1 de abr de 2013

MAGIC SLIM MORREU, O AUTÊNTICO BLUES DE CHICAGO ESTÁ DE LUTO

MAGIC SLIM - 1937/2013

Ainda está em tempo, mesmo que seja uma má notícia, mas o fato não pode passar desapercebido para quem curte a boa música. Venho então informar a quem não sabe, que o blues está agonizando com mais um duro golpe, na verdade, não só o blues mas, repito,  a boa música sofre mais uma grande perda, com a passagem de Magic (Morris Holt) Slim no início de 2013. Magic Slim não teve grande fama como seus contemporâneos e guitarristas mais concorridos como Buddy Guy, Magic Sam, Otis Rush, Luther Allison ou Freddy King, na era de ouro do blues elétrico durante a metade anos de 1950 até meados da década de 1960 e vale lembrar que estas lendas do blues surgiram graças à explosão revolucionária dos mestres Muddy Waters e Howlin’ Wolf, os responsáveis diretos pela eletrificação do blues em grandes centros urbanos, principalmente na cidade industrial de Chicago. Magic Slim "comia pelas beiradas" e apesar de ter tocado inicialmente baixo elétrico na banda de seu grande amigo Magic Sam (responsável pela alcunha “Magic Slim”) no início dos anos de 1950, Slim só viria a se destacar depois de formar sua própria banda e empunhar definitivamente uma guitarra elétrica. 

O  ainda jovem Morris "Magic Slim" Holt

Magic Slim nasceu no ano de 1937 em Grenada, no Mississipi. O jovem Morris Holt se interessou a princípio pelo piano, mas graças a um acidente com uma máquina de colher algodão que o fez perder o dedo mínimo da mão direita, ele foi obrigado a adotar a guitarra acústica.
Aos 18 anos foi para Chicago e foi convidado pelo companheiro de luta e lendário guitarrista, Magic Sam (Samuel Maghetti), para tocar baixo em sua banda. Como Slim não teria se entrosado com os outros componentes do grupo, retorna ao velho Mississipi e recorre ao seu irmão Nick que assumiu o baixo elétrico, com ele a guitarra e mais um baterista, formando assim a primeira versão dos Teardrops no início dos anos de 1960.
Uma das características mais notáveis de Magic Slim foi sua simplicidade, apesar do inseparável chapéu texano, de seus 1,98m e corpanzil forte, ele somava ao seu carisma, muita simpatia, bom humor e desapego ao estrelismo; além disso, Magic Slim tinha uma técnica de tocar ímpar, que unia o slide e o vibrato, o que lhe proporcionava um som econômico e sem virtuosismos de sua guitarra, mas que alcançava no tempo certo e preciso o clímax necessário para um blues balançante. 

Slim representava o autêntico blues de Chicago
Nas décadas de 1970, 80 e 90, os ícones do blues elétrico iam desaparecendo aos poucos, e o gênero começava a cambalear enfraquecido. Coube a figuras como Magic Slim segurar a onda, inspirando os jovens em todo o mundo que não tiveram a oportunidade de escutar o autêntico blues elétrico de Chicago. E ele cumpriu sua missão com competência, gravando mais de 30 discos e fazendo shows por todo o mundo, inclusive vários deles no Brasil, encantando a todos por sua simplicidade, simpatia e o som contagiante dos Teardrops.
Magic Slim soube manter a chama do velho blues acesa, agora com mais essa perda, poucos dos grandes nomes ainda resistem na caminhada como Buddy Guy, Otis Rush, Joe Louis Walker, Billy Boy Arnold e B. B. King.
Nos últimos anos, Magic Slim era obrigado a se apresentar sentado devido a problemas com o seu quadril, que somado à sua idade avançada e vida sedentária, também sofria com outras complicações com os pulmões e coração, graças seus vícios de fumar e de beber garrafas inteiras de Jack Daniel’s, sem contar com o sobrepeso e sua resistência à uma dieta controlada certamente recomendada pelos médicos. Mas mesmo com tantos problemas físicos, a qualidade de suas últimas apresentações e discos (ou cds) se mantiveram em alta qualidade. 

Magic Slim, carisma e simplicidade
Os discos de Magic Slim são a meu ver todos recomendados, não se deve procurar neles nenhuma pitada de genialidade ou inovação, mas com certeza se achará em suas gravações e shows, muito profissionalismo, competência, entrega, garra e o que blues mais oferece, balanço e muito ‘feeling’. Posso citar dentre o muitos de sua boa discografia: Highway Is My Home (1978); Grand Slam (1982); Raw Magic (1983); Black Tornado (1998); Blue Magic (2002); Midnight Blues (2008) e Bad Boy (2012).

Infelizmente no dia 21 do mês de fevereiro de 2013, Magic Slim faleceu em decorrência  do agravamento de seus vários problemas de saúde, com o comprometimento dos pulmões e rins e sangramento de úlcera, que o obrigaram a abandonar uma turnê no mês de janeiro deste ano para se tratar. Se queixando de dificuldades para respirar, Slim foi internado num hospital na Filadélfia, na costa leste dos Estados Unidos, mas acabou não resistindo e partindo aos 75 anos. A mágica do blues jamais será mais a mesma. God, have mercy...

Capas de alguns cds de Magic Slim

 Por Eumário J. Teixeira. 

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