ACABEM COM O GENOCÍDIO NA FAIXA DE GAZA

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01/03/2010

O GRITO


Definição: Nos dicionários consta que grito é o mesmo que “clamor, berro, brado”. Em outro encontrei que seria “voz emitida com força para ser ouvida de longe, voz de alguns animais” ou “o grito do Ipiranga: brado de independência ou morte! dado pelo príncipe D. Pedro I, às margens do Ipiranga em 7 de setembro de 1822”. Veio daí a expressão “ganhar no grito”?

Edvard Munch
O grito na arte: O grito foi retratado de forma trágica num quadro do pintor norueguês Edvard Munch, um dos precursores do expressionismo, em 1893. A pintura mostra uma figura andrógina num momento de angústia profunda e desespero existencial. São várias as hipóteses para a inspiração de Munch para O Grito (Skrik, no original). Uma delas foi sua própria vida que foi foi pautada por tragédias, como a perda da mãe e uma irmã quando ele era apenas uma criança, o rompimento dele com seu pai quando adulto, o envolvimento desesperador e sofrível com uma mulher casada, o internamento de sua irmã favorita num asilo psiquiátrico, a morte de outra irmã pouco depois de se casar e, por fim, o reconhecimento tardio de sua obra.
"O Grito" de Munch
A dor de O Grito, de Munch, não está presente apenas no personagem, ao fundo nota-se em destaque que a vida para quem sofre não é mesma que as outras pessoas vêem, tudo que faz parte dela é doloroso também e, talvez por isso, nos identificamos tanto com o personagem da pintura, pois podemos sentir a dor e o grito desesperado dado por ele. Basta interagir com o mundo disforme e distorcido retratado na obra, que nos perturbamos e somos tocados diretamente nas profundezas de nosso ser.
O Grito de Munch se tornou popular posteriormente após sua morte em 1944, só para exemplificar, em 1961, a revista Time destacou O Grito na capa de uma edição dedicada aos complexos de culpa e ansiedade; nos anos 80, o artista plástico Andy Warhol realizou uma série de trabalhos dedicados à obra de Munch, incluindo uma reinterpretação de O Grito; em 1991, o muralista Robert Fishbone criou uma versão de um boneco inflável que vendeu milhares de cópias em todo o mundo; o quadro também apareceu duas vezes na série de desenhos de Os Simpsons. O Grito é pop!

O grito no Cinema: O eterno Tarzan, Johnny Weissmuller, a partir de 1931, soltou o grito mais famoso de todos os tempos nas telas. É claro que na verdade, nenhum ser humano poderia berrar daquele jeito. Tudo indica que era uma colagem de sons de um barítono, uma soprano, cães uivando e violinos. De qualquer forma, Tarzan, ou melhor, Weissmuller morreu em 1984 aos 79 anos, reivindicando a autoria do grito épico. Ninguém jamais soube ao certo a fórmula mágica daquele grito: OOOUOOOUUUOOOHHHH !!!!! 
Janet Leigh, na banheira, gritando de pavor
Outro grito famoso foi o de Janet Leigh, na famosa cena do chuveiro em "Psicose" dirigido por Alfred Hitchcock em 1960.
Ghostface, o assassino psicopata da série de filmes Scream (Pânico), esconde seu rosto sob uma máscara inspirada na obra O Grito.




O grito na música: Em inglês, grito é “shout”. Nos anos de 1930, uma derivação do blues (gênero musical afro-americano) surgiu em Kansas City pela necessidade dos cantores dos botequins tinham de se fazer ouvir, já que o ambiente barulhento e a competição com os instrumentos musicais os obrigavam a berrar em vez de cantar. Daí o motivo dos “shouters” ou berradores, surgirem. Alguns dos mais famosos foram Big Joe Turner e Jimmy Rushing. 
Big Joe Turner, o blues gritado
No início de carreira os Beatles já cantavam (ou gritavam) "Twist and Shout"; alguns anos depois na década de 1970, Ian Gillan, ex-vocalista da banda inglesa Deep Purple, fazia escola com seu gogó que marcou definitivamente o rock. Se quiser conferir, escute o cd "Machine Head", considerada a obra prima da banda, e o duplo ao vivo "Made In Japan".

 

O grito como válvula de escape: O grito pode ter significados diversos dependendo da ocasião, pode ser uma forma de confissão explosiva de total incapacidade diante de uma situação inesperada que foge do controle, como pode também ser uma forma de espantar as dúvidas e temores de uma mente temporariamente confusa que precisa urgentemente ordenar seus pensamentos para administrar uma situação conflituosa.

Soltando o grito !!!!!
No momento em que digito estas palavras, por exemplo, faz um calor insuportável e meu humilde ventilador não está correspondendo à altura, assim estou me controlando para não soltar um grito e bradar em alto e bom som: Que calor infernal !!!!!! O saudável seria libertar este meu incômodo interior através de um grito e chute simultâneos no dito cujo, mas não farei isso, pois acabaria por assustar os que estão na sala de tv, os que estão dormindo, os vizinhos etc.

O grito nas artes e disciplinas orientais: Nas disciplinas de combate, principalmente nas artes marciais japonesas, como o Karatê (O Caminho das mãos vazias) e o Kendô (O Caminho da Espada), o grito ou Kiai, é essencial para o desempenho satisfatório num combate. O kiai expele e repele tudo o que é ruim, que te faz desconcentrar, que te impõe medo e que te faz recuar. O Kiai tem um duplo objetivo: 1º – gerar uma energia maior no momento do ataque; 2º – amedrontar o inimigo e até mesmo paralisá-lo, deixando-lhe vulnerável.


O kiai do samurai expele e gera o mêdo no combate
Li em algum livro ou revista, que o grito foi uma forma de arte praticada até por monges budistas japoneses com o intuito de curar vítimas de síncope (uma perda súbita de consciência acompanhada por ausência de respiração e circulação). A arte conhecida como Kiai-jitsu era usada como forma terapêutica pelos monges ao emitirem determinados sons. Dizem também que até os milenares Ninjas usavam a arte sonora para matar adversários, ao paralisarem com um kiai mortal, centros cerebrais específicos.

O grito, ou kiai, é usado por todos nós inconscientemente de uma forma mais rudimentar, como por exemplo, ao contrair os músculos do abdome para levantar um peso, você emite um grunhido no momento de maior esforço. Especialistas dizem que se treinar e desenvolver o kiai, você poderá usar mais eficientemente seu potencial energético, utilizando-o na arte marcial voltada para a defesa pessoal ou esporte, como também obterá melhor desempenho com menor esforço em atividades rotineiras.

O grito e seus efeitos: Uma forma de provar você mesmo os efeitos do kiai é esta: fique de pé, imóvel, se concentre, e de repente dê um grito. Você sentirá uma contração involuntária dos músculos abdominais e uma onda de calor atravessando o corpo. Em seguida, experimente dar um soco ou chute sem gritar, em seguida, tente o soco e o chute ao mesmo tempo em que grita. Terá uma sensação diferente, ou seja, explosiva!

Bruce Lee: Huáááhhh !!!

Por outro lado, uma forma de fazer alguém provar os efeitos do grito, é essa: Numa conversa informal com uma pessoa (que não pode ser desconhecida, idosa, estressada ou cardíaca), grite de repente. O seu kiai vai mesmo assustar ou até levar ao pânico a pessoa que não está esperando pelo seu berro.

Conclusão: É certo que o medo de ruídos altos e repentinos é um dos instintos naturais do homem. Um grito surpreendente pode por um momento descontrolar totalmente um quadro de reações físicas e mentais consideradas normais. De imediato, tremores, fraqueza da musculatura, aceleração das batidas do coração e suores frios, poderão ocorrer. É momento em que os adversários momentaneamente paralisados, devem ser abatidos.

O grito também serve para encobrir, mesmo por um instante, o seu medo interior, pois o que transparece exteriormente para o adversário é uma atitude audaz e corajosa que o pega de surpresa, e o grito se torna a expressão de sua determinação e autoconfiança.

O grito também pode ser comparado ao blefe no jogo de pôquer, um verdadeiro blefe sonoro, dependendo da situação, é claro. Talvez você não tenha a cartada certeira, mas você deve agir como se a tivesse. O espírito de luta de um combatente quando se lança contra o inimigo pode ser medido pela intensidade de seu kiai.

O medo e a emoção podem liberar em nós energia reservas ocultas, que podem nos levar a realizar certas proezas nunca imaginadas em condições normais. Com o grito liberamos energia extra, desabafamos, nos defendemos, atacamos e exorcizamos tudo que nos aflige e nos tortura.



O grito medonho de Yoko Ono ainda assombra...
Para finalizar, tenho de dizer que um dos gritos mais insuportáveis e irritantes que já ouvi, foi o de Yoko Ono, viúva de John Lennon, numa apresentação ao lado do ex-beatle, Eric Clapton e Keith Richards registrado no filme “Rock ‘n’ roll Circus”. Aquele berro botava para correr qualquer samurai; os gritinhos mais desprezíveis para mim sempre foram os de Michael Jackson; os mais temidos foram os de Bruce Lee; o mais famoso sem dúvida era o de Johnny “Tarzan” Weismuller, apesar das piadinhas sobre a origem do mesmo.

Por tudo isso, não seja acanhado e berre à vontade, clame pela misericórdia de Deus, grite de alegria, de tristeza, para desabafar, por medo de alguma coisa, para espantar algum ladrão, grite que te fará bem, mas longe de mim! Está muito quente, estou estressado e possivelmente eu gritaria de volta (hehehehe!).

Para encerrar um link do you tube em homenagem ao griiitooooo!!!!:

Por Eumário J. Teixeira.

2 comentários:

  1. eu diria quase o mesmo sobre o choro!sempre fiquei surpresa com a dificuldade com que as pessoas em geral lidam com o choro.Sempre dizem _"deixa lá,não chores!"
    Era melhor dizer_"Chora,chora quanto precises,eu estou aqui e faço-te companhia1"

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  2. Huumm!
    Bela mistura de arte, cultura, humor, ciência, artes marciais, biologia...!!!

    Mais uma vez, adorei!!
    Parabéns!!

    Soraya

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