santo” representa no México, um dos netos de Guzman (que não era filho de Jorge) obteve certa fama lutando com o nome “El Nieto del Santo” (O Neto de Santo), o que fez Jorge entrar com uma ação legal contra o uso do nome do pai. Assim, El Nieto de Santo mudou seu nome de guerra para Axxel, mas o público ainda o trata como o Neto de Santo.
Em 1942, o empresário de Guzman, Don Jesus Lomeli, juntou uma nova equipe de wrestlers, todos vestidos de prata, e Rodolfo Gusman foi convidado a fazer parte dela. Foi sugerido três nomes a Guzman, El Santo (O Santo), El Diablo (O Diabo) e El Anjo (O Anjo). Guzman escolheu El Santo. Em 26 de lulho de 1942, Rodolfo Guzman debutou como Santo, el Enmascarado de Plata, para a Empresa Mexicana de Luta Livre, num confronto contra El Lobo Negro, no qual incrivelmente Santo foi desclassificado por desferir chutes nas partes baixas do adversário e aplicar golpes proibidos pelo regulamento. Nunca se havia desclassificado um lutador no México até aquele dia, Santo era muito rude e afoito, e não ainda não tinha refinado seu estilo de luta. No decorrer da carreira e graças a sua agilidade e versatilidade, ele desenvolveria um estilo único de luta que o tornaria muito popular.
Após o desastre da estréia, Santo se recupera e arrasa com os melhores wrestlers da época, como Bobby Bonales la Maravilla Moreliana e Jesús el Murcielago Velásquez. Vieram vitórias e mais vitórias. El Santo se torna um rolo compressor, tornou-se campeão nacional welter e campeão nacional dos pesos médios. Tudo corria bem, até que na inauguração do monumental coliseu La Arena, o ainda rude e novato El Santo enfrenta seu grande ídolo e rival, El “Tarzan” López, simplesmente o campeão mundial dos pesos médios. El Tarzan com sua vasta experiência e técnica, derrota El Santo aplicando-lhe duas quedas no tablado. A derrota foi dolorosa para Santo que estava se sobressaindo na carreira até então, mas serviu para que ele repensasse e avaliasse que em competições ninguém pode se achar infalível.
Os anos se passaram e a fama de Santo crescia; em 1944 formou uma dupla com El “Gori” Guerrero, uma dupla que arrasava com quaisquer adversários que surgiam pela frente. A dupla foi desfeita após derrotarem facilmente El Tarzan López e Pilusso.
Os ano de 1950 marcaram Santo definitivamente; primeiro pelo falecimento de sua mãe Dona Josefina Huerta de enfarto; e em 1951, o artista e editor José G. Cruz, começou a produzir uma revista em quadrinhos de El Santo, baseando-se pela influência de seu caráter na cultura popular mexicana e de sua enorme popularidade rivalizada somente pelo legendário Kaliman. A série de quadrinhos prosperou por 35 anos ininterruptos, vindo a terminar somente em 1987.
Em 17 de novembro de 1952, na Arena com mais de 10.000 espectadores, Santo obtém o seu maior troféu: a máscara do lutador Black Shadow após derrota-lo num embate. Neste emocionante confronto, Santo tinha como companheiro e assistente Dick Medrano e Black Shadow dispunha de seu compadre Blue Demon. A vitória de El Santo desencadeou uma rivalidade com Blue Demon que tomou as dores do amigo humilhado, ocasionando dois confrontos bem promovidos ainda em 1952 e outro em 1953, culminando com a derrota surpreendente de El Santo. Anos depois, apesar de aparecerem juntos em um bom número de filmes de ação e aventura, a rivalidade entre os dois nunca terminaria, pois Santo nunca conseguia esquecer suas derrotas nas mãos de Blue Demon, que visivelmente era mais alto e mais forte. Depois destas derrotas para Blue Demon, não se soube de outro lutador que conseguisse superar Santo nos ringues.
Ainda em 1952, uma série para o cinema baseada em um super-herói estava para ser lançada, seria chamada de “O Homem da Máscara de Prata”. Supostamente, o personagem principal seria de El Santo, mas ele se recusou a aceitá-lo por achar que tal projeto não teria sucesso comercial. O filme foi concluído com o papel principal dado ao lutador conhecido como El Medico Asesino (O Médico Assassino) que usou uma máscara prateada semelhante à de Santo. Um vilão chamado “O Homem da Máscara de Prata”, foi introduzido na última hora, assim o título do filme passou a ser referência ao bandido, não ao herói.
Em 1954, Santo se torna o ídolo máximo da luta-livre mexicana ao derrotar Sugi Sito pelo título mundial dos pesos-médios. A seguir conquista o campeonato mundial NWA de peso welter, derrotando Peter Pancoff.

Em 1958, Fernando Osés, um wrestler e ator, convidou Santo para trabalhar em filmes, e embora Santo desse prioridade a sua carreira no wrestling, aceitou, planejando fazer ambos ao mesmo tempo. Osés tinha em mente lançar um herói nos filmes com o “look” de El Santo. Fernando Osés e Enrique Zambrano escreveram os roteiros dos primeiros dois filmes, El Cérebro del Mal (O Cérebro do Mal) e Hombres Infernales (Homens Infernais), ambos foram lançados em 1958 e foram dirigidos por Joselito Rodriguez. Foram filmados em Cuba e terminados apenas um dia antes de Fidel Castro ter entrado em Havana e declarado a vitória da revolução. Santo atuou fazendo a parte de super-herói mascarado para o “mocinho” (chamado El Incógnito) nos dois filmes, não foi o ator principal e nem representou como um lutador de wrestling nas duas filmagens. Os filmes foram um fracasso de bilheteria quando lançados. Anos mais tarde, porém, quando os filmes de Santo se tornaram famosos, os distribuidores destas duas filmagens adicionaram discretamente o nome de Santo nos títulos. A carreira cinematográfica de Santo causa sensação popular realmente a partir de 1961, com seu terceiro filme “Santo contra os Zombis”. Santo recebeu o papel principal neste filme e foi mostrado pela primeira fez como um wrestler profissional que brilhava como um super-herói.
Santo trabalhou num total de 52 filmes de luta-livre, dois dos quais em papéis secundários. O estilo dos filmes era essencialmente o mesmo durante toda a série, com Santo como um super-herói que luta contra criaturas sobrenaturais, cientistas malignos, agentes secretos, alienígenas, criminosos de todos os tipos e assim por diante. Todas as obras eram baseadas em tons resgatados dos filmes-B, shows e seriados de tv norte-americanos, principalmente os retratados nos seriados da década de 1940.

O seu melhor filme feito fora do México e considerado também um dos melhores de sua carreira, foi “Santo contra las Mujeres Vampiro” (Santo contra as Mulheres Vampiro) de 1962. Neste filme, a produção foi mais valorizada, e houve uma tentativa de criar uma imagem mítica e uma atmosfera para Santo, como o último de uma linhagem de lutadores que combatia o mal. “Santo contra Las Mujeres Vampiro” foi um sucesso comercial, bateu os recordes de bilheteria, e foi um dos quatro filmes de Santo dublados em inglês. Alguns destes filmes foram importados aos Estados Unidos com os esforços de K Gordon Murray, que mudou o nome de Santo para “Samson” por conveniência de mercado. O filme mais bem sucedido financeiramente de Santo, entretanto, foi “The Mummies Of Guanajuato” (As Múmias de Guanajuato), onde Blue Demon e Mil Máscaras co-estrelaram. Muitos fãs mexicanos o consideram o maior filme de wrestling já feito. 
A série de filmes de Santo inspirou a produção da série similar estrelada por outros wrestlers mexicanos também conhecidos, como Blue Demon, Mil Máscaras, Superzan e Wrestling Women, entre outros. Santo estrelou com Blue Demon e Mil Máscaras em diversos de seus filmes. Quando Blue Demon o convidou para co-estrelar com ele e Mil Máscaras, sua trilogia para o cinema chamada “Champions of Justice” (Campeões da Justiça), Santo alegou estar muito ocupado com sua participação em outros filmes.
Já também como técnico e empresário de luta-livre, El Santo investiu em sua grande rivalidade contra os wrestlers, Los Hermanos Espantos, o que provocou um confronto com El Espanto I, no dia 30 de novembro de 1963. A luta foi uma das mais sangrentas e disputadas de todos os tempos e valia a máscara do adversário. El Santo saiu vitorioso. A popularidade de Santo a essa altura era estrondosa e os políticos que no início o evitavam, começaram a disputar sua presença e apoio em campanhas eleitorais.
Os anos se passaram e, apesar da idade, vieram alguns triunfos como o campeonato nacional de peso-médio contra René Guajardo, foi campeão de duplas ao lado de El Rayo de Jalisco e campeão nacional semi-completo frente a Espanto I. Em 1975, aos 58 anos de idade, junto com El Gran Solitário e “Don Personalidad” Mil Mascaras, foram nomeados o trio do ano.
Por volta de 1977, a onda de filmes de wrestler com seus lutadores mascarados tinha se esgotado fora do México, mas Santo continuou a aparecer em alguns poucos filmes nos anos seguintes. Seu último trabalho foi “Fury of the Karate Experts” (La Furia de los Karatecas), filmado na Florida (EUA) em 1982, no mesmo ano em que se aposentou dos ringues. Santo retirou-se oficialmente do wrestling em 12 de setembro de 1982, uma semana antes do seu 65º aniversário. Seu último combate foi realizado em El Toreo de Cuatro Caminos, no México. Sua carreira de wrestler profissional se estendeu por 48 anos.


R.I.P. - EL SANTO
Nos seus últimos dias, Santo apareceu como um convidado no programa de televisão mexicana chamado de Contrapunto e, completamente sem aviso, removeu a lendária máscara prateada o bastante para expor o rosto sexagenário de Rodolfo Guzman. Foi o único momento registrado em Santo tira sua máscara em público. Uma semana depois de sua aparição no programa Contrapunto, ele realiza uma apresentação que o deixou esgotado, ele se dirige ao camarim para descansar e sente-se mal, é socorrido, mas morre devido a um enfarto do miocárdio; era o dia 5 de fevereiro de 1984, às 21:40 horas. Rodolfo Guzman, El Santo, tinha 66 anos e foi enterrado, como desejou, com sua famosa e desgastada máscara de prata no Mausoléu Del Angel. Seu cortejo foi acompanhado por mais de 15.000 pessoas. Entre os que carregaram seu esquife, estavam os lutadores Black Shadow e Blue Demon. El Santo não morreu, estará sempre vivo nos ilmes e na memória de seus fãs saudosos, viva El Santo! 

Filmes memoráveis de Santo:
 

- La furia de los karatecas (1982)
- El puño de la Muerte (1982) .
- Santo contra el Asesino de la T. V. (1981)
- Santo en la Frontera del Terror (1979)
- Misterio en las Bermudas (1977)
- Santo en Oro Negro (1975)
- La venganza de La Llorona (1974) - Co-estrelando o campeão mundial de boxe pesos-médios cubano e naturalizado mexicano, Mantequila Nápoles
- Santo contra el Doctor Muerte (1973) - Co-produção com a Espanha e o primeiro filme dublado em inglês.
- Santo y Blue Demon contra el Doctor Frankestein (1973)
- Santo vs. las Lobas (1972)
- Santo contra los Secuestradores (1972)
- Anónimo Mortal (1972)
- Las Bestias del Terror (1972)
- Santo y Blue Demon contra Drácula y el Hombre Lobo (1972)
- Santo contra la Magia Negra (1972)

- Santo en el misterio de la Perla Negra (1971) - Filme lançado na Espanha em 1971 e só exibido no México em 1975
 - Misión suicida (1971)
- Santo y el Aguila real (1971)
- Santo contra los Asesinos de otros mundos  (1971)

- Santo vs. la Hija de Frankestein (1971)
- Las Momias de Guanajuato (1970) - Estrelando Blue Demon e Mil Máscaras e participação especial de El Santo.
- Santo en la Venganza de la Momia (1970)
- Santo vs. la Mafia del Vicio (1970)
- Santo contra los Jinetes del Terror (1970) - c/cenas de sexo na versão para adultos
- Santo en la Venganza de las Mujeres Vampiro (1970)
- Santo frente a la Muerte (1969)
- Santo vs. los Cazadores de Cabezas (1969)
- El Mundo de los Muertos (1969)
- Santo y Blue Demon contra los Monstruos (1969)
- Santo y Blue Demon en la Atlántida (1969)
- Santo contra Capulina (1968)
- Santo en el Tesoro de Drácula (1968) - c/cenas de sexo na versão para adultos
- El Tesoro de Moctezuma (1966)
- Operación 67 (1966) - Primeiro filme colorido
- Santo el Enmascarado de Plata vs. los Villanos del Ring (1966) - Última película pela B&W Film
- Santo contra la Invasión de los Marcianos (1966)
- El Barón Brákola (1965)
- Profanadores de Tumbas (Los traficantes de la Muerte) (1965)
- Atacan las Brujas (1964)
- El Hacha Diabólica (1964)

- Blue Demon contra el Poder Satanico (1964) - c/pequena participação de Santo
- Santo contra el Espectro (El Espectro del Estrangulador) - (1963)
- Santo en el Museo de Cera (1963)
- Santo vs. las Mujeres Vampiro (1962)
- Santo contra el Cerebro Diabólico (1961)
- Santo en el Hotel de la Muerte (1961)
- Santo contra el Rey del Crimen (1961)
- Santo contra los Zombies (1961)
- Santo contra los Hombres Infernales (Cargamento Blanco) (1958)
- Santo contra el Cerebro del Mal (Cerebro del Mal) - (1958) 
Eis um link no you tube para curtir imagens de El Santo:
http://www.youtube.com/watch?v=_mgmpRZ1bQY

Obs: Confiram também nesse blog a postagem de novembro de 2013,  El Santo ainda é Cult!
Por Eumário J. Teixeira.

31 de jan. de 2010

CLINT EASTWOOD – ENTRE O COLT E O PIANO


Quando se fala em Clint Eastwood, a imagem que nós, “quarentões”, normalmente mentalizamos, é a do pistoleiro misterioso e sem nome, de poucas palavras e imperdoável. O personagem de “bang bang spaghetti” se tornou padrão para Clint e seus incontáveis fãs, que como eu, não poderia aceitá-lo, a princípio, de outra forma.
Mas Clint Eastwood ao longo de sua vasta, produtiva e consagrada carreira artística não se limitou apenas a interpretar personagens durões no cinema. Além de interpretar, ele também dirigiu e produziu seus próprios filmes e documentários. Poucos sabem que ele também é músico amador nas horas vagas, toca piano e chegou a gravar alguns álbuns de jazz, que é o seu gênero musical favorito, além de apreciar também o blues e a country music e ter uma enorme discoteca em sua casa.
Mas o cinema e a música ainda era pouco para ele que partiu com tudo para a política, onde representando o partido republicano dos EUA chegou a ser eleito prefeito na cidadezinha de Carmel, na Califórnia.
Como um fã fiel do artista, que foi considerado o sucessor de John Wayne e um dos últimos e legítimos representantes do cinema-ação, pretendo a seguir, resumir o que foi sua cinematográfica e pessoal, numa homenagem sincera ao “velho Clint”.

Biografia – Clinton Eastwood, Jr. nasceu em 31 de maio de 1930 em San Francisco, na Califórnia (em plena Depressão), filho de Clinton Eastwood e Margareth Ruth (1909-2006). 
Clint tem ascendência escocesa, inglesa, alemã e irlandesa. Sua família era de classe média e protestante. Como seu pai, Clint trabalhou em diversas atividades por toda costa oeste norte-americana. Clint inicialmente sonhou com a carreira de cantor country, chegando a se matricular numa escola para compositores, sem sucesso. Ironicamente, mais tarde o seu estrondoso sucesso nas telas lhe abriu as portas para se dedicar paralelamente à música. Em 1949 se formou na universidade de Oakland, mais por méritos esportivos do que por estudos. Mesmo formado trabalhou como atendente em um posto de gasolina, foi bombeiro e tocou piano em um bar de Oakland. Em 1950 ao ser convocado para servir ao exército, seu avião cai em São Francisco. Gravemente ferido se livrou da Guerra da Coréia.
Década de 1950 – Sua carreira cinematográfica se iniciou na década de 1950. Fez pequenas aparições em filmes de baixo orçamento como Revenge Of The Creature, Tarantula e Francis In The Navy, todos realizados em 1955. Em 1958 consegue seu primeiro papel oficial no filme Ambush At Cimarron Pass (O Grito de Guerra dos Apaches), o qual considerou o pior filme que tinha feito. Em 1959 é convidado a atuar junto a James Garner, na série de western para TV intitulada Maverick. Animado, Clint se dedica a outra série de western chamada Rawhide pela rede CBS. Em Rawhide, que ficou no ar de 1959 a 1966, Clint atuou ao lado de Eric Fleming, que fazia o personagem principal, apesar de Clint naturalmente roubar a cena. 


O seriado também foi importante para Clint, já que ele apreciava o modo de dirigir de Ted Post, o que lhe faria passar para trás das câmeras um pouco mais tarde. Na época Clint classificaria seu personagem do seriado, Rowdy Yates, como “o idiota das planícies”. De qualquer forma foi em Rawhide que ele começou realmente a se fazer notar.

Década de 1960 – No início da década de 1960, mais precisamente em 1963, Clint chega à Itália a convite de Sergio Leone, um diretor ainda não tão famoso, que o convida para interpretar um misterioso pistoleiro sem nome, típico do western spaghetti, ou seja, bang bang versão italiana. Seguiu-se a trilogia que lançou definitivamente Clint Eastwood para o estrelato: For A Fistfull Of Dollars (‘O Magnífico Forasteiro’ ou ‘Por um Punhado de Dólares’ -1964); For A Few Dollars More (‘Por um Punhado de Dólares a Mais’ - 1965); e The Bad, The Good, And The Ungly (‘Três Homens em Conflito’ ou ‘O Mal, o Bom, e o Feio’ - 1966). 

Por um Punhado de Dólares

Sobre o desempenho de Clint e sua qualificação para o personagem que lhe caiu tão bem, Sergio Leone disse: “Eu gosto de Clint Eastwood porque ele tem somente duas expressões faciais. Uma com o cigarro na boca e outra sem”. A verdade é que seu carisma natural, sua presença física e sua inconfundível caminhada, aliado ao seu ar sonolento e aparentemente alheio, bastavam a Clint para preencher uma cena. Em seguida Eastwood e Leone rompem o “namoro” por causa de questões contratuais.
A série Rawhide é cancelada em 1967 e Clint parte novamente para o cinema com Hang ‘em High (A Marca da Forca) no mesmo ano. Era um western produzido nos EUA e dirigido por Ted Post, mas influenciado levemente pelo “spaghetti”, mas que não fica devendo muito aos anteriores realizados na Itália. Hang ‘em High foi o primeiro filme produzido da Malpaso, empresa de produção fundada pelo próprio Clint que já almejava sua independência.
Em Where Eagles Dare (O Desafio das Águias - 1968), um filme baseado numa missão aliada realizada na 2ª Guerra Mundial, Clint dividiu o papel principal com o já consagrado Richard Burton. Ainda em 1968 estrelou o western urbano dirigido por Don Siegel, chamado Googan´s Bluff (Meu Nome é Coogan). Neste Clint fazia o papel de um xerife caipira (Walt Coogan) que tenta impor sua lei na grande New York. O filme causou polêmica pelas cenas de violência e foi o início da parceria de mais de dez anos de Eastwood e Siegel.

Década de 1970 – No começo dos anos de 1970, o filme ambientado na 2ª Guerra Mundial, Kelly’s Heroes (Heróis por conta Própria – 1970) e o western dirigido por Don Siegel, Two Mules For Sister Sara (Os Abutres têm Fome - 1970) ao lado de Shirley MacLaine, foram uma combinação de ação e comédia. Explorou também o drama e o suspense em The Beguiled (O Estranho que Nós Amamos – 1971), dirigido por Siegel; e em Play Misty For Me (Perversa Paixão – 1971), finalmente estréia como diretor e tem o papel principal no qual interpreta um radialista perseguido por uma fã. 

Perversa Paixão - 1971

Em seguida, estoura um dos maiores sucessos de Clint Eastwood no cinema, Dirty Harry (Perseguidor Implacável - 1971), dirigido novamente por Siegel. Neste filme policial, Clint encarnava um inspetor durão de San Francisco, Harry Callahan. Dirty Harry gerou uma seqüência de filmes com o mesmo personagem, que lembrava aquele justiceiro de bang bang à italiana vivendo na época errada, sendo forçado a trocar seu colt 45 pela magnum 44. Assim vieram Magnum Force (Magnum 44 – 1973), dirigido por Ted Post; The Enforcer (Sem Mêdo da Morte – 1976), sob direção de James Fargo; Sudden Impact (Impacto Fulminante – 1983), dirigido pelo próprio Clint; e The Dead Pool (Dirty Harry na Lista Negra – 1988), dirigido por Buddy Van Horn. A série de 5 episódios foi um sucesso sem precedentes. E pensar que o papel de Dirty Harry (Harry, o sujo) foi recusado por Frank Sinatra e Paul Newman.
De volta com tudo ao bang-bang, ele interpreta Joe Kidd (Joe Kidd) em 1972 e High Plains Drifter (Pistoleiro do Diabo - 1973), onde ressurge com o personagem do justiceiro sem nome. Em The Outlaw Josey Wales (Josey Wales, o Fora da Lei - 1976), Clint ao meu ver, inspirou o surgimento do personagem de quadrinhos Jonah Rex. Clint interpretou e dirigiu os dois últimos. 


Em 1977, estrelou ao lado de Sondra Locke, The Gauntlet (Barreira de Fogo), onde interpretou um policial que deveria escoltar uma prostituta de Las Vegas até Los Angeles, para testemunhar contra um assassino.
Em 1978, estrelou Every Which Way But Loose (Doido para brigar, Louco para amar), uma comédia com ação onde ele interpreta a história de um caminhoneiro que lutava clandestinamente por dinheiro apostado nas ruas. Clint tinha como coadjuvante no filme um orangotango treinado. O filme foi um sucesso de público e crítica, acabando por render uma seqüência, Any Which Way You Can (Punhos de Aço) em 1980.
Clint fechou a década de 1970 com Escape From Alcatraz (Fuga de Alcatraz – 1979), no qual interpretou o presidiário Frank Morris, baseado na vida do fugitivo que realmente existiu e que após estudar detalhadamente e planejar a fuga perfeita, escapou em 1962 do famoso presídio ilhado que até então era de segurança máxima. Ele nunca foi recapturado e o FBI alegou que ele possivelmente teria se afogado na travessia a nado. O que é certo é que Alcatraz foi desativada pouco depois do incidente.

Década de 1980 – Em 1982, Eastwood foi a estrela principal, diretor e produtor de Firefox, que se baseava em torno de um avião espião norte-americano e a guerra fria. No final do mesmo ano produziu ‘Thelonius Monk: Straight, No Chaser’, um misto de filme e documentário, essencial para os todos os amantes do jazz, onde retratava a vida de Thelonius Monk, o saudoso e excêntrico pianista do jazz. 

Documentário sobre o pianista de jazz, Thelonius Monk

Seguiram-se os filmes Tightrope (Um agente na Corda Bamba – 1984) de sua produção, e City Heat também em 1984, onde dividiu o estrelato com Burt Reynolds. No ano seguinte Clint reviveu o gênero western para o cinema, um clássico ao meu ver, denominado Pale Rider (O Cavaleiro Solitário – 1985), filme que produziu, dirigiu e interpretou um pastor pistoleiro. Em Heartbreak Ridge 1986), produz e dirige o filme onde também interpreta um Sargento que prepara recrutas para a invasão de Granada. Volta-se para o jazz em Bird (Fim do Sonho – 1988), com sua direção e produção, no qual retrata a vida do lendário saxofonista de jazz, Charlie “Bird” Parker. Bird foi indicado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Década de 1990 – Em 1990 foi lançado White Hunter Black Heart (Caçador Branco, Coração Negro) o qual produziu, dirigiu e interpretou um personagem baseado no excêntrico cineasta John Houston que era obcecado pela caça. Em1992 Clint produziu, dirigiu e estrelou seu último western, Unforgiven (Os Imperdoáveis) onde fez o papel de um pistoleiro aposentado. Foi, talvez, a despedida do ator com chave de ouro do gênero que o consagrou nas telas. 

Clint no Os Imperdoáveis, seu último bang-bang?!

O filme co-estrelado por Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris foi sucesso de bilheteria, sendo nomeado para nove oscars e ganhando quatro, incluindo melhor filme e melhor diretor para o próprio Clint. Seguiram-se em 1993, com sua interpretação, direção e produção, In The Line Of Fire (Na Linha de Fogo) e A Perfect World (Um Mundo Perfeito), onde contracena com Kevin Costner.
Baseando-se num best-seller, Clint Eastwood produziu, dirigiu e estrelou junto à consagrada atriz Meryl Streep, o romance The Bridges of Madison County (As Pontes de Madison-1995), outro filme que foi um sucesso de bilheteria. Ainda em 1995, produziu The Stars Fell On Henrietta. Em 1997 foi diretor em Midnight In The Garden Of Good And Evil (Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal) e estrelou como também dirigiu Absolute Power (Poder Absoluto), um suspense co-estrelado por Gene Hackman, Ed Harris e Dennis Haysbert. Em 1999, veio True Crime (Um Crime Real) com sua produção e direção que estrelou junto a Isaiah Washington, um filme de baixo orçamento, mas que obteve grande bilheteria.

Década de 2000 – Em 2000, interpretou, dirigiu e produziu, Space Cowboys (Cowboys do Espaço) estrelando ao lado de Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e James “Maverick” Garner. Sobre uma equipe de veteranos da Nasa que tinha a missão de salvar um satélite russo, antes que ele caísse na Terra.
Em 2002 realizou Blood Work (Dívida de Sangue), que também dirigiu e interpretou um agente do FBI que caçava um psicopata.
Em 2003 produziu e apresentou um documentário da série dedicada à comemoração dos 100 anos do Blues, dirigida por Martin Scorcese. No documentário denominado Piano Blues, Clint apresenta e entrevista feras do piano blues como Ray Charles, Jay McShann, Doctor John e o pianista de jazz Dave Brubeck.

Clint e Ray Charles em Piano Blues
Ainda em 2003, dirigiu e produziu Mistic River (Sobre Meninos e Lobos), pelo qual foi indicado para melhor diretor. Em 2004 aos 74 anos, estrelou, dirigiu e produziu, Million Dollar Baby (Menina de Ouro) que lhe rendeu os oscars de melhor filme, melhor diretor para o próprio Clint, melhor atriz para Hillary Swank e melhor ator coadjuvante para Morgan Freeman. Clint foi indicado para melhor ator pelo mesmo filme.
No ano de 2006, Clint dirigiu dois filmes que abordava a batalha de Iwo Jima na Segunda Guerra Mundial. O primeiro foi Flags For Our Fathers (A Conquista da Honra) no qual focava o soldado que norte-americano que ergueu a bandeira dos EUA no topo do monte Suribachi, e o segundo, Letters From Iwo Jima (Cartas de Iwo Jima) sobre as táticas das forças japonesas na batalha e dos relatos contidos nas cartas escritas às suas famílias. Os filmes foram indicados para melhor diretor e melhor filme por Cartas de Iwo Jima.
Em 2008, aos 78 anos, o velho e incansável Clint Eastwood dirige Changeling (A Troca), estrelado por Angelina Jolie. No final do mesmo ano apresenta o excelente Gran Torino, onde interpreta um sujeito idoso e veterano de guerra, rabugento e racista que acaba por se envolver com uma família de imigrantes asiáticos graças a uma tentativa de roubo do seu carro, um Gran Torino, modelo clássico dos anos 70. O filme foi bem acolhido pela crítica, mas não lhe rendeu premiação pela academia.
No final do último ano, foi realizado Invictus (2009), sob a direção de Clint Eastwood. No elenco principal estão Morgan Freeman, Matt Damon e Scott Eastwood (filho de Clint e Maggie Johnson, nascido em 1986). 

Clint dirigindo Freeman e Damon em Invictus

O filme é sobre a tentativa de Nelson Mandela (Morgan Freeman) unir o povo sul-africano (negros e brancos) após sua posse em 1994, através de um campeonato mundial de rugby realizado em 1995 na África do Sul. E para isso conta com a ajuda do capitão da seleção sul africana François Pienaar (Matt Damon). O roteiro é do sul- africano Anthony Peckham, baseado no livro Playing The Enemy, de John Carlin.
Espero que tenham gostado da minha homenagem à Clint, procurei focar mais o seu lado artístico do que o pessoal, mas ainda em tempo, é sabido que ele foi casado duas vezes, tem cinco filhas e dois filhos, de cinco mulheres diferentes. Sua atual esposa é Dina Ruiz, sendo que viveu com a atriz Sondra Locke de 1976 a 1986, sem terem filhos.
Eastwood foi prefeito de Carmel-By-The-Sea no estado da Califórnia, uma cidade destinada à comunidade artística. Eleito, Clint procurou defender a preservação do meio ambiente local e era contra o desenvolvimento da cidade por empresas locais. Ele é membro do partido republicano desde 1951, apoiou Richard Nixon em 1968, votou para Arnold Schwarzenegger para governador da California em 2003 e 2006, e se descreve como libertarista.
Chegou a ser publicado pelo jornal inglês Daily Express uma declaração de Clint que Gran Torino seria sua última atuação como ator. Será mesmo? Espero que não, pois apesar de Clint estar atualmente com nada menos com 80 anos de idade e não precisar provar mais nada a nenhum crítico especializado, seus fãs, como eu, esperam dele sempre alguma boa surpresa. Vida longa ao velho mestre, Clint Eastwood!
Obs.: Como foi citado, Clint Eastwood também se aventurou pela música, aqui alguns títulos registrados de sua conquista:

Discografia

• "Unknown Girl" (single, 1961)
• "Rowdy" (single)
• "For You, For Me, For Evermore" (single)
• "Rawhide's Clint Eastwood Sings Cowboy Favorites" (LP)
• "Paint Your Wagon" (Banda sonora)
• "Kelly's Heroes" (Banda sonora)
• "Barroom Buddies" (single, 1980) com participação de Merle Haggard
• "Cowboy in a Three Piece Suit" (single, 1981)
• "Make My Day" (single, 1984) com T.G. Sheppard
• "Eastwood After Hours: Live At Carnegie Hall"
• "Gran Torino" (single, 2009) 

Por Eumário J. Teixeira.

21 de dez. de 2009

SNOOKS EAGLIN – THE BLIND MAN BLUES R.I.P. 21/01/1936 – 18/02/2009


No mundo do blues alguns nomes se sobressaíram mundialmente e se tornaram sinônimos do próprio gênero musical que defendiam, gente como Muddy Waters, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, Elmore James, Willie Dixon, Little Walter, etc.
Outros não se tornaram tão famosos em vida devido a fatores diversos, mas nem por isso são considerados menos importantes que os demais, pois foram cruciais para a formação de uma base sólida para o blues no cenário musical norte americano. Foram eles Skip James, Eddie Son House, Bukka White, Charlie Patton e Robert Johnson, que receberam reconhecimento póstumo ou pouco antes de partirem desta para melhor.
Um grupo diferenciado, porém, teve também o seu espaço reservado e como de praxe, somente foram cultuados anos após a derradeira viagem. Estou me referindo aos “Blind Men Blues”. Citarei a princípio alguns nomes básicos como Blind Lemon Jefferson (1893/1929); Blind Blake (1895/1937); Blind Gary Davis (1896/1975); Blind Willie McTell (1901/1959); Blind Willie Johnson (1902/1947) e Blind Boy Fuller (1907/1941), para finalmente chegar ao incrível Blind Snooks Eaglin, que posteriormente preferiu retirar o ´blind` de seu nome artístico para seguir adiante.
A música de Snooks Eaglin não se limitava ao blues
O blues de Snooks Eaglin não poderia ser definido simplesmente como pertencente a um determinado estilo, pois da mesma forma que influenciado pelo country blues, também foi pelo blues elétrico de Chicago, pelo soul, funk, folk, gospel, cajun, flamenco e jazz. Todas essas tendências eram unidas e temperadas com todas as ramificações possíveis da música de New Orleans, de onde ele não gostava de arredar o pé.
Sua música é como uma combinação dos temperos mais abrasivos da culinária daquela cidade colonizada por imigrantes franceses, que recebeu também influências culturais espanholas e afro-americanas; é impossível experimentar e não dizer: “Uau! Tá queimando... mas é muito bom...quero mais!


The blind man blues
Sua pegada, seja na guitarra acústica ou elétrica são inconfundíveis para quem acompanhou seu trabalho, seus solos econômicos e ao mesmo tempo magistrais não ficam devendo para nenhum guitarrista conhecido seja branco ou negro independentemente de qualquer estilo.
Snooks perdeu a visão quando criança, adaptou-se e desenvolveu uma técnica de tocar à sua condição especial e se sobressaiu de tal forma que só podermos entender como um dom dado por Deus. Ele nasceu para isso, tocar, cantar, respirar e transpirar a boa música, até que o Senhor achasse que seria a hora de parar. Ele soube compensar a perda da visão e de certa forma foi premiado com uma sensibilidade acima da média para interpretar o blues.
 


O glaucoma não o impediu de tocar com maestria
Biografia - Snooks Eaglin nasceu Fird Eaglin Jr., em 21 de janeiro de 1936 na cidade de New Orleans, do estado de Louisiana. Foi fortemente influenciado pelo vocal de Ray Charles, tanto que nos anos de 1950 se denominava “Little Ray Charles”. Conhecedor de inúmeras músicas dos mais variados estilos, Eaglin afirmava que seu repertório incluía mais de 2.500 canções, não sendo por acaso seu apelido de “the human jukebox”. Suas apresentações ao vivo eram sempre improvisadas, nunca tinha uma lista de canções determinadas para interpretar, cantava e tocava o que vinha na cabeça.
Eaglin começou a sofrer de glaucoma a partir do primeiro ano de vida, perdendo aos poucos sua visão, sendo que acometeu-se também de uma série de outros problemas de saúde que o obrigou a permanecer por alguns anos internado em hospitais. Por volta dos cinco anos de idade ganhou do pai uma guitarra, ele aprendeu a tocá-la por conta própria ouvindo blues e jazz no rádio. O garoto travesso ganhou o apelido “Snooks” de um personagem de um programa de rádio chamado “Baby Snooks”.
Em 1947 aos 11 anos de idade, Snooks ganhou uma concurso organizado pela estação de rádio WNOE, tocando “Twelfth Street Rag”. Três anos depois ele deixaria a escola para cegos para se tornar músico profissional. Em 1952, Eaglin ingressa nos Flamingoes, uma banda local iniciada por Allen Toussaint. Na banda, em acordo com os demais membros, Eaglin tocava tanto baixo como a guitarra. Snooks permaneceu com os Flamingoes por vários anos, mais ou menos até a metade da década de 1950.

O jovem Ford Eaglin e suas pequenas admiradoras
Sua carreira solo foi inconsistente, em termos de gravações, apesar de quase 50 anos de profissionalismo. Sua discografia não foi tão diversa. Sua primeira gravação aconteceu em 1953, tocando guitarra numa sessão para James “Sugar Boy” Crawford.
O primeiro álbum solo já com seu pseudônimo, veio através de Harry Oster, um folclorista da Universidade do Estado de Louisiana, que o encontrou tocando nas ruas de New Orleans. Oster realizou as gravações de Eaglin entre 1958 e 1960 durante sete sessões. Estas gravações magistrais foram registradas em álbum do selo Prestige/Bluesville. As gravações eram de estilo ‘folk blues’ e Eaglin arrasa com apenas sua guitarra acústica sem uma banda de apoio.
De 1960 a 1973 Eaglin gravou pela Imperial. Ele tocou guitarra elétrica nas sessões pela Imperial com uma banda no fundo que incluía James Booker no piano e Smokey Johnson na bateria. Eaglin gravou um total de 26 faixas que puderam ser apreciadas no cd The Complete Imperial Recordings. A maioria do material fora escrito por Dave Bartholomew. Ao contrário das gravações na Harry Oster Recordings, esse trabalho na Imperial foram de rhythm & blues típico de New Orleans, no estilo que o tornou amplamente conhecido até hoje. Depois da Imperial, em 1964, ele gravou sozinho com uma guitarra para a Swedish Broacasting Corporation, o que culminou em I Blueskvart 1964:Vol. 3. Quanto ao restante da década de 1960, aparentemente não se registrou nenhuma outra gravação.


Eaglin (guitarra) dando uma força ao Professor Longhair (piano)
Seu próximo trabalho seria para uma gravadora sueca, a Sonet em 1971, em The Legacy Of Blues Vol. 2. Um outro álbum Down Yonder foi realizado em 1978 no qual se destacava Ellis Marsalis no Piano. À parte de seu próprio trabalho, ele gravou com Professor Longhair em 1971 e 1972 registrado em Mardi Gras In Baton Rouge. Eaglin também tocou guitarra estilo funk no primeiro álbum de The Wild Magnolias gravado em 1973.
Na década de 1980 ele se integra à gravadora Black Top Records. Foram os anos mais consistentes de sua carreira. Entre 1987 e 1999, ele gravou quatro discos de estúdio e um disco ao vivo e ainda participou como convidado de um bom número de gravações de outros artistas da Black Top, como Henry Butler, Earl King e Tommy Ridgley.
Depois da Black Top fechou as portas, Eaglin realisou The Way It Is na gravadora Money Pit Records, produzido pelos mesmos irmãos Scott da extinta Black Top. Em 1997 a versão de Eaglin para “St. James Infirmary”, se destacou num anúncio da Budweiser para TV no Reino Unido.



Ford "Snooks" Eaglin detonando em New Orleans
Infelizmente para todos os amantes da boa música, Snooks Eaglin faleceu vítima de ataque do coração no Ochsner Medical Center de New Orleans em 18 de fevereiro de 2009. Ele tinha recebido um diagnóstico de câncer de próstata em 2008 e havia se internado para tratamento. Snooks tinha esperanças de voltar a tempo para se apresentar no Festival de Jazz de New Orleans que se realizaria na primavera de 2009.
Por muitos anos Eaglin morou em St. Rose no subúrbio de New Orleans com sua espôsa Dorothea. Embora ele não se apresentasse muito em shows ao vivo, ele regularmente aparecia no Rock n’ Bowl em New Orleans, e também no New Orleans Jazz Fest.
Esta foi minha pequena homenagem ao grande músico e bluesman, que apesar de não ter sido tão reverenciado e reconhecido como merecia, sabemos eu e os que o conheceram, ou que pelo menos escutaram sua voz e suas guitarras em discos, que seu seu valor era inestimável para todos os amantes da música de qualidade e do bom, velho e incorruptível blues. 



O essencial The Legacy of the Blues Vol. 2
Discografia básica de Snooks Eaglin:
- That´s All Right (Prestige/Bluesville) 1961
- The Legacy Of The Blues Vol. 2 (Sonet) 1971
- Down Yonder – Snooks Eaglin Today ! (Sonet) 1978
- Baby, You Can Get Your Gun! (Black Top) 1987
- Out Of Nowhere (Black Top) 1989
- Country Boy Down In New Orleans (Arhoolie) 1991
- Teasin’ You (Black Top) 1992
- Soul’s Edge (Black Top) 1995
- Soul Train From ‘Nawlins: Live At Park Tower:Live At Park Tower Blues Festival ’95 (Black Top) 1996
- The Way It Is (Money Pit) 2002
- New Orleans Street Singer (Smithsonian Folkways) 2005


Snooks Eaglin, uma lenda subestimada do blues de New Orleans
Um link no you tube onde Snooks Eaglin canta e toca "Baby Please":
Eumário J. Teixeira