8 de set de 2012

JO-ANN KELLY – A Rainha do Blues Britânico


Quem nunca ouviu falar de Janis Joplin? Aquela branquela norte-americana que cantava blues com toda sua alma. A característica de Janis Joplin era a garra com que atuava nos palcos com sua voz rouca e potente que somada ao seu carisma natural hipnotizava a todos os ouvintes da platéia. “Ela nasceu com a cor da pele errada, deveria ter nascido negra...”, diziam alguns. Janis era única, impressionou a todas suas concorrentes no rock, como Mama Cash (Mamas and the Papas) que ficou de boca aberta impressionada com sua apresentação no Festival de Monterey em 1967. Janis Joplin apreciava o blues desde garotinha e idolatrava cantoras negras pioneiras de blues como Bessie Smith e Big Mama Thornton; associou o blues ao rock, como era de praxe em meados dos anos de 1960, agregando ainda ao seu estilo explosivo elementos psicodélicos que davam mais atrativos à sua performance. Nenhuma cantora era páreo para Janis Joplin, ao menos nos Estados Unidos da América, porque na Grã Bretanha, mais precisamente na Inglaterra, outra branquela metida a negra dava o seu recado com muita competência, e melhor, com sobriedade, ao contrário da louquíssima Janis Joplin. O nome da inglesinha (com cara de bibliotecária) quase subestimada e não tão lembrada no mundo do blues-rock quanto rival americana, era Jo-Ann Kelly. Ela era loura, usava óculos de grau, não era esteticamente muito atraente, mas era muito competente tanto para cantar quanto para tocar, sem falar que era realmente conhecedora do blues de raiz, pois estudava e pesquisava sobre o gênero sem cessar. A seguir um breve resumo da vida dela, uma quase desconhecida das enciclopédias do rock e do blues-rock, mas certamente uma figura respeitada pelos apaixonados e estudiosos do blues primitivo: Jo-Ann Kelly.

Jo-Ann Kelly – Ela era uma cantora e guitarrista inglesa de blues acústico, ou de raiz, das mais autênticas surgidas no velho continente. Seu estilo de tocar era baseado em grandes personagens do blues tradicional de raiz.
Jo-Ann nasceu no sul de Londres, na cidade de Streatham em 5 de janeiro de 1944. Desde a adolescência, ela e seu irmão, Dave Kelly, se apaixonaram pelo blues e ambos participaram ativamente da explosão do blues britânico em meados dos anos de 1960. Poucas mulheres tinham a habilidade para tocar, cantar e o conhecimento sobre o blues de raiz como Jo-Ann Kelly, assim, não demorou que ela fosse notada no meio de todo aquele boom musical. Sua voz era incrivelmente poderosa, profunda, e de uma qualidade tonal perceptíveis apenas em cantoras negras de jazz, blues ou gospel como Dinah Washington ou Sister Rosetta Tharpe; e seu estilo vigoroso de tocar guitarra acústica era fortemente influenciado por  Memphis Minnie, Son House e Charlie Patton.
Jo-Ann viria fazer a sua primeira gravação aos 20 anos, um compacto de produção privada. Em seguida, após formar uma parceria musical com o também inglês e excelente guitarrista de blues, Tony McPhee (dos Groundhogs), acabou por gerar duas compilações pela Liberty Records, nas quais se destacava: Me And The Devil (1968) e I Asked For Water, She Gave Me Gasoline (1969).
Ainda no finalzinho da década de 1960, Jo-Ann participou de uma jam session com a banda californiana de blues rock, Canned Heat, no Second National Blues Convention, e se saiu tão bem que os membros do Canned Heat a convidaram para se integrar ao grupo; a proposta não foi aceita por Jo-Ann Kelly. Ela também recusou uma oferta do bluesman e guitarrista texano, Johnny Winter. Sua recusa aos convites tem haver com sua fidelidade ao som do blues de raiz, caracterizado por um vocal potente e essencialmente pelo instrumental acústico.
Mesmo não abrindo mão do seu trabalho solo, ela não recusava convites para gravar em estúdios e shows esporádicos com bandas de blues elétrico.
Em 1968 e 1969 participou dos álbuns da The John Dummer Blues Band.
Ainda em 1969, gravou com a banda Tramp, um super-grupo composto de membros de outras bandas como Danny Kirwan (guitarra) e Mick Fleetwood (bateria), do Fleetwood Mac; Bob Hall (teclados) do Savoy Brown; Bob Brunning (baixo), Dave Brooks (Sax tenor) do Manfred Mann; Dave Kelly (vocais), entre outros.
Em 1971 é lançado um álbum no qual Jo-Ann fez outra parceria com Tony McPhee, intitulado Same Thing On Their Minds. No mesmo ano participa do álbum solo de seu irmão Dave Kelly, ao lado de Bob Brunning e Peter Gee (na verdade Peter Green, guitarrista e fundador do Fleetwood Mac). Em seguida excursionou pelo velho continente com o violonista Pete Emery.
Em 1972 foi lançado um álbum no qual foi acompanhada por Woody Mann, John Miller e pelo também estudioso e guitarrista de folk & blues, o norte-americano John Fahey; no mesmo ano participou do álbum Kings Of  The Robot Rhythm da banda Chilli Willi & The Red Hot Peppers.
Em 1974 participa novamente com seu irmão noutra gravação para o Tramp, resultando no álbum Put A Record On.
Em 1976, grava um álbum com Pete Emery intitulado Do It, pelo selo Red Rag.
Em 1979, junto ao irmão Dave e o primeiro baixista do Fleetwood Mac, Bob Brunning, fundam a The Blues Band.
Em 1980, Jo-Ann Kelly acompanhada pela The Blues Band prestou um tributo a algumas cantoras negras de blues que a inspiraram, no show intitulado Ladies And The Blues.
Ela também chegou a integrar a Terry Smith Blues Band ainda em meados dos anos de 1980.
Apesar de sua discografia solo oficial ser pequena, Jo-Ann fez inúmeras gravações de muita qualidade que foram resgatadas em compilações posteriores.
Em 1988, Jo-Ann começa a sofrer com regulares dores de cabeça, e no ano seguinte é operada do cérebro de onde é retirado um tumor maligno. Aparentemente recuperada em 1990, ela volta a excursionar com seu irmão. Uma de suas últimas performances foi no festival em Lancashire em agosto de 1990, onde ainda foi premiada como Cantora do Ano pela British Blues Federation.
Sua última performance foi no Three Horseshoes em Doncaster no dia 22 de setembro de 1990. Pouco depois Jo-Ann passaria mal e morreria em 21 de outubro de 1990 aos precoces 46 anos.

Confira Jo-Ann Kelly neste link:
http://youtu.be/L6aIIe8dkd0

Por Eumário J. Teixeira 

2 comentários:

  1. Existem duas formas de destruir a misericórdia: eliminando o pecado e eliminando o perdão. Estas são precisamente as duas atitudes mais comuns nos dias que correm. Numa enorme quantidade de situações não se vê nada de mal. Naquelas em que se vê, não há desculpa possível. As acções do próximo ou são indiferentes ou intoleráveis. O que nunca são é censuradas e perdoadas. O que nunca se faz é combinar o repúdio do pecado com a compaixão pelo pecador.

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    1. Obrigado pelo comentário Faroleiro, ainda que não veja relação com a postagem de Jo-Ann Kelly.
      O que posso te dizer é que o Deus da Bíblia, em que acredito, realmente repudia o pecado, o pecador e a nossa natureza iníqua, mas teve misericórdia e compaixão por todos nós ao enviar Seu Único Filho para nos dar uma oportunidade de arrependimento e salvação. Seja lá quem você seja, continue participando, mas dê sua opinião sobre a postagem em questão. Até!

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